Aprovado em 2° lugar no concurso ITEP RN (Prova objetiva - concurso em andamento)
“Parafraseando um certo maluco poeta, só é capaz de sacudir o mundo, no fim das contas, quem jamais diz que a canção está perdida”
Confira nossa entrevista com Matheus Veríssimo Rodrigues – Aprovado em 2° lugar no concurso ITEP RN (Prova objetiva – concurso em andamento):
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Matheus Veríssimo Rodrigues: Olá! Sou natural de Natal, Rio Grande do Norte. Tenho 26 anos e sou formado em Engenharia Química pela UFRN.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos? Por que a área Policial/Segurança Pública?
Matheus: O norte da minha carreira sempre foi a busca por estabilidade. Hoje em dia, mais do que nunca, saber que há uma fonte segura de renda como suporte para meus planos torna os concursos públicos ainda mais atraentes. A área policial e, especificamente, a perícia criminal se mostraram portas viáveis para atingir este objetivo. Por isso, resolvi me dedicar nestes campos.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Matheus: Durante os estudos (e até o momento), trabalho 8 horas diárias, de segunda a sexta. Utilizava quase todas as brechas do meu dia para estudar: noites, intervalos de almoço, finais de semana e feriados.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Matheus: Até o momento, fui aprovado em um concurso, onde trabalho atualmente, no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região, como assistente administrativo. Havia apenas uma vaga e eu fui o segundo colocado. No entanto, quase dois anos após a prova, fui convocado para ocupar um posto no órgão. No concurso ITEP RN, que ainda está em andamento, fui aprovado em segundo lugar na prova objetiva.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados na primeira fase do certame?
Matheus: Foi gratificante! Tenho profundo respeito pelo ITEP e pelas pessoas com quem concorro. Após a prova, afirmei diversas vezes aos meus familiares o quão alto é o nível das pessoas com quem estou disputando. Tinha boas expectativas após ver o gabarito preliminar, mas ter a certeza de que estava entre os mais bem posicionados trouxe certo alívio. Há outras fases ainda, no entanto. Muita coisa pode acontecer, então é essencial manter os pés no chão. Nós que concorremos a estas vagas já fizemos aquilo que podíamos.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Matheus: Estamos vivendo em um contexto, na geração em que nasci e em muitas outras, sem precedentes. A pandemia, por si só, já impôs uma carga de sacrifícios, então, por prezar pela minha segurança e de meus familiares, abdicar de saídas com amigos, visitas a parentes e atitudes similares me foi natural; coube-me trocar as distrações caseiras por uma rotina de estudos.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Matheus: Tenho noiva e vivo com minha mãe (meu pai já é falecido). Elas duas são a família nuclear que tenho e, abaixo apenas de Deus, meu alicerce e minha fonte de amor nesta vida, seja na questão dos concursos, seja em qualquer outro aspecto dos meus projetos. Delas recebi muita paciência, tempo para ouvir meus medos, além de alimentos para meu corpo e mente, nas horas mais difíceis. Peço a Deus que possa dar a elas tudo que me ofertam com tanto carinho.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Matheus: Não apenas acredito que valha a pena, como é o exato motivo de ser hoje um funcionário público concursado. Os concursos dos sonhos, sem dúvida, devem ser os maiores objetivos de quem almeja uma carreira estável, mas editais que se enquadrem no seu desejo podem não necessariamente ser tão frequentes. Prestar diferentes concursos pode ser uma maneira de se manter afiado, avaliar de forma periódica seu desempenho frente a outros concorrentes. No entanto, creio que, no momento em que o seu concurso tão desejado está à vista, melhor deixar os demais de lado.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Matheus: Aproximadamente cinco meses, desde o momento em que as notícias de um edital começaram a se tornar concretas.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Matheus: Sim, creio que por quase dois meses. Para minha sorte, o último concurso do ITEP, no qual também participei, havia ocorrido apenas três anos antes, pela mesma banca. Apostei na semelhança entre os conteúdos e, na maior parte, foi o que ocorreu. Mas é inegável que os estudos foram mais bem direcionados após a divulgação do edital.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Matheus: Tenho dificuldade para acompanhar videoaulas, então prefiro apostilas impressas ou em PDF e também criar, de forma manuscrita, meus próprios resumos e mapas mentais. Complementei meus estudos nas áreas não específicas do edital com aulas presenciais, quando necessário, em um curso local. Na reta final, porém, meu foco foi em resolução de questões.
