
“[…] Consistência sempre vence talento. Em concursos públicos, não é sobre ser o mais inteligente, mas sobre ser o mais disciplinado ao longo do tempo.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com NAÚN DO LAGO DE LIMA, aprovado em 128º lugar no concurso PP-ES para o cargo de Policial Penal:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Naún do Lago de Lima: Meu nome é Naún do Lago de Lima, tenho 25 anos, sou formado em Direito pelo Centro Universitário São Camilo, sou natural de Vitória-ES.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Naún: Minha vida foi marcada por alguns imprevistos. Meu pai abandonou eu e minha mãe quando tinha 09 anos de idade, vi minha mãe sustentar, educar, casa e filhos, enfim, resumidamente passamos por períodos de escassez por alguns anos, aos poucos a vida foi melhorando. Eu nunca fui um aluno de destaque durante o ensino fundamental e o ensino médio. Por isso, jamais imaginei que estudar para um concurso público seria capaz de mudar minha vida de forma tão profunda. Ainda assim, eu sempre soube que o estudo era importante.
Aos 20 anos, marcado por esse passado, procurei entender como o estudo poderia me proporcionar aquilo de que fui privado durante boa parte da vida: estabilidade financeira, oportunidades de lazer e até mesmo direitos básicos. Foi durante a faculdade que defini meu objetivo de vencer por meio dos estudos e conquistar uma verdadeira mudança de vida. A partir daí, mergulhei no universo dos concursos públicos. Ao longo dessa trajetória, iniciada em 2021, enfrentei frustrações e expectativas que não se concretizaram. Nas primeiras provas, experimentei o gosto amargo de ficar distante das vagas. Com perseverança, porém, fui evoluindo até ficar entre os 100 primeiros no concurso da PPES em 2025, uma conquista construída com foco, disciplina e ambição.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Naún: Sim, ainda durante a faculdade, conseguia conciliar os estudos para concursos com a graduação. Como cursava Direito, havia uma grande afinidade entre as disciplinas, o que tornava essa rotina mais viável e proveitosa. Após minha formação, no final de 2023, o desafio aumentou: passei a conciliar a advocacia com a preparação para os concursos, mantendo uma rotina intensa de estudos e trabalho. Conseguia estudar todos os dias, acordava entre às 4:30h e 5:00h, estudava até às 8h. No período da tarde/noite, ia para a minha segunda bateria de estudos, procurando dormir cedo para repetir o ciclo no dia seguinte.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Naún: Fui aprovado em diversos concursos públicos, embora, em alguns deles, tenha ficado fora do número de vagas. Entre as aprovações, destaco os concursos para:
-POLICIAL JUDICIAL do TRF da 2ª Região;
-POLICIAL JUDICIAL do TRE;
-ANALISTA JUDICIÁRIO do TJES;
-GUARDA CIVIL MUNICIPAL de Cachoeiro de Itapemirim.
Pretendo, sim, continuar estudando. Meu objetivo agora é direcionar minha preparação para concursos federais, buscando cargos que proporcionem maiores desafios e oportunidades de crescimento profissional.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Naún: Durante a preparação, precisei abrir mão de muita coisa. Fiquei um bom tempo longe das redes sociais, de finais de semana livres e até de datas comemorativas para cumprir o objetivo que havia traçado. Firmei um compromisso comigo mesmo, de mudar de vida o quanto antes, então não me preocupava com essas distrações a todo momento. Minha vida social ficou bastante reduzida e, curiosamente, quando eu encontrava amigos ou familiares, quase sempre o assunto acabava sendo concurso público. Ainda assim, eu procurava manter um certo equilíbrio: depois de cumprir a meta diária de estudos, saía eventualmente para encontrar amigos.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Naún: Recebi apoio de parte da minha família e dos amigos mais próximos, embora nem todos compreendessem a dimensão do projeto que eu havia assumido. Para muitos, era difícil entender por que eu passava tantas horas estudando ou abria mão de viagens, encontros e momentos em família. Mesmo quando esse apoio não era completo, permaneci firme no meu propósito. Com o passar do tempo, algumas pessoas naturalmente se afastaram da minha rotina, enquanto outras passaram a compreender meus objetivos e permaneceram ao meu lado. Aprendi que, durante uma preparação de longo prazo, nem todos caminham com você até o fim, e isso faz parte do processo.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Naún: Assim que começou a ser noticiado que haveria um novo concurso da PPES em 2025, iniciei imediatamente uma preparação direcionada. Ao todo, foram 9 meses de estudos diários, sem falhar um único dia. Por ser um concurso no meu estado e considerando todo o histórico que eu já carregava na área policial, entendia que precisava aproveitar aquela oportunidade da melhor forma possível. Além disso, ainda trazia comigo a frustração do concurso da PPES 2023, no qual fiquei apenas três pontos abaixo da nota de corte. Em vez de permitir que esse resultado me desanimasse, transformei essa experiência em motivação. Encarei a PPES 2025 como a minha grande chance e estudei com a convicção de que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para conquistar a aprovação.