Aprovado em 2° lugar para o cargo de Técnico Judiciário no concurso TJ-PR
Concursos Públicos
“Você precisa se conhecer, saber qual o seu método de aprendizado e especializar-se nele; conseguir se reerguer quantas vezes for preciso, afinal, o concurso premia a resiliência, e não a inteligência […]”
Confira nossa entrevista com Jakson Felipe da Silva, aprovado em 2° lugar para o cargo de Técnico Judiciário – Região Francisco Beltrão no concurso TJ-PR:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo.
Jakson Felipe da Silva: Tenho 32 anos. Nasci e passei minha vida toda no interior do Paraná, numa cidade de menos de vinte mil habitantes. Sou técnico agrícola, de nível médio, e nesse cargo permaneço desde os dezoito anos, afinal, ingressei no serviço público ainda muito cedo. Assim, minha trajetória profissional, até aqui, foi construída dentro do setor público. Todavia, esse cargo público (ainda que de nível médio) trouxe certa acomodação, o que fez com que eu buscasse a educação superior já muito tarde, quando decidi estudar “pra valer”, e almejar um cargo de nível superior, desta vez, na área administrativa.
Hoje, sou formado em gestão de pessoas, com especialização em gestão pública e gestão de cidades inteligentes, além de concurseiro, desde 2021.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Jakson: No primeiro concurso que fiz, ainda aos 17 anos, fui aprovado, mas eram outros tempos. Considero que o estudo, de fato, iniciou-se em 2021, logo ao fim da pandemia, quando comecei a prestar atenção nos concursos policiais, onde eu buscava, além da estabilidade do cargo público, a possibilidade de acesso a uma remuneração melhor e melhores condições de trabalho. Esses fatores, ajudaram a chegar à decisão de começar a preparação.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Jakson: Sempre trabalhei durante a preparação. Acredito que a maioria dos concurseiros têm essa realidade. O começo sempre é mais difícil, mas me acostumei a estudar todos os dias, quanto tempo fosse possível. Assim, tentava estudar ao menos seis dias por semana, utilizando ao máximo possível os finais de semana, já que, de segunda a sexta, só tinha tempo de estudar durante a noite.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado?
Jakson: Nesta trajetória, fui aprovado em vários concursos. Em alguns dentro das vagas, noutros não, alguns em cadastro reserva, mas, como mencionei, comecei pelas carreiras policiais, realizando os concursos da PC-GO e do IGP-SC, em 2022, sendo aprovado em ambos, nos quais decidi não seguir para as fases finais.
Em 2023, fiz o concurso do TJ-SC, sendo aprovado, mas fora das vagas imediatas. Ainda em 2023, já no limiar dos 30 anos, decidi prestar o concurso da PM-SC, em que fui aprovado, aliás, com uma excelente colocação. Neste concurso (que era um sonho), decidi seguir e realizar todas as fases, nas quais, fui aprovado, exceto no exame toxicológico, quando, por erro na análise do material realizado no laboratório (não buscou as substâncias especificadas no edital), fui eliminado. Entendendo não ter culpa do ocorrido, busquei a reversão judicial, sem sucesso. Essa eliminação causou um grande impacto e fez-me questionar a continuidade dos estudos.
No início de 2024, começou a ser ventilada a possibilidade de um concurso unificado da Justiça eleitoral (TSE unificado), o que se concretizou com o edital em maio. Assim, decidi migrar para os concursos de tribunais e fui aprovado no concurso do TSE, em 6° lugar para analista administrativo (TER-MS) e 103° para técnico judiciário (TER-PR). Em quase que ato contínuo, fora publicado o edital do STM, e, analisando rapidamente o edital, verifiquei muita semelhança com que havia sido cobrado no TSE, sendo a mesma banca (cebraspe), inclusive. Assim, fui aprovado em 3° lugar para analista administrativo (cargo 1) no STM.
Antes mesmo de saber o resultado da prova do STM, eu já estava em preparação para o TJ-PR, aliás, iniciei a preparação para este concurso na segunda-feira após a prova do STM. Agora, no TJ-PR, estou em 2° lugar para técnico judiciário na região 4 (Francisco Beltrão).
