“[…] “Estuda que a vida muda.” Essa sempre foi a frase que carreguei comigo e continuo acreditando nela.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com JULIANY HELEN DAS GRAÇAS PINTO, aprovada em 9º lugar no Concurso SEFAZ-PR para o cargo de Agente Fazendário Estadual – Função: Administrador:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Juliany Helen das Gracas Pinto: Meu nome é Juliany Helen, mas podem me chamar de Juh. Sou cientista social, com ênfase em Ciência Política, e também administradora. Tenho 32 anos, sou curitibana e faço provas de concurso desde 2015. Já são mais de dez anos nessa caminhada, marcada por muitos desafios, aprendizados, altos e baixos, mas também por crescimento pessoal e profissional.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Juliany: Cheguei a um momento em que precisei tomar uma decisão importante. Eu não enxergava perspectivas concretas de inserção profissional na minha área inicial (ciências sociais) e me vi diante de caminhos muito incertos: seguir para um possível mestrado dependente de bolsa, com duração limitada, ou trabalhar em algo que não tinha relação com aquilo que eu desejava para minha vida. Então escolhi continuar a estudar, porque sempre acreditei que a educação transforma vidas. Desde então, sigo estudando. Além disso, foi graças às oportunidades que surgiram no universo dos concursos que também me graduei em Administração, uma decisão que abriu novas portas e ampliou significativamente minhas possibilidades profissionais.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Juliany: No primeiro ano de preparação, meus estudos foram bastante intermitentes, pois ainda conciliava a rotina com a minha primeira graduação. Depois me casei e fiquei cerca de seis meses sem vínculo formal com estudos ou trabalho. Mais tarde, comecei a trabalhar em shopping e aproveitava o período livre para estudar. Foi nessa fase que vieram minhas primeiras aprovações. Para a SEFAZ-PR, em especial, trabalhei durante todo o período, cumprindo uma jornada de oito horas diárias, embora tenha tido a oportunidade de tirar férias por algumas semanas em um momento estratégico da preparação. Ainda assim, a maior parte dos estudos acontecia à noite e aos finais de semana.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado(a)? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Juliany: Fui aprovada em alguns concursos “escada” ao longo dessa trajetória:
-Técnico em Arquivo do IFPR (1º lugar – 2014);
-TÉCNICO ADMINISTRATIVO da UFPR (9º lugar – 2016);
-Docente – área de Administração no IFPR (6º lugar, com 1º lugar na prova objetiva – 2023);
-ADMINISTRADORA da UFPR (6º lugar – 2024);
-ADMINISTRADORA da SEAP-PR (49º lugar – 2024);
-ADMINISTRADORA do COREN-PR (1º lugar – 2024);
-ANALISTA ADMINISTRATIVO do TSE (117º lugar – 2024);
-ANALISTA – especialidade Administração do STM (17º lugar – 2025);
-ADMINISTRADORA da CONAB (1º lugar – 2025);
-Analista de Projetos do BRDE (4º lugar – 2025/2026);
-Agente Fazendário Estadual – Função: Administrador na SEFAZ-PR (9º lugar – 2025/2026).
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Juliany: No início da preparação, eu vivia praticamente para estudar e trabalhar. Nos últimos anos, passei a ser mais flexível e, especialmente em 2026, flexibilizei ainda mais minha rotina. Hoje, estudo o máximo que consigo, mas se surge uma oportunidade de estar com pessoas que agregam algo emocional ou intelectualmente à minha vida, permito-me viver esses momentos. Isso mudou principalmente, e infelizmente, após perdas familiares recentes e transformações importantes na minha estrutura familiar. A vida passa muito rápido e concursos sempre existirão. Um abraço, um carinho ou a presença de alguém que amamos talvez não possam ser vividos novamente. Tudo precisa de equilíbrio. Em pós-edital a rotina muda, claro, mas aprendi a valorizar mais as pessoas e os momentos.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro(a)? De que forma?
