Uso da Crase - Dicas Simples para Você Não Errar Mais!
Décio Terror Filho

Uso da Crase – Dicas Simples para Você Não Errar Mais!

Neste artigo, o prof. Décio Terror ensina o uso da crase

Olá, pessoal!

Hoje vamos bater um papo sobre o uso da crase!

O que é crase?

Crase é a fusão das vogais “a”: a + a = à

Vamos à sua estrutura padrão para ficar tudo mais fácil:

Assim, quando um verbo ou um nome exigir a preposição “a” e o substantivo posterior admitir artigo “a”, haverá crase. Além disso, se houver a preposição “a” seguida dos pronomes “aquele”, “aquela”, “aquilo”, “a” (=aquela) e “a qual”; ocorrerá crase.

Veja as frases abaixo e procure entendê-las com base no esquema acima:

1. Obedeço à lei.                 

2. Obedeço ao código.

3. Tenho aversão à atividade manual.    

4. Tenho aversão ao trabalho manual.

5. Refiro-me àquela casa.   

6. Refiro-me àquele livro.

7. Refiro-me àquilo.

8. Não me refiro àquela casa da esquerda, mas à da direita.

9. Esta é a casa à qual me referi.

Na frase 1, o verbo “Obedeço” é transitivo indireto e exige preposição “a”, e o substantivo “lei” é feminino e admite artigo “a”, por isso há crase.

Na frase 2, o mesmo verbo exige a preposição, porém o substantivo posterior é masculino, por isso não há crase.

Na frase 3, a crase ocorre porque o substantivo “aversão” exigiu a preposição “a” e o substantivo “atividade” admitiu o artigo feminino “a”.

Na frase 4, “aversão” exige preposição “a”, mas “trabalho” é substantivo masculino, por isso não há crase.

Nas frases 5, 6 e 7, “Refiro-me” exige preposição “a”, e os pronomes demonstrativos “aquela”, “aquele” e “aquilo” possuem vogal “a” inicial (não é artigo), por isso há crase.

Na frase 8, “me refiro” exige preposição “a”, “aquela” possui vogal “a” inicial (não é artigo) e “a” tem valor de “aquela”, por isso há duas ocorrências de crase.

Na frase 9, “me referi” exige preposição “a”, e o pronome relativo “a qual” é iniciado por artigo “a”, por isso há crase.

Vejamos abaixo algumas regras que ajudam a confirmar a estrutura-padrão da crase.

a. Quando os pronomes de tratamento estão na função de objeto indireto ou complemento nominal, antecedidos da preposição “a”, não recebem crase, pois não admitem artigo.

Refiro-me a Vossa Senhoria.                     Fiz referência a Vossa Excelência.

Observação: Dentre os pronomes de tratamento, somente senhora admite artigo “a”, por isso, se esse pronome for precedido de preposição “a”, haverá crase:

Refiro-me à senhora Gioconda.

b. Diante de topônimos (nomes de lugar) que pedem o artigo feminino, admite-se a crase:

Faremos uma excursão à Bahia, a Sergipe, a Alagoas e à Paraíba.

Um túnel ferroviário liga a França à Inglaterra.

Perceba que o substantivo “excursão” exige a preposição “a” e os topônimos “Bahia” e “Paraíba” admitem artigo “a”. Por isso há crase. Já os topônimos “Sergipe” e “Alagoas” não admitem artigo; por isso não há crase.

Mas será que devemos decorar quais os topônimos admitem ou não o artigo “a”? Lógico que não, para isso, temos alguns macetes.

Para você saber se o topônimo pede ou não o artigo, basta trocar o verbo (que exige a preposição “a”) por outro que exija preposição diferente, para evitar a confusão da preposição com o artigo. Veja:

Fui à Bahia.              Fui a Sergipe.                        Fui a Roma.

Para termos certeza de que há artigo ou não, basta trocarmos por “vim”. Veja:

Vim da Bahia.                      Vim de Sergipe.                    Vim de Roma.

Como o verbo “Vim” exige preposição “de”, se a oração permanecer somente com essa preposição, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também permanecerá só a preposição “a” (Vim de Sergipe→Fui a Sergipe).

Mas, se o verbo “Vim” estiver seguido de preposição mais artigo “da”, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também ocorrerá preposição mais artigo “à” (Vim da Bahia→Fui à Bahia).

Entretanto, você vai notar que, às vezes, queremos enfatizar, determinar, especificar esses topônimos que não admitem o artigo. Quando colocamos uma locução adjetiva ou outro determinante que o caracterize, naturalmente receberá artigo. Havendo verbo que exija a preposição “a”, ocorrerá a crase. Veja:

            Viajamos a Brasília, depois fomos a São Paulo.

(Viemos de Brasília … de São Paulo)

Viajamos à Brasília de Juscelino, depois fomos à São Paulo da garoa.

