Aprovado no concurso PC-AL no cargo de Escrivão em 44° lugar

“A gente não convive só com o estudo diário, por vezes abdicando um pouco da vida social. Também convivemos com expectativas. Não dá para contar só com a competência hoje em dia. Concurseiro não é uma máquina. Somos humanos, somos falhos”
Confira nossa entrevista com Arthur Paiva, aprovado no concurso PC-AL no cargo de Escrivão em 44° lugar:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado(a) em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Arthur Paiva: Tenho 30 anos, sou de Recife, formado em Direito.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos? Por que a área Policial?
Arthur: Minha mãe que me incentivou a estudar para concurso. Eu queria música. Amo rock e heavy metal. Mas ela me sugeriu que eu primeiro buscasse estabilidade. Eu abracei a ideia e aqui estou. Em um futuro, pretendo retomar o plano de tentar algo na música.
Inicialmente eu queria a área de tribunais, mas me desapontei com o TJPE de 2017, no qual fiquei classificado em 85° para analista, polo 1. O TJPE tinha a reputação de chamar muita gente, mas até o momento chamou apenas 47 analistas para o meu polo. A decepção ficou maior depois que eles nomearam mais de 200 pessoas para cargos comissionados. Resolvi que o que eu podia fazer por mim era não apenas passar em concurso, mas também ficar dentro do número de vagas. Apesar do meu sucesso, é triste ver que houve muitas fraudes nos concursos de área policial recentemente, e isso prejudica muita gente.
Não tenho parentes policiais, mas minha mãe é promotora. Sim, há medo em lidar com o crime, mas tenho certeza de que o curso de formação vai me preparar para isso.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Arthur: Por muito tempo eu conciliei estudos e advocacia. Mas quando eu vi que eu estava próximo a passar em algum concurso, resolvi não pegar novos clientes e passar a me dedicar mais aos estudos.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Arthur: Já fui aprovado no TJPE 2017, analista, polo 1, classificação 85, porém não fui nomeado.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados(as) na primeira fase do certame?
Arthur: A sensação de estar aprovado é muito boa e de grande alívio. Confesso que sou imediatista. Estar aprovado dentro do número de vagas para a PCAL tira um peso grande das minhas costas. Agora focarei em passar em delegado, mas sem me pressionar para passar logo, pois isso atrapalha bastante.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Arthur: Não fui tão radical em relação à vida social. Procuro sair às vezes e passar até 2 ou 3 horas na rua, com amigos. O equilíbrio é tudo. O que desestabiliza é passar muito tempo na rua. Podemos sair um pouco e espairecer. O que não pode é voltar é sair às 20 horas e voltar às 4 da manhã.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Arthur: Não sou casado e não tenho filhos. Também não namoro. Moro com minha mãe. Minha família me apoia bastante na minha caminhada.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior? (Se esse ainda não é o concurso dos seus sonhos, se possível, citar qual é e se pretende continuar se preparando para alcançar esse objetivo).
Arthur: Penso que vale a pena fazer bastantes concursos. A longo prazo, pretendo passar em concurso para delegado. Mas todos os concursos que fiz para escrivão e agente foram bastante importantes.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Arthur: Para ser honesto, eu mirei no que vi, acertei no que não vi (erro de execução? Haha). Meu foco era a PCDF. Não passei na prova. Mas os editais eram bem parecidos, a banca era a mesma. Na semana de PCAL eu só tinha que estudar ética e legislação estadual e alguns assuntos de Direito Administrativo.
Em Ética eu fui no google imagens e coloquei na busca “ética e moral”. Apenas isso! Hahaha! Olhei três tabelas e fui com isso para a prova. Consegui acertar integralmente o primeiro bloco de questões, o que me garantiu cinco pontos, que podem ter sido um diferencial para passar. Acho que tive sorte em ter estudado de forma tão rasa, mas, ainda assim, logrei êxito. Claro que isso foi uma exceção. As demais matérias eu vinha estudando desde Dezembro/2019 para a PCDF ou, no caso de Direito Administrativo, desde o começo meados de março/abril, para a PCPA.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Arthur: Esse é um grande erro que eu ainda cometo, não sou muito de estudar no pré-edital.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Arthur: Com a pandemia, os estudos para a PCDF foram intensificados. Utilizei PDFs, videoaulas e, principalmente, simulados do Estratégia. Não fiz simulado para a PCAL. Mas fiz diversos simulados para a PCDF. Oscilei entre 50 a 86 pontos. Os PDFs trazem um apanhado maior do conteúdo. Muitas vezes eles praticamente esgotam o conteúdo. Quando o assunto está difícil, utilizo também as videoaulas. Quando quero me aprofundar, busco o passo estratégico ou as maratonas. Também gosto muito de fazer simulados, uma excelente ferramenta para monitorar o desempenho.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Arthur: Não lembro como conheci o Estratégia. Acredito que foi indicação de algum amigo. Haha!
