Aprovada em 1° lugar no concurso TJ RO para o cargo de Analista Judiciário - Historiador
Concursos Públicos
“Aos concurseiros que só veem uma vaga e um sonho: vá, compre a passagem, estude todos os dias com a fé de que o primeiro lugar vem sem medo da decepção […]”
Confira nossa entrevista com Sarah de Souza Mendes Coutinho, aprovada em 1° lugar no concurso TJ RO para o cargo de Analista Judiciário – Historiador:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-la. Qual a sua idade, formação e cidade natal?
Sarah de Souza Mendes Coutinho: Tenho 26 anos, nascida e criada em Belém do Pará, licenciada em História pela Universidade Federal do Pará, com especialização em Educação Especial e em Direito Administrativo e Gestão Pública.
Estratégia: Conte o início da sua trajetória, o que te levou a iniciar os estudos para concursos?
Sarah: Minha mãe, visando estabilidade e segurança financeira, sempre me incentivou a estudar para concursos e lutar pelo que é meu. Inicialmente, quando comecei a graduação, pensava que iria atingir essa meta seguindo a carreira acadêmica, mestrado, doutorado, mas o panorama para cientistas no Brasil desencoraja essas escolhas, financeiramente falando, além de ser um meio complicado no qual a meritocracia por vezes é deixada de lado. Acredito que muitos que se frustram com a carreira acadêmica tiveram em algum momento essa percepção. Por isso, saber que uma banca de concurso público não quer saber quem você é, apenas se você marcou a bolinha correta é libertador e foi fundamental na decisão de estudar para concurso. Agradecimento especial à minha tia Del, Especialista em Regulação da Anatel, que mesmo distante fisicamente, teve comigo a conversa que virou a chave em relação à concursos para mim e acabou mudando a minha vida. Obrigada, tia!
Estratégia: Como você conheceu o Estratégia Concursos e porque tomou a decisão de se tornar nosso aluno?
Sarah: O Estratégia é referência quando se trata em concursos, principalmente os de alto nível. Desde o começo soube da existência do curso, e usava os materiais gratuitos cuja qualidade eu já atestava. Com o tempo fui juntando dinheiro para investir no material pago, e comecei comprando o pacote para Historiador do TJMA. Foi a primeira vez que pude ficar na primeira página de uma lista de concursos, realmente uma guinada nos desempenhos. Depois adquiri o do TJRO, para o mesmo cargo, e desde então virei assinante. Para quem usa os materiais gratuitos, como os cursos básicos de Administração, Língua Portuguesa (professora Adriana, quero um autógrafo!), Direito Administrativo, e está na dúvida se vale a pena a assinatura ou não: podem ter certeza de que vale cada centavo investido na hora que você vê seu nome no topo da lista.
Estratégia: Como era sua rotina e plano de estudos?
Sarah: Sou uma pessoa que se distrai fácil em casa, então sempre que eu podia eu ia para a mesma biblioteca estudar. Usei a biblioteca de uma faculdade privada em Belém, que era bem tranquila, além de ter computador e internet gratuitamente. Fica a dica de perguntar aos concurseiros da sua região os melhores espaços de estudo. Quanto à minha estratégia de estudos, as coisas só começaram a dar certo quando comecei a fazer o básico bem feito. Usei um ciclo de 3 a 4 horas de estudo diariamente, não mais do que 4 matérias no mesmo dia. Questões são indispensáveis, em todas as sessões de estudo, e só aprendi isso depois de passar o ano de 2023 todo reprovando querendo estudar teoria inteira antes de fazer questão com medo de prejudicar o aprendizado. Outro aprendizado que a experiência de concurseira me deu, que talvez seja subestimado no mundo dos concursos, é: ouçam sua mente e seu corpo quando eles dizem para parar. Quando eu estendia minhas sessões de estudo, ou fazia algo como acordar 4h da manhã para estudar, bastava comparar a porcentagem de acertos de questões para perceber não valer a pena o dito sacrifício. Qualidade de estudo é melhor que quantidade sempre.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Sarah: Durante a maior parte da minha preparação, pude me dedicar somente aos estudos, fazendo alguns serviços freelance para ajudar a manter meus custos. A rotina de ir para uma biblioteca quase todos os dias ajudou a manter uma constância, principalmente no pré-edital. No entanto, nos últimos dois meses de pós-edital tomei posse na minha primeira aprovação, no Conselho Regional de Serviço Social da 1ª Região, e aí sim tive que conciliar pós-edital com início de trabalho. Se antes eu estudava 3-4h por dia, depois de começar a trabalhar 2h líquidas já eram uma vitória e tanto, porque esse período foi bem complicado. Para conciliar, foi fundamental ter construído a base antes do edital e estar na fase de revisão e resolução de questões para a maioria das matérias. Minha formação é em História, mas para a prova do TJRO precisei de Direito Constitucional e Administrativo que estavam nas específicas com peso maior, e bem antes do edital eu já dominava essas disciplinas. Se há os rumores, a previsão na LOA, ou já saiu a autorização do concurso, não perca tempo e comece.
Estratégia: Quais ferramentas do Estratégia você mais utilizou em sua preparação e quais eram os diferenciais de cada?