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Naún: Minha preparação foi baseada principalmente nos PDFs para as disciplinas de DIREITO, pois considero esse formato mais completo e eficiente para absorver o conteúdo e realizar revisões. Já para MATEMÁTICA e PORTUGUÊS, optei pelas videoaulas, que facilitavam a compreensão dos assuntos e tornavam o aprendizado mais dinâmico. Essa combinação permitiu aproveitar o melhor de cada método de estudo, de acordo com as características de cada disciplina.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Naún: Conheci o Estratégia Concursos por meio das minhas pesquisas quando decidi iniciar a preparação para concursos públicos. Em praticamente todas as buscas sobre materiais de estudo, planejamento e relatos de aprovados, o Estratégia aparecia como uma das principais referências. A partir daí, passei a utilizar seus materiais e percebi a qualidade e a profundidade do conteúdo oferecido.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Naún: Na verdade, comecei minha preparação pelo Estratégia Concursos. Ao longo da trajetória, conheci e testei materiais de outras plataformas por curiosidade e para comparar métodos, mas nunca consegui me adaptar. O principal motivo era a estrutura dos PDFs, que, na minha percepção, eram excessivamente extensos e sem uma organização visual que facilitasse o estudo. Já os PDFs do Estratégia sempre me chamaram a atenção pela didática, pela organização e pela forma como o conteúdo é apresentado, com esquemas, destaques e uma estrutura que torna a leitura mais produtiva. Por isso, permaneci utilizando o material do Estratégia durante toda a minha preparação.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Naún: No início, a adaptação não foi fácil, porque eu ainda estava aprendendo como estudar para concursos e como aproveitar ao máximo os materiais. Com o passar do tempo, porém, percebi uma evolução muito significativa no meu aprendizado. A metodologia do Estratégia me ajudou a desenvolver uma rotina de estudos mais eficiente e consistente. A diferença ficou ainda mais evidente nas disciplinas de português e matemática, que eram as que eu tinha mais dificuldade. Com a didática dos professores e a qualidade das videoaulas, consegui compreender assuntos que antes pareciam muito complexos. Já os PDFs foram fundamentais para consolidar o conteúdo, fazer revisões e aprofundar os temas, especialmente nas disciplinas de direito Essa combinação foi um dos principais diferenciais da minha preparação.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Naún: Eu mesmo montei meu plano de estudos, adaptando-o à minha rotina. Normalmente estudava, no máximo, 3 disciplinas por dia. Sempre procurava intercalar português e matemática com as matérias de DIREITO, para evitar desgaste e manter o rendimento ao longo do dia. Em alguns dias, quando o conteúdo exigia mais aprofundamento, estudava apenas 2 disciplinas. No período pré-edital, mantinha uma média de 4 a 5 horas líquidas de estudo por dia. Após a publicação do edital, aumentei a intensidade da preparação, chegando a 6 ou 7 horas líquidas diárias, sempre buscando cumprir a meta estabelecida para o dia.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Naún: As revisões foram um dos grandes diferenciais da minha preparação. Passei a fazer resumos manuscritos e isso mudou completamente meu rendimento. Além de fixar melhor o conteúdo durante a escrita, eu criava uma espécie de “mapa mental” das anotações. Com o tempo, lembrava exatamente em que página determinado assunto estava, o que tornava as revisões muito mais rápidas e eficientes. Outra estratégia que fez bastante diferença foi manter um caderno de erros. Nele, eu anotava, por matéria e por conteúdo, os principais pontos fracos e os erros que se repetiam nas questões. Assim, em vez de revisar apenas a teoria, eu revisava justamente aquilo que mais errava, criando um material focado nas minhas dificuldades e nos assuntos mais recentes das provas. Além disso, no período pós-edital, também passei a fazer alguns simulados. Eles foram importantes para treinar o gerenciamento do tempo, ganhar resistência para a prova e identificar quais conteúdos ainda precisavam de mais atenção antes da reta final.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Naún: A resolução de questões é indispensável. Na minha opinião, é muito difícil ser aprovado sem praticar constantemente. Foi resolvendo questões que consegui identificar minhas falhas, entender o perfil da banca e consolidar o conteúdo estudado. Somente nos 9 meses de preparação para a PPES 2025, resolvi mais de 15 mil questões, e tenho convicção de que isso foi um dos principais fatores para a minha aprovação.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Naún: Português e matemática sempre foram as disciplinas que mais me desafiaram. Precisei praticamente começar do zero em ambas, justamente as matérias que costumam ser decisivas nos concursos da área policial. Percebi que quem consegue um bom desempenho em conhecimentos gerais, especialmente nessas disciplinas, já larga em vantagem na classificação. Quando entendi isso, deixei de evitá-las e passei a tratá-las como prioridade. Incluí português e matemática de forma fixa no meu ciclo de estudos, alternando-as ao longo da semana. Sempre iniciava o dia por elas, quando a mente estava mais descansada e o rendimento era maior. Com constância, resolução de questões e muitas revisões, aquilo que antes era meu ponto fraco passou a ser uma das bases da minha preparação.