Quanto tempo é necessário para se preparar para concursos de tribunais federais
Olá, concurseiro! Tudo bem? Hoje, vamos falar a respeito do tempo que se leva para se preparar para concursos de tribunais federais.
Ano após ano, fica cada vez mais evidente que o nível dos concursos públicos vem se acentuando, exigindo dos candidatos uma preparação com maior antecedência, consistente e, sobretudo, estratégica. Nesse contexto, surge a dúvida: quanto tempo é necessário para se preparar para concursos de tribunais federais?
Nesse segmento, pode-se observar uma concorrência bastante qualificada, uma vez que os motivos para ingressar em uma das carreiras do Poder Judiciário da União (PJU) são para lá de atrativos.
Estabilidade profissional, boa remuneração, jornada de trabalho equilibrada, recesso forense e prestígio institucional são apenas alguns dos fatores que impulsionam a acirrada disputa por vagas no PJU.
Diante disso, é fundamental compreender quais fatores influenciam o tempo de preparação e como eles impactam o nível de competitividade do candidato.
Neste artigo, buscaremos explorar esse tema de forma objetiva e realista. Vamos lá?
Estrutura do Poder Judiciário
Inicialmente, antes de adentrar ao tema principal desse artigo, é preciso ter uma visão panorâmica sobre como é disposta a estrutura do Poder Judiciário. Conforme organograma abaixo, podemos identificar os órgãos que o compõem:

Observe que, basicamente, a estrutura é distribuída entre órgãos de primeiro grau, exercido por juízes singulares; segundo grau, representado pelos tribunais; e as instâncias superiores, compostas por tribunais superiores e pelo Supremo Tribunal Federal.
Principais concursos de tribunais federais
No âmbito do PJU, os principais concursos de tribunais federais estão inseridos em diferentes ramos da Justiça.
Na Justiça Federal comum, tem-se os concursos para os Tribunais Regionais Federais (TRFs).
Em se tratando da Justiça do Trabalho, tem-se os TRTs, bem conhecidos pela recorrência de certames e pela alta demanda por servidores.
Na Justiça Eleitoral, tem-se os TREs, que realizam concursos com menor frequência (quando comparados aos TRTs) e costumam apresentar razoável demanda por servidores.
Por sua vez, também existem oportunidades (embora mais escassas) na Justiça Militar da União, por intermédio do Superior Tribunal Militar (STM) e das Auditorias Militares.
Por fim, há também os concursos para Tribunais Superiores, como Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Superior Tribunal Militar (STM). Os certames para ingresso nesses órgãos, em que pese menos frequentes, oferecem excelentes oportunidades e atraem candidatos altamente preparados.
Principais cargos nos concursos de tribunais federais
Os dois principais cargos ofertados em concursos públicos de tribunais federais para a carreira de servidor são os de Técnico Judiciário e de Analista Judiciário.
Atualmente, no Poder Judiciário da União, tais cargos exigem diploma de nível superior fornecido por instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).
A formação pode ser em qualquer área, quando o edital não estabelecer requisito específico, ou direcionada a áreas especializadas, cujos requisitos são diploma de graduação na área correspondente e, na maioria dos casos, registro no órgão de classe.
Diferenças básicas entre as provas de Analista Judiciário e Técnico Judiciário
A escolha entre prestar concurso para Técnico ou Analista (ou até mesmo para os dois cargos) impacta diretamente no nível de preparação do candidato, uma vez que a quantidade de disciplinas, o conteúdo programático e a profundidade com a qual os assuntos são cobrados variam bastante entre os cargos.
Técnico Judiciário:
Geralmente, o conteúdo programático para o cargo de Técnico Judiciário costuma ser mais “enxuto”, quando comparado ao de Analista Judiciário. Além disso, o número de disciplinas também tende a ser menor.
A prova objetiva possui característica de cobrança mais direta e com menor grau de aprofundamento. Vale lembrar que isso não é uma regra. Não é incomum encontrar concursos de tribunais em que a prova de Técnico Judiciário teve nível de cobrança igual ou até mesmo mais exigente do que a de Analista.
Por outro lado, no que se refere à prova discursiva, não há uma regra de cobrança. Alguns concursos cobram, outros, não. Quando é cobrada, normalmente é uma dissertação do tipo argumentativa, em que é abordado algum tema relevante da atualidade.
Analista Judiciário
Em relação ao conteúdo programático para o cargo de Analista Judiciário, pode-se observar um maior número de disciplinas, além de maior densidade e aprofundamento dos itens que as compõem.
A prova objetiva para esse cargo possui nível de cobrança mais elevado, ao explorar temas com profundidade teórica mais acentuada e que requerem maior capacidade de interpretação por parte do candidato.
Já a prova discursiva, em sua ampla maioria, é do tipo dissertativa expositiva, a respeito de temas relacionados a conhecimentos específicos do cargo/área/especialidade. Isso requer uma boa combinação entre capacidade de escrita e domínio conceitual suficiente para desenvolver, com clareza, qualquer um dos temas do bloco de conhecimentos específicos.
Fatores que influenciam o tempo de preparação
Neste ponto do artigo, você já compreendeu quais são os principais cargos de tribunais federais e as diferenças básicas entre as provas desses cargos. No entanto, é bem natural que surja a dúvida: quanto tempo leva para me preparar para um concurso de tribunal federal?
A resposta mais adequada seria depende. Mas aqui vamos buscar chegar a um resultado mais concreto, baseado em premissas objetivas.
