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Regularidade ou intensidade?

Essa é uma dúvida que aparece com muita frequência nas mentorias: “Maurício, é melhor estudar 10 horas em alguns dias ou três horas todos os dias?”. Minha resposta é quase sempre a mesma: entre a regularidade e a intensidade, eu escolheria a primeira opção, sem pensar duas vezes.

Aliás, se eu tivesse que voltar no tempo e começar minha preparação do zero, esse seria um dos primeiros conselhos que eu daria para mim mesmo.

Isso porque eu já vi milhares de alunos cometerem exatamente o mesmo erro. Eles confundem intensidade com eficiência, mas essas variáveis são completamente diferentes.

O entusiasmo engana

Talvez isso já tenha acontecido na sua preparação.

Você decide que agora vai estudar “para valer”. Monta um cronograma perfeito. Compra um caderno novo, organiza a mesa, separa os materiais e promete estudar oito, 10 ou até 12 horas por dia.

Nos primeiros dias, tudo parece funcionar.

Você termina o dia cansado, mas feliz, com aquela sensação de que finalmente encontrou o caminho da aprovação.

Só que aí chega a segunda semana.

O corpo começa a reclamar.

A cabeça pesa.

Você acorda sem vontade de abrir o PDF.

Depois vem um dia sem estudar.

Em seguida, dois…

E quando percebe, aquele projeto ambicioso ficou pelo caminho. Eu já perdi a conta de quantas vezes vi essa história acontecer.

O problema nunca foi estudar pouco

Sabe qual é a conclusão a que cheguei depois de acompanhar tantos concurseiros? Na maioria das vezes, o problema não é estudar poucas horas, mas sim passar dias sem estudar.

O cérebro gosta de repetição. Ele aprende quando recebe estímulos frequentes.

Não é por acaso que diversos estudos em psicologia cognitiva mostram que distribuir o estudo ao longo do tempo produz uma retenção muito maior do que concentrar todo o esforço em poucos dias.

Esse fenômeno é conhecido como efeito do espaçamento (spacing effect).

Traduzindo para a nossa realidade: estudar um pouco hoje, um pouco amanhã e continuar fazendo isso por meses vale muito mais do que estudar exageradamente durante uma semana e depois desaparecer dos livros.

Aluno constante x aluno “herói”

Se você me perguntasse hoje qual aluno tem mais chance de ser aprovado, eu responderia sem hesitar (e não é o que estuda 10 horas em um sábado…).

É aquele que consegue estudar três horas na segunda, três na terça, três na quarta… e faz isso durante meses.

Esse aluno talvez nem pareça extraordinário no começo, mas, com o passar do tempo, ele constrói algo que poucos conseguem: consistência.

E consistência acumula resultados.

O estudo é como a academia

Pensa em alguém que resolve ir à academia. Será que adianta treinar oito horas em um único dia e depois ficar 20 dias sem voltar? Claro que não.

O resultado aparece para quem treina regularmente.

Com os estudos acontece exatamente a mesma coisa: seu cérebro precisa de repetição, ou seja, revisitar o conteúdo. Precisa esquecer um pouco para aprender novamente.

É justamente esse processo que fortalece a memória de longo prazo.

O grande benefício

Na minha opinião, existe uma vantagem ainda maior. Quando você estuda todos os dias, chega um momento em que o estudo deixa de depender da motivação.

Você simplesmente estuda, assim como escova os dentes ou toma banho.

Portanto, a decisão deixa de ser: “Será que hoje estou motivado para estudar?”, e passa a ser: “Que horas eu vou estudar hoje?”

Pode parecer uma mudança pequena, mas ela muda completamente o jogo.

Intensidade não serve para nada?

Claro que a resposta é “não”. Ela também tem seu espaço.

Na reta final de uma prova, durante as férias ou quando você consegue tirar alguns dias exclusivamente para estudar, por exemplo, faz todo sentido aumentar a carga horária.

Eu mesmo já fiz isso muitas vezes. Mas existe uma diferença importante: esses períodos são exceções.

Eles não podem virar regra, pois ninguém consegue viver em alta intensidade durante todo o processo de estudos.

E concurso é um projeto de longo prazo.

Quem esquece disso normalmente paga a conta com cansaço, desânimo e abandono do planejamento.

O grande conselho

Não monte uma rotina pensando no melhor dia da sua vida, mas pensando num dia comum. Ou seja, naquele dia em que você trabalhou, pegou trânsito, resolveu problemas, chegou cansado em casa…

Se mesmo nesse dia você conseguir cumprir sua meta de estudos, você encontrou uma rotina sustentável. E essa rotina sustentável vale infinitamente mais do que um planejamento perfeito que dura apenas uma semana.

A aprovação é construída no ordinário

Quando a gente olha para um aprovado, normalmente enxerga apenas o resultado. Mas quase ninguém vê o que aconteceu antes.

Foram meses — e, muitas vezes, anos — de repetição.

Dias comuns; bons; ruins; ou dias em que a vontade era zero…Mesmo assim, ele sentou e estudou. É isso que fez (e faz) a diferença.

A aprovação não costuma ser conquistada por quem faz o maior esforço em um único dia. Ela costuma ser conquistada por quem consegue repetir um esforço razoável todos os dias.

E, sinceramente, eu acredito que essa seja uma das maiores lições que um concurseiro pode aprender.

A vitória silenciosa

Se hoje você está em dúvida entre estudar muito de vez em quando ou estudar um pouco todos os dias, minha sugestão é simples: escolha a regularidade.

Ela talvez não impressione ninguém nas primeiras semanas.

Mas, alguns meses depois, você vai perceber que ela fez exatamente o que prometeu: transformou pequenas sessões de estudo em um conhecimento sólido e consistente.

No fim das contas, quem passa em concurso não é quem vence um único dia de estudos.

É quem vence, silenciosamente, um dia de cada vez.

É exatamente isso que fazemos aqui

Na Mentoria Platinum do Estratégia Concursos, eu sempre reforço a mesma ideia para os alunos: o melhor planejamento não é o mais bonito, nem o mais pesado. É aquele que você consegue cumprir de forma consistente.

Por isso, nosso trabalho não é apenas montar um ciclo de estudos. Nós acompanhamos a execução, fazemos os ajustes necessários e ajudamos o aluno a construir uma rotina que sobreviva aos dias bons e, principalmente, aos dias difíceis.

Porque a aprovação não acontece quando você faz um dia extraordinário de estudos.

Ela acontece quando você consegue transformar o estudo em um hábito e repeti-lo até o dia da posse.