Aprovada em 4º lugar para Elaboração Legislativa no Concurso ALERJ

“No dia da prova, o que vai te dar segurança e agilidade é ter treinado muitas questões anteriores.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Charlene, aprovada em 4º lugar no Concurso ALERJ para o cargo de Elaboração Legislativa:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo(a). Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Charlene: tenho 44 anos, nasci em Nova Iguaçu e fui criada em Mesquita, ambas cidades do Estado do Rio de Janeiro. Sou formada em Direito pela UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Charlene: o concurso público mudou a vida da minha família. Meu pai era auxiliar de limpeza e teve a vida transformada quando se tornou funcionário do BANERJ – Banco do Estado do Rio de Janeiro. Por causa desse emprego público, eu tive oportunidade e tranquilidade para estudar. Mais tarde, outro exemplo: o BANERJ foi privatizado, meu pai foi demitido e eu presenciei o quanto ele estudou, durante alguns anos, até passar e tomar posse no concurso da Caixa Econômica, com 55 anos de idade. Antes de tentar o caminho dos concursos, comecei o curso de “Informática” (que ainda não se chamava Ciência da Computação) na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas desisti. Depois, fui cursar Comunicação Social na UFRJ e Direito na UERJ. Desisti da UFRJ, mas continuei no Direito, pensando na maior disponibilidade de cargos para essa área. No meio do caminho, eu adoeci, tive um quadro depressivo, e fiquei de 2014 a 2023 sem estudar, sem perspectiva de vida, pensando que não tinha mais idade para concorrer. Em 2024, decidi testar o concurso da Caixa Econômica, seguindo o exemplo do meu pai. Embora não tenha sido aprovada, eu reencontrei a motivação e descobri que, com 42 anos, ainda era capaz de disputar uma vaga. Hoje, além do lado financeiro, eu sonho com um cargo que me dê tranquilidade e motivação para seguir, um trabalho que entregue um serviço útil para a sociedade.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Charlene: eu não trabalhava, o que é um privilégio. Mas tinha que conciliar os estudos com as tarefas domésticas. Quem cuida da casa e da família sabe que, embora haja flexibilidade de horário, a manutenção é diária e nunca acaba. Para compensar, criei o hábito de fazer tarefas domésticas ouvindo aulas. Substituí até a trilha sonora da faxina.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovada?
Charlene: pretendo continuar estudando, porque meu objetivo é um cargo de Auditor Fiscal. Em relação às minhas aprovações:
- Em 2012, fui aprovada em concursos da Prefeitura de Mesquita, em 2º lugar nos cargos de Agente Administrativo e de Advogada.
- Em 2014, fui aprovada no concurso da Caixa Econômica.
- Em 2024, fui aprovada no TSE, distante das vagas do TRE/RJ.
- Em 2025, fui aprovada no STM, em 58º lugar para o cargo de Analista Judiciário da Área Judiciária.
- Agora, inícios de 2026, fui aprovada na ALERJ, em 4º lugar para o cargo de Elaboração Legislativa.
- E estou aguardando o resultado final do TJRJ, no qual eu estava em 9º lugar (pela nota da prova objetiva) para o cargo de Analista Sem Especialidade, mas caí algumas posições, por ter ido mal na prova discursiva.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Charlene: eu sou muito caseira. Minha vida social se resume a família, alguns amigos, grupos de games e de aulas de dança. Eu decidi desinstalar os jogos do celular e emprestei meu videogame. Só não parei de ir à academia, embora tenha diminuído a frequência. Eu saía raramente. Tive que deixar de ir a festas. Adiei os filmes e os seriados do momento. Alguns diziam que era um exagero, mas fiz tudo isso no pós-edital, porque era um esforço com data para acabar. Sendo aprovada ou não, o pós-edital é um período curto e sem volta. Filmes, seriados, jogos, restaurantes, festas, “podem esperar” alguns meses. Mas o concurso, se você não passa, tem que esperar uns 2 anos, no mínimo.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseira?
