Aprovada no Concurso PGE PE
“O servidor público ainda é muito estigmatizado, e cabe a nós, concurseiros e futuros servidores, fazer um trabalho de excelência e mudar essa imagem”.
Confira nossa entrevista com Beatriz Thompson, aprovada em 12º lugar no concurso PGE PE para o cargo de Analista Administrativo de Procuradoria, especialidade em Gestão Pública:
Estratégia Concursos: Você é formada em que área? Qual sua idade? De onde você é?
Beatriz Thompson: Sou formada em Engenharia de Alimentos, pós-graduada em Gestão Orçamentária e Financeira, tenho 28 anos e sou do Rio de Janeiro, mas atualmente resido em Caruaru-PE.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Beatriz: O pontapé inicial foi quando meu então noivo foi empossado em um concurso aqui em Pernambuco. Eu ainda estava no RJ, tentei ser transferida e não consegui. A dificuldade logística e a angústia de pedir demissão e ter que recomeçar, somadas com a possibilidade de ter que passar por isso de novo em uma eventual remoção, me levaram a concluir que, considerada a minha realidade, o estudo para concursos seria o melhor caminho. A estabilidade também foi um fator que pesou muito.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseira, você trabalhava e estudava, ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Beatriz: Nos primeiros três meses, conciliei com o trabalho. Chegava mais cedo na empresa e aproveitava uma hora antes de iniciar a jornada, almoçava rápido para conseguir estudar 30-40 minutos, e seguia estudando por mais 3h quando chegava em casa. Depois, com a mudança, passei a me dedicar inteiramente aos estudos.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovada? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Beatriz: Fui aprovada no cargo de Analista de Gestão Pública na PGE-PE (12° lugar). Fui nomeada na Prefeitura de Recife para Assistente de Gestão Pública (17° lugar), e estou no cadastro de reserva de Técnico Ministerial do MP-PE (27° lugar) e de Analista de Gestão Administrativa da Prefeitura de Recife (62° lugar).
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados(as)?
Beatriz: Um misto de incredulidade e alívio. É muito emocionante, faz o esforço valer a pena.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Beatriz: Mantive a vida social. Estudava de 2ª a 6ª como se fosse uma “jornada de trabalho”, em geral também pela manhã aos sábados e domingos, mas nunca abdiquei de ter momentos de lazer com meus amigos e família. Também achei importante continuar praticando atividade física com regularidade.
Estratégia: Você já está casada? Tem filhos? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseira? Se sim, de que forma?
Beatriz: Sou casada, não tenho filhos, e moro apenas com o meu marido. Ele apoiou muito a escolha, e já incentivava mesmo antes de eu decidir estudar. Além de entender a dedicação necessária, que às vezes nos obriga a abdicar de momentos de lazer, me possibilita ter acesso a materiais de qualidade e esclarece eventuais dúvidas que surgem nas matérias de Direito. E, mais importante, me dá o suporte emocional que é tão necessário para a caminhada.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?
Beatriz: Se o concurso em paralelo não requerer um ajuste muito grande na rotina de estudo, ao ponto de tirar o foco do que realmente interessa, acho que vale a pena sim. Às vezes a aprovação em um concurso escada é o combustível necessário para seguir em frente. Meu objetivo inicial já foi alcançado, que era ser aprovada como analista na área administrativa. No momento estou redirecionando meu estudo para a área fiscal.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovada?
Beatriz: 4 meses, mas já carregava bagagem dos concursos anteriores. No total, tinha aproximadamente um ano de estudo.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Beatriz: Até o concurso da PGE, sempre estudei no pós-edital. Após, para manter o foco, é preciso realmente estabelecer uma rotina de estudos e manter-se fiel a ela.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Beatriz: Por indicação de amigos.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? O que funcionou melhor para você?
Beatriz: Principalmente cursos em PDF e sites de resolução de questões, além da leitura da lei seca. Eventualmente, quando tenho mais dificuldade em um assunto, opto por assistir videoaulas.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso?
Beatriz: Estudava em média 7h a 8h por dia durante a semana e 3h a 4h nos finais de semana, fazendo ciclo de todas as matérias do edital – eram apenas 6, mas o conteúdo de gestão pública é muito extenso. Além disso, o concurso teve uma etapa discursiva, então eu fazia pelo menos 2 dissertações por semana. Foquei na leitura do material, seguida da resolução dos exercícios comentados das aulas e depois baterias de questões em sites específicos. Durante a resolução de questões eu costumo montar um pequeno resumo com pontos que geraram dúvidas. Com certeza a resolução massiva de questões é o que faz diferença na hora de memorizar todos os detalhes.
Estratégia: Você tinha mais dificuldade em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Beatriz: Tinha dificuldade em Direito Constitucional, por ser uma matéria muito extensa e com muitos detalhes que não bastam ser entendidos, precisam ser memorizados. Comecei a fazer leituras da Constituição com mais frequência e a resolver mais exercícios.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Beatriz: Mantive a carga horária que eu já fazia, mas intensifiquei a resolução de questões. Na véspera, também resolvi questões, mas apenas durante uma parte do dia, e aproveitei para descansar no restante.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Beatriz: A prova discursiva certamente era meu ponto de maior preocupação no concurso, principalmente, porque eu vinha de um resultado ruim – saí das vagas no concurso do MP-PE por causa dessa etapa. Minha estratégia foi resolver o máximo possível de provas anteriores da banca, comparando com o espelho de resposta. Com isso, fui ganhando velocidade, percebendo que alguns temas se repetiam e entendendo o estilo de correção. Foi fundamental para conseguir uma boa pontuação e garantir a minha vaga.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Beatriz: Meus primeiros meses de estudo foram excessivamente intensos. Cheguei a estudar durante um período, aproximadamente, 13h por dia, o que é insustentável e nada saudável. Atingi um nível de cansaço que me fez sentir como se meu cérebro não fosse capaz de absorver mais nada! Por outro lado, sempre ter encarado o estudo como um trabalho foi um grande acerto, pois estabeleci um compromisso comigo mesma.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Beatriz: O mais difícil é que, infelizmente, as coisas no mundo dos concursos não acontecem na velocidade que a gente gostaria, o que é muito frustrante e desestimulante. Além disso, todo o processo é extremamente cansativo. Pensei em desistir algumas vezes e, nesses momentos, procurei me lembrar dos motivos que me fizeram começar e aonde quero chegar.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Beatriz: Ter uma boa carreira, uma vida confortável e fazer a diferença na sociedade. O servidor público ainda é muito estigmatizado, e cabe a nós, concurseiros e futuros servidores, fazer um trabalho de excelência e mudar essa imagem.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Beatriz: Foque na qualidade do estudo e não na quantidade de horas. O famoso “HBC” não vale nada se não for produtivo. Reconheça quando parar – às vezes, pausar 20 minutos é o que fará a diferença no seu rendimento pelo resto do dia. O equilíbrio entre a dedicação e os momentos de descanso é fundamental! Por fim, persista! Vai valer a pena quando você encontrar seu nome no Diário Oficial!