“Comece com pouco, mas comece cedo, não deixe para a semana que vem[…]“
Confira nossa entrevista com Ricardo Brasil, aprovado em 2º lugar na CPRM para o cargo de Pesquisador em Geociências – Hidrogeologia:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Ricardo Brasil: Sou geólogo, tenho 46 anos, formado pela Federal do Rio Grande do Sul em 2003. Natural de Porto Alegre – RS, já morei 7 anos no Paraná, mas retornei ao Rio Grande do Sul em 2013.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Ricardo: Na última década eu trabalhei essencialmente em um ramo diverso da minha formação, e já fazia um tempo que eu desejava retornar às minhas origens profissionais. O concurso da CPRM ofereceu uma oportunidade de cargo que se encaixava perfeitamente com as atividades que eu sonhava desempenhar.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Ricardo: Sou parte importante do sustento de minha família, por isso foi necessário manter minhas atividades profissionais. Diferente de muitas pessoas, eu não tinha apenas as noites e finais de semana, várias vezes consegui encaixar uma sequência de estudos, mesmo que curta, nos intervalos de trabalho quando eu não era muito exigido. Mas à noite e em finais de semana eram os momentos em que eu podia realizar um estudo com mais tranquilidade. Eu jamais insisti demais nas cargas de estudo, busquei respeitar o ritmo que meu corpo aceitava, e para isso dar certo foi importante começar a estudar cedo, tão logo descobri e me inscrevi no concurso.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Ricardo: Fiquei em segundo lugar para o cargo de Pesquisador – Hidrogeólogo no Serviço Geológico do Brasil. É a função que eu desejava muito desempenhar, por isso não tenho em mente olhar para outros concursos, ao menos por enquanto.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Ricardo: Eu nunca tive uma vida social muito agitada, sou mais caseiro, por isso não posso dizer que renunciei a muitas coisas. Pelo contrário, eu fiz questão de manter alguns passeios, algumas saídas com a família e visitas a amigos, cuidando muito da minha saúde mental. E tive apoio da minha família sempre que disse “hoje eu não vou com vocês, vou ficar estudando”.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Ricardo: Fui totalmente apoiado pela minha família. Eles fizeram parte de toda a trajetória, inclusive recebi a notícia da existência desse concurso por mais de um familiar, pois todos sabiam do meu desejo de voltar a executar as atividades como geólogo. Meu filho sempre foi muito compreensivo, tanto em relação à minha disponibilidade como também pela disponibilidade do computador da casa.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Ricardo: Estudei todo o mês de agosto até a véspera do concurso, em 30 de novembro de 2025. Dedicava de três a quatro noites por semana, em jornadas de 1 a 3 horas, e no fim de semana eu usava uma tarde ou manhã do sábado ou do domingo, e mais perto do concurso, de sábado e domingo. Comecei de forma crescente a carga de estudos, para meu cérebro ir se acostumando cada vez mais.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Ricardo: Eu assistia videoaulas, lia materiais em texto sobre o mesmo assunto, conversava com Inteligência Artificial para perguntar sobre detalhes que eu não tinha encontrado no material. Depois fazia resumos escritos à mão, com caneta, para ajudar a sedimentar a informação no meu cérebro. Sempre que o conteúdo era um pouco mais complexo, buscava ver o mesmo tema em duas ou três fontes diferentes. Ao menos para mim, se eu não buscasse forma diferentes de manusear o mesmo conteúdo, era mais difícil reter a informação.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Ricardo: Eu sempre soube que eu precisaria de um material de apoio para me organizar, especialmente para as questões não-específicas do cargo. Há muito tempo eu já tive experiência em concurso que não passei, mas vi como era importante ter informações sobre a forma da banca desenvolver suas questões. Procurei na internet que empresas ofereciam materiais para esse concurso específico, e o Estratégia surgiu entre os primeiros.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Ricardo: Eu experimentei um ou dois concorrentes no início, apenas como teste, mas senti uma propaganda enganosa por parte deles, visivelmente eles não ofereciam cobertura do edital completo como dizia a propaganda. O Estratégia se mostrou mais transparente nesse sentido, e de fato foi o que melhor cobriu o conteúdo necessário.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Ricardo: Eu acertei todas as questões objetivas de português, inglês, estatística, raciocínio lógico e metodologia científica, e isso teria sido impossível sem o material de apoio e videoaulas do Estratégia. Não apenas ter um material, mas uma sequência definida de forma que fizesse sentido estudar material ‘A’ antes de material ‘B’, criada por profissionais habituados com o tipo de prova da banca específica. O concurso anterior que prestei lá no passado foi por uma banca novata, e isso dificultou bastante o preparo na época. Mas a FGV é bem conhecida, só precisava de bons profissionais ao meu lado, o que o Estratégia proporcionou.