Tema da Redação do Enem 2017: A Educação dos Surdos no Brasil
Daniel dos Reis Lopes

Tema da Redação do Enem 2017: A Educação dos Surdos no Brasil

Neste artigo, falaremos tudo sobre o tema da redação do Enem 2017, referente à educação dos surdos no Brasil

Educação dos surdos no Brasil - Tema da redação do enem 2017
Educação dos surdos no Brasil – tema da redação do Enem 2017

O tema da redação do Enem 2017 foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Neste artigo iremos tecer comentários a respeito do tema e desvendar o caminho que você deverá percorrer para elaborar a redação perfeita e conquistar a nota máxima.

As dificuldades enfrentadas pelas minorias não são novidade no Brasil. Nos últimos anos temos assistido a uma intensificação dos debates em torno das barreiras existentes para as pessoas com deficiência.  Porém, especificamente em relação aos surdos, será que você conhece bem o assunto a ponto de gabaritar uma prova que exija esse tipo de conhecimento?

Boa leitura!

Redação Pronta – Tema de Redação do Enem 2017

Os empecilhos vivenciados pela comunidade surda no âmbito de ensino são velhos conhecidos da sociedade brasileira. Entretanto, os obstáculos à inclusão social e educacional desse grupo ainda persistem, por maiores que sejam os avanços obtidos, nos últimos anos, por meio de políticas de proteção a eles destinadas. As escolas especializadas e adaptadas para atender a essas necessidades são raras e a vida escolar muitas vezes se transforma em um verdadeiro sofrimento para os portadores dessa modalidade de deficiência. 

No ano de 2002, a língua de sinais foi oficializada como segundo idioma nacional. Apesar das mudanças significativas ocorridas na legislação desde então, principalmente no tocante à acessibilidade, aos serviços de saúde e à inclusão social, a educação dos surdos foi muito pouco beneficiada. Isso porque o conceito de inclusão trata essencialmente da possibilidade de convívio num mesmo espaço, mas não prevê o compartilhamento efetivo de uma língua ou cultura em comum.

A simples presença de surdos e ouvintes no mesmo ambiente não é suficiente, por si só, para promover a real integração dessa comunidade no meio de ensino. O contraste entre a realidade e o modelo idealizado pelas normas legais se torna ainda mais preocupante se considerarmos a evidente falta de estrutura para recepcionar os estudantes que apresentam tais limitações. Isso sem contar o despreparo de profissionais da educação e a ausência de uma comunicação eficiente em Libras, inclusive entre os alunos.

Não por outro motivo, o modelo de classes mistas, por exemplo, tem se mostrado uma iniciativa falha, já que a atuação do professor como mero intérprete não é capaz de oferecer a atenção que o deficiente auditivo necessita. Como resultado, tem-se uma forma velada de rejeição, em que o aluno surdo, longe de sentir-se integrado ao contexto escolar, permanece segregado e impossibilitado de estabelecer conexões reais com o processo de aprendizado e com os demais estudantes, produzindo uma espécie de “inclusão excludente”.

Sendo assim, é imprescindível que seja dada maior ênfase ao acesso à educação básica verdadeiramente inclusiva. Nesse sentido, o investimento no preparo institucional, com a expansão do número de escolas bilíngues e a formação ampla de docentes intérpretes, também na rede regular de ensino, favoreceria o desempenho intelectual e social dos deficientes auditivos. Adicionalmente, a introdução das Libras como disciplina obrigatória na grade curricular é um fator que certamente contribuiria para aumentar o interesse dos estudantes na língua de sinais. Essas medidas criariam um ambiente mais inclusivo, com consequente redução dos índices de evasão escolar por parte dos deficientes auditivos.

DICAS PARA SE DAR BEM NA REDAÇÃO DO ENEM

A primeira pergunta que o aluno deve fazer antes de começar a escrever é a seguinte: “Do que se trata exatamente o tema da redação?”. Parece óbvio, mas se observarmos atentamente, o próprio título já entrega diversas pistas sobre a interpretação que deve ser feita, apesar de muitas vezes passarem despercebidos boa parte desses detalhes no momento de redigir o texto. Tomemos como exemplo a prova em análise, aplicada em 2007:

Da frase “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” podemos extrair algumas conclusões:

  • O que dever abordado, necessariamente, é a EDUCAÇÃO, e não qualquer outro aspecto genérico da realidade dos surdos no Brasil.
  • A ideia é refletir sobre uma forma específica de deficiência, a SURDEZ.
  • Há menção à abrangência espacial (NO BRASIL), o que significa que o examinador deseja que se leve em consideração o contexto nacional.
  • A palavra DESAFIOS indica a ênfase que deve ser dada não só às dificuldades e obstáculos enfrentados por essas pessoas, mas também às possíveis alternativas para a solução desses problemas.

É preciso, também, ler atentamente os TEXTOS MOTIVADORES, que fornecem subsídios para a fundamentação da proposta, enriquecendo o texto com dados adicionais. Analise pormenorizadamente as informações ali contidas, pois isso irá revelar a capacidade de interpretação e o poder de síntese do candidato.

