Artigo

A pressa não vai te aprovar

Vou começar este texto dizendo uma coisa que talvez você não queira ouvir: você pode não passar no próximo concurso, e está tudo bem.

Eu sei que essa frase parece estranha, especialmente em um universo em que todo mundo promete aprovação rápida, método definitivo, cronograma perfeito e resultados extraordinários em poucos meses. Mas alguém precisa falar a verdade.

Concurso público não é uma corrida de velocidade.

E, se você tratar a sua preparação como uma corrida contra o relógio, existe uma grande chance de transformar o estudo em uma sequência de ansiedade, frustração e desistências.

A aprovação não acontece necessariamente para quem começa primeiro. Também não acontece para quem estuda mais horas, nem para quem compra mais cursos e muito menos para quem tem o material mais completo.

Ela acontece para quem consegue, durante tempo suficiente, construir uma preparação capaz de produzir um desempenho competitivo no dia da prova. E isso leva tempo. Às vezes, bastante tempo.

Você não está atrasado

Talvez você esteja estudando há seis meses e ainda esteja longe dos 90% de acertos.

Pode ser que tenha feito uma prova e descoberto que não estava tão preparado quanto imaginava.

Pode até estar vendo pessoas ao seu redor sendo aprovadas enquanto você continua estudando.

Você pode ter começado a estudar tarde.

Também pode estar trabalhando, ter filhos, responsabilidades, contas para pagar e uma rotina que não permite oito horas líquidas de estudo por dia.

E possivelmente, por causa disso tudo, você esteja com a sensação de que está atrasado.

Você não está atrasado, mas sim no seu processo. O problema é que estamos vivendo em uma época em que tudo parece precisar acontecer imediatamente.

Queremos resposta imediata, resultado imediato, dinheiro imediato, aprovação imediata. Só que algumas coisas continuam obedecendo a uma regra antiga e inevitável: é preciso tempo para construir algo sólido.

Uma carreira pública é uma delas.

Não se compare

Essa talvez seja uma das coisas que mais destrói a confiança de um concurseiro: a comparação.

Ou seja, você abre o Instagram e vê alguém comemorando uma aprovação.

“Passei em primeiro!”

“Fui nomeado!”

“Depois de seis meses de estudo!”

Você olha para aquilo e pensa logo: “Por que eu não consigo?”

Mas você está vendo apenas o resultado, e isso não inclui o que essa pessoa fez nos anos anteriores, as suas reprovações, as milhares de questões feitas durante o processo, as madrugadas estudando, as matérias que foram esquecidas e precisaram ser revistas, os erros cometidos, as inúmeras vezes que ela pensou em desistir…

E, principalmente, você não sabe qual era o ponto de partida dela. Por isso, comparar sua preparação com a preparação de outra pessoa é quase sempre injusto.

Você não precisa (e nem vai, na maioria das vezes) estar onde ela está. Você precisa estar hoje melhor do que estava ontem. Constantemente. É isso.

Se ontem você acertava 55% e hoje acertou 62%, existe evolução.

Ou se demorava duas horas para estudar determinado conteúdo e agora consegue assimilá-lo em uma, existe evolução.

Se antes você errava por desconhecimento e agora erra porque caiu em uma pegadinha da banca, existe evolução.

Talvez você ainda não esteja aprovado, mas isso não significa que não esteja avançando.

A colheita vem depois do plantio

Acredite: eu vejo isso acontecer o tempo inteiro. O aluno começa a estudar, faz um cronograma, compra material, estuda durante algumas semanas, resolve algumas questões e já começa a cobrar resultados desproporcionais.

“Por que meu percentual ainda não está alto?”

“Não sei o motivo de eu esquecer tanto.”

“Por que não consigo acompanhar quem está na minha frente?”

Eu tenho a resposta: pelo simples fato de que você acabou de começar.

Assim, você não pode exigir de uma preparação de três meses o mesmo resultado de uma preparação de três anos.

Existe um período em que você simplesmente está construindo base.

É como entrar em uma academia e esperar levantar o mesmo peso de alguém que treina há cinco anos. Ou seja, não faz o menor sentido.

No começo, você está aprendendo. Depois, está consolidando. Mais adiante, está refinando.

E chega um momento em que começa a competir em alto nível.

O estudo também tem maturidade, e aceitar isso é libertador.

