
“[…] nada se compara com a realização de saber que, finalmente, você venceu tudo isso.”
Leia a entrevista do Estratégia Concursos com ANTÔNIO ÍTALO HARDMAN VASCONCELOS ALMEIDA, aprovado em 2º lugar no Concurso ALE-RO para o cargo de Analista Legislativo:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Antônio Ítalo Hardman Vasconcelos Almeida: Olá. Meu nome é Antônio Ítalo Hardman Vasconcelos Almeida, tenho 33 anos e sou natural de João Pessoa-PB. Sou formado em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa e fiz Mestrado em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal da Paraíba.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Antônio: Antes de tudo, a vontade de estudar para concursos apareceu logo ao final da graduação em Direito, muito estimulado pelos meus sogros que são servidores públicos. Acredito que na minha cidade natal há um certo estímulo para a carreira pública, até mesmo dentro da faculdade já somos apresentados a uma série de carreiras jurídicas no âmbito público, seja através de professores, estágios, entre outros. Logo após conseguir êxito na OAB, por volta do 9º período, resolvi começar os estudos para concursos públicos. Meu primeiro objetivo foi a carreira de Analista Jurídico, especialmente nos Tribunais Eleitorais. Porém, deixei de lado os estudos depois de uma dura reprovação. A retomada só veio tempos depois (já casado e com filho) e, agora, a decisão de voltar a estudar era para dar uma vida melhor e mais estável para minha família. Neste segundo momento, estudar já não era pelo cargo, pelo status ou pelo salário, mas sim para ter mais tempo com minha família e conseguir planejar nossa vida de maneira mais estável.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Antônio: Sim. Por um período de tempo, logo que saí da faculdade, conseguia apenas estudar mas, por incrível que pareça, a aprovação não veio nessa época. Após uma grande frustração em determinado concurso público (reprovei por uma questão na fase objetiva mesmo tendo alcançado o famoso platô dos 80%), resolvi mudar meu foco para o Mestrado e logo que acabei fui empregado como professor na graduação em Direito. Desde então atuo como advogado e professor. A conciliação nos estudos veio através de períodos anteriores ao regime de trabalho. Iniciava os estudos por volta das 5h, antes de trabalhar, e procurava dar um foco maior nos finais de semana.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Antônio: Fui aprovado nos seguintes concursos:
- Analista Legislativo (Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia – 2º lugar);
- ANALISTA JURÍDICO (Câmara Municipal de Porto Velho – 6º lugar);
- ANALISTA JURÍDICO (Defensoria Publica do Estado de Rondônia – 9º lugar);
- DELEGADO DE POLÍCIA (Polícia Civil de Rondônia – 35º lugar);
- ANALISTA JURÍDICO (Secretaria de Assistência Social do Estado de Rondônia – 9º lugar);
- OFICIAL DE JUSTIÇA (Tribunal de Justiça de Rondônia – 80º lugar);
Sim, pretendo continuar estudando para o cargo de CONSULTOR LEGISLATIVO.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Antônio: Em momentos pré-edital sempre dei uma “folga” maior para os momentos de lazer. Porém, coloquei na cabeça que o estudo consistente valia muito mais do que o tempo de estudo diário, logo, sempre estudei de domingo a domingo mesmo em períodos pré-edital. Com o edital aberto começava a restringir mais a vida social e focar mais nos estudos, especialmente nos finais de semana. Muitos sábados e domingos de sol foram fazendo simulado em um quarto.