Aprovado em 3º lugar para Engenheiro Ambiental no Concurso CAESB
Concursos Públicos
“[…] Comece hoje. Não espere uma condição ideal. Às vezes você pode não ter muito, mas o que tem é suficiente.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com Luiz Eduardo Ferreira de Souza Hipólito, aprovado em 3º lugar para Engenheiro Ambiental no Concurso CAESB:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Luiz Eduardo Ferreira de Souza Hipólito: Olá pessoal, tenho 24 anos. Me formei recentemente, em outubro de 2025, como Engenheiro Ambiental pela Universidade de Brasília (UNB). Sou daqui mesmo, nascido e criado, ou seja, concurseiro de berço rsrs.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Luiz: Sou filho de servidores públicos. Crescer dentro dessa realidade com certeza foi uma influência sempre presente em minha vida. Isso permitiu que meus pais pudessem me dar uma vida boa, onde sempre investiram nos meus estudos. Apesar do grande incentivo deles, acho que a virada de chave na minha vida foi quando tive a minha primeira experiência no mercado de trabalho, como estagiário. Sempre valorizei muito a experiência e estagiei basicamente o curso inteiro. Comecei no 3º semestre e fui até o último. No 4º semestre tinha acabado de sair de uma empresa privada e consegui passar num processo seletivo para ser estagiário. Adivinha onde? Isso mesmo, na CAESB. Eu acho que nunca me senti tão bem-quisto, valorizado e assistido igual fui lá, mesmo como estagiário. Isso me abriu os olhos para almejar aquela vida pra mim. Aquela realidade se tornou um sonho a ser alcançado. Fiquei 2 anos lá. No final do contrato estava indo para o oitavo semestre. Isso significava que eu tinha apenas mais 3 semestres pra me formar e um alvo claro: preciso ser servidor público. Foi ali meu despertar pra vida dos concursos. O medo de me formar e não conseguir nada no setor privado me dava medo também.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Luiz: Como mencionei acima, eu estagiei basicamente o curso todo. Apesar de não ser uma experiência profissional propriamente, considero sim uma rotina de trabalho, pois tinha uma carga horária a cumprir, produtos para entregar, metas a serem alcançadas. Além de estudar pra concurso, eu estudava pra própria faculdade, o que me tomava muito tempo. A Engenharia sempre com matérias puxadas… não era uma realidade fácil. O segredo pra conciliar tudo era a organização. Tinha meus horários muito bem estabelecidos, era constante em cumpri-los e retirei basicamente todas as distrações possíveis. Durante semana evitava ao máximo redes sociais e streamings (Netflix, etc), o que me otimizava a rotina. Aproveitava todo meu tempo livre estudando. Dentro do ônibus no caminho para faculdade. No metrô. Em todas essas situações eu estava com um PDF no celular e estudando. Nos intervalos das aulas. Quando não conseguia mais ler pelo cansaço, dava espaço para as aulas em áudio, que me ajudavam muito a fixar o conteúdo do dia.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado?
Luiz:
- Fui aprovado recentemente no IBAMA. Atualmente é o meu cargo. Sou Analista Ambiental desde dezembro de 2025, quando fui nomeado.
- Recentemente, descobri essa nova aprovação, como Engenheiro Ambiental na CAESB, em 3º lugar.
No mesmo lugar que um dia fui estagiário. No IBAMA, fui chamado através da primeira chamada do cadastro reserva. Isso foi ótimo pra mim pois os candidatos imediatos foram nomeados em setembro de 2025, mês este que eu não havia colado grau ainda e portanto, não tinha diploma em mãos. Foi o tempo perfeito de espera. Não estou com nenhum concurso em alvo agora, então dei uma pausa. Estou colocando a cabeça no lugar, foram tempos muitos difíceis e bastante estressantes. Tenho aproveitado pra curtir a vida como servidor, a tranquilidade da nova rotina. Acredito que em breve eu deva voltar a estudar, mas por ora não. Estou aproveitando pra fazer uma pós-graduação, o que inclusive aumenta a minha remuneração.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Luiz: Eu sempre fui muito reservado, então meu ciclo de amigos é bem pequeno, mas nunca deixei ninguém de lado. As pessoas mais importantes da minha sempre estiveram ao meu lado, principalmente nessa trajetória dos concursos. Aliás, devo muito de todas essas vitórias à minha rede de apoio. Meus pais, que sempre me incentivaram, não deixaram eu desistir. Meus irmãos, que me motivavam e principalmente a minha namorada. Ela é minha melhor amiga. Sou grato por ela entender minhas ausências, por compreender minha dor, meus medos de não conseguir. Ela esteve ao meu lado em todo tempo e era minha maior incentivadora. Aproveito pra desmentir algo que muito se ouve por aí: namorar atrapalha os estudos. Posso dizer com todas as minhas forças que a minha maior inspiração de todas era poder dar um futuro para nós. Todas as vezes que eu pensava em desistir, ela me lembrava o porquê de ter começado. Fico feliz em compartilhar que estamos noivos. Como tínhamos os nossos horários sempre bem organizados e éramos fiéis em cumprir as metas da semana, nunca deixei de a ver. Na época não tinha muito dinheiro, saímos uma vez por mês pra comer algo fora e todo final de semana estávamos juntos, em casa, vendo um filme, no parque, fazendo um picnic. Coisas simples, mas que foram fundamentais para descansar. Sempre aproveitava a companhia da família também.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro?
