
“[…] Vale a pena. O estudo recompensa. O fato é que, inevitavelmente, aqueles que persistem e estudam da maneira correta alcançam esse objetivo.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com FELIPE MARQUES GONÇALVES, aprovado no Concurso TJ-RJ para o cargo de ANALISTA:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conheê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Felipe Marques Gonçalves: Meu nome é Felipe Marques Gonçalves, tenho 28 anos e minha cidade natal é Nova Iguaçu/RJ; contudo, atualmente resido em Cabo Frio/RJ. Possuo formação acadêmica em Direito pela Universidade Estácio de Sá, tendo concluído o curso em dezembro de 2024.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Felipe: Minha decisão de iniciar a trajetória nos concursos públicos foi fortemente influenciada pelo exemplo e incentivo constante do meu pai, que é Analista Judiciário do TJ-RJ há mais de 33 anos. Após concluir o ensino médio, enfrentei muita dificuldade para escolher qual carreira seguir. Cheguei a cursar metade da graduação em Nutrição, até perceber, em 2018, que aquele não era o caminho que eu queria.
No fundo, sempre soube que o Direito corria pelas minhas veias e, aliado a isso, a tão desejada estabilidade acabou sendo determinante para que eu mudasse completamente de rumo. Em 2019, fiz minha primeira prova de concurso, para o cargo de técnico da DPERJ, e, após um bom desempenho, percebi que era com isso que realmente me identificava. A partir daí, iniciei a graduação em Direito e, paralelamente, continuei prestando outros concursos.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Felipe: Na maior parte da minha trajetória, fiz estágios remunerados, bem como a residência jurídica, na qual, inclusive, estou no momento. Nesse ponto, tive muita facilidade em administrar o meu tempo, pois a carga horária de estágios e residências é consideravelmente menor do que a de um trabalho comum.
Um adendo relevante é que sempre morei com meus pais e não tive a pressão de administrar uma casa. De fato, nas minhas condições, foi muito mais simples conciliar tudo, pois tive todas as condições favoráveis; bastava direcionar todo o meu esforço e disciplina ao meu objetivo: “a tão sonhada aprovação”.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Felipe: Sendo bem sincero, quanto ao termo “aprovação”, é sempre bom fazermos uma distinção. Conheço muitas pessoas que se vangloriam de aprovações inócuas, que sequer teriam chances de uma possível nomeação. Nesse sentido, considero que a minha aprovação de fato é essa para o cargo de analista do TJ-RJ.
Em relação a continuar estudando, acredito que estudar é uma prática contínua que deve ser mantida; contudo, estudar para concursos especificamente tem um prazo. Devemos sempre ponderar se realmente vale a pena renunciar mais tempo de vida em prol de aprovações maiores. No meu caso, ainda não estou 100% convicto, mas 99% do meu subconsciente me diz que é a hora de parar.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Felipe: Vida social e concursos públicos são termos praticamente antônimos. No meu caso, precisei ser firme e dizer “não” para muitas pessoas. Em épocas de edital aberto, eu era ainda mais radical.
A verdade é que sua família e seus amigos não vão entender quando você disser que não pode ir a determinado evento porque precisa estudar cedo ou acordar cedo no dia seguinte, e, sinceramente, eles não precisam entender. Nós, concurseiros, é que devemos aprender a lidar com essa incompreensão alheia. Particularmente, não conheço nenhum aprovado que tenha vivido normalmente a sua vida, com saídas frequentes e presença em todos os eventos da família. Se você estuda para concursos e não faz um mínimo de renúncias, tenho más notícias para você.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Felipe: Minha família foi essencial nessa trajetória. Sempre contei com o apoio de todos. Como citei inicialmente, meu pai foi meu mentor e incentivador em todos os aspectos; ele me ajudou de todas as formas possíveis.
Lembro, inclusive, do início dos meus estudos, quando ele comprou um quadro branco e o colocou no escritório para me dar aula em casa. Posso dizer que tive o privilégio de ter um pai, professor e mentor nesse processo.
Minha mãe me deu todo aquele suporte que ninguém vê: me poupou dos problemas do dia a dia e facilitou a minha rotina com cada “lanchinho” trazido à minha mesa, que foi um combustível a mais enquanto eu me debruçava nos estudos.