A aprovação não pode ser uma obsessão

Existe uma diferença enorme entre querer muito passar e precisar desesperadamente passar. Querer muito faz você estudar. Precisar desesperadamente pode fazer você sofrer.

Quando a aprovação vira uma obsessão, cada questão errada parece uma sentença.

Qualquer nota baixa parece uma prova de incapacidade.

Todo edital perdido parece uma tragédia.

Cada colega aprovado parece uma confirmação de que você está ficando para trás.

E o estudo deixa de ser um processo de construção, e passa a ser um julgamento diário sobre o seu próprio valor. Não faça isso com você.

Você não é a sua nota, uma reprovação não define sua inteligência, um percentual baixo não define seu potencial e uma prova ruim não define seu futuro.

Isso tudo apenas mostra onde você estava naquele momento. Ou seja, é um retrato temporal, e isso pode ser corrigido.

Paciência não é acomodação

Agora vem uma parte importante. Dizer que você não precisa ter pressa não significa dizer que você pode estudar de qualquer jeito. Não é para usar “cada um tem seu tempo” como desculpa para não evoluir.

Pelo contrário.

Caso você esteja estudando há um ano e continua cometendo os mesmos erros, alguma coisa precisa mudar.

Se estuda muitas horas, mas seu desempenho não melhora, precisa avaliar o método.

Faz milhares de questões, mas não consegue identificar suas deficiências? Precisa rever sua estratégia.

Portanto, ter paciência não é ficar parado, mas continuar trabalhando enquanto o resultado ainda não apareceu.

Esforço não é progresso

Esse é outro ponto que precisa ser dito. Você pode estudar muito e evoluir pouco.

Pode passar o dia inteiro diante do computador e terminar a noite sem saber exatamente o que aprendeu, assistir a quatro aulas e resolver dez questões.

É capaz de fazer resumos de dezenas de páginas, grifar praticamente tudo, montar uma planilha linda e ter uma rotina visualmente perfeita.

E ainda assim estar estudando errado.

Porque estudo não é uma atividade que deve apenas ocupar seu tempo. Ele precisa produzir resultado, e resultado, para o concurseiro, aparece em coisas muito concretas:

Você está esquecendo menos? Acertando mais? Demorando menos para resolver questões? Identificando suas lacunas? Conseguindo revisar? Melhorando seu desempenho nos simulados? Conseguindo manter o conteúdo ao longo das semanas?

Essas são perguntas muito mais importantes do que: “Quantas horas eu estudei hoje?”

Seu objetivo não é a carga horária

Existe uma espécie de culto às horas líquidas no mundo dos concursos cada vez maior.

“Hoje fiz oito horas.”

“Essa semana foram quarenta e cinco.”

“Esse mês bati duzentas horas.”

Ótimo. Mas e daí? Quantas questões você acertou? Quais conteúdos evoluíram? Quais erros foram corrigidos? Qual foi sua média? Onde estão suas maiores deficiências? Quantos assuntos você realmente consolidou?

Porque oito horas de estudo ruim continuam sendo oito horas de estudo ruim.

Quantidade importa. Mas qualidade e direção importam muito mais.

Ou seja, uma pessoa que estuda quatro horas com método, concentração e avaliação pode evoluir mais do que alguém que passa oito horas sentado diante de um PDF.

Você não precisa vencer o cronômetro, mas sim as suas lacunas.

A verdade

Não passa quem sabe mais. Passa aquela que lembra mais no dia da prova. Isso muda tudo.

O seu objetivo não é dominar o Direito, o Português, a Contabilidade ou qualquer outra disciplina. Seu objetivo é aumentar seu desempenho dentro das regras daquela prova.

É por isso que estratégia importa. Conhecer a banca importa. Fazer questões importa. Revisar importa. É exatamente por isso que identificar os assuntos mais cobrados importa.

E é por isso que estudar tudo com a mesma intensidade pode ser um erro. Concurso não premia quem estudou mais assuntos. Premia quem acertou mais questões.

Parece óbvio, mas muita gente passa anos estudando sem realmente organizar a preparação em torno desse objetivo.

A repetição é a mãe da memorização

Estudar para concurso pode ser extremamente entediante, e ninguém fala muito sobre isso.