Luiz: Com certeza! Como disse, aqueles que estiveram ao meu lado eram minha dose diária de ânimo. A forma que meus pais me ajudavam era com as coisas em casa. Como não tinha muito tempo, minha mãe sempre deixava uma comida pronta, o que era uma preocupação a menos. Levava marmita pra faculdade, pro estágio. Parece pouco mas era um conforto que me remetia a minha casa. O tempero familiar. Meu pai, quando tinha aula de noite na UNB, me buscava. A aula acabava 22:30, então chegaria muito tarde em casa. Tudo isso me motivava. O detalhe do cuidado, me dava forças pra não desistir. Minha namorada, me ajudava emocionalmente, ouvia minhas frustrações, entendia meu medo e sempre me fez ver tudo aquilo em outra ótica. Com certeza devo muito a eles.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Luiz: Como mencionei, meu tempo de preparação foi meus três últimos semestres da faculdade, isto é, um ano e meio. Não era muito tempo, mas foi um tempo em que vieram vários concursos de uma vez só. Foi bom pra dar uma animada. Fiquei seis meses estudando matérias comuns pros cargos que eu queria, típicos de praticamente qualquer concurso: Administrativo, Constitucional, Português, etc. No final desses seis meses, começaram a anunciar que teria edital pro IBAMA e pro ICMBIO, lugares que me interessavam muito. Então direcionei todo meu esforço pra eles, especialmente pro IBAMA. Sempre gostei muito do licenciamento ambiental e fui pelo edital de 2022. A prova veio bem diferente da anterior, mas estava muito bem preparado. Minha constância veio muito disso que falei, o medo de não conseguir trabalhar, de ser mal remunerado, de nunca ter condições financeiras. Isso me dava gás para não parar. Eu estava tão certo do que eu queria que não tinha noção do quão cansado eu estava. Não tinha tempo para pensar em ficar triste. Quando eu percebi, já tinha acabado a faculdade e estudado aquilo que precisava.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Luiz: Basicamente meu principal material era os PDFs do Estratégia. Era um material tão completo que praticamente não via necessidade de buscar coisas por fora. Quando o conteúdo era muito complexo, matérias novas, com nível de detalhamento maior ou mesmo quando era simples mas eu já não estava conseguindo concentrar mais, apelava pras vídeo aulas. Deixava essa última opção como um plano B, sempre. Dava sempre prioridade pra leitura. Não por ser ruim ver vídeos, mas por tomar muito tempo, ou seja, o que eu menos tinha.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Luiz: Meu primeiro contato com o Estratégia foi através de um aulão de véspera que assisti no YouTube para o concurso da Agência Nacional de Águas (ANA). Foi meu primeiro concurso nessa jornada. Claramente não classifiquei, mas fiquei feliz pois acertei várias questões que tinham sido faladas na aula. Eu fiquei pensando: como esses professores acertaram o tema? Eles realmente entendem o que vai cair. Ali eu percebi que precisava de um material pra me guiar. Os professores tinham muita propriedade para explicar, e principalmente, convicção do que realmente é pertinente para ser estudado ou não, conhecimento das bancas, o que me gerou muito interesse pela assinatura.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Luiz: Eu não cheguei a usar outros materiais. Pegava apenas livros na internet, mas não outros cursos preparatórios.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material?
