Aprovado em 20º lugar para Auditor-Fiscal - Gestão Fazendária no Concurso SEFAZ CE

“[…] você nem sempre consegue controlar as condições ao seu redor, mas consegue decidir o que vai fazer com o tempo […]”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Anderson Idalgo da Rocha, aprovado em 20º lugar no Concurso SEFAZ CE para o cargo de Auditor-Fiscal – Gestão Fazendária:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Anderson Idalgo da Rocha: tenho 35 anos, sou natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e sou formado em Tecnologia em Processos Gerenciais e em Administração, ambos pela UNICESUMAR. Até os meus 16 anos, morei no interior de Santa Maria, no campo, onde meus pais eram agricultores. Foi uma infância simples e muito ligada ao trabalho, que me ensinou desde cedo valores como disciplina, responsabilidade e dedicação. Sou casado há 9 anos, estou com minha esposa há 12 anos e temos dois filhos: a Alice, de 7 anos, e o Antônio, de 1 ano e 3 meses. Na minha trajetória profissional, antes de ingressar na Polícia Rodoviária Federal, fui militar do Exército Brasileiro por 10 anos e meio, chegando à graduação de 2º Sargento de Infantaria. Em 2019, ingressei na PRF, onde atuo até hoje.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Anderson: para responder essa pergunta, preciso fazer uma pequena retrospectiva da minha vida, porque a busca pelo concurso público começou muito cedo para mim. Até os 16 anos, eu morava no interior de Santa Maria, na localidade de Porteirinha, no 7º distrito de Boca do Monte. Minha família vivia da agricultura, da pecuária e da produção de leite. Meu pai sempre foi um homem extremamente trabalhador, e minha mãe (que faleceu em 2014) é um dos grandes exemplos que tive na vida: uma mulher trabalhadora, dedicada e que sempre valorizou muito a educação. Minha mãe sonhava em ser professora. Ela fez o magistério e chegou a dar algumas aulas na própria escola onde estudávamos, a Escola Almiro Beltrame. Desde muito cedo, ela dizia para mim e para minha irmã que o estudo poderia nos abrir caminhos e nos dar oportunidades que talvez fossem mais difíceis de encontrar permanecendo apenas naquela realidade do campo. Nessa época, um primo meu, que morava em Santa Maria, foi aprovado e se formou na Escola de Sargentos das Armas, a ESA. Ele foi o primeiro da família a conquistar uma aprovação em um concurso e acabou se tornando uma referência para mim. Eu enxergava nele não apenas a estabilidade, mas também a possibilidade de construir uma profissão, servir ao país e ter uma trajetória diferente. Acabei alimentando desde pequeno o sonho de ser militar. Em 2007, terminei o ensino médio já na cidade de Santa Maria e, em 2008, fiz um preparatório para a ESA. Naquele ano, também prestei vestibular para Medicina na UFSM. Fui aprovado na ESA e não passei em Medicina. E, olhando hoje, vejo que aquela aprovação acabou mudando completamente a minha trajetória. Em 2009, fui para a formação da ESA e me formei Sargento do Exército em 2010. Alguns anos depois, em 2014, participei de uma missão de paz no Haiti. Foi durante essa experiência que comecei a refletir mais profundamente sobre minha carreira e sobre o futuro que queria construir com minha família. Quando voltei, passei a pesquisar outras possibilidades dentro do serviço público e conheci a carreira da Polícia Rodoviária Federal. Gostei muito da carreira e, no final de 2015, decidi com o apoio da minha esposa a começar a estudar para a PRF. Em 2018, fiz a prova da PRF em Rondônia. E essa prova tem uma história especial para mim: minha filha