Pretendo, sim, continuar estudando, até alcançar um cargo de auditor.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Jakson: Apesar de ser mais reservado socialmente, a decisão de estudar, de direcionar toda a rotina ao concurso público, exigiu muita reflexão, tanto de minha parte, quanto de minha esposa, à qual devo muito do sucesso das últimas aprovações, já que foi um suporte indispensável.
As saídas, já não muito frequentes, tiveram de ser minuciosamente planejadas e compatibilizadas com as datas das provas, as férias e as viagens já tiveram de ser adiadas, alguns convites tiveram que ser recusados.
Como vivemos juntos, eu e minha esposa, somente, o contato com o resto da família também precisou ser reduzido, ainda que não entendam completamente esse “vício” em estudar, oque, até certo ponto, é compreensível.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro?
Jakson: Minha esposa sempre fez parte da preparação, desde o início, e, como moramos sós, foi de uma compreensão imensa, especialmente nos momentos de frustração e, quando, muitas vezes, eu apenas “avisava” que iria começar a estudar para determinado concurso.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Jakson: Para o último concurso que realizei (TJ-PR), o estudo foi praticamente conjunto com o estudo para o STM, então, foi quase um ano de preparação. Em relação às disciplinas mais específicas, como regimentos interno e leis especiais, essas só consegui estudar de fato, após o edital.
Manter a disciplina é muito difícil, independentemente da fase (pré ou pós-edital) ou da caminhada que já possua de estudos. Para mim, a motivação para seguir o objetivo vinha de conseguir perceber que tinha a capacidade de alcançar uma vaga, conforme os resultados dos últimos concursos e os simulados realizados. De qualquer forma, há dias em que não se tem vontade de continuar, mas é preciso ignorar, ficar um dia “de molho” e voltar ao ritmo.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Jakson: Utilizei, durante a trajetória de estudos, somente os materiais de estudos do Estratégia e uma plataforma de questões de outro curso, apesar de também usar a do estratégia.
Em algumas disciplinas utilizei somente videoaulas, apesar de demandar mais tempo, foi o método com o qual consegui absorver o conteúdo, especialmente matemática, raciocínio lógico e informática. Noutras utilizei somente materiais em PDF, como legislação específica, e, nas demais, da “grade comum” para quase todos os concursos, como direito constitucional e administrativo, por exemplo, conciliava aulas em PDF e videoaulas.
De todo modo, sempre realizei um estudo ativo, fazendo resumos digitais (no tablet ou computador), para que os pudesse editar sempre que retomado o assunto nas revisões. Percebo que as aulas em vídeo demandam mais tempo, contudo, oferecem uma contextualização melhor acerca dos conteúdos mais aplicáveis na prática, como informática. Já os materiais em PDF, apesar de muito mais completos e abrangentes, exigem maior concentração e dedicação.
O material disponibilizado pelo estratégia é excelente, especialmente os cursos de hora da verdade e reta-final, em que são abordados pontos específicos com maior probabilidade de cobrança. Isso aumenta muito as chances de sucesso.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Jakson: Conheci o estratégia pela internet. Quando decidi que iria me dedicar aos estudos para concursos, realizei uma pesquisa, especialmente em redes sociais, buscando contato com estudantes que já o utilizavam, para ter uma noção real sobre os materiais e até sobre a plataforma de acesso.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Jakson: Particularmente, gosto muito dos materiais de reta final do Estratégia, eles são direcionados ao ponto exato, considerados as probabilidades de cobrança e o perfil da banca examinadora.
Os materiais em PDF são extensos, e acredito que seja exatamente esse alto nível de detalhamento o seu diferencial, já que, levando em conta que o “básico” estará presente em materiais disponibilizados em qualquer curso preparatório, ou até gratuitamente na internet, são os pontos mais específicos e aprofundados, entendimentos doutrinários, jurisprudência, entre outros, os quesitos que farão a diferença na hora da prova.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Jakson: Sempre mantive a estrutura de estudos da seguinte maneira: no pré-edital estudando por ciclos, abordando uma ou duas disciplinas ao dia e estudando-as duas vezes durante cada semana.
