SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques

SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques
Avaliar estoques parece tarefa simples até a banca perguntar por qual valor eles devem figurar no balanço. Na SEFAZ-CE, a contabilidade geral cobra esse raciocínio com frequência, exigindo precisão entre custo, valor de mercado e valor realizável líquido.
Entender o que compõe o custo de aquisição e quando reconhecer uma perda é o que separa a resposta certeira do chute. Por isso, vale destrinchar os critérios de valoração e a montagem do custo do estoque com calma.
A regra do menor valor entre custo e VRL – SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques
A norma técnica é clara: estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido (VRL), dos dois o menor. Esse comando, previsto no item 9 da NBC TG 16, materializa o princípio da prudência aplicado aos ativos.
O VRL corresponde ao preço de venda estimado no curso normal dos negócios, deduzidos os custos para concluir e os gastos necessários para vender. Repare que ele é específico da entidade, pois considera os gastos próprios de cada empresa para realizar o item.
Aí mora uma confusão recorrente: VRL não é sinônimo de valor justo. O valor justo é uma medida genérica de mercado, enquanto o VRL nasce da realidade particular de quem detém o estoque. Trocar um pelo outro é erro comum nas provas.
A lógica conservadora funciona em mão única. Se o VRL supera o custo, mantém-se o custo, sem reconhecer ganho não realizado. Se o VRL fica abaixo do custo, reconhece-se a perda, por meio de provisão para ajuste ao valor realizável líquido.
Quando aplicar a redução ao VRL – SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques
A redução não é automática. Ela se justifica quando o estoque está danificado, obsoleto, sofreu queda no preço de venda ou quando os custos para concluir e vender aumentaram. A prudência manda antecipar a perda provável.
Outro detalhe cobrado: a redução deve ser feita, via de regra, item a item. Agrupar toda uma linha de produtos para diluir prejuízos não é permitido como regra geral; só se admitem agrupamentos de itens semelhantes ou relacionados.
Critérios de valoração – SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques
A legislação societária também trata do tema. O artigo 183, II, da Lei 6.404/76 determina que mercadorias, matérias-primas e bens em almoxarifado sejam avaliados pelo custo de aquisição ou produção, com provisão para ajuste ao valor de mercado quando este for inferior.
Existe, porém, uma exceção legal importante. Os estoques de bens fungíveis destinados à venda poderão ser avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil. Note o verbo: trata-se de faculdade, não de obrigação.
Essa diferença de redação rende questões maldosas. A banca troca “poderão” por “deverão” e espera que o candidato apressado valide a afirmação. Atenção redobrada a esse tipo de armadilha na SEFAZ-CE.
| Critério | Base de mensuração | Quando aplicar |
|---|---|---|
| Custo de aquisição | Preço de compra mais custos de disponibilização | Mercadorias para revenda |
| Custo de produção | Aquisição mais transformação e outros custos | Produtos em elaboração e acabados |
| Valor realizável líquido | Preço de venda estimado menos custos de concluir e vender | Quando o VRL fica abaixo do custo |
| Valor de mercado | Cotação de mercado | Estoques fungíveis, conforme costume mercantil |
Há ainda um alerta terminológico valioso. A lei fala em “valor de mercado”, mas a norma técnica usa “valor realizável líquido”. Quando o enunciado disser “custo ou valor de mercado, dos dois o menor” como sinônimo da regra contábil, desconfie: tecnicamente, o correto é o VRL.
Componentes do custo do estoque – SEFAZ-CE: critérios de valoração e custo dos estoques
Definido o critério, é preciso saber o que efetivamente integra o custo. O item 10 da NBC TG 16 estabelece que o custo deve abranger todos os custos de aquisição e de transformação, além de outros gastos para trazer o item à sua condição e localização atuais.
No custo de aquisição entram o preço de compra, os tributos não recuperáveis, o frete e o seguro sobre compras, o manuseio e demais gastos diretamente atribuíveis. Descontos comerciais, abatimentos e devoluções são deduzidos dessa conta.
Os custos de transformação aparecem na indústria. Incluem a mão de obra direta e os custos indiretos de fabricação. Os custos indiretos fixos, como depreciação e administração da fábrica, são alocados com base na capacidade normal de produção, e não na produção real.
Esse último ponto tem consequência prática relevante. Se a produção fica abaixo da capacidade normal, o excesso de custos fixos não alocado vira despesa do período, evitando que a ociosidade superavalie o estoque. É um detalhe que a SEFAZ-CE explora em pegadinhas.
Gastos que ficam de fora do custo
Nem tudo que a empresa desembolsa entra no estoque. O item 16 da norma lista gastos reconhecidos diretamente como despesa, e memorizá-los evita muita armadilha.
- Desperdícios anormais de materiais, mão de obra ou outros insumos;
- Armazenagem, salvo quando necessária entre fases do processo produtivo;
- Despesas administrativas que não contribuam para a condição atual do estoque;
- Despesas de comercialização, inclusive venda e entrega aos clientes.
Repare no contraste entre desperdícios normais e anormais. Os normais, inerentes ao processo, integram o custo do estoque remanescente. Os anormais vão direto para o resultado, como despesa do exercício em que ocorrem.
Vale também distinguir os fretes. O frete sobre compras compõe o custo do estoque e, mais adiante, o custo das vendas. O frete sobre vendas, por sua vez, é despesa comercial, nunca custo. Confundir os dois é erro caro.
Síntese para a reta final
Reunindo as peças, três ideias sustentam o tema. A primeira é a regra do menor valor entre custo e VRL, expressão da prudência. A segunda é a leitura cuidadosa da lei sobre bens fungíveis e valor de mercado. A terceira é a correta composição do custo, somando o que é atribuível e excluindo o que é despesa.
Se você está se preparando para a SEFAZ-CE, transforme esses critérios em reflexo: ao ler uma questão, pergunte de imediato qual valor deve prevalecer e o que pertence ou não ao custo. Esse hábito reduz erros bobos e dá segurança para enfrentar as bancas que costumam compor a prova de contabilidade do fisco cearense.