Alice havia nascido apenas três dias antes. Minha esposa e minha filha saíram do hospital próximo às 20 horas, e às 23:45 embarquei no ônibus para o aeroporto com destino a RO. Depois de alguns anos na PRF, comecei novamente a refletir sobre minha carreira e como seria no futuro. Questões como melhores condições salariais, escala de trabalho e também os riscos inerentes à atividade policial fizeram com que eu buscasse uma nova possibilidade. Em maio de 2023, retomei os estudos, dessa vez direcionado para a área fiscal. Então, se eu tivesse que resumir o que me levou a estudar para concursos, diria que isso sempre esteve presente na minha vida. Desde muito pequeno, o estudo foi apresentado pela minha mãe como um caminho para buscar novas oportunidades. Depois, meu primo se tornou uma referência, eu conquistei minha primeira aprovação, construí minha carreira no Exército, depois na PRF e, mais tarde, decidi buscar novamente uma mudança através do concurso público. De certa forma, o concurso sempre foi o meu caminho natural de crescimento. E tudo começou lá atrás, ainda naquele pequeno campo onde eu cresci.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Anderson: sim. Eu trabalhava e estudava durante toda a preparação. Na PRF, a jornada é, como regra, em um regime de plantão de 24 horas, seguido por 72 horas de descanso. No primeiro ano de preparação, eu saía do plantão pela manhã e assumia os cuidados com a minha filha, porque minha esposa trabalhava naquele período. À tarde, quando a Alice ia para a escola, eu aproveitava aquele tempo para estudar. Depois do primeiro ano, nossa rotina mudou bastante. Minha esposa engravidou do nosso segundo filho e, por trabalhar como enfermeira em um ambiente insalubre, foi afastada do trabalho por determinação médica durante a gestação. Nesse período, ela foi uma verdadeira guerreira e minha principal parceira nessa caminhada. Ela assumiu grande parte das responsabilidades da casa e da família, inclusive durante a gravidez, e fez isso até praticamente às vésperas do nascimento do Antônio. Foi um período em que eu tinha muita consciência de que não estava fazendo esse projeto sozinho. Havia um esforço enorme da minha esposa para que eu tivesse condições de estudar. Então eu carregava comigo uma responsabilidade muito grande: não queria que todo aquele esforço dela fosse em vão, assim como não queria que os momentos em que precisei me ausentar da rotina da minha filha fossem em vão. A partir de 2024, minha rotina ficou praticamente assim até a véspera da prova da SEFAZ CE: eu saía de um plantão de 24 horas, chegava em casa, tomava um café com minha família e começava a estudar. Muitas vezes estava cansado e com sono, mas estudava mesmo assim. Eu não tinha a possibilidade de esperar estar descansado, motivado ou ter o cenário perfeito. Precisava estudar dentro da realidade que eu tinha. E acho que essa foi uma das grandes lições da minha preparação: você nem sempre consegue controlar as condições ao seu redor, mas consegue decidir o que vai fazer com o tempo e as oportunidades que tem. No fim, foi um projeto familiar. Eu estudava, mas minha esposa também fazia sacrifícios, minha filha abriu mão de parte da minha presença e, durante a preparação, ainda tivemos a chegada do nosso guerreirinho Antônio. Por isso, quando veio a aprovação, a sensação foi de que aquela conquista não era somente minha. Era nossa.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado?
Anderson: desde o início da minha trajetória no mundo dos concursos, tive algumas aprovações que foram muito importantes para mim.
