
“[…] Sem sonhos, não temos propósito… Sem sonhos estamos sem vida. Nunca desista do seu propósito.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com THIAGO SALES DE SOUZA LOUREIRO, aprovado em 62º lugar no Concurso CGE-SP para o cargo de Auditor Estadual de Controle – Auditoria:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Thiago Sales De Souza Loureiro: Salve, salve, Corujas Concurseiras! Meu nome é Thiago Loureiro, tenho 44 anos, sou paulistano de nascença e “naturalizado” santista. Sou formado em Administração, Gestão Pública, especialista em Gestão Educacional e estudante de Ciências Contábeis.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Thiago: Durante minha infância e juventude tive como duas referências meu pai e meu padrinho, altos executivos de grandes empresas do mercado privado, então minha inspiração era seguir os passos deles, porém não estava fácil ingressar na minha área e as coisas pioraram quando os vi ficar em uma situação muito difícil após uma demissão, mostrando que o “jogo” ali estava viciado: difícil de entrar e muito fácil de ser chutado, nisso encontrei o mundo dos concursos e fiz minha vida no setor público, encarando isso como uma missão e não apenas um trabalho.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Thiago: Sim, trabalhava e estudava, a maioria dos aprovados teve uma situação parecida (tanto como empregados CLT, como autônomos ou servidores públicos). Obviamente que o cargo público proporcionou algumas facilidades, como usar licenças-prêmio para ter um tempo extra maior para aumentar a carga horária, mas no pós-edital da CGE/SP não pude lançar mão desse artifício (já havia feito no pós do TCE/SP, meses antes) então o jeito foi dar o “all in”: sacrifiquei academia, visita à namorada… todo tempo que tinha era dedicado a estudar pesadamente, com alta intensidade. Aproveitava até mesmo horas de almoço e permanecia após o expediente estudando para aproveitar o ambiente mais tranquilo.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Thiago: A primeira aprovação foi na Prefeitura de Santos em 2006, onde permaneci até este mês. Além disso, fui aprovado nos seguintes concursos:
-Autoridade Portuária de Santos (APS, antiga CODESP) para ESPECIALISTA PORTUÁRIO – ADMINISTRADOR (1º lugar);
-ARSESP para ANALISTA DE SUPORTE À REGULAÇÃO (11º lugar);
-ARTESP para ANALISTA DE SUPORTE À REGULAÇÃO (7º lugar).
Também fiquei no Cadastro de Reserva de outros concursos, como IBAMA e TCE/SP (meu GRANDE sonho), pretendo continuar estudando apenas para o TCE/SP DIPE e talvez a CGU se abrir lotação para São Paulo. Questões de foro privado me impedem de sair do Estado.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Thiago: Houve grandes renúncias nesse período, mas não um afastamento total – pois isso seria insalubre. Mantive como rede de apoio próxima a minha namorada, meu filho e minha mãe, ainda assim pedi a eles muita paciência, sobretudo no pós-edital da CGE/SP, concurso que enxergava como a “última chance” para não ter que me aventurar fora de São Paulo. Apesar de ter reduzido drasticamente as interações sociais, o estudo para concursos é um processo que se constrói com disciplina, constância e intensidade de modo que em dado momento tirar um dia para ver a apresentação da banda do meu filho, comemorar o aniversário da minha mãe ou ir a um show com minha namorada não prejudicava o progresso. É mais ou menos como estar fazendo uma dieta e ter um “dia do lixo”: é bom até para que haja aderência à rotina e manter a constância.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Thiago: Não posso reclamar em momento algum de falta de apoio! Praticamente todo mundo do meu círculo social mais estreito ficou do meu lado, tive apoio emocional da minha namorada e no cotidiano da minha mãe e meu filho, que, dentre outras coisas, me livraram de lavar louça e fazer tarefas de casa que tomavam tempo precioso, até os meus colegas de trabalho e chefes foram sensacionais comigo, especialmente por não obstarem o usufruto das licenças-prêmio e férias e isso certamente fez muita diferença.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Thiago: Todo estudo para concurso é um processo. É como construir uma casa: faz-se o alicerce, erguem-se as vigas, colocam-se os tijolos, as instalações elétricas e hidráulicas, o reboco, o acabamento e a arte final, então o êxito aqui foi o somatório de sucessos e fracassos anteriores, de um processo de melhoria contínua onde enfrentamos a nós mesmos diuturnamente. É um papo meio de coach e parece clichê, mas é o que é: precisamos saber o que queremos e entender que não há atalhos para se chegar lá, que cada dia é um dia e “tem dia que é noite”, em que tudo vai dar errado e o rendimento vai ser péssimo, mas há outros em que tudo irá fluir. O importante é não deixar de fazer, não deixar de manter a rotina. Creio que o que me motivou mais a perseguir esse objetivo era uma junção da vontade de mudar de vida e a sensação de “porta se fechando” que era a passagem da onda de concursos de controle em São Paulo, que me fez dar um gás a mais.