Minha namorada foi igualmente imprescindível, pois, além de todo apoio e confiança em mim, soube lidar com o maior desafio de um relacionamento com um concurseiro: “a ausência”. Foram tempos difíceis, mas agora podemos dizer que valeu a pena.
Faço também uma menção honrosa às minhas queridas irmãs, que me apoiaram e deram palavras de conforto nos momentos difíceis.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Felipe: O TJ-RJ sempre foi o órgão que eu almejava. Por isso, passei a direcionar totalmente os meus estudos quando iniciaram as especulações sobre esse concurso. Em meados de agosto de 2025, iniciei os estudos voltados a essa prova. Acredito que tenham sido aproximadamente 6 (seis) meses focado apenas nela.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Felipe: Meus estudos basicamente foram através dos PDFs do Estratégia, leitura de lei seca e resolução de questões. No início da minha trajetória, assistia aulas em vídeo apenas para compreender melhor os temas, já que tudo era novidade.
Imprimi os PDFs e fiz as minhas próprias anotações dentro desse material. Com isso, passei a tener um material com meus próprios resumos, o que me facilitou nas revisões.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Felipe: Conheci o Estratégia através de anúncios na internet e por indicações de pessoas próximas.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Felipe: Inicialmente, estudei por alguns meses através de outro curso, mas percebi rapidamente que não teria a estrutura e preparação necessárias. Os materiais replicavam demais a letra da lei, sem o aprofundamento necessário. Em relação às videoaulas, alguns professores eram bons, outros nem tanto.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Felipe: Fiz meu primeiro concurso enquanto estudava por outro curso. Fiz uma boa prova, mas percebi nitidamente que faltaram muitas informações na preparação. Faltaram alguns conceitos básicos que eu teria aprendido com um material melhor. Por isso, decidi investir em algo mais completo.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Felipe: Montei uma grade com uma tabela muito simples no Word. Tinha como meta estudar todos os dias, sem exceção. Definia apenas as matérias do dia, geralmente uma, no máximo duas. Quando estudava duas, priorizava matérias que se complementavam, como Direito Penal e Processo Penal.
Minha carga horária variava conforme o contexto. Sem edital, estudava apenas pela manhã, cerca de 3h líquidas, no máximo 4h. Em épocas de edital aberto, estudava de manhã e à noite, chegando entre 5h e 6h líquidas por dia.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Felipe: Eu montei uma grade com uma tabela muito simples no Word. Tinha como meta estudar todos os dias, sem exceção. Eu apenas definia as matérias que estudaria no dia, geralmente uma, no máximo duas. Caso fosse estudar duas matérias no mesmo dia, priorizava por conciliar matérias que se complementavam, como por exemplo: Direito Penal e Processo Penal. Minha carga horária de estudos variava de acordo com o contexto. Quando eu não estava em preparação para uma prova com edital publicado, acabava estudando com menos intensidade, apenas no período da manhã, cerca de 3h líquidas no máximo 4h. Em épocas de edital aberto a história era diferente, estudava de manhã e à noite, atingindo entre 6h ou até 7h líquidas de estudo por dia.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Felipe: Minhas revisões eram feitas exclusivamente por meio da resolução de questões, pois é o momento em que de fato colocamos a teoria em prática. No meu estudo diário, já fazia a resolução de questões, mas, no período mais próximo das provas, focava 100% nelas.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Felipe: A resolução de questões é o momento crucial da nossa preparação, pois é quando temos a oportunidade de ajustar os pontos fracos. Acredito que a resolução de questões sirva muito mais para corrigir as fraquezas do que para fortalecer o que já sabemos. Em relação ao número de questões que já fiz na minha trajetória, não faço a menor ideia, mas com certeza me assustaria se soubesse.
Estratégia: Quais las disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Felipe: Minha principal dificuldade é a disciplina de português, especialmente o português da FGV, que pode ser quase considerado uma nova modalidade de português. Brincadeiras à parte, superei essa dificuldade assistindo a vídeos de reta final dos professores do Estratégia, para entender a abordagem peculiar da banca, e, concomitantemente, resolvendo questões.