- Escola de Sargentos das Armas (ESA)
- Inspetor de Polícia Civil do Rio Grande do Sul (250º lugar – ampla concorrência)
- Polícia Rodoviária Federal (33º lugar – estado de Rondônia)
- Auditor Fiscal Tributário do Município de Cuiabá (310º lugar – ampla concorrência)
- Auditor Fiscal do Estado do Paraná (910º lugar – ampla concorrência)
- Auditor Fiscal da SEFAZ CE (20º lugar – ampla concorrência)
Quando olho para essa trajetória, gosto de pensar que cada aprovação foi uma etapa de aprendizado. As primeiras me permitiram construir minha carreira e amadurecer como profissional e como concurseiro. Na área fiscal, principalmente, também fui percebendo minha evolução em relação ao desempenho nas provas, até chegar ao resultado que eu buscava. E, neste momento, não pretendo continuar estudando para concursos. Depois de tantos anos conciliando trabalho, família e preparação, entendo que a aprovação na SEFAZ CE representa o fechamento desse ciclo. Quero agora assumir esse novo desafio profissional, dedicar mais tempo à minha família e aproveitar uma fase diferente da minha vida.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Anderson: durante a preparação para a área fiscal, minha vida social praticamente deixou de existir. Minha rotina era basicamente trabalho, estudo e família. Saía muito pouco e quase não tinha momentos de lazer com amigos. Mas, olhando hoje, acho que o maior sacrifício não foi deixar de sair ou encontrar os amigos. Foi o tempo que deixei de passar com a minha família. Eu tenho dois filhos, e foi muito difícil saber que poderia estar mais presente na vida deles e, muitas vezes, não estar. Meus filhos acabavam vendo o pai, na maior parte do tempo, estudando no quarto. Muitas vezes eu estava dentro de casa, mas não estava disponível para brincar, passear ou simplesmente aproveitar um momento com eles. E isso ficou ainda mais difícil porque, durante a preparação, nasceu o Antônio. Ele nasceu prematuro, com 32 semanas, e precisou permanecer 16 dias internado. Foi um período muito delicado para toda a família. Então, estudar para mim nunca foi apenas abrir mão de sair com amigos ou de ter uma vida social mais ativa. Foi abrir mão de momentos com pessoas que eu amo e que eu sabia que não voltariam. Minha esposa acabou carregando grande parte da rotina da casa e das crianças nesse período, e isso foi um dos maiores sacrifícios de toda a nossa caminhada. Hoje, olhando para trás, sei que foi uma escolha consciente e necessária para alcançar o objetivo, mas não romantizo essa parte. Foi difícil. Houve momentos em que eu gostaria de estar mais presente como marido e como pai. Por isso, quando veio a aprovação, uma das coisas que mais senti foi que aquele sacrifício tinha chegado ao fim. Eu finalmente poderia fechar os livros, guardar o material de estudo e voltar a ter mais tempo para aquilo que, no fundo, sempre foi a razão de todo esse esforço: minha família.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro?
Anderson: minha família sempre me apoiou durante todo o processo de preparação. Na verdade, acredito que sem esse apoio eu não teria conseguido chegar até a aprovação. Minha esposa foi, sem dúvida, a pessoa mais importante nessa caminhada. Ela sempre entendeu o meu objetivo, me incentivou nos momentos em que eu estava cansado ou desanimado e, principalmente, criou condições para que eu pudesse estudar. Muitas vezes ela assumiu praticamente sozinha boa parte das responsabilidades da casa e dos nossos filhos para que eu pudesse aproveitar o tempo disponível para estudar. E isso aconteceu em momentos muito difíceis. Ela fez isso durante a gravidez do Antônio, continuou quando ele nasceu prematuro e precisou ficar 16 dias internado e também depois que ele voltou para casa. Além de todo o suporte prático, ela também foi meu suporte emocional. Houve momentos em que eu pensei que talvez não fosse conseguir, que o esforço estava sendo grande demais, e ela sempre me incentivou a continuar e não me deixou desistir. Minha família também entendia que, durante aquele período, eu estava fazendo uma escolha de longo prazo. Eles respeitavam meus horários de estudo e entendiam quando eu não podia estar presente. Então, embora a aprovação tenha meu nome, eu não considero que tenha sido uma conquista individual. Foi um projeto familiar. Minha esposa, meus filhos fizeram sacrifícios para que eu pudesse chegar até aqui. Por isso, quando saiu o resultado e eu vi meu nome entre os aprovados, a primeira sensação foi de gratidão. Eu sabia que aquela conquista também pertencia a eles.