aprovado no concurso SEFAZ SC
Haverá dificuldades no decorrer do processo e existirão dias não tão produtivos, mas, se os “pontos fundamentais” estiverem sendo bem atendidos, será apenas uma questão de tempo para que todo o esforço empregado no estudo seja muito recompensado
Confira nossa entrevista com Íkaro Pinheiro, aprovado no concurso SEFAZ SC no cargo de Auditor Fiscal / área Auditoria e Fiscalização:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Íkaro Pinheiro: Eu nasci, e sempre morei, em Fortaleza/CE. Tenho 25 anos, sou formado em Engenharia Química e concluí a graduação na Universidade Federal do Ceará, no final de 2017.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Íkaro: Desde muito novo, eu já almejava a minha independência financeira e, por não possuir nenhum dom artístico extraordinário que pudesse me proporcionar a conquista desse objetivo, sempre estudei muito.
Por não ter me identificado muito com as possibilidades de exercício da função do engenheiro químico, eu não sabia exatamente o que faria no futuro. No entanto, em 2016, o professor da disciplina de Gestão de custos (uma disciplina optativa que eu decidi fazer do curso de Engenharia de Produção Mecânica) comentou sobre o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). E, naquele momento, eu passei a entender melhor sobre o cargo e a ideia de ser servidor público.
Em pouco tempo, ser aprovado para o cargo de AFRFB havia se tornado minha meta, tanto pela função exercida quanto pela estabilidade e remuneração.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Íkaro: Eu comecei a estudar em janeiro de 2017 e, nesse momento, eu ainda não havia finalizado a graduação. Na realidade, faltavam 2 anos, pois eu ingressei na Universidade em 2013, mas mudei de curso em 2015 (da Engenharia de Produção Mecânica para a Engenharia Química), o que atrasaria a conclusão em, pelo menos, 1 ano. No entanto, eu percebi que não conseguiria manter o ritmo/aproveitamento objetivado e acabei optando por adiantar a conclusão da graduação para o final de 2017. Para isso, tive que fazer muitas disciplinas por semestre e isso inviabilizou o estudo para o concurso durante esse ano, pois a totalidade do meu tempo era empregada nas disciplinas da Universidade.
Colei grau no dia 16 de janeiro de 2018 e no dia 17 desse mês, já reiniciei os estudos para o tão almejado cargo de AFRFB, agora podendo focar todo o meu tempo “apenas” para o estudo para o concurso. E por conta do apoio da família, eu pude “apenas” estudar durante todo o ano de 2018.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Íkaro: Desde o início da minha preparação, o meu objetivo era ser aprovado na Receita Federal. No entanto, com o surgimento de alguns boatos de possíveis concursos para Receitas Estaduais, passei a analisar se poderia ser interessante mudar temporariamente o foco.
No segundo semestre de 2018, surgiu o concurso para Auditor Fiscal da SEFAZ-GO. Passei alguns dias maturando a ideia, mas acabei optando por continuar com o foco inicial.
No entanto, pouco tempo depois, ocorreu a autorização do concurso para Auditor Fiscal da SEFAZ-SC. Novamente, passei um tempo analisando a oportunidade e decidi que mudaria o plano de estudos por duas semanas. Baixei as aulas 0 das disciplinas que foram cobradas no concurso anterior (2010), com exceção das básicas, pois eu já havia concluído o estudo dessas (estavam apenas no modo revisão), e segui estudando. Durante esse período, resolvi que realmente mudaria o foco e segui estudando apenas para este concurso específico.
Esse foi o primeiro e único concurso público para cargos públicos que eu prestei.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Íkaro: A sensação de confirmação da aprovação, ao ver o nome na lista do resultado final, é indescritível. Mas, no meu caso, o momento mais emocionante foi ver o percentual de acertos, logo após conferir o gabarito. Naquele momento, eu imaginei que poderia dar certo, mas, acima de tudo, eu constatei que todo o meu esforço tinha gerado um resultado muito melhor do que o esperado e isso me deu muita esperança.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Íkaro: Como o cargo para o qual eu optei por estudar não tem relação com a minha graduação, aplicar todo o meu tempo e esforço no objetivo de ser aprovado era uma obrigação interna minha, pois voltar atrás e tentar uma inserção no mercado de trabalho na minha área de formação, após alguns anos, caso o estudo não proporcionasse a aprovação, seria muito complicado.