Publicado o edital, eu realizo um levantamento do caminho percorrido, abordando quais disciplinas tenho dificuldades, quais matérias ainda não completei o edital, em quais possuo um bom desempenho em questões – tudo isso, conforme o peso de cada uma delas, já presente no edital. Dessa forma, elaboro um calendário diário de estudos, até o dia da prova, que abranja uma, duas ou até três matérias ao dia, anotando em quais preciso revisar, em quais preciso focar em questões ou em lei seca, por exemplo.
Em relação às horas líquidas, tento sempre estudar no mínimo 2:30 por dia, mas confesso que me atenho mais a não deixar dias sem estudar do que contar horas líquidas, assim, em dias úteis consigo estudar até o máximo de 3:00, mas nos finais de semana e feriados, estudo o quanto for possível, em média, sempre mais de 5:00 cada dia.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Jakson: As revisões sempre realizo pelos resumos, compatibilizados com videoaulas (na máxima velocidade possível, e quando há tempo). Verifico o material, retomo o PDF e vou atualizando o resumo, geralmente digital, além, claro, de realizar questões.
Sempre buscava realizar questões todos os dias, direcionadas à banca do concurso em voga, contudo, no estudo de reta-final, o foco em questões aumentava muito e, alguns dias, somente realizava questões e atualizava os resumos. Os simulados também foram imprescindíveis na preparação, especialmente na reta final, quando é necessário ter uma noção real das dificuldades e das necessidades de melhoria.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios?
Jakson: Os exercícios, por si sós, acredito que não sejam capazes de conduzir à aprovação, no entanto, são indispensáveis para alcançá-la. Desde 2021, já realizei mais de 50 mil questões, e acredito que isso é parte integrante dos meus resultados.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade?
Jakson: Sempre tive mais dificuldades nas disciplinas que envolvem cálculos. Matemática e raciocínio lógico sempre foram grandes barreiras, sendo que o estudo para essas disciplinas foi sempre realizado por videoaulas e exercícios práticos, além de buscar aulas de professores diferentes, com didáticas variadas.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Jakson: No dia pré-prova, como que um “ritual” que sempre faço, assisto à revisão de véspera do Estratégia, mas somente isso, não costumo resolver exercícios ou ler resumos, apesar de ver todas as horas da revisão, quando possível, ao vivo.
A última semana antes da prova é focada em resolução de questões e resumos muito breves sobre pontos bem específicos, como datas e prazos importantes.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame?
Jakson: Sim, nos concursos que fiz, quase sempre houve prova discursiva. A preparação para elas compreendeu, além dos estudos de língua portuguesa, a realização de muitos textos utilizando as propostas disponibilizadas no curso do Estratégia, além de tópicos prováveis de cobrança, elaborados por mim mesmo. Lembro que para a prova do STM realizei 173 redações, repetindo os mesmos temas. Às vezes realizava até três redações no mesmo dia.
Acredito que o método funcionou, afinal, tirei nota máxima nas redações do TSE e do STM, ambos textos expositivos e para o cargo de analista.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Jakson: O erro mais visualizável foi ter abandonado o cuidado com a saúde física e mental no início da trajetória, o que custou muito, e fez atrasar os resultados. Ao mesmo tempo, um dos acertos mais significativos foi tomar a decisão de conciliar os estudos e o cuidado com a saúde, fazer exercícios físicos, ainda que não todos os dias, além de buscar apoio profissional para os cuidados com a ansiedade e o estresse.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Jakson: Sempre nos vem à cabeça a vontade de desistir, e isso me aconteceu várias vezes, afinal, quando decidi focar no estudo eu já era servidor público há quase 10 anos, e apesar de ser um cargo municipal de nível médio, contava com um plano de carreira interessante e, claro, estabilidade.
A motivação para seguir em frente sempre veio da possibilidade de ter mais qualidade de vida, poder viajar, realizar pequenos desejos com mais facilidade, além de trazer mais tranquilidade à minha família.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Jakson: Você precisa se conhecer, saber qual o seu método de aprendizado e especializar-se nele; conseguir se reerguer quantas vezes for preciso, afinal, o concurso premia a resiliência, e não a inteligência; ter materiais de qualidade, e escolhê-los com base no custo-benefício, o que vai muito além da análise de preço; e, por fim, fazer provas, quantas forem necessárias.