Aprovado em 31º lugar na SEFAZ CE no cargo de Auditor Fiscal
“Acho que é muito importante entender o porquê de você estar estudando para concursos. Acordar cedo, estudar muito, ter menos prazeres do que estava acostumado são coisas muito difíceis. Ter valores e princípios fortes ajudam muito na caminhada.”
Confira nossa entrevista com Pedro Goes, aprovado em 31º lugar na SEFAZ CE no cargo de Auditor Fiscal:
Estratégia Concursos: De onde você é? Qual é sua idade? E sua formação?
Pedro Goes: Sou de Maceió/AL. Tenho 26 anos. Sou formado em Engenharia Civil pela UFAL.
Estratégia: Você chegou a trabalhar na sua profissão? O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Pedro: Não cheguei a trabalhar. Eu entrei para engenharia civil sabendo que, muito provavelmente, não iria trabalhar na área. Decidi cursar, pois sabia que o curso tinha um nível de exigência que poderia me ajudar nas minhas escolhas profissionais. Vários fatores me levaram a tomar a decisão de começar a estudar para concursos, desde exemplos dentro da família, até a vontade de contribuir com um serviço público que tenha impacto na sociedade. Na minha família tenho alguns tios que trabalham/trabalhavam no legislativo federal, no TCU e na CGU, e meu irmão trabalha no ministério da economia. Então eu via muito esses exemplos, principalmente do meu irmão, que tinha uma influência mais direta. Outros aspectos que levei em consideração, foi meu grande interesse em economia e tributação, pois desde novo costumo ler muito sobre isso. Por fim, tenho uma vontade muito grande de ajudar a impactar os locais em que estou trabalhando e entendi muito claramente que trabalhar em um órgão importante no governo seria um passo importante para isso.
Estratégia: Como foi a escolha pela área fiscal? O que pesou mais para você quando teve que definir esse foco de estudo?
Pedro: Na verdade, meu primeiro contato com concursos foi estudando para área de controle. Meu primeiro concurso foi SEFAZ BA para área de finanças. Eu tive um pouco de sorte nesse aspecto, porque esse concurso facilitou demais a minha caminhada, uma vez que tive que aprender AFO, contabilidade pública e economia, que são matérias bem complicadas. Desse modo, eu nunca tive restrição para fazer concursos que fossem de controle, fiscal ou mesclados, como foi o caso de Ceará. A minha escolha nessas duas áreas (controle e fiscal) foi devido ao fato de serem áreas que dão boas condições de construir algo relevante com meu trabalho.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Pedro: Eu estudo há 3 anos. Metade desse tempo tive que conciliar com a universidade e com a empresa júnior. Comecei a estudar no fim do 7º período e tive que me dedicar bastante para conciliar as duas atividades. Minha prova da SEFAZ-AL caiu quase que praticamente na mesma época que tinha que entregar o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Foi bem corrida essa época, eu acordava 5 da manhã para estudar, ia para a UFAL, e depois estudava novamente até o final do dia. Acredito que essa fase me preparou bastante para que eu aprendesse alguns valores importantes como a resiliência. Depois que me formei, minha rotina de estudo ficou muito mais leve e fácil de levar, porque meu corpo estava acostumado com uma rotina mais pesada.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Pedro: Eu nunca fui aprovado. Eu sempre bati na trave, na verdade. Os dois concursos que ainda fiquei dentro das vagas na prova objetiva foram SEFAZ AL e TCDF. Mas tive muita dificuldade nas provas discursivas e acabei ficando fora. TCDF foi um caso inclusive um pouco trágico, pois tinha ficado entre as 6 melhores notas na objetiva, o que me
deixava dentro das vagas, mas acabei não conseguindo tirar a nota mínima em um dos quesitos da discursiva (acabei ficando de fora por 6 décimos em uma prova que valia 50 pontos).
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Pedro: Praticamente sempre estudei com edital na praça. A única época que fiquei sem estudar com edital foi entre março e setembro de 2020 (ano da pandemia). Foi bem complicado manter a disciplina, mas eu tentava manter uma meta de horas na semana para tentar ter algum controle. Claro que minhas horas de estudo foram drasticamente
reduzidas, porém me mantinha sempre estudando alguma coisa, porque sabia que se eu parasse seria muito difícil voltar à rotina.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Pedro: Desde sempre ouvia falar que era o melhor curso preparatório. Não foi uma escolha difícil. A primeira coisa que fiz quando decidi estudar foi procurar o material de vocês.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? O que funcionava melhor para você? Videoaulas, PDFs, livros?