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Ricardo: Usava o edital como referência de itens a cobrir, e na maior parte do tempo usei o próprio material do Estratégia como referência de sequência. Busquei dar mais ênfase naquilo que achava que eu tinha mais dificuldade de lembrar ou talvez não tivesse visto ainda. Não era um cronograma rígido, teve semanas que eu focava mais em determinada área para aproveitar uma sequência de raciocínio que estava sendo desenvolvida, ao invés de pular por muitas disciplinas em curto espaço de tempo.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Ricardo: Fiz muitas questões que o próprio material do Estratégia fornecia, ajudou demais principalmente o que era da banca que faria a prova. Mas na parte de conhecimentos específicos de hidrogeologia, infelizmente não há muito material de questões disponível, por isso eu precisava focar em memorizar os nomes e sequências da melhor forma possível. Minha própria experiência profissional ajudou muito nesse caso também.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Ricardo: Não faço ideia de quantas questões realizei, mas quando a questão era da FGV, eu fiz todas que tive acesso. E sempre que eu errava eu buscava trabalhar mentalmente aquele conteúdo, reler material, ver algum vídeo, para jamais repetir o erro.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Ricardo: Eu sempre tive mais facilidade para entender do que para decorar. Por isso tudo aquilo que não envolvia muita lógica, mas decorar porque “era assim e pronto”, me exigia mais tempo. Eu precisava escrever, e já tinha lido que escrever com lápis e caneta é diferente de escrever no computador, pela forma como nosso cérebro funciona. Então eu sempre tenho um material onde escrevo resumos ou diagramas e depois revejo para reforçar aquela ideia na minha mente.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Ricardo: Nas duas semanas que antecederam a prova eu aumentei em torno de 30% o tempo de estudo. Foquei muito na saúde do corpo, alimentação, cuidei do meu sono. Na prova, eu ia precisar que meu cérebro estivesse funcionando muito bem, porque dali eu tiraria as respostas. Na véspera da prova, viajei para Porto Alegre, levei meu caderno de anotações de estudo para dar uma última olhada, e fui ao cinema. Pedi a Deus que me ajudasse a lembrar do que estudei, mas o trabalho maior eu já tinha feito. Acreditei nisso e fui relaxado para a prova.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Ricardo: Entendo que é muito difícil estar realmente preparado para qualquer questão discursiva. A FGV fez um questionamento muito pertinente sobre coisas importantes para o cargo, mas nem toda banca é assim e às vezes surgem perguntas que vão deixar o candidato nervoso. Eu tinha bastante experiência profissional naquilo que foi perguntado, então só precisava garantir duas coisas: tempo para responder e coerência no conteúdo. Então digamos que a questão discursiva já começou na prova objetiva, pois qualquer desperdício de tempo nas questões de marcar vão tirar sua tranquilidade depois para responder à questão por escrito. Anotei na folha de apoio os elementos que eu precisava citar na resposta, fiz uma resposta rascunho e depois passei a limpo uma versão ainda mais enxuta no português e mais completa no conteúdo. Para isso foi fundamental que eu tivesse tempo disponível, foco e tranquilidade.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Ricardo: Meu principal acerto foi começar a estudar mesmo antes do Estratégia preparar seu material para esse concurso. Depois, cuidar da minha saúde mental, conciliando os estudos com as atividades mínimas necessárias no meu dia a dia. Um erro que eu considero de minha preparação foi ter olhado pouco para algumas legislações específicas da minha área (resoluções normativas), concentrei muito em normas técnicas, mas algumas coisas importantes eu devia ter visto novamente. Isso me custou alguns pontos na questão discursiva.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Ricardo: Quando eu recebi de várias pessoas o link para me inscrever no concurso, eu entendi que era sinal de que eu deveria investir nisso. Porque me chamou a atenção que veio de pessoas que não achei que prestariam atenção nisso, não foram de colegas da área. E acho que não pensei em desistir porque o material do Estratégia me fazia sentir suportado na jornada. Sinceramente, sem isso eu estaria bem perdido no processo, porque não tinha muita experiência com concursos.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Ricardo: Conheça seus limites. Mostrar para a sociedade que você estudou 8 horas por dia não vai bastar para a prova, se boa parte desse tempo você estiver no “modo zumbi”, sem absorver o conteúdo. Não receba apenas a informação de forma passiva, se pergunte sobre o conteúdo, teste se você está entendendo. Se sua resistência mental está baixa para o estudo, não se frustre porque não está conseguindo muitas horas diárias. Comece com pouco, mas comece cedo, não deixe para a semana que vem. Assim vai dar tempo de você ir ganhando mais resistência dia a dia, seu estudo não precisa ter muita quantidade, precisa de muita qualidade. Tenha carinho com seu cérebro, se for ‘descansar’, descanse de fato, não troque por outra atividade que será prazerosa, mas vai te deixar cansado depois.