Atualidades - comentários à prova do CRB-DF - RECURSO
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Atualidades – comentários à prova do CRB-DF – RECURSO

Olá pessoal,
Seguem os meus comentários à prova do Conselho Regional de Biblioteconomia da 1ª Região – CRB-1 (Brasília/DF) aplicada em 25/10/2020.
Foram doze questões bem ao estilo da banca Quadrix em Atualidades. Várias questões abordando poucos conteúdos. Nesta prova foram a pandemia do novo coronavírus e o desmatamento e queimadas na Amazônia.
Cabe recurso na questão 30, solicitando a alteração de gabarito de CERTO para ERRADO. Vejam o comentário com orientações sobre o recurso.
Grande Abraço,
Leandro Signori

QUESTÕES DA PROVA

Um vírus é bem mais poderoso que qualquer um de nós, embora alguns posem de super‐heróis. Nenhuma ação isolada resolve um problema coletivo, embora cada um de nós seja responsável por tudo e por todos, lição que Dostoiévski nos deu muito antes do coronavírus – aliás, está aí um daqueles projetos para se colocar em prática: ler o escritor russo na quarentena.
Internet: (com adaptações).
Acerca das consequências da pandemia do novo coronavírus para o mundo e para o Brasil, julgue os itens de 29 a 34.

29 Imagens de satélites mostraram uma diminuição da poluição atmosférica em várias regiões do mundo, relacionada à desaceleração econômica provocada pela pandemia.
COMENTÁRIOS:
Com base em imagens de satélites e outras tecnologias de monitoramento, diversos centros de pesquisas ao redor do mundo constataram que houve diminuição da poluição atmosférica, em função da desaceleração das atividades econômicas, relacionados, sobretudo, à menor atividade industrial e à diminuição na utilização de automóveis. O dióxido de nitrogênio (NO2), emitido pela combustão dos motores à explosão, foi um dos compostos que mais apresentou reduções desde o início das quarentenas.
Essa redução foi temporária e ocorreu em várias regiões do mundo, durante vários meses do ano de 2020.
Gabarito: Certo

30 No dia 16 de março último, ocorreu, no Brasil, a primeira morte pelo novo coronavírus, no estado de São Paulo, sendo a vítima um homem sem histórico de viagem ao exterior.
COMENTÁRIOS:
Inicialmente, foi amplamente divulgado que a primeira morte pelo coronavírus em território brasileiro ocorreu no dia 16 de março, no estado de São Paulo. A vítima foi um homem de 62 anos que tinha histórico de diabetes e hipertensão. Ele não possuía histórico de viagem ao exterior.
Contudo, após uma análise de exames laboratoriais feita pelo Ministério da Saúde, o órgão confirmou, durante o mês de junho, que a primeira morte por conta do novo coronavírus no Brasil aconteceu em 12 de março – e não em 16 de março, como se acreditava. A vítima foi uma paciente de 57 anos em São Paulo.
A banca considerou o gabarito como certo, mas, posto os fatos, o gabarito está errado.
Portanto, cabe recurso solicitando a alteração de gabarito de CERTO para ERRADO. Seguem dois links de notícias para serem utilizados como fonte e serem incluídos no texto do recurso:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-06/primeira-morte-por-covid-19-no-brasil-aconteceu-em-12-de-marco
https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/27/primeira-morte-por-coronavirus-no-brasil-aconteceu-em-12-de-marco-diz-ministerio-da-saude.ghtml
Gabarito: Certo (mas está errado)

31 Diversas autoridades brasileiras, como o presidente do Senado, governadores e ministros de Estado, estão entre as pessoas que contraíram o novo coronavírus.
COMENTÁRIOS:
Diversas autoridades brasileiras como governadores, ministros, senadores e deputados contraíram o novo coronavírus. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, testou positivo para a Covid-19 no mês de março de 2020, mas se recuperou sem problemas. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, foi outra autoridade que contraiu o vírus e adoeceu de Covid-19. Entre os governadores, Wilson Witzel, governador temporariamente afastado do Rio de Janeiro, foi o primeiro a divulgar que estava contaminado, no dia 14 de abril.
O presidente Jair Bolsonaro testou positivo para o novo coronavírus e ficou em isolamento por dezenove dias no mês de julho de 2020.
Gabarito: Certo

32 Um livro publicado nos Estados Unidos, em 1981, trazia, em sua primeira edição, a possibilidade de surgimento de um vírus em 2020, na cidade de Wuhan, na China, com características de letalidade e transmissão idênticas às do novo coronavírus.
COMENTÁRIOS:
A questão é uma grande invenção do examinador, não há nenhum livro publicado nos Estados Unidos em 1981 que trazia a possibilidade de surgimento de um vírus em 2020 na China.
Há muitas teorias da conspiração e notícias falsas sobre as origens do coronavírus. Contudo, a hipótese mais aceita e para qual as evidências apontam é de que o seu surgimento foi natural, isto é, o vírus surgiu na natureza e foi transmitido de animais silvestres para humanos – algo bem comum e frequente ao longo da história humana.
Gabarito: Errado

