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Operações entre Partes Relacionadas no IBS e CBS para SEFAZ-SP

Operações entre Partes Relacionadas

Olá, futuro servidor da SEFAZ-SP! Um dos temas mais quentes da Reforma Tributária, e que certamente estará na sua prova, são as operações entre partes relacionadas.

Nesse sentido, a Lei Complementar 214/2025, especialmente em seu Art. 5º, impõe regras rigorosas para garantir que empresas de um mesmo grupo realizem suas transações a preços de mercado. Em síntese, o sistema de IBS e CBS reforça seu caráter antielisivo, criando um mecanismo eficaz para evitar a manipulação da base de cálculo.

Dessa forma, a lei busca evitar que grandes grupos empresariais manipulem os preços de suas transações internas. Isso porque essa manipulação poderia reduzir artificialmente a base de cálculo do IBS e da CBS. Assim sendo, após a sua aprovação, a fiscalização de grandes conglomerados e a análise minuciosa de suas operações intragrupo serão parte essencial do seu trabalho.

A seguir, abordaremos os seguintes tópicos:

  • O que são Partes Relacionadas?
  • A regra de valoração;
  • Os conceitos de influência significativa e controle;
  • A importância do tema para a fiscalização da SEFAZ-SP.

O que são Partes Relacionadas?

Primeiramente, precisamos definir o conceito com a precisão que a lei exige. O Art. 5º da LC 214/2025 define como partes relacionadas as entidades cujo vínculo preexistente pode influenciar diretamente suas transações. A lei parte da premissa de que, onde há relação de dependência, os preços podem não refletir a realidade de uma negociação livre.

A legislação elenca um rol detalhado de hipóteses. Por exemplo, a relação entre uma empresa controladora e suas controladas ou coligadas. Ademais, o conceito se estende a pessoas físicas, como sócios e seus parentes, que possam exercer influência sobre as decisões da empresa.

Essa abrangência é proposital e busca cercar todas as possibilidades de conluio. Vejamos alguns exemplos práticos: uma empresa A controla a empresa B, que por sua vez controla a empresa C. Nesse caso, A e C são partes relacionadas, mesmo sem vínculo direto.

Tipo de RelaçãoExemploCaracterística
Controle DiretoMatriz e FilialSubordinação total
Controle IndiretoA controla B, que controla CInfluência em cadeia
Influência SignificativaEmpresa detém 20% do capital votanteParticipação relevante
Vínculo PessoalSócio e seus parentes até 3º grauRelação familiar

Assim sendo, a simples constatação de uma dessas operações entre partes relacionadas em uma auditoria já acende um forte sinal de alerta. Isso não significa que a operação seja ilegal. Pelo contrário, isso significa apenas que se deve analisá-la com um rigor muito maior.

A Regra de Valoração

O ponto central do Art. 5º é a regra de valoração que ele impõe. O dispositivo legal estabelece que, nas operações entre partes relacionadas, o valor da transação deve ser o valor de mercado. Este é o preço que seria praticado entre empresas totalmente independentes, em condições de mercado comparáveis.

Essa regra é um mecanismo antielisivo extremamente poderoso. Pois, se uma empresa, por exemplo, vende um produto para sua controlada por um preço simbólico, a fiscalização terá o poder de desconsiderar o valor declarado. Em seu lugar, a autoridade fiscal poderá arbitrar a base de cálculo com base em métodos de apuração do valor de mercado.

Por consequência, a arrecadação fica protegida contra a manipulação. Vejamos um caso prático: uma empresa A vende matéria-prima para sua controlada B por R$ 10, quando o preço de mercado é R$ 100. A fiscalização poderá desconsiderar o valor de R$ 10 e tributar com base nos R$ 100.

A lei prevê que o contribuinte deverá manter documentação comprobatória. Contudo, o ônus de provar a adequação dos preços recairá sobre a empresa. Ela deverá demonstrar ativamente a lisura e a conformidade de suas práticas comerciais.

Influência Significativa e Controle

Para aplicar a regra do valor de mercado, a fiscalização precisa, antes de tudo, identificar a existência da relação de dependência. Para isso, é fundamental dominar os conceitos de controle e influência significativa.

O controle é a relação mais forte e evidente de dependência. Ele é caracterizado pelo poder de dirigir as políticas financeiras e operacionais da outra entidade. É a subordinação direta, onde uma empresa dita as regras para a outra.

Já a influência significativa é um conceito mais sutil. Ela ocorre quando uma entidade tem o poder de participar ativamente nas decisões de outra, mas sem chegar a controlá-la. A lei presume essa influência quando uma empresa detém 20% ou mais do capital votante da outra.

Essa presunção é relativa, mas já é um forte indício para uma análise mais aprofundada. Vejamos um exemplo: a empresa X detém 25% das ações com direito a voto da empresa Y. Presume-se que X tem influência significativa sobre Y.

Dominar esses conceitos contábeis e societários é fundamental para o futuro auditor da SEFAZ-SP. É a partir da identificação de uma relação de controle ou influência que todo o regime de preços de transferência será acionado. Portanto, a análise da estrutura societária dos grandes contribuintes será uma tarefa constante.

Conclusão

Em suma, o tratamento rigoroso dado às operações entre partes relacionadas no IBS e CBS é um dos maiores avanços do novo sistema. Ele dota a fiscalização de ferramentas mais eficazes para combater o planejamento tributário abusivo.

Ademais, exigirá um conhecimento multidisciplinar, que vai além do direito tributário, englobando contabilidade e finanças. A correta aplicação do Art. 5º é um pilar para a justiça fiscal, pois garante que grandes conglomerados paguem o mesmo tributo que empresas independentes pagariam.

Para finalizar, lembre-se que este tema é complexo e de alta relevância. Portanto, revise este tópico com a máxima atenção, pois essas características o tornam um tema certo a ser explorado na sua prova.

Bons estudos e até a próxima!

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