
“[…] O mais importante é continuar avançando, corrigir os erros ao longo do caminho e não transformar a cobrança […]”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com GUSTAVO MONTENEGRO MAIA CHAVES, aprovado em 2º lugar no concurso TCE-RN para o cargo de ANALISTA ADMINISTRATIVO – ESPECIALIDADE TI (DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS E INTELIGÊNCIA DA INFORMAÇÃO):
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Gustavo Montenegro: Meu nome é Gustavo Montenegro, sou bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tenho 24 anos e sou de João Pessoa, Paraíba.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Gustavo: Comecei a estudar para concursos porque sempre me identifiquei mais com processos objetivos, baseados em prova e desempenho, do que com processos seletivos da iniciativa privada. Também não gosto muito da lógica de exposição e autopromoção em plataformas como o LinkedIn, então o concurso me pareceu um caminho mais compatível com meu perfil.
Além disso, minha experiência como estagiário em um órgão público me aproximou desse ambiente. Some isso à instabilidade do mercado de TI para quem está entrando agora e à sensação de que, nos concursos, o resultado depende muito do meu próprio esforço.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Gustavo: Nos três primeiros meses após me formar, foquei exclusivamente nos estudos para concurso. Com o tempo, porém, comecei a me sentir mentalmente esgotado, preso a um ciclo repetitivo de estudos e pouca variação no dia a dia. Foi nesse contexto que surgiu uma oportunidade de bolsa de pesquisa e desenvolvimento para graduados em um projeto do estado, fui aprovado e passei a conciliá-la com a preparação.
Cheguei a ter também uma proposta de trabalho PJ presencial, com carga horária de 8 horas diárias e remuneração maior, mas optei pela bolsa porque ela era totalmente remota, flexível e orientada a entregas, não a tempo de trabalho. Isso foi muito importante para manter uma rotina mais equilibrada e continuar estudando com consistência.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado(a)? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Gustavo: Fui aprovado nos seguintes concursos:
-MP-SE: 3º lugar, para o cargo de Analista de Desenvolvimento
-ATI-PE: 5º lugar, no cargo de Analista de Aplicações
Pretendo continuar estudando, sim. Meu objetivo agora é direcionar a preparação para a área de controle, com foco no cargo de Auditor.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Gustavo: Nunca deixei de sair com amigos ou família durante a preparação. Acho esse contato importante para desestressar, aliviar a mente dos estudos e sair um pouco da rotina, principalmente quando se passa muito tempo no mesmo ambiente estudando. Ao mesmo tempo, naturalmente não sou uma pessoa que sai com muita frequência, então isso não chegou a atrapalhar minha preparação. Em geral, eu participava de encontros ou eventos em grupo cerca de uma ou duas vezes por mês, quando surgia alguma programação com amigos ou familiares.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro(a)? De que forma?
Gustavo: Minha família entendeu e apoiou bastante a minha caminhada. Esse apoio foi importante não só pelo incentivo emocional, mas também por ajudas práticas ao longo da preparação. Minha mãe, em especial, teve um papel muito importante nesse processo. Em algumas situações, ela me ajudava com passagens de avião ou me levava para fazer provas em Recife quando tinha disponibilidade, já que a distância entre João Pessoa e Recife é relativamente curta. Esse suporte tornou a rotina de provas mais viável e me deu mais tranquilidade para focar na preparação.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Gustavo: Tive um período de cerca de 2 meses e meio estudando de fato para o TCE-RN porque estava focado nos certames que passei anteriormente (MP-SE e CPU-PE) em virtude de da banca ser a mesma (FCC) e dos editais serem semelhantes entre eles. Felizmente focar em concurso da área de TI ajuda porque costumam ter muitos assuntos recorrentes e fui acumulando base ao longo dos editais. No período mais próximo ao TCE-RN, identifiquei que minha maior deficiência estava nas disciplinas de Direito e passei a concentrar mais esforço nelas.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Gustavo: Usei principalmente os PDFs do Estratégia como base conceitual inicial. Eles serviam para estruturar o conteúdo e garantir que eu estivesse estudando de acordo com o que era cobrado no edital. Para tornar o processo mais eficiente, eu também utilizava uma LLM para resumir os PDFs: normalmente pedia que a IA gerasse um resumo detalhado, objetivo e restrito ao conteúdo do próprio material, sem acrescentar informações externas.
Depois da leitura desses resumos, partia para questões da banca sobre o assunto. A principal vantagem desse método foi ganhar velocidade na assimilação dos tópicos e focar mais tempo na prática. A desvantagem é que exige cuidado para não depender cegamente dos resumos: eu precisava garantir que eles estivessem fiéis ao PDF e, quando surgia alguma dúvida, voltava ao material original.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Gustavo: Conheci o Estratégia Concursos por meio de um amigo que foi aprovado na Dataprev utilizando os PDFs da plataforma. Depois disso, aproveitei uma promoção que apareceu na época e assinei a plataforma por dois anos.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Gustavo: Antes de assinar o Estratégia, cheguei a estudar por outra plataforma no início da preparação, mas não usei por muito tempo. O que mais me incomodou foi a profundidade dos materiais. Os PDFs me pareciam mais básicos, quase como anotações resumidas, e eu sentia falta de um conteúdo mais completo para usar como base principal de estudo.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Gustavo: Não cheguei a utilizar esse outro material por tempo suficiente para avaliar o impacto dele em algum concurso específico.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Gustavo: Sim, senti diferença principalmente pela organização dos materiais, especialmente quando você está começando. Gosto dos PDFs do Estratégia porque eles são mais completos e servem bem como base conceitual para iniciar o estudo de cada disciplina.
