Aprovada em 1º lugar no Concurso MP-AL para o cargo de Analista do Ministério Público - Comunicação Social
Concursos Públicos
“[…] Estude sobre a melhor forma de estudar, aquela que realmente funciona para você, e seja disciplinado(a).”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Karina Dantas, aprovada em 1º lugar no Concurso MP-AL para o cargo de Analista do Ministério Público – Comunicação Social:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Karina: Sou jornalista, graduada pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL (2018), especialista em Assessoria de Comunicação pela UFAL (2024), tenho 31 anos, maceioense. Trabalho como assessora de comunicação em um sindicato desde que me formei, em 2018. Já trabalhei com jornalismo de dados e em outras assessorias de comunicação também.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Karina: Acho que chega um momento da nossa vida em que paramos para analisar nossa realidade, nossas projeções para o futuro, nossos sonhos e nossas inseguranças. Isso aconteceu comigo há uns cinco ou seis anos e, nesse momento, percebi que muito do que eu queria ser e conquistar na vida estava relacionado à estabilidade financeira. Então, ser concursada e ter um trabalho estável, com um salário digno, começou a entrar no meu radar de possibilidades. Em 2024, tentei começar a estudar, mas desisti em menos de dois meses. Foi em 2025 que realmente tentei me organizar e comecei a estudar de verdade para concursos.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Karina: Sim, durante toda essa jornada de estudos para concursos, sempre estive conciliando trabalho e estudo. Como sou jornalista, normalmente minha jornada de trabalho é de cinco horas diárias, de segunda a sexta-feira. No entanto, em 2024, quando tentei iniciar os estudos para concursos (cheguei a me inscrever no CNU 1, mas desisti e sequer fui fazer a prova), eu tinha dois empregos. Trabalhava presencialmente em um pela manhã e em outro à tarde, o que totalizava cerca de nove a dez horas de trabalho por dia. Naquele ano, percebi que seria impossível evoluir nos estudos com aquela rotina. Eu dependia de ônibus para me deslocar, um dos empregos era bem distante da minha casa e eu chegava completamente exausta, tanto física quanto mentalmente, sem conseguir render nos estudos. Foi então que decidi encerrar o vínculo com um dos empregos para que, em 2025, pudesse dedicar o turno da manhã aos estudos. Assim, pedi demissão em dezembro de 2024. Foi uma decisão difícil, mas reuni a coragem necessária para tomá-la.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado(a)? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Karina: Esse foi o primeiro concurso em que fui aprovada. Antes do MPE-AL, fiz outras duas provas, ambas em 2025: a do ICMBio e a do CPNU 2. No caso do ICMBio, estudei por apenas cerca de dois meses. Quando comecei a me preparar, o edital já estava aberto, e eu não esperava ser aprovada, pois sabia que não teria tempo hábil para aprender o básico das disciplinas. Minha principal intenção ao fazer essa prova era adquirir experiência com a banca Cebraspe.
Já em relação ao CPNU 2, eu estava totalmente focada no concurso do MPE-AL e, por isso, mantive meus estudos voltados exclusivamente para esse objetivo. Fiz a prova do CPNU 2 apenas para ter contato com a banca FGV, considerando a possibilidade de ela ser novamente a organizadora do concurso do MPE-AL, já que havia sido responsável pela última seleção, em 2018.
No momento, não pretendo prestar outros concursos, pois esse era realmente o cargo que eu almejava. Ainda assim, não descarto completamente essa possibilidade.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Karina: Abdiquei de muitos encontros com amigos e familiares durante o período de estudos, mas não fiquei completamente “enclausurada” em casa. Percebi que manter alguns encontros e momentos de lazer também era importante para minha saúde mental e para que eu tivesse uma espécie de respiro da rotina exaustiva de estudos. Posso dizer que, em média, duas vezes por mês eu procurava tirar um tempo para espairecer, recebendo amigos em casa ou saindo para jantar e passear com meu esposo.