Sarah: Comecei com os materiais gratuitos, como o curso regular de Língua Portuguesa da Adriana Figueiredo, e usei também os resumos para revisar, aproveitando para destacar ali os detalhes que eu mais errava em questões. Dessa forma ficava tudo em um material só. Também usei bastante o curso de Administração do prof. Stefan, tanto PDF quanto videoaula em alguns tópicos que sentia mais dificuldade. Depois que adquiri os cursos específicos do TJMA e do TJRO, usei principalmente as aulas de História e Geografia, tanto do Maranhão quanto de Rondônia, e as de legislação institucional. Tanto os PDFs quanto os resumos ao final dos cursos me ajudaram a economizar tempo precioso, principalmente na reta final, e por isso sou muito grata aos materiais do Estratégia por conseguirem ser completos e ao mesmo tempo irem direto ao que importa e realmente cai. Para quem precisa ser o primeiro lugar, toda questão é importante e um material completo como o do Estratégia fez toda a diferença.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Sarah: Especificamente para o concurso do TJRO, com a prova dia 2 de fevereiro de 2025, comecei a estudar assim que saiu a lista de cargos a serem ofertados no edital, em setembro de 2024. Como eu já tinha a mesma rotina desde meados de 2024, só mantive as 3h-4h de estudo líquidas diárias. Para manter a disciplina, emocionalmente falando, precisei me lembrar do porquê estava estudando. Fisicamente falando, ter rotina ajudou a diminuir a carga decisória e aumentar a concentração. Eu chegava na biblioteca e só fazia mecanicamente a mesma coisa: abrir o PDF e a lei seca, abrir o site de questões, e começar. Nos dias em que algo modificava essa rotina, eu me obrigava a fazer no mínimo 10 questões. Quase sempre as 10 viravam 20, 25, 30, quando e onde dava. O importante era manter constância, da forma que fosse.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Sarah: Disparadamente, as disciplinas de maior dificuldade foram as de Direito, que eu tinha realmente um bloqueio psicológico por não ser da área. Achava que seriam dificílimas, que eu nunca iria conseguir aprender a ponto de ficar competitiva. A virada de chave foi quando minha amiga Thays, formada em Direito e concurseira como eu, me mostrou o poder da lei seca aliada às maratonas de questões para o aprendizado de disciplinas como Constitucional, Penal, Administrativo para legislação de servidores e licitações e contratos. Nas outras, as dificuldades eram mais pontuais em relação a tópicos dentro da disciplina. Nessas eu trocava o PDF pela videoaula, ou um professor por outro até achar aquilo que funcionava.
Estratégia: Qual sua estratégia de reta final?
Sarah: Na reta final, a mudança principal foi distribuir o tempo das disciplinas considerando o peso e pontuação do edital. Dediquei um tempo enorme de questões para as específicas (História, Administrativo e Constitucional), e mesmo nessas disciplinas eu só revisava a teoria quando o percentual estava baixo em algum tópico. Nas que eu ainda teria que aprender a teoria, priorizei o PDF e lei seca (em Legislação Institucional e uma parte dos conhecimentos transversais, por exemplo), e fui para as videoaulas somente quando o percentual não aumentava de jeito nenhum. Revisões eram pelos resumos do Estratégia, mapas mentais ou pela própria lei seca. Também criei arquivos do Word para cada disciplina com uma espécie de resumo/bizu cheio de mnemônicos, focado no que eu mais errava nas questões. Durante o pós-edital, fiz simulados focando na parte de conhecimentos gerais e transversais, e busquei todas as discursivas de teoria e metodologia da história que consegui achar para treinar.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi a sua rotina de estudos para esta importante fase do certame?
Sarah: Sempre tive facilidade com a escrita, então incluí a discursiva somente no pós-edital. Minha base teórica da estrutura textual foi formada em 2023, com 3 meses de aula de redação e desde então venho tendo notas altas. Por isso, recomendo investir em um bom professor de discursivas, e aproveitar o máximo do curso tanto para dissertações argumentativas quanto para estudos de caso, conforme for seu foco. Redação é treino. Quando você já domina o assunto sobre o qual vai falar, o que diferenciará a sua nota das demais é respeito à estrutura desses gêneros textuais e à gramática normativa. A primeira lacuna será sanada pelo professor de redação de sua confiança, e a segunda, pelas aulas da Adriana.
Estratégia: De que forma sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada?
Sarah: Não sou casada nem tenho filhos, mas não me faltou motivação para persistir. Minha família investe em mim e nos meus sonhos desde que aprendi as primeiras letras do alfabeto, e persistiram durante a graduação e os concursos. Meus pais sempre viram o estudo como investimento, nunca um gasto. Meus amigos entenderam minha ausência e incentivaram meus estudos. Não será um mar de rosas, obviamente, mas aqueles que realmente querem seu bem respeitarão seu processo. Afaste-se de tudo e todos que demonstrem o contrário e crie uma rede de apoio que seja ao mesmo tempo suporte e motivação.
Estratégia: Qual a sensação de ter sido convidado para o Baile dos Primeiros do Estratégia Concursos?
