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Vozes verbais: entendendo um pouco mais sobre o assunto

Olá, pessoal! Tudo bem? A nossa conversa de hoje será sobre vozes verbais.

Bastante cobrado nas provas de concurso, o tema vozes verbais não apresenta grande complexidade, de modo que, na maioria das vezes, as pessoas conseguem alternar a voz verbal de forma intuitiva e sem grandes dificuldades.

De todo modo, vamos trazer no presente artigo algumas nuances que podem auxiliar na identificação das vozes verbais, a fim de que o candidato aumente a chance de acerto nas questões de concurso sobre o tema.

Conceitos iniciais sobre vozes verbais

Vamos começar trazendo uma ideia doutrinária acerca de verbo e voz:

Verbo:  É a palavra que transmite uma ideia de ação ou estado, mediante mudanças em elementos verbais tais como pessoa, número, tempo, modo, voz e aspecto.

Voz: É a forma com que o verbo indica se o sujeito pratica ou sofre a ação verbal.

No entanto, é importante ressaltar que existem alguns verbos que não admitem flexão de voz. É o caso dos verbos impessoais e dos verbos de ligação.

  • Verbos impessoais: São verbos que não têm sujeito. Normalmente são verbos que exprimem fenômenos naturais

Além disso, o verbo “haver”, quando empregado no sentido de “existir” ou de “tempo decorrido”, também é impessoal.

Exemplos:

Choveu muito ontem à noite.

Ventava muito no alto da montanha.

Havia muitos moradores naquela região.

  • Verbos de ligação: São verbos que não exprimem ação; em vez disso, indicam estado.

Exemplos:

Fez muito frio ontem.

é tarde.

Em suma, a ideia de vozes verbais está intrinsecamente ligada à identificação de quem pratica e de quem sofre a ação verbal.

As vozes verbais definidas pela doutrina são: voz ativa (o sujeito pratica a ação), voz passiva (o sujeito sofre a ação), voz reflexiva (o sujeito pratica e sofre a ação simultaneamente).

Nesse sentido, vejamos as seguintes lições de Hauy (2015, p. 965):

“a definição de voz segundo o critério da forma em que o verbo se apresenta para indicar se o sujeito a que se refere pratica ou recebe a ação implica três conceitos básicos: sujeito, agente e paciente. Quando o sujeito da oração coincide com o agente, a voz é ativa, quando o sujeito da oração é o mesmo paciente, a voz se chama passiva e, quando é ao mesmo tempo o agente e o paciente, reflexiva.”

Parte da doutrina ainda considera a categoria voz recíproca, que se assemelha à voz reflexiva, com a diferença de que (na voz recíproca) a ação recai mutuamente sobre mais de um agente.

Voz ativa

A voz ativa caracteriza-se quando o sujeito da oração pratica a ação verbal. Nesse caso, temos que o sujeito é agente.

Exemplos:

O concurseiro prestou o exame nacional da magistratura. (o concurseiro pratica a ação de “prestar”)

Os aprovados trabalham na Receita Federal. (os aprovados praticam a ação de “trabalhar”)

Os candidatos estudam todos os dias. (os candidatos praticam a ação de “estudar”)

Aqui vale um adendo: a voz ativa também ocorre nos casos em que o sujeito é indeterminado. Fique atento!

Vejamos:

Determinaram prazo para a impugnação do edital. 

Invadiram a conta de e-mail do candidato.

Outro ponto de atenção é que a indeterminação do sujeito pode ser identificada pela utilização do pronome oblíquo “se”, seguido de um verbo intransitivo ou transitivo indireto na 3ª pessoa do singular.

Exemplo:

Falava-se muito sobre o resultado da prova discursiva.

Voz passiva

A voz passiva fica caracterizada quando o sujeito da oração sofre a ação verbal. Nesse caso, estamos diante de um sujeito paciente.

Devemos estar atentos ao fato de que os verbos impessoais (especialmente o verbo “haver” no sentido de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”) e os verbos de ligação não admitem apassivação, isto é, não podem ser transpostos para a voz passiva.

Existem dois tipos de voz passiva, a saber: 

  • Voz passiva analítica: A sua estrutura contém um verbo auxiliar, seguido do particípio de um verbo transitivo direto.

Exemplos:

Concurseiros são aprovados no concurso da magistratura.

O acordo foi cumprido pelas partes contratantes.

  • Voz passiva sintética: A sua estrutura é constituída por um verbo transitivo (direto ou indireto) na terceira pessoa (do singular ou do plural), seguido do pronome “se”.

Vejamos alguns exemplos:

Aluga-se casa. (voz passiva sintética) / Casa é alugada. (voz passiva analítica)

Observam-se bons resultados (voz passiva sintética) / Bons resultados são observados (voz passiva analítica)

Voz reflexiva

A voz reflexiva ocorre quando o mesmo sujeito pratica e sofre a ação verbal.

Exemplo:

O motorista se confundiu com a placa de trânsito. (o motorista confundiu a si mesmo)

Voz recíproca

A voz recíproca ocorre quando mais de dois sujeitos, mutuamente, praticam e sofrem a ação verbal.

Exemplo:

Os políticos se cumprimentaram no evento sobre o meio ambiente. 

Repare que nesse caso, os sujeitos agem mutuamente, sendo esta a diferença básica entre a voz recíproca e a voz reflexiva.

Ficamos por aqui…

Para se aprofundar no assunto, estude com nossos materiais em pdf e em vídeo aulas, e aumente as suas chances de aprovação.

Bons estudos e até a próxima!

Nilson Assis

Analista Legislativo do Senado Federal

@nsassis.concursos

Referências:1

  1. JAMILK, Pablo. Português Sistematizado – 2ª Edição 2020. 2. ed. Rio de Janeiro: Método, 2019. E-book. ISBN 9788530988296. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788530988296/. Acesso em: 19 mar. 2026.

    MEDEIROS, João B. Português Instrumental. 11. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2021. E-book. ISBN 9786559771295. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559771295/. Acesso em: 19 mar. 2026. ↩︎