Aprovado em 22º lugar no concurso SEFAZ CE no cargo de Auditor Fiscal

“Confie no seu potencial. Passar em concurso é “Simples”, mas não é fácil. Por isso, Estude o conteúdo, Revise suas marcações/resumos e Faça questões que já caíram em provas anteriores. Por fim, só comece se você estiver mesmo disposto, porque o caminho é longo, cheio de buracos, altos e baixos. Mas vale a pena!”
Confira nossa entrevista com Matheus Cargnin Rodrigues, aprovado em 22º lugar no concurso SEFAZ CE no cargo de Auditor Fiscal:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Matheus Cargnin Rodrigues: Olá! Tenho 26 anos, sou natural do Rio Grande do Sul e sou formado em Ciências Contábeis pela UFRGS.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Matheus: Ser contador ou auditor independente nunca me atraiu muito, pelo excesso de trabalho e muitas vezes remuneração baixa e pouco reconhecimento. A decisão de começar a estudar veio da vontade de uma vida mais tranquila, com férias e carga horária de trabalho bem definidas, além de uma remuneração atraente e que pode dar conforto para toda família.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Matheus: Comecei estudando em abril de 2018 enquanto trabalhava em um escritório de contabilidade, mas logo percebi que precisaria de uma dedicação maior para ser aprovado. Em janeiro de 2019, pedi demissão para me dedicar 100% aos estudos e, desde então, “apenas” estudo. Uso aspas porque só quem se dedica totalmente a isso sabe a quão cansativa e difícil é a vida do concurseiro, principalmente o que “só” estuda.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Matheus: Considerando aprovado nas vagas e boa colocação em cadastro reserva.
Cargo – Posição da Ampla Concorrência
Auditor-Fiscal da Receita Municipal de Caxias do Sul/RS: 12°
Auditor de Controle Interno de Porto Alegre/RS: 11°
Auditor Fiscal de Porto Alegre/RS: 47°
Auditor Fiscal de Gramado/RS: 37°
Auditor-Fiscal Novo Hamburgo/RS: 12°
Assistente Tributário Itajaí/SC: 24°
Auditor da Carris (Companhia de Ônibus): 4°
Contador do Grupo Hospitalar Conceição (GHC/RS): 2°
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?
Matheus: É uma sensação inexplicável. Uma mistura de alegria, alívio, sentimento de dever cumprido. (Mas ainda não comemorei, visto que ainda tem recursos da discursiva e prova de títulos rs)
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Matheus: Eu era bem rígido na carga horária de estudo de segunda a sábado (média de 6h por dia) e tirava o domingo de folga para sair com meus amigos e fazer qualquer coisa que não fosse relacionada a concurso.
Durante a pandemia, continuei na mesma carga horária, mas a folga aos domingos passou a ser em casa, assistindo algum filme ou dormindo para recarregar as energias mesmo.
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Matheus: Estou solteiro, não tenho filhos e moro com a minha mãe.
Meus pais sempre me apoiaram, desde que eu decidi começar a estudar, tanto financeira quanto emocionalmente. Acho que nem eles imaginavam que levaria tanto tempo assim, mas continuaram me apoiando porque eles viam o esforço, minhas privações para estudar e todas as horas de estudo que eu dediquei.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Matheus: Como toda boa pergunta, tem como resposta: depende.
Eu faria outros concursos com algumas condições: não estar trabalhando e estar precisando do dinheiro; as matérias forem similares e não irão tirar tanto o foco do meu concurso dos sonhos; e por último, se eu me veria fazendo aquele trabalho no dia a dia, porque no meu caso, eu não faria concurso para PM, por exemplo, porque eu não me vejo sendo policial.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?
Matheus: Desde que os rumores do edital começaram a esquentar: final de abril / início de maio. Então, focado na SEFAZ/CE foram uns 3 meses de estudo direcionado.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Matheus: Durante esses quase 3 anos de dedicação total aos estudos, tive sim momentos de estudo sem edital.
No começo, meu foco era finalizar o ciclo básico, então tinha motivação de sobra. Depois disso, virou rotina e eu não precisava mais de motivação, eu simplesmente acordava e ia estudar. Claro que tive alguns dias desmotivado, mas foram exceção. Nesses dias, eu gostava de assistir entrevistas com aprovados, ver notícia de algum concurso que eu tinha interesse e estava por sair e lógico, o famigerado contracheque de auditor para dar um gás a mais…
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?
Matheus: Antes de começar a estudar, eu pensava que curso online não seria para mim, mas percebi que é a 8° maravilha do mundo. Eu podia estudar a hora que eu quisesse, sem tempo de deslocamento e sem a enrolação do presencial.
Depois de assistir várias lives no canal do YouTube do Estratégia, montei meu ciclo de estudos e foquei principalmente nos PDFs, pela simplicidade, agilidade e retenção de conteúdo. Optava pelas videoaulas nas disciplinas que eu tinha dificuldades, como português e estatística, ou para revisar o assunto (na velocidade 2.0 ou 2.25) mais paro fim do dia, nos dias que eu já estava cansado, só pra ajudar a internalizar mais o conteúdo.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Matheus: Meados de 2018, eu tinha começado a estudar por um cursinho local aqui de Porto Alegre e estava procurando por técnicas de estudo para concurso. Assisti uma live de como montar ciclo e várias outras. Até que para o concurso da SEFAZ RS, resolvi comprar o pacote e depois virei assinante vitalício.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?