Falar de vantagens e desvantagens de cada método é subjetivo. Para mim, antes de resolver exercícios, é preciso ter conhecimento da teoria, porque o resultado da resolução fornece um feedback importante nas falhas que se possa ter no entendimento daquilo previamente estudado. Por sua vez, focar em conteúdo bruto às vésperas da prova não me parece proveitoso. Há que se colocar a teoria em prática, por assim dizer.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Matheus: Por meio de uma amiga do trabalho, que já havia utilizado um material do Estratégia anteriormente. Adquiri o material de conhecimentos específicos do professor de química Diego Souza, a quem até então não conhecia, mas me foi uma ajuda valiosa.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Matheus: O concurso do ITEP para perito criminal em área específica possui uma particularidade em relação à distribuição dos conteúdos: 60% da prova é um conteúdo só (o mesmo das discursivas). Por isso, foquei em química na maior parte do tempo e trabalhei nas demais matérias de forma alternada, para não me sobrecarregar em meio aos átomos e moléculas. Estudei, em geral, duas matérias ao mesmo tempo: química e mais outra. Após finalizar toda a teoria de cada disciplina, iniciei uma bateria de resumos e resolução de questões. Com os gabaritos, avaliava quais conteúdos requeriam releitura da teoria e reforço dos exercícios, até atingir um patamar com que pudesse me satisfazer. Em suma, meu estudo consistiu em uma leitura teórica e duas revisões com resumos, questões e releituras.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Matheus: A maior dificuldade foi relembrar os conteúdos que há um bom tempo não mais exercitava. Nos dois anos como assistente administrativo, o próprio manejo de estudo para concursos ficou enferrujado. Interpretei que precisava iniciar do zero; ler cada conteúdo, por mais que ainda me recordasse, como se fosse a primeira vez.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Matheus: Na semana que antecedeu a prova, pedi férias do meu trabalho e usei dos primeiros dias para acertar os últimos ponteiros. Três dias antes do concurso, porém, abandonei por completo os livros. Eu estava cansado; meses de estudo sem intervalo, acordando às 7 horas para trabalhar e dormindo às 2h, 3h da madrugada após estudar foram demais para mim. Optei por repouso absoluto e tempo com as pessoas que amo.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Matheus: Como as questões discursivas do ITEP se baseiam no conteúdo programático das objetivas específicas, o estudo da teoria foi simultâneo. Foi preciso, no entanto, separar um momento para responder exercícios do gênero. O professor Diego Souza forneceu auxílio particular para o estudo de caso e demais questões na forma de um material, o qual adquiri e utilizei. Assim como os exercícios de múltipla escolha, é necessário repetição, mas também saber distribuir o tempo de dedicação com a prova objetiva, a qual tem um fator de eliminação massivo. Ainda desconheço o resultado da segunda fase, mas fiz o que pude. Tenho confiança de que os aprovados serão todos merecedores dos cargos.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Matheus: Se errei, digo que poderia ter começado a estudar antes, ao saber da formação da comissão do concurso. Imagino que teria sido uma experiência menos excruciante se pudesse ter distribuído melhor a carga do conteúdo e certamente não teria usado tantas madrugadas em claro. Não creio que posso falar em acertos, pois ainda faltam muitas etapas do certame. Digo, contudo, que fiz bem em não ter desistido após a tentativa de entrar no ITEP em 2018 ter sido infrutífera. Pode ser que não dê certo novamente, mas, mais que qualquer resultado, saber que fui capaz de me reerguer frente aos desafios me ajudará a continuar tentando.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Matheus: A desistência sempre permeou minha cabeça. A comodidade de já ser um funcionário público concursado, somada à frustração de chegar perto da aprovação na prova anterior do ITEP, mas não a conseguir; questionei-me várias vezes se valia a pena sacrificar minha mente e meu corpo numa tentativa que poderia (e ainda pode) dar errado novamente. Eu tenho certeza de que, caso esta não seja ainda a minha vez, devo continuar tentando, pois eu tenho minha motivação.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Matheus: As duas mulheres da minha vida, hoje e sempre.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Matheus: O lugar onde cheguei é transitório; é possível que seja apenas mais uma etapa em uma longa tentativa de conseguir o emprego que almejo. Por isso, recomendo a quem está começando, a quem já está nessa estrada há muito tempo e até a mim mesmo: dedique de si tudo aquilo que lhe permita, no futuro, não ter nenhum arrependimento, independente do resultado. Para mim, este é o fator decisivo para não desistir dos seus sonhos, pois, parafraseando um certo maluco poeta, só é capaz de sacudir o mundo, no fim das contas, quem jamais diz que a canção está perdida.