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Anderson: para a área fiscal, foram aproximadamente 3 anos e 3 meses de preparação no total. Especificamente para a SEFAZ CE, fiz uma preparação mais direcionada durante cerca de 10 semanas. Durante esse período, uma das coisas que mais me ajudou a manter a disciplina foi ter consciência do que estava por trás de cada hora de estudo. Eu sabia que, quando estava estudando, muitas vezes estava abrindo mão de estar com minha esposa e com meus filhos. Então eu não podia simplesmente sentar para estudar e fazer corpo mole ou estudar sem estar realmente concentrado. Existia um compromisso comigo mesmo, mas também com a minha família. Eu pensava muito que, se minha esposa e meus filhos estavam fazendo sacrifícios para que eu pudesse estudar, eu precisava fazer a minha parte e dar o meu melhor. Além disso, eu não dependia apenas de motivação. A rotina precisava acontecer mesmo nos dias em que eu estava cansado, principalmente por conciliar a preparação com os plantões da PRF. Eu chegava de um plantão de 24 horas e, muitas vezes, ainda precisava estudar. O apoio da minha família também foi fundamental. Minha esposa entendia a importância daquele momento, respeitava minha rotina e me incentivava a continuar, inclusive nos períodos em que eu estava mais cansado ou desanimado. Então, para mim, disciplina foi muito mais uma questão de compromisso do que de motivação. Eu tinha um objetivo muito claro, sabia o preço que minha família estava pagando junto comigo e isso me fazia aproveitar da melhor maneira possível o tempo que eu tinha para estudar.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Anderson: durante minha preparação, utilizei principalmente os cursos em PDF do Estratégia Concursos. Para mim, foi o principal material de estudo, porque os PDFs são muito completos, mas ao mesmo tempo têm uma linguagem clara e objetiva, o que facilitava bastante a compreensão e a revisão dos conteúdos. Eu utilizava videoaulas de forma mais pontual. A principal disciplina em que recorria às videoaulas era Contabilidade (aulas do Silvio Sande e Marcondes Fortaleza) e também utilizava esse formato quando encontrava algum assunto específico que estava com dificuldade para entender pelo PDF. Então, para mim, a videoaula funcionava mais como um complemento do que como a base da preparação. Já no pós-edital, algumas ferramentas fizeram bastante diferença, principalmente as aulas de Reta Final e a Hora da Verdade. Achei muito interessante o direcionamento que era dado especificamente para aquela prova, considerando o perfil da banca e os assuntos que mereciam maior atenção. Isso foi especialmente importante na SEFAZ CE, porque o tempo de preparação específica foi relativamente curto. Então, ter um material que ajudasse a direcionar o estudo para aquilo que realmente poderia fazer diferença na prova foi muito importante. De forma geral, meu método ficou muito baseado em PDF, videoaulas para complementar pontos de dificuldade e, no pós-edital, ferramentas mais direcionadas para a prova e para o perfil da banca.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Anderson: conheci o Estratégia Concursos quando comecei minha preparação para o concurso da PRF, no final de 2015. Naquela época, tive meu primeiro contato com os materiais do Estratégia e acompanhei a preparação até a aprovação na PRF. Por isso, quando retomei os estudos em 2023, agora com foco na área fiscal, eu já conhecia a plataforma e sabia que poderia contar com um material de qualidade. Não precisei começar novamente pesquisando qual curso utilizar, porque o Estratégia já era uma referência para mim na preparação para concursos. Então, foi uma escolha bastante natural: eu já conhecia o material, já tinha utilizado anteriormente e voltei a estudar tendo o Estratégia como principal ferramenta de preparação.