“[…] O segredo é não mentir para si mesmo com cargas horárias impossíveis; o plano precisa caber na sua vida real.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Fernando Batoqui França, aprovado em 25º lugar no Concurso SEFAZ SP para o cargo de Auditor Fiscal:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Fernando Batoqui França: Meu nome é Fernando Batoqui França, 38 anos, casado, pai da Cecília de 3 anos e do Antônio, que está a caminho. Nasci no interior de São Paulo, em Osvaldo Cruz, mas já morei em muitos lugares. Hoje moro em Cascavel/PR, atuando como Auditor Fiscal do Estado do Paraná. Sou Bacharel em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior. Sou também formado em Ciências Contábeis e tenho uma Especialização em Finanças Corporativas.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Fernando: Minha decisão de estudar “forte” para concursos nasceu de uma necessidade de mudança na vida. Embora já tivesse sido aprovado na Caixa aos 18 anos, a vida me levou para o setor privado em São Paulo, onde a rotina era pesada e a distância da família, constante. O falecimento do meu pai foi o estopim para eu recalibrar minha rota. Mesmo trabalhando, decidi que era hora de buscar um cargo de alto nível que me oferecesse a segurança e o retorno financeiro necessários para retomar o equilíbrio e a proximidade com meus familiares.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Fernando: Sim, conciliar trabalho e estudos foi a minha realidade durante toda a jornada. No começo, o maior desafio foi o planejamento; precisei de tempo para ajustar um cronograma que fosse realista e sustentável. No pré-edital, minha meta era manter a constância com 3 a 4 horas diárias, intensificando um pouco aos sábados e descansando aos domingos para evitar o esgotamento. Já no pós-edital, o ritmo mudava drasticamente: a rotina se tornava uma verdadeira “operação de guerra”. Eu buscava aproveitar cada brecha do dia, estudando cerca de 6 horas ou mais. Acordava de madrugada, utilizava todo o horário de almoço e esticava as horas da noite.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Fernando: Minha trajetória de aprovações inclui:
- Caixa Econômica Federal – aprovado aos 18 anos;
- Controlador Interno da Câmara Municipal de Presidente Prudente – 1º lugar;
- Agente de Fiscalização (Administração) do Tribunal de Contas do Município de São Paulo – 3º lugar;
- Auditor Fiscal de Tributos no município de Londrina/PR;
- Auditor Fiscal do Trabalho (CNU) – posição no início do cadastro reserva;
- Auditor Fiscal do Estado do Paraná (SEFA-PR) – 71º lugar;
- Auditor Fiscal da SEFAZ SP – 25º lugar.
Acredito que cheguei onde queria, não pretendo fazer outros concursos; acho que é hora de dedicação total à carreira e à família.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Fernando: Eu tentava manter uma vida “normal” além dos estudos para concursos. Procurava manter uma rotina com exercícios físicos e com lazer em alguns momentos, para preservar a sanidade mental e saúde física. Além da musculação e tênis, que eu gostava de praticar toda semana, precisava dar atenção à família — esposa e filha de 3 anos — dedicando algum tempinho todos os dias a elas, brincando, levando para passear, curtindo como uma família normal. Acredito que isso ajudou a manter a cabeça boa durante toda a preparação.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Fernando: Sempre tive muito apoio para estudar para concursos e ser servidor público. Minha mãe foi servidora praticamente a vida toda, sempre me incentivava a fazer faculdade de Direito e tentar concursos para grandes cargos. Mesmo eu não tendo me graduado em Direito, acabei incorporando esses conselhos dela e realmente entendi os benefícios. Anos depois, quando eu voltei para essa vida de concurseiro, tive todo o apoio da família, da mãe, claro, mas também da esposa e dos amigos.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Fernando: Para a SEFAZ-SP, o estudo foi focado especificamente no pós-edital, mas é importante destacar que eu já carregava uma bagagem grande dos anos de preparação para cargos de elite. O segredo é não mentir para si mesmo com cargas horárias impossíveis; o plano precisa caber na sua vida real. Com o tempo, o estudo deixa de ser um fardo e se torna um hábito natural. Chega um ponto em que a rotina se integra tanto ao seu dia que você sente falta de estudar.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Fernando: Sempre utilizei materiais em PDF do Estratégia e algumas videoaulas. As videoaulas foram úteis especialmente nas matérias mais complicadas ou chatas, ou simplesmente quando já não aguentava mais ler textos. Às vezes ver o professor falando e comentando questões ajudava a estudar de forma mais relaxada, cansando menos. Os cursos em PDF do Estratégia são bem completos para a maioria das disciplinas. Além disso, utilizava bastante plataformas de resolução e comentários de questões.