Aprovada em 9º lugar para Auditor Fiscal no Concurso SEFAZ GO

“[…] Em muitos dias, eu não estudava motivada; estudava comprometida com o projeto que eu havia escolhido.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com ROBERTA RIBEIRO DE CARVALHO, aprovada em 9º lugar no Concurso SEFAZ GO para o cargo de Auditor Fiscal:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Roberta Ribeiro de Carvalho: meu nome é Roberta, tenho 43 anos e sou natural de Juiz de Fora, Minas Gerais. Atualmente moro em Varginha, no Sul de Minas. Sou formada em Farmácia-Bioquímica e trabalho como professora universitária há 18 anos.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Roberta: fui servidora pública na minha área de formação, em um hospital público. Em determinado momento, optei por pedir exoneração para me dedicar à iniciativa privada, uma decisão que, olhando para trás, considero ter sido acertada para aquele momento de minha vida.
No entanto, ao me aproximar dos 40 anos, comecei a refletir sobre quais seriam os próximos passos na minha trajetória profissional.
Eu sempre gostei da docência e do contato com os alunos em sala de aula e por já ter concluído o mestrado, considerei a possibilidade de seguir para o doutorado. Contudo, a escolha pelo doutorado exigiria um investimento significativo e passei a avaliar outras possibilidades, surgindo então o contexto da área fiscal, que começou a fazer mais sentido.
Seria uma mudança de carreira, afinal, eu sou da área da saúde, mas resolvi me desafiar. Enxergava nessa escolha a estabilidade, boa remuneração, desafio intelectual e qualidade de vida, com retornos concretos do tempo de estudo investido na preparação.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Roberta: no meu primeiro ano de estudos, pedi uma licença no trabalho para me dedicar exclusivamente aos estudos. Em seguida, veio a pandemia e com ela o isolamento social, a redução de publicação de editais e a incerteza. Diante desta realidade, optei por retornar ao trabalho e seguir com as demandas da vida profissional, interrompendo os estudos.
Quando decidi retornar aos estudos para área fiscal, pedi demissão de cargos administrativos e continuei o trabalho como professora universitária (na área da saúde). Confesso que não foi fácil, a docência exige preparação, atualização e dedicação. Dividir o meu tempo com foco nessas duas jornadas, docência e estudo para área fiscal, foi desafiador.
Minha rotina nunca foi perfeita. Ao longo da preparação precisei adaptar estudos, trabalho e vida pessoal. A estratégia que melhor funcionou para mim foi acordar bem cedo, antes das 5 h da manhã, e dedicar as primeiras horas do dia ao estudo para concursos, aproveitando o período que tinha mais disposição e menos interrupções. Além disso, eu intensificava os estudos nos finais de semana, feriados e férias.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado(a)? Em qual cargo e em que colocação?
Roberta: fui aprovada nas seguintes posições:
- 8º lugar para Auditor Fiscal da Receita Estadual de Goiás;
- 163º lugar para Auditor da SEFAZ-SP;
- 404º lugar no cadastro de reserva para Auditor da SEFAZ-MG.
Neste momento não pretendo prestar outros concursos. Quero viver essa conquista e aguardar os próximos passos. Mas dificilmente vou me afastar completamente dos estudos, pois acredito que o bom profissional está sempre se qualificando, além de fazer parte da minha rotina e da minha trajetória profissional.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Roberta: eu reduzi bastante, mas sem eliminar completamente minha vida social. Apesar das renúncias feitas, eu não conseguiria viver o processo de forma completamente radical, sem o convívio com familiares e amigos.
Talvez isso tenha tornado minha jornada mais longa, mas também me ajudou a suportá-la.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseira?
Roberta: sim, isso fez toda a diferença na minha trajetória. Meus pais sempre valorizaram a educação e me incentivaram a estudar desde cedo. No estudos para concursos não foi diferente: pude contar com o apoio e compreensão da minha família, que entendia minha ausência.