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Anderson: sim. Quando comecei a estudar para a PRF, cheguei a utilizar por um período materiais de outro curso. O principal ponto que me incomodava era a atualização do conteúdo. Como estamos falando de concursos públicos, especialmente em uma área em que legislação e jurisprudência podem mudar, considero fundamental que o material acompanhe essas alterações. Sentia que, em alguns momentos, precisava ficar muito atento por conta própria às atualizações e mudanças que poderiam impactar o conteúdo estudado. Isso acabava gerando uma insegurança e também demandava um tempo que eu preferia dedicar ao estudo propriamente dito. Foi uma das razões pelas quais passei a valorizar bastante materiais que já tragam esse trabalho de atualização e organização do conteúdo para o aluno.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Anderson: sim, senti uma diferença relevante na minha preparação, principalmente pela confiança que o material me proporcionava. Um dos grandes diferenciais do Estratégia, na minha visão, é o cuidado com a atualização constante dos PDFs. Para quem estuda para concursos, isso é fundamental, porque precisamos confiar que o conteúdo está atualizado e alinhado às exigências da banca. Também destaco a linguagem clara e de fácil compreensão, a resolução didática das questões e a qualidade do time de professores. Esses fatores facilitam muito o aprendizado, especialmente em disciplinas mais complexas. Outro ponto importante é que o material do Estratégia me permitia concentrar meus esforços no estudo, sem precisar ficar constantemente buscando complementos externos por receio de estar utilizando um conteúdo desatualizado ou inconsistente com o que a banca exigia. Então, para mim, a grande diferença foi essa combinação de qualidade, atualização e confiança no material. Isso tornou minha preparação mais organizada e me permitiu aproveitar melhor o tempo que eu tinha disponível, especialmente por conciliar os estudos com o trabalho na PRF e a vida familiar.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Anderson: quando retomei os estudos para a área fiscal, em maio de 2023, eu tinha uma grande limitação: o tempo disponível. Trabalhava na PRF, tinha minha família e precisava organizar os estudos de maneira muito eficiente. Por isso, contratei uma consultoria especializada, referência no mercado, para me auxiliar no planejamento e na organização da preparação. Comecei pelo ciclo básico da área fiscal, estudando disciplinas como Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Direito Civil, Direito Empresarial, Contabilidade, Tecnologia da Informação, Auditoria, Raciocínio Lógico, Matemática Financeira, Estatística e Português. Posteriormente, acrescentei Direito Penal, Economia e Finanças Públicas. Também dei atenção à Reforma Tributária, que considero um tema muito importante para a área fiscal atualmente. Minha ideia inicial era manter pelo menos 4 horas líquidas de estudo nos dias de folga do plantão. Em 2024, com a mudança na rotina familiar durante a gravidez da minha esposa, consegui aumentar o ritmo e estudar, em alguns dias, até 10 horas líquidas. Normalmente, procurava ficar entre 6 e 10 horas nos dias em que tinha disponibilidade, embora isso variasse conforme o plantão e as necessidades da família. Minha rotina era bastante intensa. Nos dias de folga, acordava por volta das 5 horas da manhã, antes dos meus filhos, e começava a estudar. Quando eles acordavam, eu ficava com as crianças para que minha esposa pudesse descansar um pouco, especialmente porque ela enfrentava noites muito difíceis com o nosso filho pequeno. Depois, retornava aos estudos e procurava aproveitar o período da manhã e da tarde, geralmente até as 17 horas, quando precisava buscar minha filha na escola. Eu chamava o quarto onde estudava de minha “caverna”. Era o espaço em que conseguia me concentrar e aproveitar melhor o tempo disponível. À noite, procurava priorizar o convívio familiar, mesmo que fosse por um período mais curto. Uma estratégia que adotei foi tentar adaptar meu horário de estudo ao horário em que normalmente ocorreria a prova. Como as provas costumam exigir muitas horas de concentração, geralmente começando pela manhã e se estendendo até o final da tarde, eu queria que meu cérebro estivesse acostumado a raciocinar e estudar principalmente nesses períodos. Não queria depender de estudar de madrugada ou em horários que não correspondessem à realidade do exame. É claro que nem sempre consegui cumprir essa rotina perfeitamente. A escala da PRF, o cansaço e as necessidades da família faziam parte da realidade. Mas o regime de trabalho me proporcionava alguns períodos de folga que, com organização, permitiam concentrar muitas horas de estudo. E não posso deixar de destacar o papel da minha esposa. Durante esse período, ela enfrentou uma gravidez, o nascimento prematuro do Antônio e uma rotina extremamente exigente com um bebê pequeno e uma filha de 7 anos. Muitas vezes, ela estava exausta, mas continuava dando suporte para que eu pudesse estudar e buscar um bom desempenho. Por isso, quando penso na minha preparação, não vejo apenas uma questão de quantidade de horas estudadas. Houve planejamento, disciplina, adaptação e, acima de tudo, um esforço familiar muito grande. O resultado foi construído por todos nós.