Acredito que, com organização e um bom planejamento de estudos, é possível, sim, reservar um tempinho para momentos de lazer.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro(a)? De que forma?
Karina: Conversei com meu esposo, meus amigos e meus familiares sobre a importância dos meus estudos e sobre a possibilidade de eu ficar mais ausente por um período. Todos foram muito compreensivos e me apoiaram. Ainda assim, houve momentos em que surgiram compromissos, fui convidada e precisei dizer “não”. Isso é muito difícil, porque, por mais que as pessoas entendam e apoiem, elas também sentem a nossa falta. Eu também procurei compreender esse lado, mas precisei ser firme e lembrar que meu propósito era grande e que, para alcançá-lo, seria necessário fazer algumas concessões.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Karina: Comecei a estudar em junho de 2025, e a prova foi em maio de 2026. Ao todo, foi quase um ano de estudo direcionado exclusivamente para o concurso do MPE-AL. No começo, percebi que nem sabia como me organizar ou estudar da forma correta. Então, antes de tudo, eu precisava aprender a estudar de verdade e a montar um bom planejamento, pois, sem isso, de nada adiantaria toda a minha dedicação. Por isso, reservei alguns dias talvez uma semana apenas para pesquisar métodos de estudo, ferramentas, professores e dicas que pudessem me ajudar. Só depois desse período comecei, de fato, a estudar com base no último edital do MPE-AL. Também procurei estabelecer uma rotina saudável e que pudesse ser mantida a longo prazo.
No início, planejei mais horas de estudo do que conseguia cumprir. Aos poucos, fui ajustando essa carga até chegar a uma rotina de três horas por dia, de segunda a sexta-feira, e de cinco a seis horas aos sábados e domingos.
Manter a disciplina nos estudos deve ser um dos principais desafios para quem estuda ou quer começar a estudar para concursos. Eu me apeguei a todas as dicas que encontrei e tentei segui-las à risca para ver se realmente funcionavam. Deixar o celular em outro cômodo, desativar as redes sociais, praticar atividade física, tomar um pouco de sol pela manhã, meditar… Enfim, acho que tentei praticamente tudo o que poderia me ajudar a manter a disciplina. E a surpresa é que muitas dessas estratégias realmente funcionam e ajudam bastante.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Karina: Meu estudo foi completamente on-line. Assisti a muitas videoaulas, li PDFs, resolvi questões em uma plataforma específica e utilizei o Anki para fazer revisões. No começo, usava bastante um caderno físico para anotar os principais pontos das aulas, mas, na reta final da preparação, fui deixando o caderno de lado e passei a fazer minhas anotações no OneNote, pois isso me permitia economizar tempo. Considero que o Anki foi revolucionário na minha jornada, pois realmente me fazia exercitar a memória para buscar a resposta correta.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Karina: Há anos eu já sabia da existência do Estratégia, mas o que me fez assinar a plataforma foram os professores que conheci por meio das aulas gratuitas no YouTube, especialmente Adriana Figueiredo, Herbert Almeida e Nelma Fontana. Esses professores foram primordiais na minha trajetória de estudos. Senti como se eles estivessem pegando na minha mão e me ensinando os conteúdos como uma criança aprende o alfabeto.
