Aprovada no CNU para o cargo de Tecnologista - Saúde Coletiva na Fundacentro
Concursos Públicos
“[…] Eu não cheguei até aqui porque sou mais inteligente do que os outros. Cheguei porque fui constante. Estudei em dias bons e ruins. […]”
Confira nossa entrevista com Rayssa Chagas, aprovada no CNU para o cargo de Tecnologista – Saúde Coletiva na Fundacentro:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-la. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Rayssa Chagas: Tenho 36 anos e sou fisioterapeuta há 14 anos. Sou especialista em Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva e em Fisioterapia em Traumato-ortopedia e Desportiva. Sou natural de Natal, no Rio Grande do Norte, mas atualmente moro em Belém, no Pará, onde atuo como 2ª Tenente Fisioterapeuta do Exército Brasileiro e também como Fisioterapeuta do Estado do Pará.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Rayssa: Desde a minha formação acadêmica, especialmente durante as vivências de estágio nas disciplinas de Saúde Coletiva e Saúde da Família, passei a me identificar profundamente com os princípios do SUS e com a dimensão social da minha profissão. Foi nesse período que compreendi que queria exercer a fisioterapia para além do atendimento individual, contribuindo também para o fortalecimento das políticas públicas de saúde. A princípio, enxerguei no concurso público uma oportunidade de prestar esse cuidado de forma mais duradoura, com maior alcance social e com a estabilidade necessária para construir uma trajetória sólida no serviço público.
Estratégia: Você trabalhava e estudava?
Rayssa: Sim, eu trabalhava e estudava simultaneamente. Atuo no Hospital Geral de Belém, de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h, além de cumprir eventualmente escala de serviço de 12 horas em finais de semana e feriados. Também sou plantonista noturna no Hospital das Clínicas Gaspar Vianna e, eventualmente, realizava plantões extras. Durante o período de preparação para a prova, busquei reduzir ao máximo os plantões extras para preservar minha energia e manter a constância nos estudos. Nos dias em que tinha plantão noturno, acordava às 4h da manhã para estudar entre 1h e 1h30 líquidas antes do expediente. Como nesses dias eu só teria a tarde disponível, complementava com mais cerca de 2 horas líquidas. Nos dias em que trabalhava apenas no Hospital do Exército pela manhã, organizava minha rotina para alcançar até 5 horas líquidas de estudo entre a tarde e a noite (deixo claro que nem sempre era possível). Quando estava de folga nos finais de semana ou feriados, aproveitava para intensificar o ritmo, estudando entre 6 e 8 horas líquidas. Sempre estudava em ciclos de 50 minutos a 1 hora, com pausas de 10 a 15 minutos — nunca mais do que isso. Utilizava cronômetro e despertador para manter o controle do tempo e evitar dispersões.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovada?
Rayssa: Fui aprovada em primeiro lugar no concurso do IBGE, em 2007. Posteriormente, fui aprovada em 4º lugar para o cargo de fisioterapeuta no concurso do Município de São Paulo do Potengi, cargo no qual permaneci até 2025, quando optei pela exoneração em razão de novos projetos profissionais. Em 2021, fui aprovada no concurso da Funsaúde-CE para fisioterapeuta (72º lugar na ampla concorrência e 2º lugar nas cotas para negros e pardos). Em 2022, fui aprovada em 3º lugar no concurso do ISGH (Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar), no Ceará. Ao me apresentar para a posse, optei por não assumir o cargo devido à incompatibilidade de carga horária com minhas atividades profissionais no Rio Grande do Norte à época. Também fui aprovada em 6º lugar no concurso da Prefeitura Municipal de Macaíba, em 2022. No concurso da Ebserh 2023, fui aprovada em 2º lugar para o cargo de Fisioterapeuta Geral, sendo convocada para o Hospital de Roraima – UFRR, mas também optei por não assumir a vaga naquele momento. Já no concurso da Ebserh 2024, fui aprovada em 5º lugar para Fisioterapeuta em Terapia Intensiva, e atualmente aguardo convocação. Pretendo continuar estudando. No entanto, neste momento, não com foco em novos concursos para mudança de cargos, mas sim voltada ao aprimoramento profissional dentro da Fundacentro. Acredito que o estudo é um processo contínuo e indispensável para quem atua no serviço público. Agora, meu objetivo é investir em qualificação, pesquisa e aprofundamento técnico para contribuir de forma cada vez mais consistente com a missão institucional e com a promoção da saúde e segurança do trabalhador.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos?