Meu marido também teve um papel fundamental nesse processo, especialmente em momentos de insegurança. Houve ocasiões em que cheguei a cogitar não fazer algumas provas. Depois de São Paulo, por exemplo, eu estava exausta e pensei em não fazer a prova de Goiás. Meu marido me lembrou do óbvio: era a mesma banca, eu já estudava há anos e tinha uma base bem construída. E deu certo!
Precisamos de alguém ao nosso lado para nos fazer enxergar com clareza em momentos de cansaço.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Roberta: entre idas e vindas, eu estudo para a área fiscal há mais de quatro anos. Para Goiás especificamente, meu pós-edital não foi perfeito. Eu vinha cansada de São Paulo e precisei fazer escolhas. Mas a base construída ao longo dos anos me sustentou.
Para manter a disciplina, eu tentava lembrar dos motivos que me fizeram começar. Em muitos dias, eu não estudava motivada; estudava comprometida com o projeto que eu havia escolhido.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Roberta: usei diversas ferramentas, o que variou bastante de acordo com a fase de estudo (se iniciante ou mais avançada) e também de acordo com a matéria.
Estudei principalmente por PDFs e questões. Usei videoaulas em alguns momentos, muitos materiais de reta final e também ferramentas de inteligência artificial como apoio, especialmente para organizar raciocínios e comparar assuntos.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Roberta: conheci o Estratégia quando comecei a pesquisar materiais para concursos fiscais. É um nome forte, que aparece imediatamente para quem entra nesse mundo, especialmente nas carreiras de alto nível. A qualidade dos materiais disponibilizados na internet gratuitamente, somada à diversidade de professores me fizeram assinar a plataforma.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Roberta: percebi um enorme avanço no meu rendimento utilizando os materiais do Estratégia. O que mais me ajudou foi a organização do conteúdo e a diversidade de professores e ferramentas. Às vezes, um professor funciona melhor para o primeiro contato com a matéria; outro ajuda mais na revisão ou reta final; outro simplesmente nos identificamos mais.
Também gostei dos materiais direcionados à banca do concurso, das revisões, dos vídeos de “Hora da verdade” e da possibilidade de escolher a ferramenta conforme a fase da preparação. Como professora, eu valorizo muito uma boa explicação e organização didática do conteúdo.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Roberta: eu tinha planejamento mas também usava o autoconhecimento para fazer os ajustes necessários. Geralmente estudava várias matérias ao mesmo tempo, mas meu método não era rígido o tempo todo. Em algumas fases, tentava equilibrar as disciplinas e alterná-las a cada hora de estudo. Mas quando me deparava com uma nova disciplina, geralmente preferia me dedicar por mais tempo para conseguir enxergar o todo e avançar.
Nas fases mais consistentes, eu tentava estudar pelo menos 30 horas semanais. Mas como eu trabalhava, minha rotina variava bastante. Quando eu não atingia minha meta, tentava não me cobrar tanto e ir melhor na semana seguinte. Já nos períodos de férias eu conseguia aumentar a carga horária.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Roberta: eu revisava de diversas maneiras: por questões, comentários, anotações, materiais de reta final e alguns resumos próprios.
Muitas vezes, minha forma de revisão variava de acordo com a matéria. Em exatas, por exemplo, eu gostava de imprimir questões-modelo por assunto. Isso me ajudava a identificar o padrão de cobrança.
Em legislação tributária, eu usava videoaulas para prestar atenção aos detalhes da lei e realizava muitas questões. Também usei ferramentas de inteligência artificial para organizar comparações entre leis e estruturar melhor o raciocínio.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios?
Roberta: a resolução de exercícios é essencial. As questões nos permitem identificar padrão de cobrança das bancas examinadoras, “pegadinhas”, recorrências e também aquele assunto que você acha que aprendeu mas observa que ainda não sabe o suficiente.
Não tenho o número exato de questões da minha trajetória, porque usei diferentes plataformas, PDFs e materiais impressos, mas foram muitas.