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Thiago: “Meu método” é um pouco diferente do convencional, eu tendo a reter mais as coisas pela “performática” do orador, então prefiro as videoaulas aos PDFs, embora acredite que uma coisa não exclua a outra. Todo o meu contato com a parte teórica – sobretudo os primeiros – era feito por meio de videoaulas. Vencidas as videoaulas, fazia as questões do PDF correspondente, anotava os erros, buscava a correção deles no próprio PDF e montava meus bizus em slides, tentando sintetizar ao máximo as palavras-chave e depois caía em cima das questões em larga escala e semanalmente provas antigas da área de controle como um simulado, aferindo o resultado e comparando com a listagem oficial do concurso (exemplo: se fiz uma prova da CGE/PB, olhava a lista oficial e via em qual posição eu ficava caso tivesse feito a prova pra valer). Assim, priorizei o chamado “estudo ativo”, recorrendo ao material completo como fonte de consulta.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Thiago: Quando voltou a estudar para concursos, no final de 2023, tentei usar da mesma metodologia acadêmica que usei in 2006: livros, resumos manuscritos, redações longas sobre cada um dos temas. Isso se mostrou contraproducente, tanto pelo tempo que tomava como pela abundância de matérias que tornava impossível ter a bibliografia correspondente. Então eu parti para a internet e encontrei meu grande inspirador, o Professor Rodrigo Rennó, dando excelentes aulas de administração pelo Estratégia e depois fui vendo que muita gente aprovada em bons concursos usava o material, sendo uma prova social de que ele fornecia os insumos necessários para obter a aprovação.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Thiago: Sem dúvidas os professores são, na minha opinião, o grande diferencial do Estratégia. Eles conseguem sintetizar assuntos densos e complexos além de simplificar teorias difíceis para que sejamos objetivos na hora de marcar o “x” no lugar certo (O Herbert, em especial, é mestre nisso!). Também merece uma menção o Passo Estratégico, material mais sintético que é bem útil para rever um determinado assunto visto em outro momento e servir como uma boa revisão ou “speed run” quando temos um pós edital puxado pela frente.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Thiago: Usava um ciclo de estudos com cerca de 4 matérias por dia, não conto horas líquidas, mensurava mais pelo número de questões resolvidas (sempre com uma análise de todo o contexto e alternativas, que escrevia em meus resumos), nunca abaixo de 170 por dia e chegando até a 330 em finais de semana (creio que no pós edital da CGE/SP resolvi algo como 30.000 questões, todas elas com as respectivas análises).
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Thiago: As revisões eram feitas sobre questões e os materiais construídos ao longo do estudo regular (anotações, slides e grifos). Procurei mapear as bancas (sobretudo a FGV, que foi a banca deste concurso) e priorizava os assuntos com maior incidência, por exemplo: em AFO a FGV costuma cobrar uma fórmula para achar o superávit financeiro e o excesso de arrecadação (algo que só ela faz), isso foi visto e revisto até naquela típica “revisão de porta de prova”, nas anotações de caderninho e post-its!
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Thiago: Muito importante, inclusive quando se está absorvendo as bases do conteúdo. Mas partir para um “estudo por questões” só vai ter efetividade quando já se tem o conteúdo assimilado, seja pelas vídeo-aulas ou pela leitura dos PDFs (não recomendo partir para questões sem isso!). Creio que desde meu retorno aos concursos, no segundo semestre de 2023, tenha realizado cerca de 55.000 questões (30.000 só no pós edital da CGE/SP).
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Thiago: A primeira grande barreira foi AFO… Como eu detestava essa matéria! Curiosamente é hoje uma das que eu mais gosto. Além disso, as temidas CONTABILIDADE e ECONOMIA. Creio que as dificuldades sejam pelo excesso de normatizações sobre conceitos abstratos. O que tentei fazer para ir vencendo isso foi, primeiro, calçar a sandália da humildade e ir bem devagarzinho, avançando e relendo o material (depois da segunda leitura, tudo começa a fazer mais sentido) e também tentando trazer a abstração para os casos concretos. Por exemplo: ao ler notícias sobre programas do governo ou emendas parlamentares, buscava o embasamento técnico daquilo, assim como as notícias de ECONOMIA do setor público e até mesmo fatos contábeis, saindo da abstração para o concreto com exemplos é muito importante e por isso bons professores fazem diferença. Em AFO, temos o Leandro Ravyelle que consegue deixar leves esses temas, em ECONOMIA o Celso Natale, que consegue até colocar um pouco de humor nas aulas e em CONTABILIDADE o Possatti, que se coloca frequentemente no nosso lugar como concurseiros e alunos.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Thiago: A rotina foi mantida intensa até a antevéspera de prova, tendo eu focado mais em praticar discursivas, já que houve cobrança de duas delas com mínimo de 30 e máximo de 60 linhas. Curiosamente, este foi o primeiro concurso em que eu não acompanhei a Revisão de véspera, pois estava extremamente cansado e tive que ir para São Paulo no dia anterior. Apesar disso, sentia que já tinha feito tudo possível, que era só ir lá e dar o melhor de mim.