Nesse sentido, é de fundamental importância destacar alguns fatores que interferem diretamente no tempo que se leva para obter uma boa preparação. A seguir, destacaremos cinco fatores decisivos (adianto que considero o quinto o divisor de águas):
- Nível do candidato:
O nível do candidato pode ser dividido em três fases: iniciante, intermediário e avançado. Abaixo, explicamos cada uma delas:
Iniciante: possui pouca ou nenhuma base das disciplinas, necessitando pegar praticamente tudo do absoluto zero.
Intermediário: já estudou as disciplinas básicas e algumas específicas, entende melhor os conceitos, já tem alguma experiência em provas, mas ainda possui lacunas que precisam ser supridas, como, por exemplo, avançar em disciplinas específicas e reduzir deficiências em matérias-chave.
Avançado: possui domínio amplo das disciplinas (básicas e específicas), estuda especialmente por meio de revisões e resolução de questões, tem muitas experiências com provas e eventualmente já passou em concursos-escada.
- Tempo disponível por dia:
É fato que cada candidato possui um contexto de vida distinto: alguns trabalham, têm filhos e dispõem de pouco tempo para os estudos, enquanto outros contam com uma rotina mais leve e maior disponibilidade de tempo.
Todavia, é de suma relevância frisar que não necessariamente a abundância de tempo livre se afigura como uma vantagem inequívoca. Se não utilizado de forma estratégica, o tempo livre resulta apenas em ociosidade.
Por outro lado, é comum que pessoas com pouco tempo disponível valorizem ainda mais o período de estudos, pois sabem que dificilmente poderão estudar em outro momento do dia.
Em resumo, quanto mais tempo livre para os estudos o candidato tiver – desde que usado com inteligência -, mais rápido ele irá progredir nas disciplinas.
- Qualidade do estudo:
A qualidade do estudo é peça-chave na evolução do candidato. Ela pode determinar se este levará mais ou menos tempo para ser aprovado. Ora, é muito mais eficaz estudar 2h diariamente, porém com um bom plano de estudos, do que 10h de modo desorganizado. Quanto mais se demora em aperfeiçoar o modo de estudar, mais dias de espera o candidato acrescenta para a tão sonhada aprovação.
- Histórico com concursos:
De forma bem direta: não existe evolução sem aplicação prática. Se o candidato não se submeter a experiências reais de prova, fatalmente ele ficará para trás.
Fazer uma prova de concurso põe à prova não somente o conhecimento adquirido ao longo da preparação, mas também outros fatores primários para o sucesso no certame, como controle de tempo e inteligência emocional.
Sem essa exposição, é como se alguém quisesse ser piloto de avião apenas lendo o manual da aeronave.
- Consistência na rotina de estudos:
Por fim, o quinto e último fator decisivo para aprovação envolve algo que separa quem será aprovado de quem não será. A consistência – alinhada a ajustes de rota – é a mola propulsora da aprovação.
Poucos candidatos estão preparados ou dispostos a estudarem meses ou anos a fio de maneira consistente, lidando com reprovações, pressão social e a necessidade de manter a disciplina ao longo do tempo.
Noutro plano, aqueles que respeitam o processo, entendendo que existe um preço a ser pago, são, geralmente, os que viverão o sonho de alcançar o cargo público desejado.
Tempo médio para se preparar para concursos de tribunais federais (estimativas realistas)
Como foi visto no tópico anterior, alguns fatores influenciam diretamente o tempo necessário para a consolidar uma preparação que coloque o candidato em plenas condições de brigar por uma das vagas ofertadas em concursos de tribunais federais. É claro que existem exceções — pessoas que conseguem resultados em um intervalo muito menor —, mas esse não é o perfil que estamos considerando aqui.
A proposta é trabalhar com cenários mais comuns e próximos da realidade da maioria dos candidatos, admitindo, ainda assim, variações para mais ou para menos.
Cenário 1 (iniciante – 12 a 36 meses): considerando que o candidato iniciante possui pouca ou nenhuma base, será necessário percorrer praticamente todo o conteúdo programático, tanto das disciplinas básicas quanto das específicas, o que demanda um volume significativo de horas de estudo e tempo para consolidação.
Cenário 2 (intermediário – 6 a 24 meses): considerando que o candidato intermediário já possui melhor domínio das disciplinas básicas, dispõe de alguma experiência prática em provas e já detém um nível razoável de compreensão do conteúdo, seu foco será esgotar o conteúdo programático de matérias específicas faltantes, além de reforçar a base que ele já possui.
Cenário 3: (avançado – 3 a 12 meses): considerando que o candidato avançado está em uma fase privilegiada dos estudos, ou seja, operando basicamente em modo de revisão, seu foco principal será manter o conteúdo vivo na memória por meio da resolução de milhares de questões, bem como da realização de simulados para refinamento do controle de tempo de prova e definição da estratégia a ser seguida no dia do certame.
Conclusão
Por fim, é importante destacar que, em concurso público, não existe receita de bolo. As variáveis são inúmeras. Neste artigo, o objetivo foi oferecer uma noção o mais próxima possível da realidade sobre o fator tempo na preparação para concursos de tribunais federais.
No entanto, mais importante do que se fixar em quanto tempo será necessário para alcançar um cargo no Poder Judiciário da União é direcionar o foco para a construção de uma rotina de estudos consistente, com antecedência, aliada a um bom método de estudo e a materiais adequados.
Assim, a atenção se volta para o processo em si, para o dia a dia, para aquilo que está ao seu alcance fazer. A aprovação — que pode chegar mais cedo ou mais tarde — é consequência direta da melhoria contínua e consistente daquilo que se faz diariamente.
Prepare-se com o melhor material e com quem mais aprova em Concursos Públicos em todo o país!