Aprovado em 9º lugar no concurso TCU para o cargo de Auditor Federal de Controle Externo
Tribunais de Contas (TCU, TCE, TCM)
“Constância é o rei. Ter um método imperfeito executado todo dia é melhor que ter um método perfeito que você faz de vez em quando”
Confira nossa entrevista com Vinícius Borges, aprovado em 9º lugar no concurso TCU para o cargo de Auditor Federal de Controle Externo:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Vinícius Borges: Meu nome é Vinicius, tenho 30 anos, sou natural de Taguatinga. Minha formação inicial foi em Ciências Biológicas, me formei com a intenção de me tornar pesquisador e professor. Um ano depois de concluir o curso, consegui uma bolsa para fazer mestrado na Vrije Universiteit Amsterdam. Durante o mestrado, aprendi a programar e me apaixonei pela atividade. Depois de terminar o mestrado e me desiludir um pouco com a vida de pesquisador acadêmico, voltei para o Brasil em 2021 e me dediquei ao aprendizado e ensino da Programação e da Ciência de Dados.
Desde então, investi cada vez mais na área: hoje sou formado em Ciência de Dados e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, tenho sete pós-graduações em diversas áreas de TI (Banco de Dados, Ciência de Dados, Segurança da Informação, Direito Digital, etc.) e certificações em Análise e Engenharia de Dados.
Também me tornei professor do Estratégia no final de 2025 na área de Desenvolvimento de Software :)
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Vinícius: Foi algo meio específico: eu dava aula de programação em um colégio militar de Brasília e, por recomendação de um amigo, me inscrevi para fazer a prova do Serpro em 2023, porque ela tinha prova prática de programação. Não estava estudando seriamente, mas, um mês antes da prova, fui demitido do colégio (na sexta-feira que precedia as minhas férias). No dia seguinte à demissão, comecei a estudar e consegui êxito nessa prova com pouco tempo de estudo.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Vinícius: Sim, apenas nos primeiros seis meses de estudo eu estava desempregado e estudava o dia inteiro. Depois de tomar posse no Serpro, desenvolvi uma cadência de estudo incorporada ao trabalho (normalmente, uma hora de manhã e duas horas à noite). Tentava pontuar os momentos de transição com alguma atividade física para sinalizar para o meu cérebro a mudança de contexto (pois é difícil mudar de uma atividade para a outra de modo súbito).
O hábito de estudo foi adquirido ao longo dos meses anteriores à posse do meu primeiro cargo.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Vinícius: Serpro (246.º), CNPq (1.º), TCDF (8.º, CR), Banco Central (10.º), ANATEL (7.º), STN (2.º lugar) e TCU (9.º).
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Vinícius: Houve altos e baixos, eu diria que os primeiros seis meses envolveram mais dedicação exclusiva. Depois de adquirir os hábitos de estudo e a confiança de que eu sabia o que estava fazendo, consegui fazer uma transição natural para ter mais tempo para amigos e família.
Houve muitas flutuações nesses três anos (especialmente nos períodos pós-edital e pré-prova), mas eu diria que consegui manter relacionamentos saudáveis junto ao estudo.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Vinícius: Sim, eles sempre foram muito compreensivos quanto aos meus períodos de estudo mais intenso. Escolhi não ir em muitos eventos importantes (aniversários, casamentos) ao longo desses anos para dedicar mais tempo e isso sempre foi recebido com muita tranquilidade por eles.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Vinícius: Mais ou menos 4 meses pré-edital (que infelizmente não aproveitei tanto por ter estudado muita coisa que não caiu :p) e 3 meses pós-edital. Isso foi depois de um ano sem estudar nada, então foi uma transição difícil.
No recomeço, precisei ir a uma biblioteca à noite com nada além de um livro de auditoria para me obrigar a estudar e refazer o hábito. Depois de alguns meses, felizmente, isso ficou mais fácil.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação? (Aulas presenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens?)
Vinícius: Usei muitos PDFs do Estratégia para a parte básica e algumas específicas e materiais mais aprofundados para alguns tópicos de TI (cursos em inglês, livros universitários). Também usei a IA extensivamente para produzir resumos, fazer conexões de conteúdo e atuar como um tutor socrático no meu aprendizado, além de fazer muitas questões e simulados.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Vinícius: Acredito que pelas lives gratuitas que vi na época do Serpro.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia? (Pode citar uma ou mais ferramentas que mais te ajudaram na preparação).
Vinícius: Sim, comprei o curso quando comecei a estudar para o Banco Central e achei bom não ter que gastar tempo buscando materiais e minerando fontes de qualidade duvidosa, como eu fiz para o Serpro.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos? (Estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Quantas horas líquidas estudava por dia?)