Não investi muito no estudo teórico dessa disciplina, pois ela é muito peculiar. No meu caso, obtive êxito dessa forma, mas não espero que isso sirva como conselho.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Felipe: A reta final da prova é o ponto central da preparação. Digo com muita segurança que conquistei a minha aprovação nas duas semanas que antecederam a prova. Concentrei todos os meus esforços na resolução de questões, fazendo de 100 a 130 questões por dia nas semanas finais.
Um ponto que merece destaque é a Revisão de Véspera realizada pelo Estratégia. Tenho o hábito de assisti-las pelo YouTube antes de todas as minhas provas. Gostaria de deixar uma mensagem para cada professor que ministrou aquela aula no dia 28/01/2026: vocês fazem parte dessa conquista, e expresso publicamente a minha gratidão pelo empenho de vocês, não só pela transmissão do conhecimento, mas também pelas palavras de incentivo durante aquela live.
A véspera da prova é um dia extremamente desgastante, mas cada palavra de apoio foi como um combustível a mais para suportar todo aquele cansaço. Espero que vocês continuem ajudando a conduzir muitas pessoas nesse sonho da aprovação. Obrigado.
Além disso, contei com grande compreensão das pessoas do meu trabalho na semana final, notadamente do meu supervisor, Alan, e da magistrada Juliana, pessoas essenciais nesse trecho final.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Felipe: No meu caso, não fiz uma preparação específica para a prova discursiva. Acredito que a minha rotina de trabalho tenha contribuído significativamente nessa parte, pois atualmente sou residente jurídico do TJ-RJ e atuo junto ao gabinete da 1ª Vara Cível de Cabo Frio.
Diariamente faço minutas de sentenças, fato que certamente me auxiliou no desenvolvimento da escrita necessária para uma prova discursiva. Além disso, contei com uma baita “conspiração” a meu favor, pois o assunto da minha questão discursiva (desconsideração da personalidade jurídica) era tema recorrente no meu local de trabalho, sendo, inclusive, motivo de piada do meu nobre colega Sergio Guerra, que dizia que, de tanto falarmos sobre isso, esse seria o tema da prova.
Quanto ao conselho, não me considero a pessoa com os atributos necessários para isso, pois não tive uma preparação específica. Todavia, não custa dizer o óbvio: seja sucinto e técnico. Evite usar terminologias rebuscadas que só servem para mostrar que você conhece sinônimos.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Felipe: Acho importante pontuar que essa é uma trajetória em que naturalmente vamos errar até acertar, mas eu destacaria um erro específico: ter investido muito tempo de estudo em cargos de áreas sem qualquer similitude. Fiz provas para Polícia Civil, agente administrativo de prefeitura, defensorias, entre outras.
São áreas que não têm absolutamente nada em comum e que me tomaram um tempo de estudo desnecessário. Na minha visão, esse foi o meu principal erro, que certamente postergou a minha aprovação. É importante escolher um nicho e focar apenas nele.
Quanto aos acertos, destacaria apenas um: não ter desistido.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Felipe: Que atire a primeira pedra o concurseiro que nunca pensou em desistir. Obviamente, isso já passou pela cabeça de todos, principalmente após aquelas frustrações pós-prova. Muitas foram as vezes em que saí de provas com a sensação de ter sido atropelado pela banca. Parecia algo inimaginável de alcançar, mas, pelo visto, não é.
Minha motivação sempre esteve em imaginar os frutos que o concurso público poderia me proporcionar: estabilidade financeira, dignidade e qualidade de vida. O fato é que, inevitavelmente, aqueles que persistem e estudam da maneira correta alcançam esse objetivo. Sempre ouvi aquela analogia de que o concurso público é como uma fila de espera: muitos vão saindo, seja pela desistência, seja pela aprovação. Nessa analogia, eu escolhi ser aquele que persiste.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Felipe: Aos leitores que chegaram até aqui, eu diria que, se você leu o título desta entrevista e me considerou um grande exemplo ou inspiração em razão da minha classificação, saiba que eu sou uma pessoa normal. Não sou nenhum gênio e também não tenho memória fotográfica. E essa é a boa notícia que tenho para te dar.
Muitas vezes nos vemos como incapazes de atingir esse feito, mas eu digo que não é assim. Saiba que a missão é árdua e extremamente desgastante, mas o sentimento que estou tendo agora é indescritível, e espero que todos que persistam possam senti-lo.
A mensagem que deixo é: “Vale a pena. O estudo recompensa.”