Você vai revisar o mesmo assunto, depois vai revisar novamente. Vai fazer questões parecidas, errar uma questão sobre algo que jurava conhecer, voltar ao PDF, revisar de novo.

E depois vai encontrar outra questão cobrando exatamente aquilo. Isso pode parecer falta de progresso, mas é claro que não é. É consolidação.

O cérebro precisa de repetição. A aprovação exige que determinados conhecimentos deixem de ser novidade e passem a fazer parte do seu repertório.

Você não pode querer estudar um assunto uma vez e nunca mais olhar para ele. Isso não é preparação, mas apenas passagem. E passar pelo conteúdo não significa dominá-lo.

Esqueça a motivação

Essa é a parte que separa intenção de compromisso. Qualquer pessoa consegue estudar quando está motivada.

O problema é estudar na terça-feira em que você está cansado, na sexta-feira em que seus amigos estão saindo, no sábado em que você preferia descansar, na segunda-feira depois de uma prova ruim ou no dia seguinte a uma reprovação.

É nesses momentos que a disciplina aparece, e ela não é uma característica mágica de algumas pessoas, mas a capacidade de cumprir aquilo que você decidiu fazer mesmo quando a vontade não ajuda.

E isso pode ser treinado.

Começa pequeno. Você estabelece uma meta possível e cumpre. No dia seguinte, cumpre novamente, depois novamente.

E, pouco a pouco, estudar deixa de depender tanto do seu estado emocional. Ou seja, você para de negociar diariamente com a própria vontade.

Não espere estar motivado para voltar

Talvez você esteja lendo este texto depois de uma fase ruim, ou tenha parado. Talvez esteja estudando muito menos do que gostaria, ou tenha perdido o ritmo.

Então eu quero lhe dizer uma coisa: volte.

Não espere segunda-feira, o próximo mês, um novo edital.

Não espere comprar um material novo, “organizar a vida”.

Volte com o que você tem. Faça uma hora hoje. Amanhã, faça novamente. Depois aumente.

O importante não é recuperar imediatamente todo o tempo perdido, mas interromper o período de inércia.

Porque existe uma diferença enorme entre estar atrasado e estar parado:

Se você está atrasado, pode correr.

Se está parado, precisa começar a andar.

A aprovação precisa ser construída

Talvez essa seja a mensagem que você mais precise ouvir. Você não precisa passar em três meses para provar que é inteligente, nem precisa passar de primeira para provar que é capaz.

Você não precisa estudar dez horas por dia para provar que está comprometido. Precisa construir uma preparação cada vez melhor.

Hoje melhor do que ontem. Mês que vem melhor do que este mês. Próxima prova melhor do que a anterior.

É assim que se constrói um candidato competitivo.

A primeira prova talvez sirva para mostrar como você está. A segunda, por sua vez, para mostrar o que corrigiu. A terceira, para mostrar o que ainda falta.

E, em algum momento, você percebe que deixou de ser apenas alguém que estuda para concurso, e tornou-se um candidato preparado para passar.

O maior adversário não é a concorrência

É a sua ansiedade, a necessidade de resultado imediato, a comparação, a desorganização, a troca constante de estratégia, o excesso de material, a falta de revisão, a dificuldade de aceitar que você precisa corrigir o próprio método.

Pode haver em você a crença de que existe uma técnica secreta capaz de eliminar todo o esforço. Não existe.

O que existe é preparação, e preparação é, muitas vezes, menos glamourosa do que parece.

É sentar.

Estudar.

Resolver questões.

Errar.

Revisar.

Avaliar.

Corrigir.

Repetir.

E fazer isso novamente amanhã, até ser convocado no órgão público que você tanto sonhou.

Não precisa amar estudar

Outra coisa que talvez alivie um pouco o peso sobre seus ombros é: você não precisa gostar de estudar. Você não precisa acordar apaixonado por Direito Constitucional.

Não precisa sentir prazer em fazer 100 questões, muito menos achar divertido revisar uma matéria pela quarta vez.

O que você precisa entender é o motivo pelo qual está fazendo isso.

Porque existe uma vida que você deseja construir. Uma carreira que deseja conquistar. Uma segurança que deseja proporcionar à sua família. Uma liberdade que talvez hoje não tenha. Um futuro que você decidiu buscar.

Quando você entende esse motivo, fica mais fácil suportar o processo, pois o estudo deixa de ser apenas estudo, e passa a ser um investimento.