Luiz: Apenas o da ANA.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Luiz: Com certeza. Comecei a perceber o que de fato era relevante para ser estudado. A incidência dos assuntos. Isso me fez gerir melhor o tempo de estudo, concentrando no que de fato importava. A fixação dos conteúdos com questões, as dicas dos PDFs, o uso de técnicas de estudo. Tudo isso foi fundamental e mudou completamente meus resultados. Comecei a acertar mais questões nos concursos, bati na trave nos últimos até finamente classificar.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Luiz: No início eu não tinha muita estratégia, mas logo percebi que não bastava apenas estudar. Precisava de um cronograma, voltar nos pontos já vistos. Foi muito simples, mas fiz uma divisão de uma matéria específica com uma básica. Sempre intercalando os graus de dificuldade. Se um conteúdo exigia mais, como por exemplo Português, que era meu fraco, estudava um conteúdo específico mais leve. Assim não ficava tão pesado. Usava técnica para pausar a cada X minutos estudados, o me dava tempo pra dar uma respirada, espairecer. Basicamente não tinha muita sofisticação.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Luiz: Nos finais de semana eu sempre revisava dois conteúdos que tinha mais dificuldade e selecionava um tema específico estudado para revisar através de uma discursiva. Era a forma que eu tinha de praticar a escrita e fixar aquele conteúdo. Foi assim que acertei o tema da discursiva da CAESB. Fiz uma redação meses antes sobre o assunto que caiu na prova, como a revisão do conteúdo específico da semana que estava com mais dúvida.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Luiz: Extrema! Não é possível passar em concurso sem praticar. Precisamos entender como as bancas cobram o assunto, então é fundamental a prática. Era a forma mais eficaz de saber como eu estava no assunto. Quando errava mais, sabia que era um tema pra ser visto mais, quando acertava muito, sabia que não precisava dar tanta ênfase. Tinha uma planilha que guardava todo o tempo que estudei por dia, quantas questões fiz e quantas acertei. Foi um total de 4000 questões.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Luiz: Eu tinha muita dificuldade em Português. Ficava muito frustrado pois achava que sabia e quando ia praticar errava. Comecei a ver as explicações das respostas no PDF pra compreender como a banca propõe o item e comecei a ter mais atenção. Fui dando foco nos pontos que mais errava e comecei a evoluir. No IBAMA conseguir fazer 8/10, deixando duas em branco, ou seja, todos os que marquei acertei. Pra mim foi uma grande evolução.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Luiz: Na semana pré prova eu pedi adiantamento de férias e fiquei a semana em casa. Ia apenas pra aula de manhã da faculdade e a tarde e noite estava em casa, treinando discursivas, lendo as já feitas, resolvendo questões e vendo os pontos mais importantes, focando na memória de curto prazo.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Luiz: Eu fazia uma por semana. Foram mais de 60 discursivas. No final da jornada, comecei a fazer mais. Em algumas semanas fiz até três discursivas por semana. Na semana do concurso, fiz uma por dia. Eu simulava o cenário de prova. Colocava um timer de 60 minutos e tentava fazer e passar pra uma outra folha, simulando o gabarito, me esforçando pra não consumir aquele tempo todo. No final, minha média era de 42 minutos.
Estratégia: Quais foram seus principais erros e acertos nesta trajetória?
Luiz: Meu maior acerto foi ter começado. Acredito que muitas vezes colocamos muitas condicionantes pra começar a fazer as coisas. Esperamos condições ideais. A verdade que eu não tinha um momento ideal, não tinha a melhor condição, mas decidi começar. O resto foi se encaixando. Meu maior erro foi demorar pra perceber a necessidade de ter uma técnica. Não adiantava nada eu estudar tanto, se não era eficiente. Muito mudou quando comecei a observar minha tática.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Luiz: Não. Acredito que seja uma das minhas maiores habilidades: quando eu coloco algo na cabeça, eu só paro de pensar quando eu consigo. Eu sempre soube o que eu queria e não aceitava desistir enquanto aquilo não fosse minha realidade. Mesmo aprovado no IBAMA, eu continuei estudando pra CAESB pois sabia que poderia conseguir mais. Graças a Deus deu tudo certo, mas se não tivesse, estaria ainda hoje estudando, sem parar.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Luiz: Comece hoje. Não espere uma condição ideal. Às vezes você pode não ter muito, mas acredite: o que tem é suficiente para começar. Se você estudar hoje, já será melhor que ontem, mas amanhã será melhor ainda, pois aprenderá mais. Elimine tudo aquilo que não é prioridade e cerque-se do que de fato é importante. Busque um refúgio. No meu caso, minha conexão com Deus nesse tempo foi algo que se desenvolveu muito, mas no seu íntimo, descubra o que te faz bem. Um esporte, um hobbie, algo que te motive. Não se compare. Podemos viver a mesma corrida, mas ninguém corre na mesma velocidade. Todos tem realidades diferentes, redes de apoio diferente, responsabilidades diferentes. Talvez alguns levem mais tempo, outros menos, mas foque na sua história e saiba que tudo tem seu tempo. E por fim, seja perseverante, pois todo esforço tem sua recompensa. Desejo que todos possam viver isso um dia, pois faz tudo valer a pena. Hoje, não consigo me lembrar mais da dor, do cansaço, pois já passou. No momento, parece que não vai passar, mas vai sim e você vai vencer!! Forte abraço e bons estudos.