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Thiago: Sempre gostei muito de escrever, por isso nunca tive medo de provas discursivas, porém escrever em uma prova discursiva é diferente do que fazer redações ou mesmo os inúmeros pareceres que fazia no meu dia a dia na prefeitura. É necessária uma estrutura para facilitar a leitura do corretor, otimizar o tamanho do texto e deixar clara a resposta ao questionamento da banca. Não cheguei a fazer muitas discursivas na minha preparação, mas fiz algumas para assimilar a construção dessa estrutura textual. Meus conselhos vão variar de acordo com o grau de performance do candidato em língua portuguesa e redação: se há uma grande dificuldade, domine primeiramente essas bases e escreva bastante, tanto para ampliar vocabulário como para aprimorar a ortografia. Quem já tem um desempenho razoável, oriento desenvolver temas “quentes” para diminuir a chance de a banca resolver cobrar justamente um assunto que você não tem a menor ideia do que seja! Comigo isso, felizmente, nunca aconteceu… Mas se acontecer, vai escrevendo tudo que você lembrar do assunto! Melhor a incerteza de “acertar” do que a certeza de errar ou se omitir.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Thiago: Eu voltei aos estudos com os olhos no TCE/SP, por isso deveria ter me dedicado às matérias da área de controle desde o primeiro dia de estudos, mas acabei – por “medo” da concorrência e de matérias mais complicadas – protelando isso e tendo que pegar um pós-edital absurdo com diversas matérias inéditas, o que me deixou um pouco longe das vagas no meu concurso dos sonhos (mas não sem esperanças). Esse foi um grave erro do qual me arrependo bastante. Em contrapartida, o acerto foi entender que concurso é um processo e que a aprovação é resultado de muitas coisas – inclusive reprovações – e que vem de constância, algo que só se adquire quando se mantém o foco em um alvo só! Ou seja, eu não caí naquela armadilha que é muito comum sobretudo entre os concurseiros iniciantes que é sair de um concurso de TRT para um concurso de agência reguladora e depois para um concurso da PRF e depois do TCU. O problema não é nem a variedade de órgãos, mas de disciplinas… O foco deve ser em concursos com um núcleo duro de disciplinas em comum, nesse ponto o concurso do IBAMA para Analista Administrativo tinha uma convergência razoável com o do TCE/SP, inclusive quanto a algumas legislações ambientais; as aprovações na ARSESP e ARTESP foram obtidas apenas com base nos estudos realizados para a CGE/SP.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Thiago: Todos os dias o concurseiro pensa nisso… Em maior ou menor grau, sempre passa pela nossa cabeça a desistência, creio que pelo medo de morrer tentando sem conseguir uma nomeação. Seria uma hipocrisia minha dizer que esse risco não existe, há uma máxima entre os concurseiros de que não se para de estudar até assinar o termo de posse, justamente porque não se tem certeza de nada (como tudo na vida, desde o envio de um currículo para uma vaga em um emprego de entrada até abrir uma empresa envolve risco/retorno), mas eu sentia que ia buscar essa vaga no fórceps! Acho que a motivação era a minha insatisfação com minha situação naquele momento, sabia que não queria mais aquilo que estava vivendo, sabia que permanecer ali não me faria feliz.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Thiago: Quando estive na sede do Estratégia em dezembro de 2025, deixei no mural uma frase da música “Living My Dream” da banda alemã Rage que dizia “Sem sonhos, não temos propósito… Sem sonhos estamos sem vida” (Without dreams, we serve no purpose… Without dreams, we walk among the dead) e concluía com a mensagem “nunca desista do seu propósito”. Acho que a grande chave para se manter perseguindo a autorrealização – grau máximo da pirâmide de Maslow – é ter sempre um propósito, inclusive eu entrei na vida pública por um propósito. A aprovação no cargo público é um primeiro propósito que vai te permitir desempenhar um trabalho relevante para a sociedade ou então usufruir de uma estabilidade financeira para traçar outros planos, achando outro(s) propósito(s). O concurso público é uma fase dentre muitas da nossa vida, uma fase de entrega, de plantio. Depois disso vem a colheita e quanto mais profícua a semeadura, melhor é a colheita. O concurso público foi seguramente a coisa mais difícil que fiz na vida! Então se prepare para um desafio enorme, mas altamente compensatório. Dê o melhor de você, tome isso como um de seus propósitos, coloque-o como uma prioridade. Garanto que além de melhorar de vida para sempre, você tende a se tornar uma pessoa melhor, mais disciplinada, mais confiante e com maior capacidade de resolver problemas. Digo com toda a certeza que esses dois anos e meio estudando pesado para concurso me fizeram aprender mais que duas faculdades e uma especialização, não sobre conteúdos, mas sobre como aprender e ensinar, como se comportar diante de situações de pressão. O ganho marginal é igualmente surpreendente! Vale demais a pena!