Sarah: Ter sido o primeiro lugar já é irreal por si só. Adicione a isso receber um convite de uma festa enorme, com tudo pago, para celebrar esse feito gigantesco que mudou a minha vida e da minha família, e sentimento é de dever cumprido e de gratidão a cada um que ajudou a tornar isso realidade. Agradeço aos professores do Estratégia que produziram os materiais com os quais aprendi, revisei, fiz questões e fui aprovada. Cada parágrafo de PDF foi fundamental para ver meu nome no topo da lista com o cargo que sonhei há anos. O convite para o Baile é a cereja do bolo, e simboliza o dia de glória depois de anos de uma luta que não foi só minha, mas de cada um que me apoiou nessa jornada.
Estratégia: Durante sua preparação, ouviu falar sobre o Baile dos Primeiros? Imaginou que um dia estaria nesta confraternização?
Sarah: O Baile dos Primeiros é famoso nos meios concurseiros, e com certeza foi um dos incentivos a colocar o nome no topo da lista! É estranho dizer que eu imaginava, mas a verdade é que quando se tem apenas uma vaga no edital, um cargo no órgão, e um sonho, você tem que acreditar que será o primeiro lugar. Passei os dias de luta imaginando de vez em quando esse dia de glória, principalmente quando vi as publicações do Baile do ano passado, 2024, quando eu estava no pós-edital do TJRO. Pensei: “Deus, me permita que ano que vem seja minha vez de ser o 1º lugar, eu preciso dessa vaga”. O ano que vem chegou, e Ele me deu forças para ser o 1º lugar do meu cargo, ter mais alta entre todos os cargos e ainda viver o Baile dos Primeiros. Sinto-me mais que abençoada.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Sarah: Acredito que a maioria dos concurseiros vê mais erros que acertos na sua jornada. Por trás desse 1º lugar há muitas reprovações, das quais muito me orgulho porque percebo como cada uma me ensinou algo. Em cada uma, consigo apontar erros clássicos. Número 1: Não estudar antes do edital, seguido do número 2: Emendar pós-edital em pós-edital, ou “conciliar edital” de concursos muito diferentes. É preciso criar uma base e escolher uma carreira, que foi meu primeiro acerto. Escolhi a carreira de Tribunais, nível médio e/ou qualquer nível superior, enquanto os concursos de historiador não apareciam. Depois, precisei corrigir o erro número 3: não fazer questões em todas as sessões de estudo de teoria, assim como o erro número 4: não registrar a porcentagem de acertos das questões. Corrigindo esses erros, os resultados começaram a surgir.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? O que você diria para a sua versão de 5 anos atrás?
Sarah: Nunca pensei em desistir dos concursos desde que tomei a decisão no final de 2022, porque era constante a lembrança do porquê eu estudava e de que não era só por mim, era sobretudo pela minha família. Entretanto, de uma maneira até irônica, para conseguir essa aprovação como historiadora de um Tribunal de Justiça, eu precisei desistir da minha carreira de História como eu havia imaginado: sala de aula ou Academia. E aqui eu falo especialmente para aqueles que, como eu, não veem muitos concursos da sua própria área de formação: não tenha medo de estudar para concursos administrativos ou de qualquer área. Conhecimento é cumulativo. Esteja pronto e estudando para quando o seu cargo dos sonhos chegar, porque ele vai chegar, e você precisa que aquela única vaga seja a sua. Por isso, para a Sarah de 2020, eu diria para respirar fundo e não ter medo de desistir do que não faz mais sentido. O que é para ser seu virá de um jeito ou de outro, no tempo de Deus e na forma que ele escreveu.
Estratégia: Por fim, deixe sua mensagem para todos aqueles que estão começando e almejam chegar aonde você chegou!
Sarah: Aos concurseiros que só veem uma vaga e um sonho: vá, compre a passagem, estude todos os dias com a fé de que o primeiro lugar vem sem medo da decepção. Dê sempre o seu melhor, pois isso lhe trará consolo diante de uma reprovação. Algum dia será o seu nome no topo da lista.
Aos historiadores: é uma mentira o que lhe disseram na graduação sobre o ofício de historiador no Brasil ser a sala de aula ou a carreira acadêmica. Nosso ofício oferece ferramentas para diversas carreiras, como no Judiciário e em outros espaços públicos de memória. Você verá apenas uma vaga, os concursos serão escassos, mas dê o seu melhor porque sua maior competição é você mesmo.
A todos os concurseiros, iniciantes ou não: busquem uma rede de apoio. A minha vitória é sobretudo a vitória da minha família e dos meus pais que tem apenas o ensino médio, mas garantiram que eu fizesse universidade pública investindo na minha educação desde o começo. Também é dos meus amigos, que acreditaram em mim, consolaram, entenderam minha ausência e estiveram presentes quando precisei. Tive quem me desse dicas de estudo, quem indicasse cursos, bibliotecas para estudar, carreiras para seguir. Cuide de sua mente e não hesite em usar sua rede de apoio como âncora e motivação para seguir, caso você tenha o privilégio e a riqueza de ter a quem amar e quem lhe ame.