Juliany: Sim, sempre. Meu marido foi essencial nesse processo: me incentivava, assumia tarefas domésticas, fazia e levava jantar enquanto eu estudava e era uma fonte inesgotável de palavras de incentivo. Minha mãe sempre me apoiou com seu amor e meu irmão acreditou muito no meu potencial. Quanto aos amigos, poucos conhecem essa minha versão estudante incansável, mas os que sabem vibram com cada aprovação, estudam comigo e tornam a caminhada mais leve.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Juliany: Direcionando especificamente para a SEFAZ-PR, comecei após a publicação do edital. Como a prova ocorreu em paralelo a outro concurso que eu desejava muito, organizei um cronograma priorizando disciplinas em comum e, nas específicas, foquei em questões e revisões de materiais que já possuía. Para manter a disciplina, tirei férias junto ao período do Carnaval e consegui aproximadamente 40 dias totalmente focada. Minha motivação era olhar para o computador e lembrar que dependia apenas de mim. Eu repetia constantemente: não existem problemas, existem soluções.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Juliany: Ao longo da trajetória usei praticamente de tudo. No início, assisti muitas videoaulas. Depois, passei a estudar PDFs e fazer resumos. No pós-edital da SEFAZ-PR, priorizei questões, revisões, flashcards e aulas de revisão. Também utilizei bastante um quadro branco para revisar esquemas e fluxos. Aprendi que não existe material perfeito, existe o material adequado para cada momento. Às vezes, um resumo final do PDF é suficiente; em outras situações, é preciso voltar à teoria. Aprendi que retornar algumas etapas não significa fracasso. Às vezes é necessário dar um passo atrás para continuar avançando.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Juliany: Uma amiga minha indicou a plataforma.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Juliany: Sim. Antes de conhecer o Estratégia, utilizei outros materiais, que conheci por indicação do meu marido, por meio de uma colega de trabalho. Gostava bastante da proposta e foi lá que iniciei meus estudos praticamente 100% por videoaulas. Lembro que comecei minha preparação para o INSS, por volta de 2014, salvo engano. Foi uma fase importante porque marcou meu início no universo dos concursos. O que mais me incomodava, na época, era a insegurança em relação à atualização dos conteúdos. Como eu ainda estava começando, sentia necessidade de ter mais confiança de que o material acompanhava todas as mudanças e estava completamente atualizado.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Juliany: Sim. Nessa época fiz concursos para os cargos de Técnico Administrativo da UFPR e Técnico em Arquivo do IFPR, por volta de 2014/15. Foi um período importante porque, além de estar iniciando minha trajetória nos concursos, também serviu para adquirir experiência com provas, entender melhor meu processo de estudo e perceber, na prática, o que funcionava para mim.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Juliany: Sim. Eu adoro as aulas em áudio para revisão. A vida não para quando sai um edital: a louça continua precisando ser lavada, a marmita precisa ser feita e as tarefas do dia a dia seguem acontecendo. Muitas vezes eu não podia parar para assistir a uma aula em vídeo e também é difícil se concentrar totalmente em outra atividade ao mesmo tempo. Nesse contexto, as aulas em áudio me ajudaram muito. Elas contribuíram bastante para a memorização, porque eu escutava a mesma playlist inúmeras vezes. Chegava a um ponto em que já sabia quase qual seria a próxima frase que o professor diria. Usei muito esse recurso na preparação para o STM e para a SEFAZ-PR, também. Outro diferencial que gosto bastante são as aulas de reta final e a HORA DA VERDADE. Acho uma forma muito eficiente de revisar o conteúdo de maneira direcionada. Muita gente considera esse tipo de revisão perda de tempo, mas já consegui vários acertos lembrando exatamente de pontos que vi nessas aulas. Sempre assisti e continuarei assistindo.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Juliany: Sempre estudei várias matérias ao mesmo tempo porque me adapto melhor dessa forma. Não funciono bem com uma rotina excessivamente repetitiva. Para a SEFAZ-PR, estudei sete disciplinas simultaneamente e mais três relacionadas a outro concurso que também era prioridade naquele momento. Já algumas matérias específicas da SEFAZ-PR, como direito tributário, matemática financeira, noções de economia e finanças públicas e noções de contabilidade, eu revisava conforme o tempo permitia. Minha carga de estudos variava bastante. Durante as férias do trabalho, estudava entre duas e oito horas líquidas por dia. Já no período em que estava trabalhando, tentava manter uma média entre três e quatro horas diárias. Nada era linear, e aprendi a respeitar essas oscilações ao longo da preparação.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Juliany: Utilizava flashcards, lia e relia meus resumos e também reescrevia, em um quadro branco ou em folhas quaisquer (de forma bem dinâmica), tudo aquilo que conseguia lembrar. Além disso, fazia muitas questões, porque a revisão, para mim, sempre precisou ser ativa. Não fiz novos resumos nem simulados. Preferi focar na revisão do material que já tinha produzido e na consolidação do conteúdo por meio de exercícios e repetição.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Juliany: Já contabilizei cerca de 30 mil questões, mas certamente foram muito mais. Resolver questões foi um divisor de águas. Somente quando deixei de ter resistência e comecei a fazer e revisar exercícios com frequência, minhas posições melhoraram significativamente. Entender a banca não é apenas importante. Para mim, é um requisito essencial para aprovação.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Juliany: Português, sem dúvidas. Sempre foi meu grande desafio. Assisti aulas, li PDFs e estudei inúmeras regras. Porém, a mudança aconteceu quando percebi que português também tinha lógica, assim como raciocínio lógico. As questões me mostraram que não faltava apenas conteúdo, mas também interpretação e controle emocional. Passei a analisar profundamente meus erros e criei vários post-its com regras e exemplos.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Juliany: Estudar loucamente, rs. Eu estudo até a véspera, até concluir toda a minha revisão final. Costumo dormir um pouco mais cedo do que o normal e, no dia da prova, não toco em nenhum material no local de aplicação das provas. De todo modo, a semana que antecede a prova costuma ser intensa para mim. Se faço diferente, fico ansiosa e sinto que as coisas não funcionam tão bem. Estudar, nesse período, me acalma, porque sempre penso que alguma questão pode surgir justamente daquele último esforço, daquele último suspiro de estudo antes do grande dia.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Juliany: Utilizei diferentes estratégias na preparação para a discursiva. Uma delas foi recorrer à inteligência artificial para criar propostas de temas mais específicas, comparando o conteúdo do edital do meu concurso com provas anteriores e bancas semelhantes. Eu escrevia as respostas e, depois, utilizava ferramentas como o ChatGPT para comparar meu texto com possíveis espelhos de correção. Em seguida, conferia tudo com meus materiais para verificar se o conteúdo estava adequado. Também utilizei propostas do Estratégia. Primeiro revisava a parte teórica, depois escrevia a discursiva e fazia uma autocorreção criteriosa.