Outro ponto que me ajudou foi a forma como os tópicos do edital ficam estruturados na página do curso. Isso facilita visualizar o que precisa ser estudado, acompanhar o avanço no conteúdo e manter uma preparação mais direcionada ao edital.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Gustavo: Sendo sincero, não acho que eu seja um grande exemplo de organização em plano de estudos. Eu não seguia um ciclo muito estruturado com várias matérias ao mesmo tempo; normalmente escolhia um tópico do edital e estudava aquele assunto até concluir.
Em média, estudava cerca de 4 a 6 horas por dia, mas não fazia um controle rigoroso de horas líquidas. Meu foco era mais em avançar nos conteúdos do edital e depois consolidar com questões.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Gustavo: Minhas revisões eram feitas principalmente na semana anterior à prova, consultando os chats anteriores em que eu havia trabalhado os conteúdos com a IA. Isso me ajudava a retomar os principais pontos de forma mais rápida, sem precisar reler todo o material original.
Atualmente, passei a salvar esses resumos no Notion para reduzir retrabalho e organizar melhor o conteúdo. Como tanto os chats quanto o Notion utilizam a linguagem Markdown, a transferência fica bem prática e a formatação é rápida.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Gustavo: A resolução de exercícios foi essencial para entender como a banca cobra o conteúdo e para fixar melhor os assuntos estudados. Não tenho o número exato, mas estimo que tenha feito cerca de 3.000 questões ao longo de toda a preparação até agora desde que comecei.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Gustavo: Minha maior dificuldade foi, definitivamente, nas disciplinas de Direito, porque minha base no início era praticamente nula. Com o tempo, fui melhorando quando passei a estudar os tópicos com mais frequência e resolver questões da banca, mas não diria que foi um processo tão metódico ou diligente; foi mais uma evolução gradual pela repetição e pelo contato constante com a matéria.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Gustavo: Na semana que antecedeu a prova, concentrei a revisão principalmente nas disciplinas de Direito, que eram o meu ponto mais fraco. Não fiz nada muito diferente da rotina; apenas tentei retomar os assuntos mais importantes e chegar com eles mais frescos para a prova.
No dia pré-prova, eu havia feito a prova de Auditor no sábado à tarde e tive um desempenho muito abaixo. Após voltar ao hotel, usei uma IA para revisar as questões, entender onde errei e corrigir rapidamente alguns pontos antes da prova na manhã seguinte.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Gustavo: Sendo sincero, não tive uma preparação muito avançada para as discursivas. Eu já tinha certa facilidade com redação desde o ensino médio e isso me ajudou. Minha estratégia foi entender que a discursiva também segue um padrão: criar um template geral de resposta e usar a base teórica acumulada na graduação e na preparação para concursos para desenvolver o conteúdo.
Meu conselho é não se desesperar, mesmo quando o tema não parece familiar de início. Vale anotar rapidamente os pontos que você lembra, procurar na prova objetiva questões que possam ter relação com o assunto e administrar bem o tempo. Eu costumava fazer um esboço inicial no rascunho, sem necessariamente estruturar tudo como ficaria na versão final, e depois passava a escrever direto para ganhar tempo. Mesmo quando não souber exatamente a resposta, é melhor tentar construir algo coerente do que deixar em branco.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Gustavo: Meus principais erros foram a falta de diligência e de organização em alguns momentos da preparação. Eu poderia ter seguido uma rotina mais estruturada, com revisões mais planejadas e maior controle do avanço nos conteúdos.
Entre os acertos, destaco ter focado mais nas disciplinas de Direito nesse certame, porque era justamente a minha maior deficiência. Além disso, consegui aproveitar bem a base teórica de TI que já vinha construindo nos concursos anteriores, o que ajudou a direcionar melhor meu esforço na reta final.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Gustavo: Não cheguei a pensar em desistir, mas reconheço que fiquei menos disciplinado depois das primeiras aprovações e também após entrar no mestrado, que passou a consumir boa parte do meu tempo que tinha dedicado a concurso. Apesar disso, acabei tomando gosto por fazer as provas, é praticamente um hobby, o que torna mais fácil continuar nesse caminho.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Gustavo: Meu conselho para quem está começando é não se desesperar e tentar não sucumbir à ansiedade, apesar da pressão que a preparação para concursos naturally traz. É importante estudar com seriedade, mas também tentar ser objetivo, leve e constante no processo.
O mais importante é continuar avançando, corrigir os erros ao longo do caminho e não transformar a cobrança em algo maior do que a própria prova. Boa sorte a todos que estão nessa caminhada.