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Antônio: Sim. Sempre tive muito apoio da minha família e dos meus amigos. Após o casamento, e com a vinda do meu filho José, a minha esposa, a Caroline, deu total apoio e por muitas vezes segurou as pontas em casa para que pudesse estudar. Muitas foram as vezes em que ela mandou o famoso: “vai lá estudar que eu cuido dele”. Também tive muito apoio dos meus sogros, Paulo Eduardo, Ramalha, Erinaldo e Sandra. Nos momentos mais difíceis, deles é que vinha uma palavra de conforto (nas reprovações) e de incentivo para continuar. Logicamente que nem tudo são flores, alguns menos próximos perguntavam se ainda estudava para concursos, por que motivo demorava tanto para passar, porém, sempre foram minoria no meu círculo familiar e social.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Antônio: Para o concurso da Assembléia Legislativa estudei por volta de 4 a 5 meses, porém, já vinha com uma bagagem forte de estudos desde 2022 quando me preparei para o concurso de Delegado de Polícia (PC/RO). Logo, o maior desafio foi manter a constância diária (colocava na cabeça que tinha que estudar no mínimo 2 horas por dia). A forma de lidar com isso foi estabelecendo metas, organizando horários de estudo e material. Foi essencial para minha aprovação, com toda certeza.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Antônio: Como já lecionava sobre muitos conteúdos abordados, tanto quanto já tinha uma certa experiência nos conteúdos jurídicos, dei foco para PDFs e materiais escritos. Apenas usei videoaulas para matérias que não dominava tanto (ex: RLM). Também optei por não fazer aulas presenciais diante do pouco tempo disponível. Outro detalhe que me ajudou foram os flashcards, usava um aplicativo no celular e revisava questões a todo tempo e onde estivesse, terminou que o estudo virou um vício. As vantagens de usar PDFs e flashcards estão no tempo e na aquisição de conteúdo (tentando evitar a curva do esquecimento). As desvantagens estão no cansaço e na fadiga gerada. Muitas vezes estudar por materiais escritos é cansativo e procurava quebrar o cansaço com questões.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Antônio: Além das redes sociais (sempre usei muito o YouTube do Estratégia), era muito comum no meu círculo de amigos ver colegas que usavam o material do Estratégia. Também circulavam nos grupos de concurseiros materiais gratuitos e simulados, sempre aproveitei estes materiais para complementar o estudo e avaliar meu desempenho. As aulas no YouTube foram essenciais para aqueles momentos em que não conseguia mais ler PDF nenhum ou em que estava nos afazeres de casa, indo ou voltando do trabalho, e conseguia deixar o áudio ligado para revisar um conteúdo.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Antônio: O grande diferencial é a possibilidade de usar materiais para revisão e organização dos estudos. Como já vinha estudando um pouco antes, consegui usar os materiais para direcionar minhas revisões, fazer simulados e conferir em que partes estava o meu ponto fraco. Também foram essenciais os materiais no YouTube, desde a análise do edital até as aulas sobre legislação específica da Assembleia Legislativa de Rondônia.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Antônio: Sempre montei meu cronograma com duas matérias por dia, de preferência aquelas que têm conteúdos aproximados (ex: Direto Penal e Direito Processual Penal). Iniciava a semana com as matérias com maior dificuldade e terminava com as que considerava mais fáceis. Nunca passei das 4 horas líquidas durante a semana e nos finais de semana conseguia dar um tempinho a mais de estudo, porém, nada além de 5 ou 6 horas líquidas (muita admiração aos colegas que conseguem estudar 8 horas líquidas).