Por isso, eu fui muito radical durante o período de preparação e acabei me privando de muitas confraternizações. Tentava comparecer apenas nas mais importantes e por pouco tempo.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Íkaro: Acredito que possa ser interessante fazer outras provas no decorrer do processo, nem que seja unicamente para entender quais são as exigências no momento da realização da prova e tentar ficar mais familiarizado com a situação.
Como essa foi a minha primeira prova, eu fiquei bem ansioso por conta da quantidade de “novidades”. Então, sim, pode ser útil para reduzir o nervosismo no momento da realização do certame.
No entanto, é necessário ter muito cuidado para não desfocar do objetivo principal e ficar alternando entre editais, o que, na maioria dos casos, torna o período de estudo mais longo.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Íkaro: Eu estudei durante 3 meses, ainda em 2017, focado na Receita Federal. Após a conclusão da graduação, estudei de janeiro a novembro de 2018, inicialmente ainda focado no cargo de AFRFB e, a partir de julho, com o estudo direcionado para o concurso da SEFAZ-SC. No total, 13 meses de estudo.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Íkaro: Durante a maior parte do meu período de estudo, o objetivo era o cargo de AFRFB. Por isso, praticamente todo o meu estudo foi sem ter um edital na praça.
No entanto, eu não senti a falta de edital, porque os concursos da área fiscal possuem bastantes disciplinas e são necessários alguns meses para que se possa formar uma base sólida nas matérias consideradas básicas.
Logo após finalizar o ciclo básico, eu fui acrescentando algumas específicas, ainda do cargo da Receita Federal, e pouco tempo depois o concurso da SEFAZ-SC foi autorizado.
Entre a autorização e o edital, o intervalo de tempo foi muito curto (bem menor do que eu esperava, na realidade). Então, também não deu tempo sentir falta do edital.
De maneira geral, na minha opinião, quem estuda focado nas carreiras fiscais necessita de um período de, aproximadamente, 1 ano de estudo pré-edital. Isso por conta do tempo necessário para aprender a estudar, revisar, planejar e, finalmente, efetivamente formar uma base sólida nas disciplinas do ciclo básico.
Com relação a manter a disciplina, eu busquei criar uma rotina diária praticamente igual. Não fazia muita diferença o dia da semana (com exceção do domingo). A rotina diária era sempre a mesma e isso acabou “acelerando” a minha percepção da passagem do tempo.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Íkaro: Desde o início da minha preparação, eu apenas utilizei os cursos em PDF. Um ponto decisivo foi a linguagem clara e bem didática, o que fez toda a diferença no meu caso, pois eu nunca tinha estudado nenhum direito.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Íkaro: Logo após definir o objetivo de me tornar AFRFB, busquei entender mais sobre ciclo de estudos, revisões e planejamento. Nesse período, comecei a pesquisar possíveis meios de estudo e acabei chegando no site do Estratégia.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Íkaro: Após aprender um pouco sobre o processo de estudo (ciclo de estudos, revisões, questões), iniciei com as seis disciplinas do ciclo básico da área fiscal, estudando duas matérias por dia. Ou seja, meu ciclo base era constituído por 3 dias de estudo de disciplinas distintas. Após retomar os estudos, já com a graduação finalizada, aumentei a carga horária de estudos e consegui inserir mais disciplinas por dia de estudo, o que reduziu o meu ciclo base para dia A e dia B.
