
“[…] a aprovação é uma ponte que só você pode construir, com a sua própria rotina, seus erros convertidos em aprendizados […]”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com RENAN FERREIRA REMIZ, aprovado em 1° lugar no concurso CRN-3 para o cargo de Advogado:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Há quanto tempo se formou em Direito? Qual sua idade e cidade natal?
Renan: Meu nome é Renan, tenho 34 anos e sou natural do Rio de Janeiro. Eu me formei em Direito em 2015 e sou advogado há mais de 10 anos.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos? Escolheu seu curso superior já pensando em fazer concurso ou chegou a advogar?
Renan: Meu pai é servidor público e cresci o vendo se dedicar a sociedade ao mesmo tempo em que recebia o suficiente para dar a mim e a nossa família uma vida digna. Inicialmente, escolhi fazer Direito pensando em seguir a carreira de Defensor Público. Um estágio na PGE-RJ, no meu último ano de graduação, fez com que eu me interessasse pela carreira de Procurador de Estado e, a partir de então, mudei meu foco para concursos de Procuradorias.
Estratégia: Sempre fez concursos para carreira jurídica?
Renan: Sim, esse sempre foi o meu objetivo. Mas cheguei a prestar diversos concursos depois da faculdade.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Renan: Sim, estudava na parte da manhã, trabalhava no período da tarde/noite e complementava os estudos à noite. Mas essa rotina nem sempre foi fixa, tive que adaptá-la e flexibilizá-la algumas vezes, a depender da necessidade.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Renan: Ao longo da minha trajetória, fui aprovado em alguns concursos.
5º lugar para Procurador do Conselho Regional de Administração (CRA-SP)
1º lugar para Advogado do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3)
Como ainda aguardo a convocação para o CRN-3, continuo estudando para Procuradorias.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Renan: Eu já vinha em uma toada de diversos concursos de Advocacia Pública em geral. Então, aproveitei todo o conhecimento acumulado e, somado a isso, fiz um estudo pós-edital direcionado ao concurso para Advogado do CRN-3.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Renan: PDFs de curso extensivo, leitura de lei seca, revisão por meio de flashcards, grifos e resolução de muitas questões, principalmente as disponíveis no Direto ao Ponto do curso regular para Procuradorias do Estratégia.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Renan: Pela internet. Sou aluno do Estratégia há anos, o que me ajudou a construir e acumular um bom conhecimento, principalmente em matérias gerais de concursos públicos, como Língua Portuguesa, Direito Constitucional e Direito Administrativo.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Renan: Sim. O que mais me incomodava era o foco em um estudo passivo, com aulas expositivas extensas. Hoje, vejo que o aluno precisa se colocar à prova, realizando um estudo ativo, formando uma base forte, fazendo questões e revisando estrategicamente. Também é importante melhorar a gestão do tempo com simulados – ou provas mesmo – e se colocar na zona de desconforto da leitura da lei seca. Entretanto, penso que, em certas situações e a depender do nível do aluno em cada ponto da matéria, as videoaulas podem ser de grande valia. Se encaixadas de forma estratégica na rotina diária, ou caso o aluno esteja iniciando do absoluto zero, algumas aulas, pontuais, objetivas e introdutórias sobre determinados temas podem ser muito importantes. Porém, é sempre interessante mesclá-las com um estudo ativo.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Renan: Sim. Não fui aprovado, principalmente pelo fato de ter feito um estudo mais passivo.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Renan: Sem dúvidas. Meu estudo passou a ser mais estratégico, objetivo e pragmático. Como já mencionei, além de toda a formação de base nas matérias gerais de concursos públicos, tanto por meio do material pago quanto do conteúdo gratuito no canal do Estratégia no YouTube, foi muito importante a resolução das questões do curso Direto ao Ponto, com correções realizadas pelos professores tanto por escrito quanto em vídeo.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Renan: Montei meu plano de estudos com base no conhecimento que já havia acumulado e na análise de provas anteriores. Primeiro, procurei entender o que poderia ser mais cobrado, criando uma espécie de “olhar do examinador”. A partir daí, analisei ponto a ponto o conteúdo programático do edital e dividi o tempo que tinha até a prova, traçando metas diárias de estudo. Considerei o número de questões, o peso de cada matéria, a relevância de cada tópico e o meu nível em cada conteúdo. Assim, fui identificando e aprimorando os pontos que precisava revisar. Sim, intercalava as matérias, estudando uma por dia e revisando outra. Apenas na semana da prova foquei nos pontos que considerei mais importantes e prováveis de serem cobrados, independentemente da matéria. Não sei precisar exatamente quantas horas líquidas estudava. O que eu tentava fazer era manter uma constância de, no mínimo, quatro horas diárias, mas nem sempre isso foi possível.
