
“[…] Tenha perseverança, vai ser muito dolorido ter que abrir mão de coisas melhores do que estar estudando, mas é algo temporário e no fim valerá a pena.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com DANIEL VIEIRA DOS REIS, aprovado em 2º lugar no Concurso SEFAZ GO para o cargo de Auditor Fiscal:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Daniel Vieira dos Reis: Olá, pessoal! Sou o Daniel, tenho 30 anos, sou do interior de Minas Gerais, casado e não tenho filhos. Me formei em Matemática Licenciatura e Ciências Contábeis, ambas na modalidade EAD.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Daniel: Em 2019, eu abandonei, depois de um bom número de matérias cursadas, o curso presencial de engenharia em uma Universidade Federal e me vi sem perspectivas na área privada. Já sabia que concurso era algo bom. Entretanto, não entendia detalhes sobre o assunto. Pesquisando, encontrei um edital nível médio aberto em uma cidade vizinha, faltava 1 mês para a prova, porém encarei. Das 23 vagas, me qualifiquei apenas em 108° lugar, mas fiquei muito satisfeito, visto que pelas pesquisas prévias, para um iniciante, esse curto período de preparação rendera um bom resultado. Assim começou minha trajetória no mundo dos concursos. A partir daí, eu comecei a procurar editais abertos no meu estado e fiz vários concursos nos últimos 6 meses de 2019 até o início de março de 2020, quando começou a pandemia.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Daniel: No início eu não trabalhava. Só que durante meus estudos para área fiscal, que começaram em dez/2023, eu trabalhava e estudava. O trabalho é em escala 12×36. Assim, nos dias de plantão eu fazia o mínimo do mínimo só para manter o ritmo e nos dias de folga era o máximo do máximo. Antes de começar o estudo para os fiscos eu trabalhava como secretário escolar, primeiro cargo efetivo que fui nomeado (aquele da 108ª colocação). Isso foi em maio de 2023. Decidi que não pararia por ali, arrisquei tentar o início dos estudos para a carreira fiscal, mas a rotina puxada da escola me travou e deixei esse projeto adormecido para quando fosse nomeado para o meu cargo atual, tendo em vista que apesar de ser CR, estava quase chegando minha nomeação. Foi um “blefe”, pois CR não garante nomeação, mas deu certo.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Daniel: Fui aprovado nos seguintes concursos:
- (2019) Auxiliar de Secretaria na Pref. Mun. de Santa Luzia (MG) (108º lugar – CR) – nomeado em maio/23;
- (2019) Assistente Administrativo Financeiro na Câmara Municipal (1º lugar – VAGA) – Não fui nomeado por causa do “coronelismo” de uma cidadezinha interiorana;
- (2019) Operador de Bombas (Cargo atual) no Departamento Municipal de Água e Esgoto (Uberlândia – MG) (26º lugar – CR) – nomeado em nov/23;
- (2021) Agente de Pesquisas e Mapeamento do IBGE (Pirapora (MG)) (1º lugar – VAGA TEMPORÁRIA) – Contratado em jul/21. Aqui, pela primeira vez entrei no serviço público;
- (2025) Contador na Pref. Mun. de Uberlândia (MG) (1º lugar – VAGA) – Aguardando nomeação;
- (2025) ISS Uberlândia (MG) (17º lugar – CR);
- (2025) SEFAZ GOIÁS (2º lugar – VAGA) – Aguardando nomeação.