Após alguns meses, concluí algumas matérias do ciclo básico e comecei a inserir específicas (ainda referentes ao concurso da Receita Federal). Finalmente, após a autorização do concurso da SEFAZ-SC e a publicação do edital, reajustei o ciclo para atender às novidades, dando maior importância às disciplinas não previstas em editais passados e às matérias com maior peso. O ciclo base continuou dividido em dia A e dia B, mas com mais disciplinas por dia, e com matérias presentes nos dois dias do ciclo, por conta da maior importância de algumas no peso da pontuação final.
Meu método de revisão foi a leitura e releitura dos grifos, 24 horas e 30 dias após o primeiro estudo do conteúdo. Também utilizei, durante alguns meses, as sextas-feiras para revisar aulas finalizadas há mais de 2 meses, por meio da resolução das questões disponibilizadas nas aulas e da releitura dos grifos.
Sobre a quantidade de horas, iniciei com uma média diária de 4 horas líquidas e consegui manter uma carga horária média de 6/7 horas líquidas durante a maior parte do estudo. No período pós-autorização/pós-edital, a carga horária líquida diária média era de 10/11 horas.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Íkaro: No início da preparação, tive um pouco de dificuldade com Direito Administrativo. O que me ajudou foi revisar, fazer questões e seguir o conteúdo. Muitas vezes, as aulas subsequentes deixam mais claros assuntos abordados de maneira mais superficial no início do material.
No pós-edital, a minha principal dificuldade foi com TI, pois acaba sendo um conteúdo muito abstrato e que não possui um banco de questões tão amplo como as outras disciplinas, principalmente se levar em consideração que estão sendo cobradas questões mais aplicadas, e menos teóricas. Novamente, o que me ajudou foi revisar, fazer questões e seguir o conteúdo.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Íkaro: Desde a época do colégio, sempre gostei de estudar até minutos antes da prova. Na semana que antecedeu a prova do concurso, não foi diferente. Mantive o ciclo normal até o dia da viagem e participei do aulão presencial de véspera do Estratégia.
Nos dias das provas, também levei minhas legislações impressas e fiquei revisando alguns detalhes.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS.
Íkaro: Há dois pontos que me deixavam insatisfeito. A minha velocidade de leitura e o processo de revisão 24 horas/ 7 dias/ 30 dias etc. Em determinados momentos, eu tentei ler de maneira mais rápida, mas, normalmente, acabava precisando reler, por não ter entendido ou fixado, determinado conteúdo. Por isso, optei por seguir no meu ritmo de leitura. Não considero exatamente um erro, pois o custo benefício de elevar a velocidade de leitura provavelmente não seria positivo, por conta da redução do percentual de fixação do conteúdo estudado.
As revisões, com o tempo, tornaram-se insustentáveis e eu precisei reduzir a periodicidade para 24 horas e 30 dias. Ainda assim, o processo de revisão era desagradável e monótono. No entanto, tenho plena consciência de que a maior fixação do conteúdo foi decorrente da insistência na realização dessas revisões.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Íkaro: O mais difícil foi o fato de o concurso da área fiscal ser totalmente diferente da minha área de formação. Como eu estudei logo após a conclusão da graduação, não cheguei a atuar na área; e tentar uma reinserção no mercado de trabalho, após alguns anos estudando para concursos públicos, seria muito complexo.
Por isso, eu não tinha muita opção. Eu precisava dar o meu máximo e, apesar das dificuldades, não pensei em realmente desistir.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Íkaro: Acredito que trabalhar em um órgão bastante interessante e relevante, e garantir a minha independência financeira eram os principais fatores motivacionais.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Íkaro: Na minha opinião, há dois pontos fundamentais para a conquista da aprovação: determinação/comprometimento com o objetivo e um bom planejamento, que engloba a concretização da rotina de estudos, a escolha de bons materiais, a efetuação de um método eficiente de revisão e a resolução de questões.
No mais, eu gostaria de informar que haverá dificuldades no decorrer do processo e que existirão dias não tão produtivos, mas, se os “pontos fundamentais” estiverem sendo bem atendidos, será apenas uma questão de tempo para que todo o esforço empregado no estudo seja muito recompensado.