Pedro: Sempre estudei por PDF os assuntos que ainda não tinha conhecimento. Na verdade, descobri que tinha capacidade de aprender quando comecei a usar PDF para estudar. Antes eu achava bem chato estudar porque não me acostumava com alguém me explicando os assuntos. Com isso, durante toda minha preparação praticamente não assisti videoaulas, exceto casos excepcionais.
Estratégia: Quantas horas por dia costumava estudar?
Pedro: Quando eu estava na UFAL, por incrível que pareça, estudava mais do que estudei no último ano. Eu fazia cerca de 60-65 horas semanais em uma semana boa. Nesse último ano, praticamente não passei de 40 horas líquidas, geralmente ficando em 35. Acho que fui aprendendo a ser mais eficiente nos estudos. Naquela época, eu
vivia muito mais cansado, sentia muita ansiedade, cheguei até a ter um “burnout” perto da prova da SEFAZ-AL. Isso me atrapalhava muito. Hoje levo os estudos com muito mais prazer, porque consigo conciliar com outras áreas da minha vida.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Pedro: Como escolhi encarar os meus primeiros concursos de forma que tivesse chance de passar, acabei me forçando a estudar todos os assuntos ao mesmo tempo. Com isso, aprendi a estudar uma grande quantidade de assuntos em um período curto de tempo, meio que na “marra” mesmo. Então, no meu primeiro concurso, estudei
todas as matérias do pós-edital. Como tinha pouco tempo de estudo, minha meta era passar por todos os PDFs do Estratégia daquele concurso, fazendo as questões que tinham no final. Para isso, fazia uns mapas mentais das principais matérias e tentava passar por eles todas as semanas para conseguir internalizar os assuntos. Eu acho que essa estratégia foi muito eficiente na época, acabei ficando entre os 50 ou 60 primeiros em um concurso de alto nível como foi aquele e com cerca de 5 meses de estudo. Com o tempo, fui adaptando meus estudos. Eu sempre fui mudando detalhes no meus planos para conseguir fazer minha cabeça pensar mais. Acredito que hoje eu consigo ter um método de estudos que ajuda demais a estudar a grande quantidade de matérias e assuntos. Eu divido o pós-edital em vários cadernos e faço baterias de 30 minutos em cada um deles. Então eu consigo passar por todas as matérias em apenas uma semana, o que ajuda demais a revisar os pontos. Além disso, vou criando arquivos WORD para cada tópico de cada matéria, o que ajuda demais a revisar algum ponto específico que fico em dúvida quando entro em uma bateria de questões. Por fim, eu sempre foquei mais nas questões. Eu sempre passei uma leitura rápida nos PDFs e consolidava nas questões. No início, como falei, eu fiz os mapas mentais, o que me ajudou muito a esquematizar as matérias na minha cabeça. Depois, senti que ficou um pouco ultrapassado e parti para o método que disse anteriormente.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Pedro: Eu namoro. Moro com minha mãe. Minha família me apoiou demais. Eles me ajudaram bastante, desde de dicas de como começar a estudar, como escolher uma área, até suporte emocional e financeiro. Em relação aos estudos, mesmo tendo algumas dificuldades financeiras em alguns momentos, minha família sempre fez questão
de me dar o melhor. Por isso, nesse aspecto, fui bastante privilegiado.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Pedro: Na época que tive que conciliar com a UFAL, realmente abdiquei de todo o lado social, foi uma época bem difícil. Hoje em dia, tento restringir um pouco, mas nada radical.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior? (Se esse ainda não é o concurso dos seus sonhos, se possível, citar qual é e se pretende continuar se preparando para alcançar esse objetivo).