Matheus: Na disciplina de Tecnologia da Informação, existe uma matéria chamada PMBOK, um guia sobre desenvolvimento de projetos. Nesse guia, existe um conceito de EAP (estrutura analítica do projeto), que é a decomposição de todas as fases de um projeto em pequenas tarefas mais fáceis de serem realizadas e atingidas individualmente.
Quando comecei a estudar, eu não conhecia esse conceito, mas intuitivamente eu desenvolvi uma EAP para estudar. Eu destrinchei todas as disciplinas da área fiscal por assunto e criei cadernos de questões separados por assuntos, para que eu pudesse identificar os pontos falhos e focar neles.
Comecei estudando as básicas da área fiscal: Português, RLM, Contabilidade, Constitucional, Administrativo e Auditoria. Conforme ia concluindo e com bom percentual de acertos, adicionava novas matérias aos poucos.
Meu ciclo variava muito, quando eu enjoava, reprogramava todo ele, para dar um ânimo a mais. Mas estudava mais de uma matéria por dia, em média 1h cada. Acabava vendo 5-6 matérias por dia.
Procurava fazer resumos somente das matérias mais conceituais. Os direitos eu preferia ler a letra da lei, marcar o essencial (prazos, exceções e conceitos) e criei um arquivo para cada matéria para adicionar as jurisprudências ou doutrinas que já tinham caído em prova ou novos entendimentos do STF, por exemplo.
No começo eu tentei implementar revisões de 24h, 7 dias e 30 dias, mas depois de 1 mês eu desisti, porque era muito tempo revisando e não avançava. Decidi revisar um tópico ou lei antes de cada hora de estudo daquela disciplina e depois fazer uma bateria de questões. Com o tempo, percebi que não precisava revisar tanto e passei só para questões e voltava no resumo ou lei quando errava alguma questão.
No meu ciclo tentava intercalar matérias de direito com matérias que envolviam cálculo e principalmente deixava as que eu tinha dificuldade para o início do dia, quando eu ainda estava com a cabeça fresca e deixava as que eu tinha facilidade, como tributário, para o final do dia.
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Matheus: Eu sempre tive dificuldade em português e estatística. O único jeito de ser aprovado seria superá-las, então além das videoaulas, foquei bastante em questões. Cheguei a fazer questões de português todos os dias e isso ajudou demais para pegar o jeito da banca.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Matheus: A reta final da SEFAZ CE foi mais intensa que o normal, porque o edital foi fora da curva. Passei as 2-3 primeiras semanas só focando nas matérias novas que eu nunca tinha estudado, como administração geral, administração pública, economia brasileira e internacional, educação fiscal, etc.
As duas últimas semanas antes da prova foram dedicadas a revisar tudo. Cheguei a fazer 50h por semana. Foi o sprint final.
Na véspera da prova eu fiquei trancado no hotel, assistindo a revisão de véspera e revisando a legislação local. Descanso mesmo só depois da prova.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Matheus: O importante na prova discursiva do CEBRASPE é o conteúdo. A parte gramatical tem peso só de 5%. Então foi uma preparação dupla, enquanto estudava para a objetiva já pensava em possíveis questões para discursiva e fazia marcações no material para revisar aqueles pontos no sábado antes da prova. Resolvi 1 questão por semana no pós edital, para treinar a escrita mesmo e o tempo de resolução.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS.
Matheus: Eu diria que eu errei ao dedicar muito tempo para as matérias que eu já estava bem e que traziam muito conforto, como tributário por exemplo, que eu acertava entre 90-95% das questões no SQ. Esse tempo podia ter sido dedicado a outras matérias em que eu não estava ainda nesse nível.
Meu maior acerto, sem dúvida, foi criar uma base forte no ciclo básico da área fiscal. Isso fez com que eu tivesse tempo no pós edital para focar nas novidades ainda não estudadas.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Matheus: O mais difícil sempre foi o dia seguinte ao resultado de alguma prova feita. A sensação de que não tinha sido suficiente, parecia que todo o esforço tinha sido em vão.
Já assisti diversas entrevistas de aprovados falando que nunca pensaram em desistir. Sempre achei incrível. Mas comigo foi diferente, nesse pós edital da SEFAZ CE, toda semana eu pensava em desistir, porque era muita coisa nova e parecia que não daria tempo de ver tudo, e realmente não deu. Mas eu segui, porque eu sabia que estava difícil para todo mundo e só iria passar quem tivesse a tranquilidade de conseguir chegar na prova sem surtar (rsrsrs…).
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Matheus: Não consigo escolher 1 única principal, foi um mix de desejo de morar na praia, fugir do frio do sul, poder ajudar minha família, uma boa remuneração e um trabalho digno e com fundo social, afinal o auditor fiscal auxilia o estado na arrecadação de tributos, para que o mesmo possa prover suas políticas públicas aos cidadãos.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Matheus: Depois de tantos anos, tenho alguns conselhos (rs):
Tenha um bom planejamento, se tiver com dificuldades de se organizar siga a rilha Estratégica; Confie no material do professor, ele tem o essencial para a aprovação; Faça muitas questões e refaça as erradas sempre que possível. E Confie no seu potencial. Passar em concurso é “Simples”, mas não é fácil. Por isso, Estude o conteúdo, Revise suas marcações/resumos e Faça questões que já caíram em provas anteriores.
Por fim, só comece se você estiver mesmo disposto, porque o caminho é longo, cheio de buracos, altos e baixos. Mas vale a pena!