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Escândalo Master reforça déficit de servidores na CVM

Com defasagem de 28% no quadro de pessoal na última década e sobrecarga de trabalho recorde, autarquia teve último concurso realizado em 2024

O recente colapso do Banco Master, que culminou em perdas estimadas em mais de R$ 50 bilhões, expôs de forma contundente a incapacidade estrutural e o grave déficit de servidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Durante audiência no Senado, em fevereiro de 2026, o presidente interino do órgão, João Carlos Uzeda Accioly, admitiu que a autarquia detectou movimentações atípicas da instituição financeira desde 2022, mas a falta de pessoal e o acúmulo de processos impediram uma atuação mais rápida.

Os dados sobre o esvaziamento do órgão são alarmantes. Na última década, segundo dados da própria CVM, o quadro de funcionários da CVM encolheu 28%, despencando de 555 servidores ativos em 2015 para apenas 398 no ano passado. Atualmente, o órgão acumula 121 cargos vagos

Em contrapartida, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, o mercado de capitais explodiu no mesmo período: o volume de recursos cresceu mais de 400% e o número de investidores pessoas físicas saltou mais de 1.000%. Hoje, uma equipe reduzida de apenas 371 inspetores e 107 auxiliares precisa dar conta de supervisionar um mercado gigantesco que movimenta até R$ 50,7 trilhões.

A situação chegou a um patamar classificado como “insustentável” pelo superintendente da autarquia, Daniel Valadão. A crise funcional gerou alertas até da Polícia Federal, cujo chefe de repressão a crimes financeiros apontou que a carência na fiscalização da CVM tem atraído facções criminosas para lavar dinheiro no mercado financeiro.

A autarquia amargou um longo hiato sem realizar concursos públicos entre os anos de 2010 e 2024. Agora, sob intensa pressão do Senado, do Tribunal de Contas da União (TCU) e da opinião pública após os desdobramentos do Caso Master, especialistas e o próprio mercado cobram uma ação do Executivo.

Para os candidatos, a crise institucional sinaliza que a aprovação de projetos de lei para recomposição do quadro e a possível autorização para um novo e robusto concurso da CVM devem entrar no radar de prioridades do governo a curto e médio prazo.

Como foi o último concurso CVM?

Realizado em 2024 e sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV), foram ofertadas 60 vagas para os cargos de Analista e Inspetor.

As carreiras exigem formação de nível superior de escolaridade, com salário inicial de R$ 20.924,80. No total, foram registradas 10.675 inscrições.

A seleção dos candidatos inscritos no último concurso CVM foi realizada mediante aplicação de duas etapas, sendo elas:

  • Prova Objetiva, de caráter eliminatório e classificatório; e
  • Prova Discursiva, de caráter eliminatório e classificatório.

Para mais informações do concurso CVM, bem como dos cargos vagos, acesse o link abaixo. Nós, do Estratégia Concursos, preparamos um artigo completo e exclusivo para você!

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