Eu me amo? Dica de leitura
Décio Terror Filho

Eu me amo?

EU ME AMO? – DICA DE LEITURA

O texto abaixo foi retirado da prova para o cargo de vice-diretor de unidade educacional da Prefeitura de Valinhos – 2019, banca VUNESP.

Vamos começar respondendo às perguntas a seguir.

Você tem prestado atenção em si mesmo ultimamente? O que você tem feito ou faz por você?

Muitas vezes nos preocupamos mais com os outros do que com nós mesmos e acabamos deixando para depois o que nos faria bem. Mas até que ponto não estamos abrindo mão da nossa felicidade em prol do filho, do cônjuge, do amigo…? Não digo isso pensando no lado egoísta, mas sim no amor próprio.

Você se ama?

A crônica a seguir “É uma crônica para quem não se ama da forma como deveria se amar, se respeitar, se querer bem”.

Boa leitura!

Eu me amo?

Elma Eneida Bassan Mendes

Não sei se acontece com você. É pensar em começar uma dieta e pronto, já engordei um quilo. Ou então, quando me proponho a ser disciplinada com os horários dos remédios. No terceiro dia já esqueci a proposta. Aliás, nem me lembro de onde guardei os ditos–cujos. Vejo no espelho que a pele está sem viço. Decido usar creme no rosto antes de dormir. Passado um ano, encontro o pote ainda cheio e com prazo de validade vencido, no fundo da gaveta do banheiro. Não sei a sua, mas a minha memória, quando precisa trabalhar em minha própria causa, é preguiçosa, lenta, finge que não é com ela. Minha força de vontade, então, coitada, é uma comédia de mau gosto, boa em me deixar envergonhada, dá uma novela o que eu já passei com ela.

Por outro lado, nunca me esqueci dos horários dos remédios dos meus filhos. Nunca atrasei para cumprir um prazo da minha agenda profissional, e, menos ainda, deixei sem fazer qualquer uma das tarefas no trabalho ou em casa. Para as responsabilidades do ganha-pão e os compromissos com a família, não me permito errar. Sou pontual. Com todos menos comigo. É assim, comigo eu falho mesmo.

São exemplos bobos, mas refletem a fragilidade de nossos impulsos, sentimentos, decisões. Principalmente, mostram a falta de amor, carinho e afeto com nós próprios. E a vida vai passando e você vai se esquecendo disso, abandonando, pouco a pouco, a si mesma. Tudo e todos são importantes e merecem o seu tempo, a sua disposição, o seu sorriso. Menos você.

Tem dias, sinceramente, que não dou nem um sorriso para mim. Como posso? Eu que mereceria o meu primeiro sorriso pela manhã, não me permito abrir os lábios e me ofertar a visão alegre da minha bela dentadura. Olhar no espelho e ver meus olhinhos brilhando e espertos ao me encontrarem ali, inteira para mais um tempo de vida. Inadmissível. À noite, desmonto morta na cama. Meus pés pedem um carinho, um toque, massagem. Estou cansada demais para atendê-los. Bem a hora que seria deles, os heróis que me carregaram o dia todo, eu não tenho mais forças.

Vou dormir sem esse deleite, não me mexo em busca de algo tão simples, tão fácil. Esquecer-se da gente mesma é coisa que habitua. Empedra. Impregna no cotidiano. Coisa difícil de mudar. Mas é preciso lembrar que temos a permissão e o incentivo de Deus para esses rituais de agrado, aconchego, bem-estar e acolhida. Não é uma crônica para narcisos. Pelo contrário. É uma crônica para quem não se ama da forma como deveria se amar, se respeitar, se querer bem. Para quem se esqueceu… Então, se você não passou por nenhuma dessas situações em que eu me autodescrevi, parabéns! Caso contrário, hoje ainda, sente-se no sofá e esfregue seus pezinhos com um creme bem cheiroso. E não ligue para o que vão dizer. Apenas se ame.

(Elma E. Bassan Mendes. Eu me amo? Diário da Região, 23.02.2019. Adaptado.)

Chegamos ao fim do texto e quero deixar um desafio: chegue à frente de um espelho, olhe-se nos olhos e diga: eu sou foda!

Repita isso até você se convencer de que você é demais e faça isso todos os dias antes de sair de casa.

Procure tirar um tempo para você todos os dias, nem que seja para fazer absolutamente nada, ler um livro, fazer uma massagem, academia, um curso. O importante é que você faça qualquer coisa POR VOCÊ! Isso faz toda a diferença.

Ah! Para isso, não precisa se esquecer dos outros, apenas lembrar de você mesmo.

Não deixe de ler os artigos anteriores!

Um grande abraço!

Décio Terror

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Décio Terror Filho

Décio Terror Filho

Décio Terror Filho é formado em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora-MG. Professor concursado na área federal, com especialização na didática, no ensino a distância e na produção de texto. Atua no ensino da Língua Portuguesa para concurso público desde 2000. Tem vários artigos publicados em revistas direcionadas para concurso público, portais de ensino, além de seus dois livros: Resoluções de Provas de Português - banca ESAF  e Resoluções de Provas de Português + breve teoria - banca FCC, ambos lançados pela Editora Ímpetus.

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