Não direi que “nunca mais”! Contudo, atualmente não tenho planos de continuar estudando para concursos.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Daniel: Nos sprints de estudos de 2019 e 2021, e na jornada fiscal, eu me privei bastante da vida social. Principalmente na área fiscal, eu fui bastante radical. Nesse período, minhas férias eram para estudar. Visitas à minha cidade natal, por ser longe, foram poucas e rápidas. Minha mãe que vinha me visitar. E fins de semana completos eu já não tinha por causa da escala de trabalho. Já as redes sociais, de um ano e meio para cá eu aboli quase 100%. Resumindo, vida social quase zero, só arrefeci nos estudos um breve período após o ISS Uberlândia e no início do segundo pós-edital da SEFAZ-GO, pois apesar do adiamento desse certame no ano passado, eu cumpri todo o cronograma naquela época.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Daniel: Nunca foram contra, sempre me apoiaram, principalmente minha esposa. Sou muito grato pela paciência e parceria que ela teve todo esse tempo. Todavia, confesso que, principalmente, minha mãe e uma das minhas irmãs ficavam preocupadas com o ritmo frenético.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Daniel: Com 1 ano de estudos para fiscos, saiu a autorização do grande concurso que teria da SEFAZ-GO (200 vagas imediatas). Dessa forma, em jan/25 eu já comecei a pegar a legislação tributária. Ao sair o termo de referência, eu já intensifiquei a preparação para a FCC em TI, Economia e Contabilidade. Com o edital na praça, eu mergulhei nele e fiz todo o pós-edital, mesmo com a suspensão, como se fosse ter a prova. Nesse tempo, teve a redução de 200 para 50 vagas, deu uma desanimada momentânea, mas continuei. Visto que não teve a prova, eu fiz ISS Uberlândia e SEFAZ-SP nesse meio-tempo, retomando, após isso, aos últimos 2 meses finais do segundo pós-edital da SEFAZ-GO. Sobre a disciplina, para mantê-la, era saber que não tinha mais volta, apesar de estar muito sobrecarregado mentalmente com as incertezas que todo concurseiro passa, eu me dediquei ao máximo para que isso acabasse logo.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Daniel: Bem no iniciozinho, comecei com videoaulas gratuitas, principalmente de português, mas durou pouco pois conheci os PDFs e me adaptei bem. Conheci cedo e sabia da importância dos bancos de questões, mas não conseguia gerir com qualidade essa transição do estudo da teoria para resolução massiva de questões. Para concursos menores não foi um grande problema, já que os PDFs têm as questões selecionadas. Com isso, só fiz essa fase de estudos no banco, com qualidade, já na área fiscal. Agora no final da caminhada, aderi ao uso, de forma adequada, de IAs, algo que com certeza deu um salto de qualidade e velocidade nos meus estudos.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Daniel: Não me lembro bem como conheci, mas foi nos primeiros meses. Imagino que todo concurseiro se depara cedo com Estratégia, referência na preparação para concursos em nosso país.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Daniel: Utilizei sim, por conhecer pouco, de início o outro foi satisfatório, só que depois que você usa o Estratégia, não tem mais volta. A diferença no aprendizado é outro nível.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Daniel: Sim, fui aprovado. Para o nicho de concursos menores e com apoio de videoaulas gratuitas na internet, esse primeiro material me rendeu a aprovação para Auxiliar de Secretaria, que como eu disse, fui nomeado mesmo estando em um CR distante.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Daniel: Com certeza! Todas as outras aprovações tiveram participação valiosa do Estratégia. Os PDFs foram o carro-chefe na minha preparação teórica e também as questões de fixação selecionadas pelo professor. Eles cobrem todo o conteúdo que é cobrado na maioria dos concursos, e nesses casos são autossuficientes. Aliados a um bom plano de estudos conduzem à aprovação. Utilizei bastante os resumos de cada aula durante a formação da base fiscal e recomendo bastante, você pode ir incrementando-os com suas dificuldades.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Daniel: Nos primeiros concursos eu mesmo montava meus planos de estudos. Mesmo conhecendo, eu não usava ciclo de estudos essa época. Preferia estudar disciplina por disciplina, para concursos com menor volume de matérias foi o ideal para mim. Porém, na área fiscal isso não é possível e sabendo da infinidade de conteúdo, comecei desde o primeiro dia, delegando meu planejamento para uma consultoria. No fim, minha média final foi de aproximadamente 4 horas líquidas por dia. Mas com picos, por causa da escala 12×36.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Daniel: No estudo da teoria eu revisava pelos resumos do Estratégia, ou pelos grifos no PDF. No nível avançado eu só revisava por questões (exceto na Revisão de Véspera), pois já tinha acabado a fase de PDFs.