(Viemos da Brasília de Juscelino  … da São Paulo da garoa)

Portanto, sem decoreba, ok? Temos que entender o uso. Vamos a outros casos.

c. A palavra casa normalmente admite artigo (a casa é linda; comprei a casa de meus sonhos; pintei a casa de azul etc). Porém, quando há um sentido de deslocamento para ou do “próprio lar”, ela não admite artigo. Mas isso não será problema para nós, pois usamos isso intuitivamente. Vamos lá:

Você diz: “vim de casa” ou “vim da casa”?

Você diz: “vou para casa” ou “vou para a casa”?

            Se é seu próprio lar, é natural dizer, “vim de casa”, “vou para casa”. Porém, quando essa casa não é a sua, naturalmente e intuitivamente, coloca-se um determinante nesse substantivo e obrigatoriamente inserimos artigo. Tudo isso para mostrar que a casa não é a nossa. Está em dúvida? Então veja:

Você diz “vim de casa da Luzia” ou “vim da casa da Luzia”?

Você diz “vou para casa da Luzia” ou “vou para a casa da Luzia”?

            Naturalmente usamos as segundas opções, correto?

Sabemos que isso não proporciona a crase. Mas, se enxergamos que a preposição “para” tem o mesmo valor da preposição “a”; na sua substituição, podemos ter crase. Veja:

                        Vou para casa.          Vou para a casa da Amélia.

                                                                    a + a

                          Vou a casa.                  Vou à casa da Amélia.

O bom filho volta a casa todos os dias.

O bom filho volta à casa dos pais todos os dias.

Note que se pode determinar a palavra “casa” colocando letra inicial maiúscula (Casa). Assim, essa palavra passa a ter outra denotação: sinônimo de Câmara dos Deputados ou representação de uma instituição. Dessa forma, poderá ocorrer a crase:         

Prestar à Casa as devidas homenagens.

d. Seguindo a mesma ideia do item anterior, a palavra “terra” admite artigo normalmente.

A terra é boa!          Ele vive da terra!

Assim, haverá crase:

                                    O agricultor dedica-se à terra.

Não há crase quando a palavra terra está em contraposição a “a bordo”. Isso porque não dizemos “ao bordo”. Não pode haver artigo nesta expressão:

Os marinheiros voltaram a terra depois de um mês no mar. (estavam a bordo)

Mas, se determinamos essa palavra, passamos a ter artigo e, consequentemente, crase. Veja:

                        Viajou em visita à terra dos antepassados.

Quando os astronautas voltarão à Terra? (a letra maiúscula determina)

e. Na locução à uma, significando“unanimemente, conjuntamente”, haverá crase. Veja:

                        Os sindicalistas responderam à uma: greve já!

Vimos a estrutura de um verbo ou nome que exige preposição “a”.

Locução adverbial de base feminina: quando há uso de crase?

Agora, veremos a locução adverbial que não é exigida pelo verbo, mas possui a estrutura interna com a preposição.

Exemplo: Estive aqui de manhã.

Note que a locução adverbial “de manhã” ocorreu sem exigência do verbo, pois poderíamos dizer “Estive aqui.” Esta locução tem uma composição própria: de + manhã. Se essa estrutura fosse composta por preposição “a” seguida de nome feminino que admitisse artigo “a”, haveria crase.

Exemplo: Estive aqui à noite.

Assim, vamos à estrutura da locução adverbial:

preposição     +          artigo  +          nome

à                     noite

à tarde                       à noite                       à direita                     às claras        

às escondidas           à toa                           à beça                         à esquerda    

às vezes                     às ocultas                  à chave                      à escuta

à deriva                      às avessas                 às moscas                  à revelia        

à luz                           à larga                          às ordens                   às turras

Deve-se dar especial destaque às locuções adverbiais de tempo, que especificam o momento de um evento, com o núcleo expresso com o substantivo hora(s), o qual recebe o artigo definido “a”, “as”.

à meia-noite,            à uma hora              

às duas horas           às três e quarenta.

            Não se pode confundir com a indicação de tempo generalizado ou tempo futuro:

Isso acontece a qualquer hora.                 Estarei lá daqui a duas horas.

Veja a diferença nas frases abaixo:

A aula acabará a uma hora. (uma hora após o momento da fala)

A aula acabará à uma hora. (terminará às 13 horas ou à uma hora da madrugada)

A aula acabara uma hora. (a aula acabou uma hora antes)

No último caso, não há locução adverbial, o verbo “há” marca tempo decorrido. Vimos isso na concordância, lembra?

            Nas expressões que demarcam início e fim de evento, o paralelismo deve ser conservado. Se o primeiro dos termos não possui artigo a, o segundo também não terá. Se o primeiro tiver, o segundo receberá a crase:

A reunião será de 9 a 10 horas.               A reunião será das 9 às 10 horas.

Note: se o início do evento não recebeu artigo, o término também não receberá. (de 9 a 10 horas).