Charlene: tenho muita sorte de minha família e amigos entenderem e apoiarem. Quando morava com meus pais, o meu pai pagava os estudos e minha mãe cuidava de todo o resto. Hoje, minha esposa me dá muito suporte. Ela se empolga mais do que eu com os resultados. Não faz cobranças, não reclama. E a família dela também ajuda e torce por mi m. Eu tenho consciência de que minhas conquistas não são só minhas, são também dessas pessoas que dão uma rede de apoio.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Charlene: direcionado para a ALERJ, comecei a estudar no pós-edital, em outubro de 2025, com a prova prevista para 08/02/26. Porém, no final de outubro, saiu o edital do TJRJ, com muito mais conteúdo e com prova prevista para 01/02/26. O lado positivo era serem organizados pela mesma banca (FGV), mas o negativo era o intervalo de uma semana entre os dois concursos. Eu tive muitas dúvidas sobre qual dos dois priorizar. Só fiz ambos porque já tinha estudado parte daqueles conteúdos (para as provas do MPU e do MP-RJ, em 2025). Nas provas dos MPs, fui reprovada por pouco, mas a experiência me ensinou que não adiantava me aprofundar em teoria sem fazer questões e, principalmente, revisões. Então, para o TJ e a ALERJ, aproveitei a bagagem teórica das provas anteriores e usei muito a área de Cursos Exclusivos do Estratégia, que tem algumas aulas com exercícios da FGV.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Charlene: os materiais que mais usei foram videoaulas, sites de questões e um aplicativo de mapas mentais. Muitos concurseiros criticam as aulas, mas eu gosto, porque tenho muita dificuldade em focar na leitura de PDF. As aulas em vídeo/áudio me mantêm imersa nos estudos, mesmo quando estou fazendo outras tarefas. Primeiro, eu formo uma base teórica pelas videoaulas e depois priorizo a resolução das questões anteriores da banca, para entender o padrão de cobrança. Entendido o padrão e anotados os meus erros, eu faço mapas mentais, como forma de revisão. Eu uso os PDFs para treinar tópicos de provas discursivas ou para o caso de bancas que exigem aprofundamento, jurisprudência, teorias. No fim, o que determina minha trilha de estudos e os materiais é o padrão da banca.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Charlene: já conhecia a fama do Estratégia há anos, mas só tive contato com o material em 2024, pelo YouTube, por uma aula de revisão (Hora da Verdade) para o concurso da Caixa Econômica.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Charlene: quando voltei a estudar, em 2024, fiz um curso para o concurso da Caixa Econômica, que tinha um professor famoso. Eu não tinha ideia de como estudar para concursos atualmente, então acreditei que seria um bom investimento. Porém, tirando aquele professor, grande parte das disciplinas não tinha um conteúdo voltado especificamente para a Cesgranrio e eu não sabia que estava estudando errado. Vendo poucas aulas de revisão do Estratégia no YouTube, eu percebi o quanto o outro curso era superficial e sem ênfase nas questões passadas da banca.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material?
Charlene: usando esse outro material, eu fez o concurso da Caixa Econômica, em 2024, mas não fui habilitada para a 2ª fase, pois fiquei abaixo da nota de corte para a correção da redação.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Charlene: ao me tornar aluna do Estratégia, senti uma enorme diferença na densidade do conteúdo e na quantidade de opções disponíveis. Eu me deparei com tanto material (e eu estava tão desatualizada) que me senti até meio perdida, no início. Eu me inscrevi no Concurso Unificado do TSE e apenas fui tentando seguir as Trilhas Estratégicas, vendo as videoaulas e fazendo as questões da Cebraspe nos PDFs. O Estratégia fez diferença, porque o resultado do concurso do TSE foi muito mais animador.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Charlene: não sei se posso chamar de “plano de estudos”. Eu estava há 10 anos sem estudar e precisei entender o cenário atual dos concursos, altamente profissionalizado. Eu fui “aprendendo a aprender”. O mais desafiador é estar com 42 anos e não ter a mesma memória de antes. Entendi que, para concorrer com mentes mais jovens, eu teria que me esforçar muito mais. Antigamente, minha memória era ótima e eu não me importava com revisão. Eu conseguia estudar com mais velocidade, decorava sem esforço. Hoje, preciso aprofundar e entender de verdade os assuntos, para fixar o conteúdo, já que a memória pode falhar. E, de fato, ela falhou bastante na prova do MPU: eu errei coisas que estudei com pressa. E a sensação é pior do que não ter estudado. Então, meu modo atual de estudo não tem atalhos. Eu amo as aulas detalhistas da Nelma Fontana, Mario Godoy, Elisabete Moreira, Emerson Douglas, por exemplo. Há quem diga que estudar por PDF é muito mais rápido e eficiente. Mas será que todo mundo precisa de velocidade e quantidade? O “plano” tem sido: material mais completo para aprender, material sintético para revisar e o estudo das questões mais cobradas até ter segurança. Sem metas de questões/disciplinas por dia. Eu não me apego a números, porque prefiro aprofundar e esgotar todas as alternativas de 10 questões a que fazer 50 só para bater meta. Minha quantidade varia: se estou estudando um conteúdo mais fácil e já conhecido, foco em fazer muitas questões, sem muita teoria ; se for mais difícil e importante, eu puxo o freio e estudo com calma, com videoaulas, PDFs, e depois vou para as questões.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Charlene: eu gosto de montar mapas mentais misturando teoria, lei seca e os pontos mais cobrados pela banca. E também crio muitos cadernos de questões, cadernos de erros etc. Eu fazia resumos escritos, mas senti que o esquema de mapas mentais próprios me deu mais agilidade na revisão. Nesse aplicativo, posso expandir ou diminuir o mapa, deixando apenas o conteúdo essencial no campo de visão.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios?
Charlene: a resolução de exercícios é a parte mais importante do estudo, porque é esse treinamento que dará agilidade e segurança no dia da prova. Mas priorizar as questões é muito difícil e custoso para quem está começando a estudar algo novo, sem uma base teórica. Eu demorei para chegar em um equilíbrio. Para a ALERJ e o TJ, eu fiz muitas questões, sempre direcionadas pelas estatísticas do que era mais cobrado. No caso do Regimento Interno, havia poucas questões. Os bancos de dados tinham registro de apenas um concurso da ALERJ, então tive que criar exercícios em uma IA, com base nas questões que a FGV fez para outras Casas Legislativas. Sobre a quantidade, não sei o total, porque sou desorganizada. Pelo registro do site de questões, fiz umas 2500. No tablet, foram vários PDFs de 50 a 200 questões, alguns completos, alguns com questões puladas. Eu não tinha meta diária, porque a profundidade me importa mais que a quantidade.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade?
