Área Fiscal ou Área Policial? O que escolher?
Rodrigo Antonio

Área Fiscal ou Área Policial? O que escolher?

Fachadas da Receita Federal (acima) e da Polícia Federal (abaixo)

Começaremos bem! Com polêmica! rs 

Na realidade não se trata de uma decisão simples, como razoavelmente possa parecer. No meu caso envolvia Razão x Emoção.

Quando iniciei os estudos, ou melhor, quando passei a cogitar voltar aos bancos escolares, e lançar-me novamente no mundo dos concursos, estava certo da área que eu queria: área policial. Quem nunca sonhou em vestir o uniforme da Polícia Federal?

Aos 26 anos, recém casado e sem filhos, eu era Tenente da Marinha, Fuzileiro Naval (eitaa!).  Teoricamente com a vida já “encaminhada”.  Mas (porém, entretanto, contudo, todavia) a contrario sensu, estava insatisfeito. Por que não alçar voos mais altos?

Desde criança, e trago até hoje, sempre tive uma paixão fervorosa pela área policial, mas era contido pelos meus pais em virtude do risco indiscutível da atividade. Lembro-me de certa vez, lá pelo ano de 2006, quando ainda cursava o ensino médio no Colégio Naval (saudoso barco amarelo), após receber a alegre notícia que um grande amigo entrara para Academia da Polícia Militar do RJ, decidi prestar concurso também, abandonar a carreira de oficial da marinha e abraçar a carreira de oficial da PMERJ. Meus pais não aceitaram, e eu prometi a mim mesmo que caso repetisse de ano, ou tivesse alguma intercorrência no curso do Colégio Naval, a minha primeira opção seria a Polícia. Acabei delegando minha decisão ao destino e aos desígnios de Deus. Passei de ano e não tive problemas, logo, não fiz a prova da PMERJ, e me formei Oficial da Marinha.

Como o bom filho à casa torna, coube, então, ao destino tornar este imbróglio novamente à minha vida. Cá estava Eu, 10 anos depois, a decidir novamente se prestaria concurso para área policial ou não. Mas desta vez não deleguei o que cabia a mim.

Eu era Fuzileiro, lado operativo da marinha, adorava armas, tiro (ainda gosto! rs), tinha porte de arma, estava certo que o próximo passo seria a Polícia Federal, e motivação não faltava. Envergar aquelas letras amarelas garrafais nas costas, escrito “Polícia Federal”, olha que sensacional!

Já na fase de planejamento de estudos conversei com algumas pessoas, dentre elas o meu irmão mais velho, Dihego Antonio (com H mesmo), pessoa na qual sempre me inspirei, um norte. Ele, que é Auditor da Receita Federal, tratou de trazer à razão alguns aspectos que à época não me pareciam tão factíveis, mas pelo respeito que sempre tive por seus conselhos, os ouvi. 

A carreira Policial

A carreira policial é atrativa, tem status, é vibrante, autoridade em pessoa, mas exige de você abnegação, entrega; é um estilo de vida. Além disso, e especialmente em se tratando de Brasil, é uma atividade de alto risco. Escolher passar a vida inteira sendo operativo é uma decisão complexa, e, por mais que tenha também muito trabalho administrativo, existe o risco de vida inerente da “condição”  de “ser policial”. 

A carreira Fiscal

A carreira fiscal, além de possuir uma média salarial bem acima (salvo exceções), é atrativa, tem status (é carreira de estado) e não exige de você tanta entrega. Risco, existe, mas nem tanto. Para os que querem adrenalina, existe na Receita Federal uma área específica que combate o contrabando e o descaminho. Operativo, usa armas, dá tiro. Cansou? Volta para trás da mesa e passa ao trabalho intelectual.

Equipe de Pronta Resposta de Vigilância e Repressão (EPR) da Receita Federal

Trazendo para a realidade, um grande amigo chamado de Diego (esse sem H), Ex-Policial Civil do RJ, atualmente Auditor Fiscal Municipal, confidenciou:

“A área fiscal oferece um risco de vida bem menor se comparado a área policial, apesar de existir. Lá as operações eram constantes. Não conseguia sequer programar minha vida, por ser constantemente acionado, inclusive aos finais de semana. Os plantões, então, eram muito desgastantes.
(…)
A remuneração pesou muito para trocar de área. Na área fiscal é muito atrativa.”

“Mas Rodrigo, eu ainda prefiro ser Policial, dinheiro não é tudo, risco tem em todo lugar.”

Pois bem, eu também pensava da mesma forma, mas decisões como essa exigem maturidade e sabedoria, pois ao longo da vida alguns valores, crenças pessoais e até propósitos mudam.

Hoje, aos 31 anos, casado, pai de um filho de 2 anos, não sou a mesma pessoa de anos atrás. Amadureci bastante, evolui como ser humano, e o risco que até então estava disposto a assumir, hoje não mais cogito. Consigo olhar para trás certo de ter tomado a decisão correta, sem arrependimento, ainda que permaneça sendo um grande entusiasta da carreira policial, dos que arriscam sua vida em prol da sociedade.

Abracei a área fiscal, estudei muito (contabilizei cerca de 3.000 horas líquidas), fui aprovado em dois concursos, além de outros nos quais não fiquei classificado nas vagas, e hoje sou Auditor da Receita Municipal. Exerço uma função importante para a sociedade, amo o que faço, além de ter uma excelente remuneração, flexibilidade e tempo. Minha “veia policial” carrego na minha Taurus 838C (porte de arma para Auditores Fiscais: um bom tema para um próximo artigo! rs) que anda comigo sempre que julgo necessário e seguro o suficiente para me manter vivo. 

Mas afinal, qual a resposta? Área fiscal ou área policial?

Como falei no início, não é uma decisão fácil. Não se trata de qual função é mais nobre. Essa foi minha história, minha experiência. Envolve fatores objetivos e subjetivos, principalmente propósitos de vida. O mais importante é tomar a decisão que lá na frente não lhe traga remorso ou arrependimento.

Fé e Café!

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Rodrigo Antonio

Rodrigo Antonio

Auditor da Receita Municipal do Município de São Gonçalo – RJ. Egresso da Escola Naval, graduado em Ciências Navais (equivalente ao bacharelado em Administração conforme resolução normativa no. 547/2018 do CFA). Primeiro-Tenente Fuzileiro Naval da reserva não remunerada da Marinha do Brasil, tendo deixado a caserna em 2016 após nomeação no Concurso para Auditor Fiscal do Município de Araruama – RJ. Amante do Direito Tributário, já como servidor público civil, cursou: Curso Básico de Planejamento e Orçamentos Públicos – ECG TCE-RJ; Gestão de Impostos Imobiliários Municipais (IPTU e ITBI) – ECG TCE-RJ;  Curso de Prática Forense em Direito Tributário – CERS; Pós-Graduação/MBA em Direito Tributário – CERS/Estácio (cursando). Aprovações: Colégio Naval (PSACN 2004) – 17o. lugar. Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR 2004) – 30o. lugar Auditor Fiscal do Município de Araruama – 6o. lugar – 2015 Auditor da Receita Municipal de São Gonçalo – 10o. lugar - 2016 Instagram: @coach_rodrigoantonio “Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder.”

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