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Fernando: Não lembro em que momento, talvez já no início da preparação mais séria para os concursos anteriores, em 2014. Mas acho que naturalmente qualquer concurseiro que inicia os estudos vai se deparar logo cedo com o Estratégia, pois os professores, coachs e outros concurseiros irão indicar em algum momento.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Fernando: Meu plano de estudos sempre foi construído por mim mesmo. Eu mesmo gerenciava minha preparação através de uma planilha de Excel, estruturada com base na análise minuciosa do edital e utilizando a metodologia de ciclos de estudos. No período pré-edital, meu foco era construir e manter uma base forte. Assim que o edital era publicado, eu redesenhava o ciclo imediatamente. Eu não estudava uma disciplina por vez até esgotá-la; em vez disso, rodava o ciclo vendo de duas a três disciplinas por dia.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Fernando: Minha metodologia de revisão sempre foi focada em agilidade. Nunca fui de investir tempo confeccionando resumos manuscritos do zero; em vez disso, utilizava os próprios PDFs para fazer leituras dinâmicas, focando nos pontos de maior incidência e partindo imediatamente para a resolução massiva de questões. Uma ferramenta adicional na reta final desses últimos concursos foi a integração da Inteligência Artificial como um “tutor particular” para gerar resumos rápidos, criar esquemas e formular questões inéditas.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Fernando: Resolver muitas questões é fundamental para mim. Acredito que não seja possível competir em alto nível nessas provas sem ter passado pela resolução de alguns milhares de questões. Não consigo precisar quantas fiz, mas acredito que nesses muitos anos foram dezenas de milhares de questões, se juntar todas as plataformas e PDFs que utilizei.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Fernando: As disciplinas de exatas e Economia são grandes vilãs para mim. A sacada nesse caso é entender quantos pontos vale ao todo na prova e se vale a pena despender muito tempo de estudo nessas matérias que são mais complicadas de dominar. No caso da SEFAZ-SP, eu entendi que tinha que sacrificar alguns pontos dessas matérias, pois talvez não houvesse tempo suficiente para resolver todas as questões da Prova 1. Então a dica que dou é ter uma estratégia de estudos e de prova bem definida.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Fernando: Especificamente na semana antes da prova eu resolvi assistir mais videoaulas de revisão, essas do tipo “Hora da Verdade” ou “Reta Final”. Eu não queria mais ficar lendo PDFs nem ficar fazendo muitas questões. Fico somente em revisões leves por essas videoaulas do Estratégia ou revejo questões que já resolvi antes e achei importante passar novamente. Evito fazer muitas baterias de questões novas na última semana para não ficar mais pressionado.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Fernando: Acredito que meus erros foram os clássicos: o acúmulo desnecessário de materiais e o equívoco de menosprezar as revisões no início. Por um bom tempo negligenciei o treino para as discursivas, o que acabou me custando caro. Já os acertos vieram com a maturidade. Entendi que o planejamento precisava ser bem elaborado, com ciclos de estudos consistentes e revisões constantes. O grande salto veio quando passei a focar em questões exaustivas e a acreditar na metodologia que eu mesmo construí.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Fernando: Sinceramente, desistir nunca foi cogitado. É claro que as reprovações doíam, mas eu as encarava como diagnósticos. Minha motivação era a superação constante. Cada derrota na trave era, na verdade, a prova de que eu já pertencia ao nível dos aprovados e que era apenas uma questão de tempo até a minha vaga se concretizar.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Fernando: Para quem está começando, meu primeiro conselho é que leve realmente a sério o seu estudo desde o dia um. Construa um plano sólido, entenda a importância dos ciclos de estudo e não tenha medo de usar a tecnologia a seu favor. Meu segundo conselho é sobre equilíbrio. Não se enterre em um quarto e esqueça de viver. Tenha seu lazer, seus exercícios físicos e, acima de tudo, honre o tempo com sua família. Acredite no processo e encare a banca como um desafio a ser vencido. O caminho é duro, mas a sensação de ver seu nome na lista de aprovados é indescritível.