Charlene: encontrar a legislação estadual correta foi uma das maiores dificuldades, porque estava desatualizada na maioria dos sites, dos cursos, das apostilas. Até mesmo no site da ALERJ, que é horroroso e ultrapassado, era difícil pesquisar. A professora Géssica Ehle salvou muita gente ao avisar que os PDFs do primeiros links sugeridos pelo Google estavam desatualizados. Mas nenhum curso tinha o material completo. Por isso, tive que estudar por mais de uma plataforma, virei membro de canais no YouTube, e ainda assim, tive que montar parte do material sozinha. Confiar nos PDFs prontos era perigoso, porque tinham cursos com material desatualizado. A questão da legislação desatualizada parece uma reclamação boba, mas para quem estava com editais de 2 concursos para estudar ao mesmo tempo (TJ e ALERJ), era muito angustiante perder tempo pesquisando, conferindo legislação artigo por artigo e ter que montar um material próprio. Perdi dias de estudo nessas buscas.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Charlene: a semana que antecedeu a prova da ALERJ foi a semana pós-prova do TJRJ. Eu já tinha intensificado a rotina de estudos para o TJ e vi que deu muito certo na prova objetiva, mas senti que não fui bem na discursiva. Eu sabia o conteúdo, mas agora faltava precisão na escrita. Então eu mantive a rotina de exercícios e revisões para a ALERJ e treinei rascunhos de tópicos para a discursiva.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Charlene: teve prova discursiva e foi o que catapultou minha nota. Consegui obter a maior nota da discursiva e subi várias posições. O meu deslize no TJ, uma semana antes, acendeu um alerta: eu precisava ser mais precisa nas respostas. Então, procurei fazer as revisões refinando os conceitos, focando em adquirir precisão terminológica. Analisei as discursivas da FGV, entendi os espelhos. Li os PDFs do Estratégia com as rodadas de temas de discursivas. E tive a sorte de parte da questão ser sobre uma aula que a professora Nelma deu, a pedidos dos alunos: Hermenêutica. Quando comecei a rascunhar a resposta, vi detalhes que derrubariam muita gente. Mas, de tanto ver as aulas da professora, eu tive muita segurança e clareza. Na minha mente, eu lembrava da voz dela explicando os conceitos, junto com o famoso “tomara que caia na sua prova”.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Charlene: meu principal erro era dar pouca atenção para a fase discursiva. Nas provas anteriores, eu não treinei muito, porque ainda estava mais preocupada com as questões objetivas, com medo de sequer atingir a pontuação mínima para a outra fase. Aí eu comecei a chegar em boas classificações, mas caía algumas posições por causa da discursiva. Eu cometi esse erro até o TJ. Para o concurso da ALERJ, eu tive uma semana para consertar a rota e, finalmente, deu certo. Os outros erros foram estudar muito conteúdo sem fazer questões e sem revisar o que eu já tinha estudado. O meu acerto tem sido estudar dentro do meu ritmo e criar meu método de revisão, com mapas mentais.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Charlene: eu quase desisti da prova da ALERJ, porque tinha que estudar, ao mesmo tempo para o TJ. A legislação institucional do Tribunal não acabava nunca. Eu não desisti por alguns motivos:
- 1) o último concurso da ALERJ foi em 2016 e não se sabe quando haverá outro;
- 2) eu sabia que existiam outros bons candidatos na mesma situação que eu, mas que priorizavam o TJ, então estariam menos preparados para a ALERJ;
- 3) pela experiência do dia de prova: sendo aprovada ou não, estudar como se fosse a “prova da minha vida” nunca foi em vão.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Charlene: se você está começando os estudos para concursos, tente não se cobrar demais, tente não se comparar aos casos excepcionais daqueles que passam com poucos meses de estudo. Geralmente, são candidatos que tiveram uma boa base de estudo anterior, seja no colégio, seja na faculdade. Eles não estudaram o edital inteiro do zero. Imaginar que o seu caso também será excepcional, pode acabar levando à desistência, se você não for aprovado de primeira. Encontre sua maneira de estudar, seu ritmo e seu tempo. E a dica essencial até para quem não é iniciante: a resolução de exercícios é a parte mais importante do estudo. No dia da prova, o que vai te dar segurança e agilidade é ter treinado muitas questões anteriores. É muito difícil e custoso fazer exercícios sem ter uma base teórica, mas é a realidade que temos que encarar e equacionar: sem a teoria, não dá para fazer os exercícios; mas sem os exercícios, não dá para saber se está estudando o que a banca cobra ou se está perdendo tempo. A evolução começa quando encontramos a medida certa entre teoria, questões e revisões. Mas só a experiência nos faz entender isso de verdade.