Aprovado no concurso SEFAZ-AL
“Não queira reinventar a roda. Siga os conselhos e dicas das pessoas que já chegaram lá. É claro que sempre precisamos adaptar alguma coisa a nossa realidade. Contudo, é melhor seguir um caminho que comprovadamente leva ao destino do que tentar criar um novo caminho. Esteja sempre consciente de onde você está hoje e aonde quer chegar. É muito importante refletir sobre isso para não abandonar seus objetivos”
Confira nossa entrevista com Matheus Lima Carneiro, aprovado em 27º lugar no concurso SEFAZ-AL no cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual:
Estratégia Concursos: De onde você é? Qual é sua idade? E sua formação?
Matheus Lima Carneiro: Sou gaúcho, de porto Alegre, tenho 25 anos e sou formado em Ciências Contábeis pela UFRGS.
Estratégia: Você chegou a trabalhar na sua profissão? O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Matheus: Cresci em um ambiente de muita instabilidade financeira, meus pais sempre pulando de um emprego para outro, de uma casa para outra. Desde a adolescência, tinha a ideia de que eu queria algo mais estável para mim. Fiz alguns estágios que não me convenceram quanto ao setor privado. Resolvi então que seria servidor público. Durante a graduação passei no concurso para Assistente Técnico-Administrativo do então Ministério da Fazenda, com apenas 3 meses de estudo. Dessa forma, nem precisei exercer a profissão contábil.
Estratégia: Como foi a escolha pela área fiscal? O que pesou mais para você quando teve que definir esse foco de estudo?
Matheus: No início eu tinha dúvida quanto a duas carreiras: Auditor Fiscal ou Juiz. Naquele momento da vida, julguei que a carreira de Juiz demandava muito mais do que conhecimentos acadêmicos e tem um reflexo muito grande na vida das pessoas. Ao meu ver, saindo da faculdade com 21 anos, eu não teria maturidade e experiência de vida para desempenhar a profissão com excelência. Decidi pela área fiscal porque, além da remuneração, eu estaria desempenhando um ofício com gosto pela atividade. Por tudo que havia pesquisado sobre o trabalho de um Auditor Fiscal, fui capaz de me visualizar feliz nesta carreira. O maior peso que dei para estabelecer esse foco de estudo foi a associação de remuneração e atividade desempenhada pelos auditores fiscais. Nunca deixei apenas o dinheiro determinar meus objetivos.
Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?
Matheus: Quando passei no meu primeiro concurso, ainda em 2014, eu fazia faculdade. Após ter desistido de um dos meus estágios, resolvi começar minha tão sonhada jornada no setor público. Estudei por 3 meses, sendo dois no período de férias da faculdade e um conciliando as aulas da graduação. Assumi o cargo em 2015 e me formei em 2016. Naquele momento, tomei uma decisão imatura e resolvi parar os estudos para a área fiscal, pelo menos por “um tempo” (período esse não preestabelecido). Em 2017 me dei conta de que eu estava sendo desleixado com meu objetivo. Retomei os estudos, mas como não havia edital na área, sempre com pouca motivação eu acabava desistindo. Estudava dois meses e parava. Quando começava de novo, tinha que iniciar tudo outra vez e logo parava. Em 2018 surgiu uma excelente oportunidade, o ICMS de Santa Catarina. Retomei os estudos enquanto trabalhava e fazia curso de espanhol. Em 2019 acrescentei a minha rotina uma pós-graduação em Direito Tributário. Vi meu desempenho no concurso de Santa Catarina com muito orgulho. Apesar de ter ficado em “milésimo e alguma coisa”, nas matérias que eu já tinha tido contato antes do edital, eu tive nota de candidato aprovados dentro das vagas! Percebi que estava no caminho. Mesmo com a rotina pesada de trabalho, curso de espanhol, pós-graduação e concursos, eu conseguiria.
Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?