Parafraseando Adriana Figueiredo, realmente fui “da lama ao topo”. Jamais imaginei que poderia gabaritar Português da banca FCC e, com a enorme ajuda dela, consegui alcançar esse feito.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Karina: Sinto que ter uma plataforma com os assuntos organizados e estruturados por disciplina me ajudou bastante na preparação. Digo isso porque, antes de assinar o Estratégia, eu assistia a muitas aulas no YouTube, o que também é ótimo, mas senti a necessidade de ter “algo a mais” e de contar com o conteúdo organizado de forma mais sistemática. Além disso, os PDFs do Estratégia foram muito importantes na minha jornada. Na maioria dos assuntos e disciplinas, eu tentava ler o PDF primeiro e, depois, assistir à videoaula para consolidar o conteúdo. Nem sempre era possível fazer os dois, então passei a priorizar os PDFs, porque, geralmente, conseguia aprender o assunto em menos tempo do que assistindo às videoaulas.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Karina: Meu plano de estudos era de três a quatro horas líquidas por dia, de segunda a sexta-feira. Eu tentava estudar duas ou três disciplinas pela manhã e, à noite, fazer questões ou revisar pelo Anki. Aos sábados, eu estudava os assuntos que haviam ficado “atrasados” durante a semana, fazia revisões e, aos domingos, o foco era a revisão pelo Anki e a resolução de questões de concurso. Nunca gostei muito de estudar uma única disciplina por dia, então sempre busquei intercalar os assuntos das matérias, priorizando aquelas que tinham maior peso. No meu caso, a prioridade era Comunicação Social.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Karina: Eu usei um site para monitorar meu tempo de estudo e também para agendar as revisões conforme eu finalizava os assuntos. Diariamente, eu verificava quais revisões estavam programadas para aquele dia e utilizava o Anki para revisar, resolvendo os flashcards, além de questões específicas da FCC.
Acho que vale destacar que nem sempre eu conseguia seguir à risca as datas agendadas. Muitas vezes, deixei acumular até virar uma bola de neve. Nessas situações, é importante não surtar e seguir fazendo o máximo possível, respeitando os próprios limites. Até tentei organizar um ciclo de revisões no meu cronograma, mas, na prática, nunca funcionou muito bem. Então, fui seguindo os agendamentos da plataforma e fazendo os flashcards sempre que conseguia.
Sobre os simulados, fiz todos os que o Estratégia disponibilizou. Infelizmente, não havia simulados específicos para o meu cargo, mas eu fazia os voltados para analista da área jurídica mesmo assim, com o objetivo de testar meu desempenho nos conhecimentos básicos. Considero que os simulados do Estratégia foram muito assertivos em relação ao que realmente é cobrado pela banca FCC. Uma prova disso é que, no último simulado disponibilizado pelo Estratégia, gabaritei os conhecimentos básicos (Português e Legislação) e, na minha prova, repeti esse feito. Por isso, acredito que os simulados acabam sendo um bom termômetro da nossa própria evolução nos estudos.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Karina: Para o padrão de muitos concurseiros, considero que não resolvi tantas questões. Acho que foram pouco mais de cinco mil questões em todo o período de estudos para a prova do MPE-AL, considerando os dados da plataforma de questões e outras que resolvi nos PDFs do Estratégia.
Eu sempre tentei extrair o máximo possível de cada questão. Sempre que encontrava alguma informação nova, criava um flashcard no Anki para poder revisá-la com mais frequência. Realmente, com a prática, você acaba entendendo um pouco do padrão da banca.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Karina: Por incrível que pareça, eu tinha muita dificuldade com assuntos da área de Comunicação Social, especialmente Teorias da Comunicação. Esse é um tema muito extenso, pois envolve diversas teorias, autores e livros que podem ser cobrados pela banca. É difícil esgotar todo o conteúdo, e percebi que sempre surgia uma abordagem nova que não fazia parte do “básico” esperado.
Para superar essa dificuldade, tentei explorar todas as formas possíveis de aprendizado. Li e reli os PDFs, assisti às aulas da professora Júlia Branco, recorri a outras videoaulas em diferentes plataformas, acompanhava os comentários dos professores nas questões de concurso e até procurei os livros das próprias teorias para ler um pouco mais sobre o assunto. Cada informação nova que encontrava, eu anotava e transformava em um flashcard no Anki para revisar posteriormente. E assim segui durante a preparação.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Karina: Como comecei a estudar cerca de seis meses antes da publicação do edital, consegui “fechar” o edital um mês antes da prova. Então, esse último mês foi dedicado a muitas revisões dos pontos em que eu percebia ter mais dificuldade. Segui dessa forma até a semana final.