É o presente que importa

Existe uma contradição interessante na vida do concurseiro. Ele estuda para construir uma vida melhor no futuro, mas pode acabar deixando de viver completamente no presente.

Não precisa ser assim. Você pode estudar e continuar tendo momentos de descanso.

Pode cuidar da família, sair, viajar eventualmente, praticar atividade física, rir, viver. A preparação precisa caber dentro da sua vida, e não o contrário.

Se o seu plano exige que você seja outra pessoa durante três anos, provavelmente não é um plano sustentável.

O melhor planejamento é aquele que você consegue executar por tempo suficiente.

Aprovação é consequência

Você não controla a data em que será aprovado. Assim como não controla:

Quem estará concorrendo.

O nível da prova.

Quantas vagas serão abertas.

O que a banca vai cobrar.

Mas controla algumas coisas, como se vai estudar hoje, revisar, fazer questões.

Também controla se vai analisar seus erros, procurar ajuda quando perceber que está perdido, ajustar sua estratégia.

Controla se vai continuar. E é justamente aí que está o seu poder.

Pare de gastar energia tentando controlar aquilo que não depende de você. Concentre-se na preparação.

O resultado virá como consequência. Talvez mais rápido do que você imagina. Talvez demore mais…Mas uma coisa é certa:

Quanto melhor for a sua preparação, maior será a probabilidade de você estar pronto quando a oportunidade aparecer.

Apenas continue

Não porque alguém prometeu que você será aprovado em 90 dias, nem porque existe uma fórmula mágica ou porque você precisa provar alguma coisa para alguém.

Continue porque você decidiu que quer uma vida diferente, e porque algumas coisas importantes na vida exigem persistência.

Se hoje está difícil, diminua o ritmo, se precisar, mas não abandone o caminho.

Caso a estratégia não esteja funcionando, mude, mas não abandone o objetivo.

Se uma prova deu errado, aprenda, mas não transforme uma reprovação em uma sentença.

Caso alguém tenha passado antes de você, comemore por ela, mas continue fazendo a sua parte.

E, principalmente, pare de acreditar que você precisa passar imediatamente para que todo esse esforço tenha valido a pena.

Cada dia bem estudado já está construindo o candidato que você será amanhã.

Talvez você ainda não esteja pronto. Talvez ainda faltem meses, ou até mesmo anos.

Você não precisa saber exatamente quanto tempo falta, mas o que fará hoje. A aprovação não começa quando você vê seu nome no Diário Oficial. Ela começa muito antes.

No dia em que você decide que não vai mais estudar de qualquer jeito, em que aceita que não precisa ser perfeito, que entende que consistência vence empolgação.

No dia em que aprende a avaliar o próprio desempenho e que para de procurar atalhos e começa a construir base.E, principalmente, no dia em que entende uma coisa: você não precisa ter pressa para passar.

Você precisa estar preparado quando chegar a sua vez.

Estar sozinho é uma escolha

Se a aprovação exige tempo, constância e estratégia, existe uma pergunta que precisa ser feita: por que você tentaria descobrir tudo sozinho?

Você pode passar meses (ou até anos) testando métodos, montando cronogramas, trocando materiais, tentando descobrir o que revisar, quais matérias priorizar, quantas questões fazer e onde está errando.

Ou pode contar com uma estrutura que ajude a encurtar esse caminho. Aqui, a Platinum do Estratégia Concursos faz sentido.

A proposta não é simplesmente entregar mais conteúdo para você estudar. Conteúdo, por si só, você já encontra em abundância.

O verdadeiro desafio é transformar conteúdo em preparação estratégica.

Saber o que estudar, o que priorizar, entender onde estão suas deficiências, acompanhar sua evolução, corrigir a rota quando os resultados não aparecem e, principalmente, conseguir manter uma rotina de estudos sustentável durante o tempo necessário para chegar competitivo à prova.

Porque existe uma diferença enorme entre ter acesso a tudo e saber exatamente o que fazer com aquilo que você tem.

No fim, é disso que se trata uma preparação de alto nível: não procurar um atalho para deixar de estudar, mas encontrar uma forma mais inteligente de transformar o estudo em evolução.

Porque você não precisa ter pressa para passar.

Mas precisa ter estratégia para chegar lá.