Se o início do evento recebeu artigo, o término também receberá. (das 9 às 10 horas).

Merece destaque a locução adverbial de modo à moda de. Ela pode estar expressa ou subentendida; por isso, deve-se tomar muito cuidado:

                        Pedimos uma pizza à moda da casa.

                        Atrevia-se a escrever à Drummond. (à moda de)

                        Pedimos arroz à grega. (à moda)

Não confunda com as expressões frango a passarinho, bife a cavalo, as quais não possuem crase por não transmitirem modo.

Locução prepositiva de base feminina: uso da crase

Haverá crase também nas locuções prepositivas, que são sempre nocionais e iniciam locução adverbial:

à beira de          à sombra de  à exceção de  à força de      

à frente de         à imitação de            à procura de  à semelhança de      

            O uso do acento grave é opcional nas locuções adverbiais que indicam meio ou instrumento, desde que o substantivo seja feminino: barco a (à) vela; escrever a (à) máquina; escrever a (à) mão; fechar a porta a (à) chave; repelir o invasor a (à) bala. Normalmente, os bons autores têm preferido sem a crase. Tudo isso depende da intenção comunicativa. O instrumento ou o meio podem ser especificados ou não com o artigo “a”.

Nas locuções adverbiais com palavras repetidas não haverá crase, pois os substantivos estão sendo tomados de maneira geral, sem artigo definido: cara a cara; frente a frente, etc.

 A crase é obrigatória nas locuções conjuntivas adverbiais proporcionais à medida que, à proporção que:

            À medida que estudamos, vamos entendendo a matéria.

            À proporção que as aulas ocorrem, os assuntos vão se acumulando.

Perceba uma diferença muito importante entre “às vezes” e “as vezes”.

Às vezes você me olha diferente.

Note que, neste caso, não há precisão de momento, entende-se “de vez em quando, por vezes, algumas vezes. Assim, há uma locução adverbial de tempo e há crase.

Porém, podemos utilizar esta estrutura sem crase, quando há uma especificação do momento:

As vezes que te vi, fiquei extasiado.

Neste caso, este termo será especificado por um termo adjetivo ou oração adjetiva. Portanto, tome cuidado!

Crase Facultativa

Emprega-se facultativamente o acento indicativo de crase quando é opcional o uso da preposição a, ou do artigo definido feminino.

Casos em que a crase é facultativa:

a. A preposição “a” é facultativa depois da preposição “até”:

O visitante foi até a sala do Diretor.

O visitante foi até à sala do Diretor.

A sessão prolongou-se até à meia-noite.

A sessão prolongou-se até a meia-noite.

b. O artigo definido é facultativo diante de pronome possessivo. Mas, para a crase ser facultativa, esse pronome possessivo deve ser feminino singular.

Crase facultativa: Refiro-me à minha amiga. Refiro-me a minha amiga.
Crase obrigatória: Refiro-me às minhas amigas.
Crase proibida: Refiro-me a minhas amigas.

c. O artigo definido é facultativo diante de nome próprio de pessoa. Se o nome for feminino e o verbo exigir preposição, a crase será facultativa:

Refiro-me à Madalena.      

Refiro-me a Madalena.      

Observações:

1)Tratando-se de pessoa célebre com a qual não se tenha intimidade, geralmente não se usa o artigo nem o acento indicativo de crase, salvo nos casos em que o nome esteja acompanhado de especificativo.

            O orador fez uma bela homenagem a Rachel de Queiroz.

            O orador fez uma bela homenagem à Rachel de Queiroz de O quinze.

Nas gramáticas, são elencados os casos em que a crase será proibida. Para isso, basta apenas relembrarmos a estrutura-padrão da crase.

Resumo – uso da crase

A crase ocorre por alguns motivos, quais sejam:

a) regência verbal: quando o verbo rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”: Obedeço à lei.

b) regência nominal: quando um nome (adjetivo ou substantivo) rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”:

                        Sou obediente à lei.

                        Tenho obediência à lei.

c) locução prepositiva de base feminina: Estava à espera de você.

d) locução adverbial de base feminina: À noite, estarei em casa.

e) locução conjuntiva de base feminina:

                                   À medida que o tempo passa, o estudo é potencializado.

                                   À proporção que me dedico, o estudo é potencializado.

Acompanhe um resumo e a resolução de questões em vídeo:

Espero ter ajudado!

Grande abraço!

Décio Terror

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Décio Terror Filho

Décio Terror Filho

Décio Terror Filho é formado em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora-MG. Professor concursado na área federal, com especialização na didática, no ensino a distância e na produção de texto. Atua no ensino da Língua Portuguesa para concurso público desde 2000. Tem vários artigos publicados em revistas direcionadas para concurso público, portais de ensino, além de seus dois livros: Resoluções de Provas de Português - banca ESAF  e Resoluções de Provas de Português + breve teoria - banca FCC, ambos lançados pela Editora Ímpetus.

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