Já no dia anterior à prova, acompanhei os aulões de revisão do Estratégia, cujos professores são sempre muito assertivos. Quando os aulões terminaram, continuei revisando por meio de flashcards no Anki o máximo que consegui, até chegar ao meu limite mental. Não sei se essa foi a melhor estratégia para o dia pré-prova, mas a ansiedade não me permitiu descansar.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Karina: Bom, não sei se chega a ser um “erro”, mas algo que pode ter atrasado um pouco meu aprendizado foi o uso do caderno físico para todas as matérias. No começo, eu acreditava muito que precisava escrever à mão os resumos de todos os conteúdos para que meu cérebro realmente absorvesse a matéria, mas percebi, apenas na reta final, que isso não era a estratégia mais eficiente para todas as disciplinas. Em Português, por exemplo, vejo que é realmente importante escrever os resumos à mão, pois são muitas dicas extras que a professora Adriana compartilha durante as aulas. Mas, em matérias como Legislação, Comunicação Social e até Direito Administrativo e Constitucional (essas duas últimas eu cheguei a estudar antes da publicação do edital, mas não foram cobradas integralmente na prova), os fichamentos, tabelas e resumos que fiz no OneNote já foram suficientes e tiveram o mesmo efeito em termos de retenção de conteúdo.
Quanto aos acertos, o estudo por meio de flashcards, para mim, foi realmente excelente. É uma ferramenta que me fez exercitar muito a memória e funcionou muito bem na minha preparação. Além disso, ter dedicado um tempo, antes de iniciar os estudos, para aprender como estudar foi primordial para que eu conseguisse evoluir no meu aprendizado.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Karina: Tentei driblar ao máximo esse pensamento, mas houve momentos em que ele surgiu, sim. Cerca de um mês antes da prova, tive alguns dias ruins que me fizeram pensar: “Não vai dar certo, então não adianta mais estudar tanto”. Nesse momento, meu esposo foi fundamental para me fazer enxergar que eu já havia chegado longe demais para desistir. Ele reforçou que “desistir não era uma opção” e que eu deveria seguir mantendo minha disciplina, dia após dia, até o dia da prova. Durante toda a jornada de estudos, fiz terapia, então minha psicóloga também foi muito importante, sempre tentando me ajudar a perceber o progresso que eu já havia conquistado e que era importante viver um dia de cada vez.
Outro momento em que surgiu esse pensamento de “não quero mais fazer isso, vai dar errado” foi durante a própria prova. Ele apareceu rapidamente, e eu tentei controlá-lo rapidamente também, mas isso me deixou bastante ansiosa. A prova da FCC é extremamente exaustiva, com textos longos e complexos. Eu já tinha feito mais da metade da prova quando percebi que ainda havia muito conteúdo para ler e responder. Nesse momento, surgiu um sentimento de desespero, mas respirei fundo e consegui recuperar a calma para continuar a prova.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Karina: Estude sobre a melhor forma de estudar, aquela que realmente funciona para você, e seja disciplinado(a). Acredito que uma das coisas mais difíceis nessa jornada de estudos para concursos é aprender a estudar da forma correta e ter disciplina para estudar todos os dias, mesmo que por pouco tempo. Mas é importante persistir até que isso se torne uma rotina.
Não menospreze nenhum assunto e mire sempre no primeiro lugar. Vejo muitos relatos e perguntas sobre “qual seria a nota de corte para determinado concurso”, e acredito que a resposta deve ser sempre: a maior nota possível. Não faz muito sentido esperar ser nomeado em um concurso buscando fazer apenas o mínimo de pontos necessário. É importante mudar essa mentalidade e mirar no topo, sobretudo em concursos com poucas vagas, de alto nível ou muito concorridos. E “mirar no topo” não significa que seja necessário abrir mão de uma vida saudável para ser aprovado.
É preciso dormir bem, praticar exercícios regularmente etc., pois, em muitos casos, o básico bem feito funciona. Acredito que esse foi o meu caso. Então, confie no processo e no seu progresso.