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Daniel: Crucial! Com os fundamentos da teoria em mente, é hora resolver muitas questões no banco. Foram aproximadamente 70 mil questões nessa fase intermediária e avançada após os PDFs. Quando estava muito experiente na resolução de questões é que comecei a preparar meu próprio material de revisão de véspera, a partir dessas questões, usando comentários, esquemas e dicas do fórum de questões. Além disso, usava Inteligência Artificial aplicada aos PDFs e livros consagrados da disciplina em estudo disponíveis na internet. Como eu tinha boas fontes anexadas a IA, nos últimos 6 meses de preparação eu praticamente abandonei o fórum de alunos e resoluções dos professores ao resolver questões, algo que deu agilidade (com qualidade) aos meus estudos.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Daniel: TI, Contabilidade e Economia. Após ver todos os PDFs, fazer muitas e muitas questões no banco, eu aprendi essas matérias, mas faltava algo para que seus subtemas “conversassem entre si” na minha mente, pois os percentuais não passavam de 75%, Economia não passava de 70%, para ter ideia. Assim, já sabendo que estariam na SEFAZ-GO e com bastante peso, eu fiz três cadernos de questões gigantes da banca FCC e por um mês estudei somente essas 3 disciplinas. Resolvi as questões na ordem didática e fui montando um resumo de revisão de véspera para essas matérias, com algumas questões de concursos pontuais quando julgasse relevante. Quando terminou esses cadernos, calhou de logo em seguida ser publicado o edital de Goiás, nesse momento eu já beirava 90% de acertos nessas disciplinas e o pós-edital foi só de manutenção dessas médias e pegar algumas coisinhas a mais que foram novidades do edital.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Daniel: O que sempre me colocou no pelotão de frente, nas provas que fiquei com chances reais de nomeação (e desde a escola) está aqui, é o momento que eu saio do meio da multidão e dou um salto na classificação. Para concursos com menor volume de disciplinas, a última semana basta, mas para área fiscal, são os últimos 20 a 25 dias. Na SEFAZ-GO, eu tirei férias e fiquei por conta, abandonei o planejamento da consultoria e segui o meu, com base nos meus resumos de revisão de véspera, das matérias de menor importância para as de maior. Nas disciplinas maiores e as de maior peso, eram um ou dois dias só por conta de cada resumo, e nas demais podia juntar duas ou três em dia só. Aqui não tem para onde correr, é ler com entendimento e decorar quando for preciso, por isso a importância de um resumo bem montado. E se travar em alguma parte, recorre a IA com as fontes de estudo anexadas e sai fazendo perguntas para ela. Já na última semana, de fato, eu leio os resumos dos resumos das matérias peso 2 e toda Legislação Tributária Estadual (Também a partir de resumos, só que devido as particularidades, montados no pós-edital). Para fazer dessa forma, a base fiscal tem que estar sólida, ser construída com paciência no pré-edital. Eu não abandono nenhuma disciplina e quase nenhum tópico do edital, os resumos de revisão de véspera são em cima das minhas dificuldades reais, por isso é importante montá-los quando já se tem experiência a partir de milhares e milhares de questões. Neles contêm inclusive coisas básicas que identifiquei na jornada que são pedras no meu sapato.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Daniel: Ter parado de estudar no início da pandemia foi o meu principal erro. Eu consegui o primeiro lugar na única vaga do cargo que disputei na Câmara Municipal e contei com a nomeação que não veio. Quanto a métodos de estudo eu tive errinhos, mas que faziam parte e logo eram corrigidos. Iniciar para área fiscal já com uma consultoria foi um bom acerto, no meu caso, pois me conheço e sabia que não conseguiria gerir todas aquelas disciplinas. Ter dimensão do “buraco que estava me enfiando” ao entrar para área fiscal também foi outro acerto. Eu sabia que viria reforma tributária e muitos conteúdos novos e que era um projeto de médio a longo prazo. Uma pesquisa bem feita nesse aspecto evitou surpresas desnecessárias.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Daniel: Sim, várias vezes, mas logo passava. Lembro da vez que a decisão de parar durou o maior tempo, foi de um dia para o outro no pós-edital da Sefaz-SP. Entretanto, acordei e segui estudando, não fazia sentido parar, se eu ainda não tinha feito nenhuma prova de SEFAZ. E mesmo que tivesse feito, depois de tanto nadar, não iria morrer na praia.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Daniel: Bom, antes de tudo, pesquise bem o que você quer, cogite a possibilidade de concurso escada, para te dar tranquilidade para pagar as contas e estudar com menos pressão. Escolha uma área e só troque com muita ponderação, eu não aconselho a trocar, mas pode acontecer. Não pule de edital em edital antes de ter uma base sólida das disciplinas que caem na área escolhida. E tenha perseverança, vai ser muito dolorido ter que abrir mão de coisas melhores do que estar estudando, mas é algo temporário e no fim valerá a pena. Bons estudos!