Pedro: Acho que cada caso é um caso. Se a questão financeira não for um problema, acho que vale a pena demais focar em concursos de áreas correlatas, como controle e fiscal, uma vez que sua cabeça vai ser estimulada. Caso a questão financeira for um ponto muito importante, acho muito interessante focar em concursos que estão com mais oportunidades (área policial, por exemplo), e depois, que tiver um pouco mais de estabilidade, focar no concurso dos sonhos. No meu caso, sempre tive muita vontade de trabalhar na esfera federal, TCU ou Legislativo. Não considero um “objetivo maior”, mas encaixa bem nessa questão de tentar concursos correlatos para depois ir para um “objetivo final”. Acredito que, por eu ter tido várias experiências em concursos estaduais, posso chegar mais bem preparado para esses concursos “finais”.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Pedro: Para SEFAZ CE, só 4 meses. Vinha de uma derrota importante no TCDF e acabei estudando só quando o resultado de lá saiu.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados?
Pedro: Fiquei muito feliz, porque o que me ajudou bastante foi minha prova discursiva, algo que vinha sempre tendo muita dificuldade. Os bons resultados que venho tendo chegam com um pouco de sensação de felicidade, mas de apreensão também por conta de experiências ruins que tive nos concursos que achava que iria passar (Sefaz AL e TCDF) e que acabei ficando de fora. A classificação final ainda não foi definida, mas tenho boas expectativas.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Pedro: Eu vinha fazendo uma preparação muito consistente, então na semana que antecedeu a prova tentei apenas ler meus resumos no WORD e refazer algumas questões que tinha deixado como favoritas. Na véspera de prova, eu descanso ou, no máximo, dou uma lida na legislação.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Pedro: Eu vinha de duas experiências ruins com provas discursivas (SEFAZ AL eu saí das vagas e TCDF fui eliminado). Por isso, tive que focar bastante nessa parte para melhorar. Essa discursiva da SEFAZ CE foi bem desafiadora, porque foi bem diferente do que se cobra em concursos de fiscos, mas minha experiência com o TCDF me ajudou bastante, pois tinha uma estrutura de prova bem parecida. Em termos de preparação no dia a dia, fazia de 1 até 3 questões por semana. Fiz uns 2 simulados também dessa parte. Acabei conseguindo tirar 8.99 de 10, acho que foi muita coisa para mim que tinha muita dificuldade.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Pedro: Desde o começo da minha preparação, meu principal erro foi acreditar que passar em 6 meses ou 1 ano era algo muito possível. Eu me dediquei demais para conseguir isso e foi um momento em que tive muitas dificuldades. Tudo tem seu tempo, concursos como esses de controle e fiscal exigem muito mais do que somente estudo. Então, meu principal erro foi querer colocar o carro na frente dos bois. Em relação aos acertos, acho que me manter firme e constante na caminhada, apesar de sempre ter um ar de pessimismo nesse meio de concursos (“não vai ter concurso”, “reforma administrativa”, “é muito difícil …”). Além disso, acho que acertei bastante em ter encarado vários concursos com nível de dificuldade altíssimo (TCDF, SEFAZ CE, SEFAZ ES). Isso ajudou demais a ter mais resiliência.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Pedro: O que foi mais difícil foi olhar para frente e ver o quão difícil era o caminho. A minha ficha caiu depois da prova da SEFAZ AL, que eu tinha estudado demais e não tinha conseguido. Eu nunca tive um pensamento firme em desistir, mas às vezes minha vontade era de largar tudo por um tempo porque estava muito exausto psicologicamente. Pensei em alguns momentos em tentar a iniciativa privada, porque acho que também conseguiria desempenhar bem, mas nada muito firme. O que fazia para seguir em frente era ter muito claro na minha cabeça quais são meus valores e princípios. Todas as vezes que sentia fraqueza na caminhada, lembrava que tudo tem um porquê.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Pedro: Eu sempre gostei demais de desenvolvimento pessoal e sempre achei massa a ideia de poder impactar o maior número de pessoas. Então enxerguei o concurso público como algo que poderia me proporcionar isso, com diversos conhecimentos que poderia adquirir na caminhada e durante o trabalho.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Pedro: Acho que é muito importante entender o porquê de você estar estudando para concursos. Acordar cedo, estudar muito, ter menos prazeres do que estava acostumado são coisas muito difíceis. Ter valores e princípios fortes ajudam muito na caminhada. Força na caminhada e vamos que vamos.
