Economia CACD - Comentários sobre a prova
Amanda Aires

Economia CACD – Comentários sobre a prova

Olá meus queridos Estrategistas CACDistas,

Finalmente, a primeira fase foi concluída e eu espero que vocês tenham tido uma prova bem bacana. Passo aqui hoje para dar as minhas percepções sobre o certame que foi, pela primeira vez, elaborado pelo IADES.

De forma geral, achei que a prova de economia foi mais difícil do que as provas anteriores. Achei que o conteúdo foi mais denso e que as questões pediam muito mais atenção dos alunos. Além disso, muito do conteúdo ficou focado em economia brasileira, que foi fortemente ajustada nesse último edital. Tudo isso acabou gerando muita insegurança dos alunos, o que não ajuda nessa hora. Finalmente, achei estranho eles não terem colocado já nessa primeira fase algum conteúdo ligado a bancos na era digital (apesar de ter falado sobre o sistema bancário na última questão da prova tipo A. Isso me leva a crer que eles deverão pedir esse conteúdo agora na segunda fase. Então, fica a dica de estudar bastante esse conteúdo que está ligado às criptomoedas – tópico de política internacional.

Mas vamos aos comentários específicos e onde eu acho que cabe recurso. Com base na prova tipo A, acredito que a questão 66.2 cabe recurso. Segue seu enunciado destacado em azul:

Note que essa alternativa, dada pela banca como correta, não é verdadeira, já que, apesar de falar que uma alteração na taxa de poupança resulta em uma alteração temporária no crescimento da economia – o que é verdadeiro – diz que a função de produção apresenta retornos decrescentes de escala no capital. Veja que quando nós falamos em retornos de escala, estamos falando, necessariamente, na variação conjunta de todos os fatores de produção, não apenas de um. Nesse último caso, seria uma análise do Produto Marginal do Capital que – sim – é decrescente. Logo, por misturar conceitos de curto e longo prazo, essa questão deveria ser considerada errada, não correta, como apontado pelo banca.

Um outro ponto que merece destaque, ainda na questão 66 diz respeito ao item 3 que afirma que quando a economia se encontra em crescimento balanceado. Bem, apesar de não estar de todo incorreta, quando falamos em termos de variação do capital per capita nula, estamos falando de crescimento no estado estacionário, não balanceado. Aqui, por conta de uma indeterminação de termos, eu colocaria também um recurso, já que toda literatura usa a mesma definição – inclusive o artigo seminal do Robert Solow.

Outros pontos de discordância do gabarito são apontados na questão 68 da prova tipo A:

Minha primeira consideração seria sobre o ponto 2. Note que a questão afirma que “será a taxa de equilíbrio quando se verificar a condição de paridade de juros, ou seja, quando a taxa de juros doméstica for igual à taxa de juros estrangeira”. Ora, isso não é verdadeiro por completo. Veja que se houver existência de níveis de risco diferentes, há paridade de juros mesmo que as taxas não sejam exatamente iguais, já que os níveis de risco não o são. Assim, apesar da banca ter dito que essa questão é correta, claramente ela não está certa e merece recurso. Para ser verdadeira, aponto, ela deveria apontar que isso é válido em um ambiente ausente de riscos.

Finalmente, ainda nesse item, cabe recurso no ponto 4 que afirma que “os instrumentos de politica monetária do Banco Central não são eficazes para aumentar a oferta de moeda ou o produto da economia“. No que diz respeito ao produto, de fato, a política monetária é plenamente ineficaz quando a economia se encontra sob o regime de câmbio fixo, contudo, eu não posso dizer que o governo não consegue aumentar a oferta de moeda através dos seus instrumentos. Para ver a validade da minha informação, basta pensar no caso de uma política fiscal expansionista em um ambiente de câmbio fixo. Como uma expansão dos gastos ou uma redução dos tributos induz um aumento da taxa de juros, o governo precisará ampliar a oferta de moeda – via instrumentos de política monetária – para que os juros voltem ao patamar inicial e para que, assim, não haja uma pressão no câmbio. É importante que você note que a questão fala sobre os instrumentos de política monetária, não sobre a política monetária em si!

Para quem fez uma boa prova e segue para a segunda fase, teremos aqui no Estratégia um curso de Economia para o CACD – Tópicos quentes! Se liguem na nossa programação.

Para os que ainda não lograram êxito, não desanimem, tem coisa boa vindo por aí! Estamos focados na aprovação de vocês.

E para quem não me segue ainda, estou no @professoraamandaaires lá no Instagram. Segue lá!

Beijo grande, Amanda

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Amanda Aires

Amanda Aires

Economista pela Universidade Federal de Pernambuco com extensão universitária na Universität Zürich, na Suiça. Mestra em Economia também pela UFPE com dissertação premiada no III Prêmio de Economia Bancária pela Federação Brasileira de Bancos. Doutora em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco com extensão na Université Laval, Canadá. Professora de Economia e Finanças Titular no Programa de Mestrado Profissional em Gestão Empresarial no Centro Universitário UniFBV Wyden. Coordenadora de Modelagem Econômico-Financeira no Governo do Estado de Pernambuco e autora dos livros Economia Brasileira para Concursos e Economia para concursos - 1000 exercícios para concursos. TEDx Speaker e Comentarista de Economia da rádio CBN/Recife

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