33 A dependência de muitos países, até mesmo os ricos, como os Estados Unidos, em relação aos suprimentos médicos produzidos pela China ficou patente durante a pandemia.
COMENTÁRIOS:
A China é o maior fabricante de produtos industrializados do mundo. Ao lado da Índia, o país é tradicionalmente um grande fornecedor global de princípios ativos para a fabricação de remédios. Mesmo antes da pandemia, a China já era a principal fornecedora internacional de escudos faciais de proteção, roupas, equipamento de proteção para boca e nariz, luvas e óculos.
A pandemia expôs a significativa dependência global para com a China, de suprimentos fundamentais para o enfrentamento da Covid-19, como o de respiradores mecânicos.
Nos meses de março e abril, quando o vírus se propagou aceleradamente pelos Estados Unidos, esse país comprou uma grande quantidade equipamentos médicos chineses, oferecendo preços elevados para tê-los prioritariamente em relação a outros países que também necessitavam, como a França e o Canadá, rompendo as barreiras da então guerra comercial travada entre ambos, tornando patente a dependência americana de suprimentos médicos produzidos pela China.
Gabarito: Certo

34 Em março último, o presidente norte‐americano, Donald Trump, acusou o governo alemão de tentar se apropriar de um projeto de vacina desenvolvido por uma empresa dos Estados Unidos contra o novo coronavírus.
COMENTÁRIOS:
No mês de março de 2020, o que ocorreu foi justamente o contrário do que afirma a questão. O examinador trocou os fatos.
O governo da chanceler alemã, Angela Merkel, acusou o presidente americano Donald Trump de tentar se apropriar de um projeto de vacina contra o coronavírus desenvolvido por um laboratório da Alemanha.
Gabarito: Errado


“Desmatador não faz home office”, alerta o biólogo Paulo Moutinho, que é cientista sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam); ele diz que ações ilegais avançam na floresta enquanto o governo reduz operações durante a pandemia do coronavírus.
Internet: (com adaptações).
Tendo o texto acima apenas como referência inicial e refletindo sobre temas correlatos, julgue os itens de 35 a 40.

35 A afirmação do biólogo Paulo Moutinho é confirmada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que detectou aumento do desmatamento na Amazônia no último mês de março, em comparação com março de 2019.
COMENTÁRIOS:
A afirmação do biólogo Paulo Moutinho é confirmada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que detectou aumento do desmatamento na Amazônia no mês de março de 2020, em comparação com março de 2019.
O mês de março de 2020 somou um total de 254km² de florestas desmatadas na Amazônia, um aumento de 279% em comparação ao mesmo período do ano passado. O número registrado foi o mais alto dos últimos dois anos para o período. Os pesquisadores do Imazon atribuem esse crescimento à forte atuação dos grileiros em associação à atividade pecuária e ao avanço das áreas ilegais de garimpo.
Gabarito: Certo

36 O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) declarou ter ampliado fortemente o número de agentes de campo em ação na Amazônia durante a crise do novo coronavírus, justamente para deter a escalada de desmatamento.
COMENTÁRIOS:
Isto não ocorreu. O Ibama não ampliou o número de agentes em campo na Amazônia para deter a escalada de desmatamento. Ao longo dos últimos anos, o quadro de agentes ambientais do Ibama só tem diminuído, o que dificulta a sua mobilização em grande escala para atuar na fiscalização em campo, e em sua atividade como um todo, em suas outras áreas.
No mês de agosto, Governo Federal, por meio de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), empregou militares do exército para atuar na fiscalização da Amazônia, como forma de coibir o desmatamento e as queimadas. O foco se deu em áreas públicas de preservação e terras indígenas.
Gabarito: Errado

37 As populações indígenas da Amazônia, em decorrência de um relativo isolamento geográfico, não foram afetadas pelo novo coronavírus.
COMENTÁRIOS:
Mesmo com o relativo isolamento geográfico, as populações indígenas da Amazônia foram afetadas pelo coronavírus. Mais de 25 mil indígenas, de várias comunidades, testaram positivo para a Covid-19, e algumas centenas de mortes foram registradas, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Apib (dados do mês de agosto de 2020).
As diferenças no perfil epidemiológico de povos indígenas, somadas ao distanciamento dos centros de saúde, torna-os ainda mais vulneráveis à doença.
Gabarito: Errado

