Ou aumenta o sacrifício, ou diminui o sonho
Existe uma frase que eu gosto muito porque ela é simples, direta e impossível de ser contestada pela realidade: ou você aumenta o sacrifício, ou diminui o sonho.
Pode parecer dura à primeira vista, mas ela carrega uma das maiores verdades sobre qualquer grande objetivo. E isso vale especialmente para quem decidiu enfrentar a jornada dos concursos públicos.
Muitas vezes, o concurseiro sonha com a aprovação, com a estabilidade, com a remuneração melhor, com a qualidade de vida que o cargo pode proporcionar. Ele imagina o dia da posse, a comemoração com a família, a mudança de vida. E não há nada de errado nisso. Sonhar faz parte do processo.
O problema começa quando o tamanho do sonho não combina com o tamanho da entrega.
A aprovação em concurso não é um prêmio de participação. Ela é consequência de um processo longo, desgastante e, muitas vezes, solitário. É uma caminhada que exige renúncias, disciplina e uma capacidade enorme de continuar mesmo quando os resultados ainda não aparecem.
Por isso, em algum momento da preparação, todo candidato precisa fazer uma escolha: aumentar o sacrifício ou diminuir o sonho.
O preço da aprovação
A verdade é que estudar para concursos não é fácil.
Quem vende a ideia de uma preparação leve, confortável e sem sofrimento está vendendo uma ilusão.
Isso não significa que você precise viver em sofrimento constante ou abandonar completamente sua vida pessoal. Mas significa compreender que haverá períodos de desequilíbrio.
Enquanto seus amigos estiverem viajando, você poderá estar revisando. Se outras pessoas estiverem maratonando séries, você talvez deverá estar resolvendo questões.
Enquanto alguém estiver aproveitando um final de semana inteiro sem preocupações, você poderá estar estudando legislação ou revisando um conteúdo difícil.
Essa é a realidade.
A aprovação exige um investimento que muita gente não está disposta a fazer. E justamente por isso os aprovados são minoria.
O concurso não é diferente de outras áreas da vida
A lógica dos concursos vale para praticamente tudo.
Quer “meter o shape”?
Então será necessário aumentar o sacrifício.
Você precisará treinar mesmo nos dias de preguiça. Precisará controlar a alimentação, dormir melhor e ser consistente.
Mas se você não gosta de academia, não quer abrir mão dos hábitos atuais e não está disposto a mudar sua rotina, talvez seja o caso de diminuir o sonho.
Quer emagrecer?
Aumente o sacrifício.
Mas se você adora comer bolo de chocolate todos os dias, não quer controlar a alimentação e não pretende praticar atividade física, talvez seja necessário diminuir o sonho.
Quer aprender um novo idioma?
Aumente o sacrifício.
Mas se você não quer estudar, praticar, errar, ouvir e repetir centenas de vezes, talvez seja necessário diminuir o sonho.
Quer ter uma excelente condição financeira?
Aumente o sacrifício.
Mas se você não quer desenvolver novas habilidades, assumir responsabilidades ou abrir mão de alguns confortos imediatos, talvez seja necessário diminuir o sonho.
Quer ser mais focado?
Aumente o sacrifício.
Mas se você passa horas rolando o feed do Instagram, pulando de vídeo em vídeo, consumindo distrações o tempo inteiro, talvez seja necessário diminuir o sonho.
Percebe o padrão?
O problema nunca é sonhar grande.
O problema é querer resultados incompatíveis com os comportamentos adotados diariamente.
A matemática da aprovação é simples
Muitos candidatos acreditam que a aprovação depende apenas de inteligência.
Não depende.
Se inteligência fosse o fator decisivo, haveria muito mais gênios aprovados e muito menos candidatos comuns conquistando excelentes cargos.
Na prática, a aprovação costuma ser resultado de uma combinação de fatores muito mais acessíveis:
- Disciplina;
- Planejamento;
- Organização;
- Constância;
- Paciência;
- Resiliência;
- Capacidade de continuar.
É por isso que tantas pessoas consideradas “normais” conseguem ser aprovadas.
Elas não necessariamente eram as mais inteligentes da sala.
Mas foram as que permaneceram estudando quando outras desistiram.
Foram as que revisaram quando outras relaxaram, as que fizeram questões quando outras apenas assistiam aulas, as que entenderam que grandes sonhos exigem grandes entregas…
O sacrifício é temporário
Existe outro ponto importante que muitos concurseiros esquecem.
O sacrifício não dura para sempre.
A preparação é uma fase.
Ela tem começo, meio e fim.
O problema é que muita gente quer colher os frutos permanentes sem aceitar o esforço temporário.
Quer estabilidade sem estudo, aprovação sem revisão, nomeação sem abrir mão de nada, resultados extraordinários mantendo hábitos ordinários…
Infelizmente, não funciona assim.
Todo objetivo relevante cobra um preço.
A pergunta é: você está disposto a pagar?
O que você realmente quer?
Sempre que sentir desânimo, faça uma reflexão sincera.
O seu sonho continua do mesmo tamanho?
Se a resposta for sim, talvez seja hora de aumentar o sacrifício.
Talvez seja necessário reorganizar sua rotina, diminuir distrações, estudar com mais qualidade, e ser mais consistente.
Porque existe uma verdade que nenhum concurseiro consegue escapar:
A vida sempre cobra a conta dos nossos objetivos.
Quanto maior o sonho, maior tende a ser o investimento.
E não há problema algum nisso.
Afinal, quando você finalmente olhar para trás e perceber tudo o que conquistou, entenderá que cada renúncia fez sentido.
Então, diante do seu objetivo, faça a pergunta mais importante da sua preparação:
Você quer mesmo esse sonho?
Se quer, aumente o sacrifício.
Porque diminuir o sonho nunca será tão satisfatório quanto conquistá-lo.