Matheus: Fiz muitos concursos para desenvolver tranquilidade no dia da prova. Dentre 3 que realmente me dediquei, fui aprovado em 2, o primeiro em 2014 para Assistente Técnico-Administrativo do Ministério da Fazenda e, agora em 2020, para Auditor Fiscal da Receita Estadual do Estado de Alagoas. Em 2014, fiquei em 26º lugar para minha cidade, de um total de 26 vagas! Era o que eu precisava: estar dentro. Agora em 2020, para AFRE/AL, estou em 27º colocado de um total de 48 para vagas de acesso universal.
Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?
Matheus: Estudei sem edital algumas vezes e desistia por falta de motivação. Depois de fazer a prova do ICMS de SC em 2018, me dei conta de que eu precisaria de mais tempo do que o período entre o edital e as provas. Foi então que, mesmo com poucas matérias, me mantive estudando até a prova do concurso de Alagoas. Minha motivação durante esse período era mudar de vida e atingir meu objetivo profissional o mais rápido possível. Olhava para os jovens da minha idade e via curtição em baladas, indefinição de carreira e de sonhos e aquilo me chocava. Voltava ainda mais minha atenção aos estudos! Um dos grandes segredos da caminhada de concurseiro é “não querer reinventar a roda”. Se as pessoas que passam em concursos de alto nível explicam como estabelecer rotinas e como estudar de forma eficiente para atingir a aprovação, por que eu iria fazer diferente? Criei ciclos de estudos, horários bem definidos, metas e objetivos. A disciplina vem automaticamente quando o desejo pelo sucesso é grande. Quando a motivação diminui, o momento exige reflexão para lembrar o porquê de tanto esforço! Quando a gente se recorda disso, a energia surge e somos capazes de muito mais do que supomos conseguir.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Matheus: Conheci o estratégia por meio de pesquisas na internet, em fóruns de opiniões dos concurseiros. Vi excelentes comentários dos alunos e me encantei com as aulas demonstrativas disponibilizadas pelo Estratégia.
Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? O que funcionava melhor pra você? Videoaulas, PDFs, livros?
Matheus: No meu processo de aprendizado, prefiro ler e resolver questões. Gastei muito dinheiro com livros, mas me dei conta de que os PDFs do Estratégia eram completíssimos e eu estava estudando em duplicidade. Resolvi focar nos PDFs e confiar nos professores, afinal, era o papel que o Estratégia assumia publicamente (PDFs completos para não haver necessidade de outros materiais). Utilizei videoaulas somente quando o assunto era totalmente maluco para mim; posso citar Estatística e Economia.
Estratégia: Quantas horas por dia costumava estudar?
Matheus: Devido à rotina de trabalho, às aulas de espanhol e ao curso de pós-graduação, minha carga de estudos girava em torno de 5 a 6 horas no máximo. Além das 6 horas eu me sentia esgotado e não absorvia o conteúdo.
Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos?
Matheus: Meu segredo: não estudei todo o conteúdo! Foquei naqueles assuntos com maior probabilidade de aparecer na prova. Naquilo que não deu tempo, passei os olhos para não perder questões fáceis. Eu não teria tempo hábil para ver todo o edital. No pré-edital, eu costumava estudar 6 matérias por vez, geralmente iniciando pelas matérias básicas que são cobradas em todos os concursos da área fiscal. Com edital em publicado eu foquei nas matérias que eu não havia visto, mas sem deixar de revisar as outras, logo, chegou um momento que eu via todas as matérias num mesmo ciclo. No início eu fazia resumos. Com o tempo percebi que não era eficiente para mim e comecei a grifar o que eu achava importante nas aulas de forma eletrônica mesmo. Criei uma pasta para cada matéria e colocava os PDFs de aulas já estudadas e grifadas. No momento de revisar, lia todas marcações após uma bateria de exercícios. Após o estudo de cada aula, eu prefiro resolver mais questões que voltar na aula em si. Adquirir know-how na forma como a banca exige o conteúdo é muito importante, até para saber o que é mais cobrado e focar nas revisões pré-prova. Quando errava alguma questão, lia os comentários dos professores. Para montar um plano de estudos segui as orientações dos gurus da área de concursos e professores do Estratégia. Comecei pelas matérias básicas, por meio de ciclos de estudos e sempre revisando bastante. Conforme finalizava alguma matéria, adicionava outra, sempre cuidando para não deixar matérias muito relacionadas em sequência (a fim de evitar a fadiga).
Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?
Matheus: Tive certo grau de dificuldade com Estatística, Economia e TI. Tinha uma atitude errada de já iniciar os estudos dessas matérias pensando “não consigo aprender isso”. Com o tempo me dei conta de que com a repetição de questões, o cerébro internalizava as coisas de uma forma incrível. Chegou um momento que eu acertava algumas questões de Economia no automático! Eu não era um grande conhecedor da matéria, mas sabia o que a banca queria e qual alternativa marcar. Foi essencial acreditar que eu era capaz de superar minhas dificuldades e acima de tudo me dar conta de que eu estava estudando para acertar questões e não para ser especialista nessas matérias. A repetição é essencial para esses conteúdos. Quando nos damos conta, sabemos de tanto que já erramos as questões!
Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?
Matheus: Sou solteiro, sem filhos e atualmente moro sozinho. Durante minha caminhada nos estudos tive um relacionamento que me tirou um pouco do foco. Minha família sempre entendeu e apoiou quando eu deixava de ir a alguma reunião familiar ou ficava pouco tempo nas comemorações. Minha avó paterna prestou essencial suporte emocional quando eu fraquejava e me desmotivava, bem como suporte financeiro (sempre tive os cursos e livros que eu quis durante esses anos). Houve algumas críticas quando eu me isolava demais, mas eu soube lidar bem com cada situação sem alterar minha disciplina.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?
Matheus: No pré-edital eu costumava ir para balada de vez em quando para curtir com os amigos e esvaziar a cabeça. Muitas vezes eu ia até a fila das festas, conversava com o pessoal e voltava para casa para não atrapalhar minha rotina de sono. Claro que houve momentos que eu aumentava a frequência dessas escapadas, mas sempre me corrigia e voltava para a rotina. Com a família costumava dedicar parte dos domingos, geralmente com almoços semanais. Nunca fui tão radical porque, querendo ou não, nosso tempo é o bem mais valioso. Não me privei de viajar nas férias, de sentar para conversar na incrível Orla do Gasômetro em Porto Alegre, de estar presente quando toda a família se reunia. Apenas cuidava, para que a vida social não invadisse minha programação de forma a me desvirtuar consideravelmente dos estudos.
Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior? (Se esse ainda não é o concurso dos seus sonhos, se possível, citar qual é se pretende continuar se preparando para alcançar esse objetivo)
Matheus: Concursos “de escada” a meu ver são importantes se você precisa de um emprego. Sempre cuidei para não estudar para uma área totalmente diferente, mas ter outras possibilidades é sempre bom. Quando você é aprovado, ajuda inclusive na sua confiança e tranquilidade nas provas mais difíceis. Meu grande objetivo era a Receita Federal e não deixo de considerar estudar para o concurso. Porém, com esse novo passo na minha carreira, no qual fui aprovado na área fiscal e para uma região onde pretendia morar, posso me dar ao luxo de decidir parar com a vida de concurseiro e curtir o resultado de tanta dedicação!
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso em que foi aprovado?
Matheus: Para a área fiscal eu vinha estudando desde setembro de 2018. Mas sempre com matérias básicas. Não cheguei a completar todas as matérias antes do edital. Quando surgiu o edital, houve matérias que eu só tive os 3 meses anteriores da prova para aprender.
Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados?
Matheus: Tive dois momentos incríveis nas divulgações do concurso. O primeiro quando eu estava entre as provas discursivas corrigidas, ou seja, dentre milhares de candidatos eu consegui estar entre os 135 primeiros. Quando saiu o resultado definitivo da prova discursiva, foi um momento indescritível. Ver que todo o esforço e tudo que abri mão durante o tempo de estudo me permitiram atingir esse objetivo é gratificante demais. É a materialização de um sonho.
Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?
Matheus: Nas semanas anteriores à prova, eu tirei férias do serviço e foquei exclusivamente nos estudos. Acordava cedo e já começava a estudar. Fiquei na casa da minha avó para evitar ter que me preocupar com cuidados da casa e comida. Estudava durante toda a manhã e toda a tarde. À noite eu deixava para descansar e assistir alguma série. Na véspera da prova eu não aguentava mais e sabia que não iria aprender nada novo. Decidi ficar no hotel para estar física e psicologicamente descansado no dia da prova.
Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Matheus: Eu pequei nessa área de estudo! Durante minha jornada dei completa atenção para as matérias e questões objetivas. No mês anterior à prova é que resolvi olhar o disciplina de prova discursiva. Tomei um susto! Percebi que fui ingênuo ao acreditar que saber o conteúdo seria suficiente. Não consegui praticar nenhum texto escrito. Vi as dicas dos professores e os exemplos de construção que eles deram nas aulas. Resultado: perdi pontos preciosos nas provas discursivas, mas pelo meu excelente desempenho nas matérias de peso 3, não fui tão afetado na classificação. Meu conselho é praticar muito para esse tipo de questão. Geralmente para a área fiscal eles cobram aplicações práticas de legislação. É muito importante saber dissertar tecnicamente sobre as matérias.
Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?
Matheus: Meu maior erro foi ter deixado a prática de provas discursivas de lado. Não estar preparado para ela poderia ter me tirado do jogo e de nada adiantaria um bom desempenho na prova objetiva. Outro erro foi ter parado de estudar algumas vezes. Por mais que você queira dar um tempo, não deixe de revisar o que já viu. Assim, quando voltar a estudar você não deu nenhum passo para trás. Já meu maior acerto foi estudar com um objetivo sólido, para uma área que me trará satisfação de trabalhar e seguindo as dicas de pessoas que já tinham atingido o mesmo objetivo.
Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?
Matheus: O mais difícil é o foco no longo prazo quando não há edital. É muito fácil se desmotivar e encontrar distrações pelo caminho. A gente trabalha muito por recompensa e no longo prazo é fácil se deparar com algo que nos ofereça uma recompensa legal, rápida e com menos esforço. Nunca cheguei a desistir de ser Auditor Fiscal, mas houve momentos que eu posterguei meus estudos, postergando também o sucesso dessa jornada. Um relacionamento novo nos tira muito do caminho, a pressão social quando não temos um prazo para a prova se torna, por vezes, muito convincente. Sempre fui uma pessoa que reflete muito sobre onde estou e para aonde quero ir. Nesses momentos que me desviei dos estudos, volta e meia sentava e analisava o que eu estava fazendo para ter a vida que eu queria. Quando a resposta era “quase nada” eu criava uma força de vontade incrível, que me dava energia para retomar meu caminho. Assim, é sempre bom lembrar o que nos motiva e trabalhar com autorreflexão.
Estratégia: Qual foi sua principal motivação?
Matheus: Minha maior motivação para o setor público era a estabilidade e a carreira da área fiscal em si. Além disso, vejo o setor público como um ambiente mais harmonioso para se trabalhar; não há disputa como ocorre no setor privado.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Matheus: O maior conselho para quem está iniciando nos concursos ou mesmo para quem já estuda, mas está tendo dificuldades: não queira reinventar a roda. Siga os conselhos e dicas das pessoas que já chegaram lá. É claro que sempre precisamos adaptar alguma coisa a nossa realidade. Contudo, é melhor seguir um caminho que comprovadamente leva ao destino do que tentar criar um novo caminho. Esteja sempre consciente de onde você está hoje e aonde quer chegar. É muito importante refletir sobre isso para não abandonar seus objetivos. Se você tomar atitudes de pessoas medianas, vai ter resultados medianos. Quer estar acima da média? Faça o que é preciso e o que poucos estão dispostos a fazer.