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Anderson: minhas revisões eram baseadas principalmente em três pilares: resumos, resolução de questões e simulados. Para as revisões, eu montava meus próprios resumos com base nos materiais do Estratégia. Utilizava também mapas mentais e resumos disponibilizados pela plataforma, complementando com as informações que considerava mais importantes ou que precisava reforçar. Esse material se tornou minha principal ferramenta de revisão passiva, especialmente para retomar os conteúdos de maneira mais rápida. Mas acredito que a parte mais importante da minha revisão era a resolução de questões. Eu resolvia muitas questões de forma espaçada, conforme o planejamento da preparação. Depois das baterias, analisava meu desempenho e fazia revisões de acordo com a dificuldade que tinha encontrado. Também salvava questões em que havia tido dificuldade e aquelas que considerava importantes ou representativas do estilo da banca. Dessa forma, fui construindo um banco pessoal de questões favoritas, que poderia revisar posteriormente sem precisar refazer todas as questões de determinado assunto. Em relação aos simulados, fiz dois durante a preparação e considero que foram muito importantes, principalmente no pós-edital. Eles me ajudaram a trabalhar a organização do tempo, a concentração e a experiência de enfrentar uma prova longa. Uma experiência que me ensinou bastante foi a prova da SEFAZ SP. Naquele momento, eu não havia feito simulados e, durante a prova, encontrei dificuldades para administrar o tempo. A prova era muito extensa, minha estratégia de ordem de resolução não funcionou como eu esperava e acabei ficando nervoso. Com isso, perdi tempo e deixei de resolver algumas questões que provavelmente teria condições de fazer. Essa experiência me mostrou, na prática, que não basta dominar o conteúdo. É preciso também treinar a execução da prova: controlar o tempo, testar a ordem de resolução e aprender a lidar com o cansaço e a pressão. Por isso, considero muito importante que o candidato faça simulados, especialmente na reta final e, se possível, em condições semelhantes às da prova. Não precisa ser necessariamente todos os finais de semana, mas é importante vivenciar essa experiência antes do dia do exame. Minha principal lição foi que o simulado não serve apenas para medir conhecimento. Ele também serve para testar a estratégia que você pretende utilizar na prova e identificar problemas antes que eles aconteçam no dia decisivo.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios?
Anderson: a resolução de questões foi fundamental na minha preparação, principalmente em uma preparação de alto nível. Para mim, questão não é apenas uma forma de testar se você aprendeu o conteúdo. É também uma ferramenta de revisão ativa, porque você consegue revisar um assunto de forma muito mais rápida e objetiva e, ao mesmo tempo, identificar exatamente onde estão suas dificuldades. Ao longo da minha trajetória, resolvi muitas questões. Só na preparação que consegui contabilizar, foram mais de 42.400 questões. E esse número provavelmente é ainda maior, porque não contabilizei todas as questões extras que fazia nas aulas, especialmente na Reta Final e na Hora da Verdade, que foram muito importantes na preparação para a SEFAZ CE. Eu também procurava não simplesmente responder e seguir adiante. Quando errava ou tinha dificuldade em uma questão, procurava entender o motivo do erro e, quando era algo relevante, deixava aquela questão marcada para revisar posteriormente. Isso ajudou muito a transformar os erros em aprendizado e a direcionar as revisões para os pontos em que eu realmente precisava melhorar.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade?