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Antônio: A mudança realmente ocorreu quando notei que as revisões são essenciais. Usava flashcards para revisar termos, conteúdos, prazos, ou seja, noções que são fáceis de esquecer. Essa revisão semanalmente, sempre antes de iniciar o conteúdo novo daquela matéria. Também tentava conferir que conteúdos já estudara faz um certo tempo (ex: 2 ou 3 semanas) e pegava os flashcards para dar uma revisada. Sempre coloquei na cabeça que revisão boa é aquela que dura, no máximo, 15 ou 20 minutos. Também fiz muitos simulados. Os simulados me ajudaram a dar um certo gás nos estudos (quando tirava uma boa nota) ou mesmo me ajudaram a abrir os olhos para erros que estava cometendo. Foram tantos simulados que não tenho nem ideia de quantos fiz neste percurso até a aprovação.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Antônio: Muito importante fazer exercícios, principalmente através de simulados. Também procurava revisar através do estilo de questões da banca do concurso. Por exemplo, notei que a CESPE tem um perfil mais objetivo nas questões e passei adotar essa objetividade nas revisões, já na FGV era comum ver questões com grande enunciados e na revisão sempre deixava um ou outro card com o estilo da banca, justamente para treinar o raciocínio necessário para aquele tipo de prova. Parando aqui para olhar… fiz 33.730 questões desde que comecei a estudar para concursos.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Antônio: Não gostava das disciplinas de Direito Privado (Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Empresarial) e as disciplinas de conhecimentos gerais (Português, RLM). A minha estratégia com elas era sempre iniciar a semana de estudos com essas matérias e buscar sempre resolver muitas questões. A leitura da lei seca também foi essencial para as disciplinas de Direito Privado.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Antônio: Diferente de muitas outras provas, busquei meio que esquecer que iria fazer prova. Até mesmo no mês anterior fiz uma viagem para a casa da minha mãe e passei alguns dias de “férias” sem pegar nos materiais de estudo. Essa “loucura” (impensável quando comecei a estudar) me ajudou a controlar o nervosismo. No dia pré-prova não toquei em materiais de revisão, coisa que fiz com exaustão nas semanas anteriores ao dia da prova. Acho que foi essencial para que minha mente pensasse que estava fazendo só mais um simulado.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Antônio: Fiz muitas questões discursivas. Escolhia sempre o domingo para fazer o estudo das discursivas através de simulados. Busquei questões de outras provas ou pedia o auxílio da IA para gerar simulações de questões discursivas. Meu maior conselho é, no momento em que estiver estudando para a prova objetiva, já separe em seu material possíveis questionamentos para fins de discursiva. Por exemplo, as bancas adoram perguntuntar sobre foro por prerrogativa de função, imunidades parlamentares, competência dos tribunais nas discursivas de provas do legislativo, e justamente caiu algo neste sentido na minha prova.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Antônio: Principais erros: muito tempo em videoaulas e materiais pouco específicos, tanto quanto a ansiedade de sempre ficar mudando de material para tentar chegar no método ou na fórmula mágica. Notei que sem revisão e sem organização, não adianta de nada ter o melhor PDF do mundo nas mãos.
Principais acertos: organização de horários e materiais e revisão constante. Tenho plena certeza de que só fui aprovado por conta da constância dos meus estudos. Valia muito mais estudar todo dia 1 ou 2 horas do que estudar 6 horas em um dia e 5 minutos no outro.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Antônio: Na verdade, eu desisti por determinado período de tempo. Após uma prova da Defensoria Pública do Estado de Pernambuco, tendo reprovado por uma questão, resolvi deixar de estudar e focar na carreira docente. Só voltei a estudar muito tempo depois, com a vinda dos filhos e a necessidade de retomar um sonho que já não era só por mim. Saber que você estuda não por você mas pelo futuro da sua família, faz com que cada minuto de estudo seja precioso.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso?
Antônio: Olha, não é fácil falar o que vou dizer agora mas é o seguinte: você vai passar por talvez momentos de muitas dúvidas, muito questionamento externo e interno, muitos olhares de desconfiança e uma grande incerteza. Afinal, não há nenhuma garantia nesta vida de concurseiro. Mas por outro lado, nada se compara com a realização de saber que, finalmente, você venceu tudo isso. Todos os que passam pela experiência do concurso público são transformados, afinal, não é sobre a vida financeira, sobre o cargo ou sobre a posição social, é sobre mudar realidades que estão além da sua própria percepção. Acredito que a fé é o que realmente nos move e, como está em Mateus 17:20, se tivermos a fé do tamanho de um grão de trigo poderemos mover montanhas. E sinceramente, olhando para trás, até que o concurso público não era do tamanho que eu pensava ser, mas a partir de agora eu já sei do meu próprio tamanho diante dos novos desafios que virão. Só espero que você também passe por essa experiência transformadora e que logo logo esteja aqui dando o seu relato de fé.