E, mais do que quantidade, eu me preocupava com a qualidade daquele estudo por questões, tentando preencher lacunas de conhecimento antes de avançar, ainda que eu tivesse acertado a questão. Nesse momento, eu priorizava aprender mas sem muito perfeccionismo, para conseguir avançar.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade?
Roberta: tive muita dificuldade em Tecnologia da Informação e em Economia.
Para superar, eu buscava explicações diferentes, além de fazer muitas questões e, quando julgava necessário, assistia videoaulas.
Mas aceitei que algumas matérias exigiriam mais paciência e menor rendimento, afinal, nem sempre é possível dominar tudo com a mesma profundidade.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Roberta: na reta final, eu tentei ser seletiva, revisando o conteúdo que precisaria trazer para memória de curto prazo, além de focar nas matérias com maior peso na prova.
Especificamente na prova de Goiás, tentei chegar menos cansada para a prova, pois considero que isso me prejudicou na prova de São Paulo. Ainda assim, no dia anterior ao da prova estudei no hotel o dia todo, mas tentei dormir bem. Levei alguns resumos para a porta da prova e revisei inclusive no intervalo do almoço.
Como eu já estava bem classificada no concurso de São Paulo, senti maior tranquilidade emocional e acho que isso me ajudou muito a conseguir acessar o conhecimento, mesmo sob pressão.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Roberta: considero que o principal erro foi ter interrompido os estudos por um tempo. Além disso, como eu tinha algumas preferências geográficas (apesar de não ser o recomendado), demorei demais a fazer provas. Outros erros foram acumular material demais, não organizar resumos finais há mais tempo e pensar que minha baixa carga horária de dedicação no pós edital poderiam colocar em risco minha preparação de longo prazo.
Entre os acertos o principal foi construir uma base forte. Eu não fiz nada mágico. Foi muito “arroz com feijão”: estudar, fazer questões, revisar, errar, corrigir e continuar.
Por ser professora, só que agora vivenciando o processo como aluna, eu respeitei meu processo de aprendizagem, sabendo que, mesmo que a aprovação levasse tempo, seria possível.
Conseguir chegar na prova com tranquilidade também fez muita diferença.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Roberta: como havia comentado, cheguei uma vez a parar de estudar e foi um grande arrependimento, além de ter sido muito difícil voltar. Depois de ter retomado considerei desistir de algumas provas, mas não de continuar estudando para a área fiscal.
Em concurso de auditor fiscal o volume de matérias e o nível de profundidade em que são cobradas chega a ser cruel, levando muitas vezes ao cansaço e ao desânimo. Minha motivação era pensar que eu já tinha investido muito tempo, dinheiro e energia, além de relembrar do projeto de vida que me fez começar.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Roberta: use outros exemplos para te inspirar e enxergar que é possível, mas cuidado com a comparação. “A grama do vizinho parece sempre mais verde”: tem gente que só estuda, tem quem estude e trabalhe; tem aqueles com filhos e outros sem; alguns com mais apoio e recurso, e outros com menos…
O processo não é igual para todos e para algumas pessoas o caminho pode ser objetivamente mais difícil, mas isso não significa impossibilidade. Pessoas de perfis, caminhos e métodos muito diferentes são aprovadas.
Também diria para não procurar fórmula mágica. Claro que estratégia importa, mas no fim é o básico bem feito: estudar, fazer questões, revisar, corrigir erros e repetir. O que leva a aprovação, muitas vezes, é conseguir fazer o básico por tempo suficiente e construir uma base forte antes de encarar um pós-edital.
Por fim, tente se cercar de boas referências. Você faz a prova sozinho, mas ninguém precisa atravessar toda a preparação sem apoio ou boas companhias. Busque pessoas que te aproximam do seu objetivo e que te ajudem, seja pessoalmente ou virtualmente.
Desejo sucesso a quem está nessa caminhada. Que cada um consiga seguir firme dentro da própria realidade para, no tempo certo, colher os frutos do que está plantando.