Vinícius: Eu escrevi um livro sobre isso no início de 2025, chamado “O Guia Definitivo do Concurseiro”, então tenho muito a falar (hehe).
Por alto: eu sempre gostei de aprofundar uma matéria por vez. Usava flashcards para revisar um pouco de todas as matérias, todos os dias. Meu tempo diário de estudo era normalmente dedicado apenas a um único tópico do edital (nas duas ou três horas diárias que eu tinha, eu buscava entender a teoria e fazer o máximo de questões possíveis). Apenas fazia “ciclos de estudo” quando já estava mais próximo da prova, depois de fechar o edital.
Após fechar o edital uma vez, eu tentava aumentar a dificuldade da minha recapitulação de conteúdo: ou aumentando o tempo entre revisão e questões, ou buscando questões mais difíceis sobre os tópicos mais cobrados de cada edital.
Estudei uma média de 3 horas por dia no pós-edital do TCU, um pouco mais no período pré-prova, pois tirei férias para me dedicar a revisar todo o conteúdo.
Estratégia: Como fazia suas revisões? (Costumava fazer resumos, simulados ou algo mais?)
Vinícius: Sempre escrevi/anotei para validar a compreensão de um assunto. Fazer anotações depois de ler algo (sem referência), me esforçar e, posteriormente, validar o que eu escrevi com uma IA foi um método de estudo sensacional para mim.
Fazia simulados todos os domingos com provas antigas da banca. Cheguei a fazer mais de 130 provas do Cebraspe (muitas parciais, pois não havia 100% de equivalência com o conteúdo do meu edital), totalizando mais de 8.000 questões feitas no contexto de simulado (sem consulta, apenas marcando certo/errado no iPad).
Também fiz mais de 200 flashcards por dia, todos os dias. Foi algo que eu aprendi que funciona muito bem para mim, desde a graduação.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Vinícius: Para o TCU, fiz aproximadamente 7.500 questões em um site de questões (além das 8.000 questões de simulados e todas as questões ao final dos PDFs que fazia após a leitura). No site de questões, em toda a minha trajetória de concurseiro, fiz 23 mil questões ao todo.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Vinícius: Acho que Direito Constitucional e Auditoria. Para superar, dediquei mais tempo: eu li todos os PDFs da Nelma e li um livro inteiro de Auditoria no pré-edital. As minhas anotações dessas matérias são impecáveis, porque eu passei mais tempo com elas, revisando e aprimorando em ciclos. No final, gabaritei Auditoria e errei uma questão de DC, então o esforço valeu muito a pena.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Vinícius: Eu aprendi que fico muito ansioso nesse período, então adoto uma estratégia de “taper”, tal qual fazem os atletas para uma prova: o meu estudo mais intenso ocorre duas a três semanas antes; na semana da prova, eu diminuí a intensidade de modo intencional (fiz alguns simulados, li e reli os resumos à mão que tinha produzido nas semanas anteriores). A intenção era chegar no dia da prova inteiro, com disposição.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Vinícius: Eu tenho um texto no medium sobre o assunto: https://medium.com/@vi_neuro/como-treinar-discursivas-de-ti-5709b9ee7083
O principal conselho: comece a praticar desde cedo, aos poucos. Escreva pequenos parágrafos sobre o que você acabou de estudar, ou tente fazer um esqueleto de uma discursiva relevante (sem escrever o texto de fato). Depois de algumas semanas, a transição para escrever textos de 30-60 linhas será muito mais natural.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Vinícius: Acho que acertei em achar um método de estudos que funcionou para mim, muito cedo. Algo que demorei muito para perceber é que existe uma métrica que 100% está correlacionada com sua performance em prova: o índice de acertos em questões inéditas da sua banca. Se você medir essa métrica e ela estiver aumentando ao longo do tempo, você está aprendendo. Se ela não estiver aumentando, você precisa ajustar seu método (seja lá qual for) para que essa evolução continue acontecendo. Acho que eu me importava muito com “fechar teoria” nos primeiros meses de estudo, o que é irrelevante se o índice de acertos em questões inéditas da sua banca não estiver aumentando.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Vinícius: Sim, especialmente nos primeiros dias. Acho que a minha primeira aprovação foi fundamental para eu estabelecer a minha confiança e autossuficiência; eu passei a acreditar que ser aprovado era algo tangível e que eu era capaz de passar em provas cada vez mais difíceis, se eu me esforçasse cada vez mais.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Vinícius: Constância é o rei. Ter um método imperfeito executado todo dia é melhor que ter um método perfeito que você faz de vez em quando.
Cada pessoa tem um cérebro e aprende de um jeito diferente, mas você precisa achar um método que você consiga aderir diariamente por muitos meses e anos.
Estratifique seu edital e mensure o seu índice de acertos em questões inéditas da sua banca. Essa é a métrica principal que vai refletir seu sucesso nas provas.