Na semana da prova, essa carga de estudos aumentou para, pelo menos, seis horas diárias.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Renan: Revisava meus próprios grifos nos PDFs e meus principais erros nas questões, utilizava flashcards e, na véspera da prova, revisava bastante a lei seca.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Renan: É essencial. Porém, mais importante do que fazer milhares de questões é fazer as questões certas. Aliadas a um PDF de formação de base, com o conteúdo essencial e atualizado de lei, jurisprudência pontual e doutrina pontual sobre determinada matéria, elas me ajudaram a encurtar o caminho. Não faço ideia de quantas questões fiz, mas foram muitas.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Renan: Na semana que antecedeu a prova, procurei elaborar a melhor estratégia possível em termos de gestão do tempo, a fim de conciliar da melhor forma a realização da prova objetiva com a discursiva. Mesclei o estudo dos pontos do conteúdo programático que, com base na experiência prévia de prova, no peso e na quantidade de questões, entendi serem mais importantes com aqueles assuntos que eu sentia que precisava melhorar e aprender, pelo menos, o básico. No dia anterior à prova, tentei fazer rapidamente uma espécie de “sobrevoo” sobre os principais pontos de todas as matérias, especialmente da legislação aplicada ao CRN-3.
Estratégia: Concursos para carreira jurídica são compostos por várias fases. Como foi sua preparação para a prova discursiva?
Renan: Quanto à prova discursiva, é essencial ter em mente que, embora seja uma etapa discursiva, as limitações de tempo fazem com que ela tenha, de certa forma, um caráter objetivo. Nesse sentido, minha preparação para a discursiva foi focada essencialmente em treinar a objetividade, atentando ao que está sendo perguntado, sem divagar, e a clareza na escrita, sem florear demais, mas concatenando bem os argumentos, com coerência e coesão. É importante demonstrar ao examinador tanto o raciocínio jurídico e o domínio do conteúdo aplicado ao enunciado apresentado quanto o uso das normas do registro formal culto da Língua Portuguesa.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Renan: Cada reprovação e aprovação carregam importantes aprendizados a serem colhidos. Cada erro, se bem corrigido, pode posteriormente se tornar um acerto. Foram muitos os erros ao longo dessa trajetória. Selecionei sete que considero cruciais para o desenvolvimento do meu aprendizado:
-Ter ficado por um bom tempo pulando de edital em edital e não ter ido diretamente formar uma base sólida para os concursos de Procuradorias, sem ser objetivo e pragmático logo desde o início;
-Ter ficado um bom tempo sem fazer provas, com o pensamento de que só poderia voltar a fazê-las depois de finalmente formar uma base;
-Não ter compreendido, de início, a armadilha do perfeccionismo como ferramenta de procrastinação;
-Ter me empolgado demais, por algumas vezes, com os estudos e com o trabalho, indo além do que deveria em um único dia, tendo dificuldade de parar e compreender que cada dia possui seus próprios desafios e que chega uma hora em que é preciso desligar, sob pena de isso acabar impactando a rotina do dia seguinte. No concurso, o maratonista tende a chegar primeiro que o corredor de 100 metros. Constância é ouro e autodisciplina é a ferramenta que nos liberta da procrastinação e dos impulsos imediatos;
-Ter dado mais importância a estudar novos conteúdos e negligenciar a revisão do essencial e o impacto da curva do esquecimento no processo de aprendizagem;
-Ter demorado a aprender a relação entre lei seca e questões. À medida que se aproxima a véspera da prova, a revisão por meio da leitura da lei seca, principalmente da Constituição, acaba permitindo uma revisão maior de pontos essenciais do que simplesmente ficar fazendo questões. Porém, a resolução prévia de questões ajuda a criar um olhar de filtragem em relação ao que há de mais fundamental na lei, na jurisprudência e na doutrina;
-Ter demorado a aprender a sabedoria da “água” para ser capaz de contornar certos problemas. Parar de reclamar, murmurar e criticar. Buscar mais a solução, colocando-me como protagonista da minha vida e escritor da minha própria história, compreendendo que Deus nos dá esse poder. Afinal, podemos tudo naquele que nos fortalece (Filipenses 4:13);
-Já os acertos, com certeza, o principal foi conseguir mapear todos esses erros que listei acima e tomar a atitude de verdadeiramente mudar. Nessa linha de pensamento, a célebre frase de Renato Russo – “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira” – talvez seja a maior verdade. Encarar todos esses erros de frente e decidir mudar é, sem dúvidas, o grande desafio.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Renan: Para você que está iniciando ou que já está cansado dessa jornada dos concursos, gostaria de deixar uma reflexão do filósofo Nietzsche, trazendo-a para este momento:
“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!”.
No mundo dos concursos, é igual. Vão te oferecer fórmulas mágicas, cronogramas milagrosos e métodos infalíveis. Não caia nessa. Um bom material, um bom suporte e uma boa equipe, tudo isso irá ajudar, mas, no final do dia, a aprovação é uma ponte que só você pode construir, com a sua própria rotina, seus erros convertidos em aprendizados e sua constância. Por isso, siga firme e não desista. Haverá dias difíceis, mas lembre-se: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30:5). Esse processo de estudo é um plantio doloroso, mas a promessa é real: “Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Salmo 126:5-6).
Não olhe para o lado. Não se importe demais com o que os outros vão pensar. Eles estão focados no caminho deles, ou, pelo menos, deveriam estar. Trabalhe em silêncio, foque no seu objetivo e faça o que você sabe que precisa ser feito. Pague o preço e siga o seu caminho com fé, garra e determinação. Talvez você não saiba quando ou como, mas, de alguma maneira, você chega lá. Acredite: você chega.