Meu conselho é: não deixem a discursiva para depois. Muita gente concentra todos os esforços na prova objetiva e acaba negligenciando essa etapa, mas ela pode fazer uma enorme diferença na classificação final. Escrever, corrigir, identificar erros e repetir o processo foi algo que me ajudou bastante. Além disso, percebi algo muito importante durante a preparação: fazer discursiva é uma excelente forma de descobrir se realmente dominamos um conteúdo para a objetiva. Muitas vezes eu achava que sabia determinada matéria muito bem, mas, quando precisava explicá-la em uma discursiva, percebia que ainda existiam lacunas. Era justamente o momento de voltar à teoria e aprender de verdade. Escrever, explicar para alguém ou até mesmo para “alunos imaginários” foi uma das melhores formas de revisão que encontrei. Quando conseguimos ensinar ou explicar algo com clareza, normalmente é sinal de que o conhecimento está sendo consolidado.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Juliany: Ixe, muitos erros. No começo, eu não reuni a vontade de fazer questões porque achava muito cansativo. Bem bobinha mesmo. Acreditava que assistir a 20 aulas por dia ou ler 100% dos PDFs já seria suficiente, porque na escola e na faculdade funcionava assim, não é? Mas concurso exige um tipo de conhecimento que precisa amadurecer ao longo do tempo e ser aprofundado. Não basta apenas estudar; é necessário incorporar o conhecimento, internalizá-lo de verdade. Como principal acerto, acredito que tenha sido não desistir, mesmo quando meu corpo e minha mente pediram isso inúmeras vezes. Persistir, mesmo nos momentos mais difíceis, fez toda a diferença na minha trajetória.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Juliany: Sim. Todos os dias. Mas houve um momento em especial em que pensei seriamente em desistir. Quando meu irmão mais velho faleceu (10/01/2026), poucas semanas antes da(s) prova,(s) eu pensei em largar tudo. Passei a me questionar se realmente tinha valido a pena continuar estudando enquanto tantos momentos com ele e com minha família haviam sido deixados de lado porque eu acreditava que precisava priorizar os estudos. Foi uma dor muito difícil de processar. Mas, poucos dias depois, juntei meus caquinhos e decidi provar para mim mesma que toda aquela ausência precisava significar algo. Continuei. Com mais dedicação, muitos choros e muita tristeza, que eu permitia existir apenas nos intervalos, segui minha preparação. Além disso, sempre carreguei comigo uma frase muito simples: “estuda que a vida muda”. Para quem não nasceu em berço de ouro, o estudo foi a forma mais legítima que encontrei para transformar a própria realidade. Desistir sempre foi uma opção. Escolher desistir, nunca.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Juliany: “Estuda que a vida muda.” Essa sempre foi a frase que carreguei comigo e continuo acreditando nela. Mas só inicie essa jornada se realmente desejar contribuir com o serviço público. Concurso não é apenas uma prova ou um novo emprego; existe uma construção diária muito exigente por trás disso. É preciso propósito, força, disciplina, renúncia e perseverança. Haverá dias difíceis, muitos vales e poucos momentos de glória. Por isso, prepare a si mesma, sua família, seus amigos e as pessoas que estarão ao seu lado durante essa caminhada. Nem todos os dias serão bons e nada acontecerá de forma linear… Você até pode conquistar aquilo que deseja. A pergunta é: o quanto você realmente quer? E quando pensar em desistir, lembre-se do motivo que fez você começar. E, quando a aprovação chega e a posse acontecer, não esqueça a principal lição: a caminhada não termina ali. Continue estudando, continue aprendendo e jamais perca de vista o propósito de servir bem. Cada contribuinte deposita confiança no serviço público e merece receber, em troca, esforço, responsabilidade e um trabalho feito com excelência. No fim, a aprovação muda a vida, mas o que fazemos com ela depois diz muito sobre quem nos tornamos.