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Arthur: Primeiramente, estudei os PDFs. Esse foi o primeiro passo. Percebi que eu ainda insistia em errar algumas coisas. Também havia enumerações em diversas leis que eram difíceis de lembrar. Um esquema que eu fiz foi colocar todas essas enumerações no Word em ordem alfabética, o que me ajudou bastante a fixar diversas enumerações, por exemplo, rol da prisão temporária, hipóteses de demissão da 8.112, entre outras enumerações.
Eu não estudava as matérias ao mesmo tempo, eu dedicava entre 2 e 3 horas para cada matéria. O meu plano de estudos eu montava de manhã, antes de ir para a sala de estudos. Eu não tinha um plano semanal ou mensal de estudos. Preferia um plano diário, pois isso seria adaptável de acordo com meu desempenho em cada matéria. Eu poderia, por exemplo, estudar mais informática, matéria que geralmente tenho dificuldade, e menos Processo Penal. Após ler todos os PDFs eu passei a focar mais em resolução de questões. Fiz vários cadernos de questões. Eu estudava 8 horas por dia.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Arthur: Minha maior dificuldade era Informática. Para superar as dificuldades, cheguei a ler duas ou três vezes os PDFs. Também assistia videoaulas de resolução de questões.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Arthur: Eu vinha em uma pegada muito forte com relação a PCDF. Não relaxei muito às vésperas de PCDF, mesmo já tendo esgotado o conteúdo programático. Na semana de PCAL eu consegui relaxar mais, e talvez isso tenha sido um diferencial. Eu confesso que eu achava que estava passado em PCPA e PCDF. Porém, PCPA, apesar de estar classificado para o TAF, não estou dentro do número de vagas. Em PCDF meu nome não consta na lista. Mas, por achar que estava passado em provas anteriores, fui mais leve fazer a prova da PCAL. Na véspera da prova assisti à Revisão de Véspera do Estratégia no Youtube.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Arthur: Pratiquei algumas vezes redação, sobretudo com o tema violência doméstica. Em PCPA e em PCDF também tive essa temática nas provas discursivas. Portanto, era a terceira prova discursiva com uma temática parecida. Fiz alguns ajustes. Falei não só da violência à mulher, mas também a idosos, a pessoas com deficiência, etc. Mencionei as leis de proteção a mulheres, idosos, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes. Pontuei que as leis são relativamente recentes, publicadas nos últimos vinte anos. Acho que dar exemplos é um bom conselho para ir bem nas provas discursivas. E, claro, praticar bastante.
Estratégia: Como foi (ou está sendo) sua preparação para o TAF e para as demais etapas?
Arthur: Estou me preparando para o TAF. Treino de manhã, no sol, e com máscara. Tenho que estar preparado para as adversidades.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Arthur: Há dois meses para a prova da PF eu cometi um grande erro. Eu estava também inscrito para uma prova de cartório do TJMS. Não lembro o que estava pensando quando me inscrevi, mas era um foco totalmente diferente do estudo para a área policial. Eu acreditava que a prova da PF não ocorreria na data prevista, uma vez que os casos de Coronavírus ainda eram alarmantes, além de que se tratava de um concurso para mais de 200.000 inscritos.
Por outro lado, achei que a prova para Cartório do TJMS ocorreria, já que seriam apenas 3 mil inscritos. Abandonei o estudo para algumas matérias (informática, raciocínio lógico, português), focando mais nas matérias de direito, acrescentando também Direito Civil e Direito Notarial. Para minha surpresa, a prova da PF ocorreu e a prova de Cartório TJMS, prevista para uma semana após a data da PF, foi adiada. Hahaha! A mudança de foco pode ter tido influência no meu desempenho em PCDF e PCPA. De qualquer forma, este erro serviu como aprendizado.
Meu maior acerto foi persistir. Encarar uma banca como a Cebraspe também foi um acerto. A gente tem uma relação de amor e ódio com o Cebraspe. Mas para passar em provas dessa banca temos que estudar com afinco, pois as questões trazem muita interpretação. Eu era um concurseiro um pouco preguiçoso antes de estudar para a Cespe. Hahaha! Sempre ia atrás de atalhos, por exemplo. Outro acerto foi procurar uma sala de estudos. É um gasto que pode valer a pena.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Arthur: A nomeação de 200 pessoas para cargos comissionados no TJPE, poucos meses após a homologação do concurso, culminou com a minha fase mais difícil em concursos públicos. Notícias de fraudes em concursos públicos também me chateiam bastante. A gente não convive só com o estudo diário, por vezes abdicando um pouco da vida social. Também convivemos com expectativas. Não dá para contar só com a competência hoje em dia. Concurseiro não é uma máquina. Somos humanos, somos falhos. Acho que tive competência com a PCAL, mas também tive sorte. Caiu um tema de redação bom para mim, caiu um bloco de questões favorável em Ética favorável para mim. Em Informática, que eu tenho dificuldade, as questões eu sabia responder.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Arthur: Minha motivação é poder me dedicar um dia a alguns hobbies.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Arthur: Meu conselho para quem está começando é não ser afobado. Talvez leve um, dois, três ou mais anos. Mas vai valer a pena!