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Naún: Na semana que antecedeu a prova, fiz apenas pequenos ajustes na rotina. Eu tinha consciência de que o trabalho já havia sido realizado e que não seria nos últimos dias que aprenderia algo capaz de mudar meu resultado. Para evitar ansiedade, foquei exclusivamente em revisões e resolução de questões em um ritmo mais leve, apenas para manter frescos na memória os assuntos mais importantes e com maior probabilabilidade de cobrança. Além da preparação técnica, fortaleci minha preparação espiritual. Orei muito durante toda aquela semana, pedindo sabedoria, tranquilidade e discernimento para o dia da prova. Essa prática foi fundamental para controlar a ansiedade e manter a confiança. No dia anterior à prova, procurei descansar a mente, revisar apenas alguns pontos estratégicos e confiar na preparação construída ao longo de meses de estudo.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Naún: Sempre tive certa facilidade com a escrita, muito em razão da minha formação em direito e da atuação na advocacia, que exigem a elaboração constante de textos técnicos e dissertativos. Ainda assim, não confiei apenas nessa experiência. Durante a preparação para o concurso, produzi alguns textos dissertativos como forma de manter o ritmo, cronometrar o tempo, revisar a estrutura exigida pela banca e treinar a organização das ideias. Meu conselho é que ninguém deixe a prova discursiva para a última hora. Muitas aprovações são definidas nessa etapa. Mesmo quem já escreve bem deve praticar, porque a redação de concurso possui critérios próprios de avaliação e exige treinamento específico.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Naún: No início da preparação, cometi muitos erros por falta de experiência. Acreditava que estudar uma disciplina até esgotar todo o conteúdo seria o método mais rápido e eficiente. Também tentava seguir cronogramas prontos, sem considerar a minha rotina e minhas necessidades. Outro grande erro foi negligenciar as revisões e a resolução de questões, dedicando quase todo o tempo apenas à teoria. Com os anos, fui corrigindo cada um desses equívocos. Passei a montar um planejamento compatível com a minha realidade, incluí revisões periódicas e a resolução de milhares de questões na rotina. Outro grande acerto foi compreender que as disciplinas das quais menos gostamos costumam ser as que mais precisam da nossa atenção. Percebi que estudar apenas o que se gosta traz uma falsa sensação de produtividade. A verdadeira evolução acontece quando enfrentamos as matérias que mais nos desafiam, e essa mudança de mentalidade foi decisiva para a minha aprovação.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Naún: Desistir, de fato, nunca foi uma opção. O que existia em alguns momentos era a sensação de distância da aprovação e a dúvida sobre se todo aquele esforço seria suficiente. Isso gerava um desconforto natural, mas eu sempre tive consciência de que a única coisa sob meu controle era continuar estudando e fazer a minha parte todos os dias. No início da minha trajetória, eu me considerava um aluno mediano em termos de “inteligência” e acreditava que concurso público era algo reservado a pessoas muito acima da média, quase “gênios”. Com o tempo, fui percebendo que isso não corresponde à realidade. Entendi que talento, por si só, não garante aprovação. O que realmente faz diferença é constância, método e disciplina. Essa mudança de mentalidade foi decisiva para mim.
Também houve fases em que duvidei da minha capacidade de aprender determinados conteúdos, mas essas barreiras foram sendo superadas com repetição, prática e consistência. Com o tempo, aquilo que parecia impossível foi se tornando parte da minha rotina de estudos. Além disso, minha motivação sempre esteve muito ligada à minha família e ao futuro que eu queria construir. Eu não venho de um berço de grandes oportunidades, então passei a enxergar o estudo como a principal virada de chave da minha vida, não apenas por mim, mas também pensando na minha família, na minha futura esposa e nos meus futuros filhos. Garantir o bem-estar deles era de minha responsabilidade e em muitos momentos isso foi o que me sustentou nos dias mais difíceis.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Naún: O que eu aconselharia é: consistência sempre vence talento. Em concursos públicos, não é sobre ser o mais inteligente, mas sobre ser o mais disciplinado ao longo do tempo. O esforço e a “obsessão” positiva pelo objetivo acabam superando qualquer vantagem inicial que alguém possa ter. Os anos de dedicação podem parecer longos durante o processo, mas eles são recompensados no primeiro dia de trabalho. E, quando esse dia chega, você percebe que faria tudo de novo, só para viver aquela conquista.
Além disso, é importante entender que o caminho não é linear. Haverá dias bons e ruins, momentos de dúvida e até de desânimo. Ainda assim, o que define o resultado é a capacidade de continuar, mesmo quando a motivação não está presente. Disciplina precisa estar acima da emoção. Outro ponto essencial é aceitar o processo de evolução. No início, é normal errar muito, ter dificuldades e sentir que não está avançando. Mas, com o tempo, tudo vai se encaixando. O que parecia impossível começa a se tornar rotina. Por fim, meu conselho é simples: não desista no meio do caminho. Quem permanece, em algum momento colhe o resultado. E quando a aprovação chega, todo o esforço faz sentido.