Além disso, as redações do ENEM possuem a tendência à abordagem de temas relevantes para a sociedade, frequentemente tratando de assuntos relativos à INCLUSÃO ou às POPULAÇÕES MARGINALIZADAS no Brasil.

Por último, preste bastante atenção à PROPOSTA DE INTERVENÇÃO, item sempre presente nos requisitos de avaliação do exame. Este é um dos aspectos mais importantes para a elaboração da resposta! A proposta de intervenção consistirá em sugestões para corrigir as falhas que você identificou, devendo ser explorada principalmente na fase de conclusão do texto.  

A EDUCAÇÃO DOS SURDOS: ENRIQUEÇA SUA ARGUMENTAÇÃO.

Educação dos surdos - tema da redação do Enem 2017
Educação dos surdos – Tema da redação do Enem 2017

Veja algumas sugestões de tópicos essenciais que você deve estudar, a fim de se preparar melhor para discorrer sobre o assunto:

A temática da INCLUSÃO é extremamente atual e significativa, podendo-se destacar a relevância do papel da sociedade nesse processo.  Como entender os surdos, se a comunicação com eles é extremamente difícil e geralmente não há interesse no aprendizado de Libras?

Uma outra questão interessante a ser examinada é a do bilinguismo, uma das principais reivindicações dos surdos no Brasil, e sua contribuição para o acesso ao ensino superior, por exemplo. O deficiente auditivo pode aprender o Português, mas a educação em sua língua natural, segundo afirmam especialistas, geraria uma expressiva melhora no desempenho desses estudantes.

Esteja sempre atualizado e informado sobre os eventos e notícias que cercam o tema. A posse do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, no início do ano de 2019, contou com o discurso da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em língua de sinais. O assunto ganhou então uma instantânea projeção, mas não se deve esquecer dos avanços, ainda que pequenos, conquistados em anos anteriores. Como exemplo pode-se citar a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como segundo idioma nacional, e o Decreto nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, que cuidou de sua regulamentação.

PASSO-A-PASSO PARA ESTRUTURAR SUA REDAÇÃO:

  • Conforme dito anteriormente, preste bastante atenção à proposta. Antes de começar a redigir, leia com cuidado os textos motivadores e o enunciado da questão. Certifique-se de que você entendeu exatamente o que deve ser feito, para não se perder no meio do caminho. Saiba de onde deve partir e onde pretende chegar ao concluir sua redação.
  • Antes de iniciar, defina a PROPOSTA DE INTERVENÇÃO e anote-a no rascunho da folha. Isso o ajudará a não perder o foco da argumentação e a não cometer a famigerada fuga ao tema.
  • Acerte no direcionamento do tema. Evite tangenciá-lo por meio de rodeios, repetições, citações genéricas e evasivas. Isso pode comprometer muito sua nota. Ao iniciar a INTRODUÇÃO, exponha brevemente o contexto e revele seu posicionamento sem, no entanto, perder de vista a objetividade.
  • Durante o DESENVOLVIMENTO, abuse dos dados fornecidos no enunciado e nos textos motivadores, o que não significa que você deverá copiá-los, simplesmente. Construa o corpo do texto com base na sua visão e interpretação precisa do que foi apresentado e, se possível, acrescente informações de seu conhecimento, de forma balanceada. Não tente enganar o examinador utilizando dados inexistentes ou fruto da sua criatividade: apenas mencione referências caso julgue pertinente. Para isso, leia muito e mantenha-se informado, sempre que possível.
  • CONCLUA a redação explicitando, em primeiro lugar, o principal problema identificado e o que deve ser feito para saná-lo, de forma breve. Em seguida, enumere as PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO e de que maneira elas poderão contribuir para amenizar os pontos negativos diagnosticados.

Finalmente, para adquirir uma boa prática de redação, é preciso condicionamento e dedicação à leitura de jornais, revistas e artigos na internet. Com o tempo, o raciocínio e a habilidade nesse tipo de exercício vão sendo aperfeiçoados e a escrita se torna cada vez mais natural. Faça o maior número possível de redações e treine separadamente cada parte da estrutura quando sentir dificuldade. Seguindo essas dicas, você terá grandes chances de obter a nota 1000 na redação do ENEM.

Espero que você tenha gostado do tema de redação Enem 2017! Continue acompanhando o blog, para ler vários outros temas que analisaremos por aqui.

Abraços,

Daniel dos Reis (Coordenador do Estratégia Enem)

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Daniel dos Reis Lopes

Daniel dos Reis Lopes

  Meu nome é Daniel Reis, graduado em Ciências Biológicas (Licenciatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fui aprovado em 2º lugar na Escola de Formação Complementar do Exército em 2009 na área de Magistério Ciências Biológicas, onde obtive a primeira colocação na área de Magistério durante o Curso de Formação de Oficiais. Nessa escola desenvolvi monografia sobre o Oficial de Controle Ambiental no Exército Brasileiro, através da qual obtive o grau de Especialista em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Exerci a função de Oficial de Meio Ambiente na Companhia de Engenharia de Força de Paz – Haiti, e sou professor do Sistema Colégio Militar do Brasil.    

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