Anderson: eu tive bastante dificuldade principalmente em TI, Estatística e Contabilidade, especialmente no início da preparação. Em Contabilidade, acho que é muito uma questão de dar tempo ao tempo. Conforme você vai avançando na matéria e resolvendo muitas questões, o conteúdo começa a ficar mais palpável e a resolução vai se tornando mais natural, mais simples e mais rápida. As aulas e explicações do Sílvio Sande e do Mardones também me ajudaram bastante nesse processo. TI, para mim, sempre foi uma matéria extremamente abstrata, principalmente porque eu não sou da área. Nesse caso, o caminho foi muita questão, muita leitura das resoluções e, quando eu não conseguia compreender determinado assunto, também recorria a pesquisas e ferramentas de inteligência artificial para tentar desmistificar o conteúdo e conseguir enxergá-lo de uma forma mais prática. Nas matérias de exatas aconteceu algo parecido. Com a prática e a resolução de questões, fui desenvolvendo uma sistemática própria de resolução e, com o tempo, ganhando velocidade e segurança. E acho que tem uma coisa muito importante nisso: você precisa ter humildade para reconhecer aquilo em que tem dificuldade. Não adianta deixar aquela matéria de lado e ficar estudando só aquilo em que você já é bom, porque isso acaba criando uma zona de conforto. Eu procurava justamente atacar as minhas dificuldades, porque sabia que, para brigar pelas vagas, precisava evoluir principalmente naquilo que era mais difícil para mim.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Anderson: nas semanas que antecediam a prova, eu tentava conseguir férias do trabalho justamente para poder pisar fundo no acelerador na preparação. Nessa fase, conseguia estudar próximo de 10 horas por dia, todos os dias. O foco era basicamente revisão. Se eu conseguisse, procurava passar pelo menos uma vez por todos os meus resumos e também pelas questões que tinha favoritado e pelas questões mais características da banca. Nas matérias de maior peso, naturalmente, eu dava uma prioridade maior nessa reta final. As ferramentas do Estratégia que mais utilizei nas últimas semanas foram a Hora da Verdade e a Reta Final. Para mim, são aulas imperdíveis. Se houver tempo, vale assistir a todas; se não houver, eu priorizaria pelo menos as matérias de maior peso. Os professores conseguem trabalhar justamente aquilo que é mais importante para a prova, o estilo da banca e a forma de resolver as questões. Inclusive, no deslocamento entre minha casa e o local onde eu ficaria antes da prova, eu aproveitava praticamente todo o tempo para assistir a essas aulas. Mas uma coisa importante que aprendi com a prova da SEFAZ SP foi que também é preciso saber quando parar. Naquela ocasião, eu acelerei demais no último dia e cheguei para a prova com a cabeça muito cansada de tanto conteúdo. Isso acabou me prejudicando. Então, para a SEFAZ CE, eu mantive uma intensidade muito alta até o penúltimo dia. No último dia, fiz apenas uma revisão mais rápida, principalmente de decorebas, pontos que eu precisava memorizar e assuntos mais objetivos, sem tentar aprender conteúdo novo. A ideia era chegar no dia da prova com o conteúdo fresco, mas também com a cabeça descansada para conseguir executar tudo aquilo que tinha estudado.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame?
Anderson: a prova discursiva sempre foi uma das minhas maiores dificuldades. Em praticamente todos os concursos que fiz antes da SEFAZ CE, a discursiva acabava prejudicando um pouco a minha classificação. Por isso, para a SEFAZ CE, procurei fazer uma preparação mais consistente. Adquiri um curso específico, com correção das provas, fiz os temas propostos e também assisti a vídeos de resolução de questões discursivas. Isso me deu muito mais segurança para enfrentar essa etapa. Mas uma estratégia que considero muito importante e que comecei a aplicar durante a preparação foi utilizar também as próprias questões objetivas como treinamento para a discursiva. Antes de olhar o gabarito de uma questão, eu tentava tratá-la como se fosse uma questão discursiva: procurava mentalmente construir a resposta, organizar as ideias e lembrar os fundamentos que justificavam aquela resposta. Só depois eu conferia o gabarito e a resolução. Parece algo simples, mas isso faz com que o cérebro comece a se acostumar não apenas a reconhecer a alternativa correta, mas a organizar e recuperar o conhecimento para explicar por que aquela resposta é correta. Então, para quem vai enfrentar uma prova discursiva, minha principal recomendação é: não deixe a discursiva para depois. Treine especificamente a escrita, faça provas e procure correção, mas também aproveite a resolução das questões objetivas como uma oportunidade de treinar a organização do raciocínio. Dessa forma, praticamente toda questão que você resolve pode também contribuir para a sua preparação discursiva.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Anderson:
- Erros:
- Não ter começado em um ritmo mais forte
- Não ter dado, no começo, a importância que a TI merece dentro da área fiscal
- Acertos:
- Ter buscado organização desde o início com consultoria de estudos e material de qualidade do Estratégia Concursos
- Ter aumentado bastante o ritmo de estudos a partir de 2024 e intensificado a resolução de questões
- Mudar a forma de enxergar as questões, tratando cada uma como oportunidade de aprendizado e evolução
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Anderson: sim. Principalmente depois da SEFAZ SP, quando fiquei em 458º lugar. Era uma prova na qual eu tinha depositado muitas expectativas, e foi uma preparação muito pesada, não só para mim, mas principalmente para a minha família. Minha esposa dormia pouco, estava com dois filhos pequenos e, mesmo assim, abraçou praticamente toda a rotina da casa para que eu pudesse estudar. Quando veio o resultado e eu não consegui a aprovação que esperava, foi um momento muito difícil. Eu realmente pensei em desistir. O que me fez continuar foi, principalmente, o apoio da minha família. E também existia uma coisa que pesava muito para mim: o preço que já tinha sido pago até aquele momento. Não estou falando apenas de dinheiro, mas principalmente do tempo que eu tinha dedicado aos estudos e do tempo de convivência com a minha família que eu tinha deixado de ter durante aquela preparação. Depois de tudo aquilo, eu não conseguia simplesmente parar. Então entendi que não havia outra alternativa a não ser continuar e acelerar ainda mais. E o processo foi acontecendo: depois da SEFAZ SP, veio a SEFAZ GO, em que fiquei em 97º lugar, ainda fora das vagas, e depois finalmente veio a aprovação na SEFAZ CE, em 20º lugar. Mas, olhando para trás, tenho certeza de que não teria conseguido chegar até ali sem a minha família. Principalmente a minha esposa, pelo sacrifício que fez, pela compreensão da minha filha e também pelo meu pequeno, que nasceu durante esse período. Eles foram fundamentais para que eu não desistisse. Além disso, eu ainda acreditava que o processo estava correto. Eu sabia que estava evoluindo, que os resultados estavam melhorando e que, em algum momento, o resultado que eu buscava poderia acontecer. Então foi uma combinação de apoio da família, confiança no processo e consciência de que eu precisava continuar evoluindo que me fez seguir.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Anderson: para quem está começando, a primeira coisa que eu diria é: comece. Comece logo. Não fique esperando o momento perfeito, porque ele provavelmente nunca vai existir. Mas comece com organização. Tenha um planejamento, escolha bons materiais e siga um método. Na minha preparação, os materiais do Estratégia foram muito importantes, porque me deram uma base completa e me permitiram estudar com segurança. E, principalmente, foque no processo e não apenas no resultado. Você não controla a data da aprovação, a concorrência ou a prova que vai encontrar. O que você controla é o estudo de hoje, a questão que você vai resolver, o erro que vai corrigir e a evolução que vai construir ao longo do caminho. Outra coisa que considero fundamental é conversar com a família desde o início. Explique que você vai precisar dedicar um período da sua vida aos estudos e, principalmente, faça com que eles entendam o projeto. No meu caso, o apoio da minha esposa e dos meus filhos foi fundamental. O concurso acabou sendo um projeto da nossa família, não apenas meu. E tenha paciência. Talvez você faça uma prova e não passe. Talvez fique perto, talvez fique longe. Isso aconteceu comigo várias vezes. Mas cada resultado pode mostrar alguma coisa que precisa ser melhorada. Então, se eu pudesse resumir minha mensagem em poucas palavras, seria: comece, organize-se, escolha bons materiais, converse com a sua família, confie no processo e não desista por causa de um resultado ruim. Continue evoluindo. Eu comecei essa trajetória sem saber exatamente quando chegaria lá. Foram anos de estudo, algumas frustrações e muitos ajustes no caminho. E hoje, olhando para trás, vejo que cada etapa teve sua importância. A aprovação veio quando o processo amadureceu.