38 Trabalhadores informais, os que mais sofreram redução de renda durante a pandemia do novo coronavírus, são maioria entre os que aderiram ao home office.
COMENTÁRIOS:
A crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus colapsou diversos setores do mercado de trabalho, diminuiu a renda média do brasileiro e gerou centenas de milhares de novos desempregados.
Os trabalhadores informais foram os mais afetados e os que mais sofreram redução de renda, conforme mostraram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Também foi no setor informal que ocorreu o maior número de postos de trabalho encerrados.
Pela natureza de seu trabalho, os informais geralmente são os mais afetados em épocas de crise, devido a precariedade dos seus direitos trabalhistas.
Caso um trabalhador informal seja despedido, ele ficará sem acesso ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e sem acesso ao seguro-desemprego. Da mesma forma, se um trabalhador informal fica doente ou precisa ficar em quarentena por ter tido contato com alguém que foi contagiado, ele não tem garantias legais como licença médica remunerada.
Assim, os trabalhadores informais ficam sem acesso à rede de proteção social que os empregados formais têm. Para quem trabalha sem carteira de trabalho assinada, perder o emprego significa basicamente ficar sem renda e sem benefícios, possivelmente tendo de limitar seu consumo. Isso significa que o trabalhador informal foi o que ficou mais vulnerável aos efeitos negativos da crise econômica decorrente da pandemia.
Trabalhadores informais, em sua grande maioria, não tiveram como recorrer ao home office. Esse recurso foi utilizado basicamente por trabalhadores formais e de serviços de escritório.
Gabarito: Errado

39 Há controvérsias, entre os especialistas, a respeito de se as vantagens e os benefícios recebidos pelos trabalhadores em condições normais, como o auxílio‐alimentação, podem ser suspensos caso a empresa opte pelo sistema de teletrabalho.
COMENTÁRIOS:
O teletrabalho, popularmente conhecido como home office, ainda é uma modalidade de trabalho recente no país. Contudo, frente aos avanços tecnológicos, o teletrabalho tende a se tornar cada vez mais comum. É um processo que está se desenvolvendo aos poucos, em fase de transição. Com a pandemia, esse processo foi acelerado, frente às necessidades de distanciamento social.
Mas ocorre que ainda não há uma legislação extensa, detalhista e bem organizada sobre os termos do teletrabalho, como ocorre com outras formas de trabalho.
A Lei nº 13.467 de 13 de julho de 2017 alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo nela a nova disciplina do teletrabalho. Contudo, seus termos são abreviados, necessitando aprofundamento. Além disso, a Justiça do Trabalho ainda não atuou com muitos casos de teletrabalho para fornecer um panorama concreto sobre o tema. É uma lacuna que deve ser preenchida dentro da legislação trabalhista.
Desta forma, há muitas controvérsias, entre os especialistas, a respeito das vantagens e benefícios que recebidos pelos trabalhadores em condições em relação aos trabalhadores que optam pelo sistema de teletrabalho. Muitas questões se inserem nesse debate, que certamente se aprofundará ao longo dos próximos anos. Ao passo que se aponta o não pagamento de vale-alimentação, por exemplo, também se discute sobre o custeio de aparelhos eletrônicos, como um computador, e internet, que são utilizados no teletrabalho.
Durante a pandemia, a decisão ficou a cargo individual de cada empresa ou por meio de acordos feitos entre o trabalhador e o empregador.
Gabarito: Certo

40 Segundo especialistas, o sistema de home office, criado durante a pandemia, é apenas uma fase passageira no mercado de trabalho e deverá sofrer substancial redução após o controle do novo coronavírus.
COMENTÁRIOS:
A pandemia de coronavírus trouxe à tona e acelerou vertiginosamente alguns processos que ocorriam de forma lenta no mundo. Uma dessas alterações drásticas diz respeito ao trabalho nos escritórios, com a adoção do home office para equacionar a produtividade durante o período de distanciamento social. O home office passou a ser aplicado em boa parte das empresas e também no serviço público, e, em muitos casos, tem funcionado bem. Sua utilização já era crescente no Brasil e no mundo todo, mas aumentou intensamente devido a pandemia, sendo apontado como uma tendência que veio para ficar.
Existe a possibilidade de que, ao se obter pleno controle do coronavírus, o home office diminua e o trabalho presencial retorne as atividades. Contudo, muitas empresas também continuarão adotando esse sistema. Não é uma fase passageira. É um novo paradigma do mercado de trabalho e do mundo moderno.
Gabarito: Errado

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Leandro Signori

Leandro Signori

Licenciado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Bacharel em Geografia pela Uniceub (Brasília). Como servidor público, foi funcionário da Prefeitura de São Leopoldo (RS), Prefeitura de Porto Alegre (RS), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e do Ministério da Integração Nacional. Leciona as disciplinas de Atualidades, Conhecimentos Gerais, Geografia, Realidade Brasileira e História, em cursos on line e presenciais preparatórios para concursos públicos.

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