Rayssa: Você saía com amigos e família? Minha vida social ficou bastante restrita durante o período de preparação. Precisei recusar convites para churrascos entre amigos e, quando comparecia a aniversários ou encontros, estabelecia horário exato de chegada e saída. Muitas vezes já avisava previamente: “vou ficar apenas 1h30”. Em algumas situações, optava por não ir. Como minha família mora no Rio Grande do Norte e eu estou residindo no Pará, isso acabou favorecendo minha constância, pois havia menos compromissos familiares. Além disso, tomei uma decisão que considero fundamental: fiquei meses sem redes sociais. Desativei Instagram, TikTok, Facebook e qualquer outra plataforma que pudesse gerar distração ou consumo excessivo de tempo. Entendi que, naquele momento, cada minuto importava, e precisei eliminar tudo que competia com meu foco. Mantive apenas algumas exceções estratégicas, como participar de corridas de rua. Como geralmente acontecem bem cedo, eu conseguia correr, socializar em um café da manhã após a prova, descansar um pouco e retomar a bateria de estudos no mesmo dia. Foi um período de renúncias conscientes, mas com propósito muito claro. Eu sabia que era algo temporário, necessário para alcançar um objetivo maior.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua
caminhada como concurseira?
Rayssa: Sempre tive muito apoio da minha família e dos meus amigos. Mesmo morando em outro estado, mantinha contato constante com meus pais, irmão, tios, avós e amigos por meio de videochamadas. Eles sempre me transmitiam palavras de incentivo e reforçavam que todo esforço valeria a pena. Meu esposo compreendeu que eu precisava de foco absoluto e, em alguns momentos, pedia que se ausentasse de casa para evitar me distrair — já que ele é bastante comunicativo e sempre queria me mostrar algo engraçado no celular (risos). Além disso, quando comecei a reclamar de dores na lombar e nos glúteos por passar muitas horas estudando nas cadeiras da mesa de jantar, ele me presenteou com uma cadeira de estudos confortável, o que contribuiu para aumento da minha produtividade e bem-estar durante a preparação.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso?
Rayssa: Para o último concurso, estudei de forma direcionada com o edital já publicado. Se não me falha a memória, iniciei em julho; a prova objetiva foi realizada em outubro e a discursiva em dezembro. No entanto, reconheço que eu já trazia uma base muito sólida construída durante a preparação para o CNU 1. Naquela fase, tive maior disponibilidade de tempo, pois possuía apenas um vínculo público, o que me permitiu estudar com maior intensidade — chegando a alcançar 12 horas líquidas em finais de semana e feriados. Já no CNU 2, minha realidade era diferente: eu já tinha dois vínculos públicos, o que reduziu significativamente meu tempo disponível. Por isso, precisei ser mais estratégica. Muitos conteúdos eu já dominava desde a preparação anterior, então foquei principalmente em resolução de questões, leitura de resumos e revisão por meio de mapas mentais. Isso me deu agilidade para percorrer o edital de forma mais eficiente e direcionada. Acredito que o diferencial foi justamente esse: não comecei do zero. O estudo foi cumulativo, consistente e cada etapa anterior fortaleceu minha preparação para a seguinte.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua
preparação?
Rayssa: Estudei principalmente pela plataforma do Estratégia Concursos e procurei seguir a Trilha Estratégica de forma rigorosa. Ter um planejamento já estruturado foi uma grande vantagem, porque eu não perdia tempo decidindo “o que estudar”; eu apenas executava o que estava programado. Minha base de estudo foram os PDFs. Estudava pelo material escrito, resolvia as questões comentadas dentro do próprio PDF e, além disso, utilizava uma plataforma externa de questões (TEC Concursos) para reforçar a fixação e aumentar o volume de exercícios. As videoaulas eu utilizava de forma pontual, principalmente em disciplinas nas quais tinha maior dificuldade, como Finanças Públicas e Administração Financeira e Orçamentária. Uma mudança importante entre o CNU 1 e o CNU 2 foi em relação aos resumos. No primeiro, investi bastante tempo produzindo resumos próprios. Já no segundo, optei por não fazê-los, focando mais em revisões objetivas e resolução de questões. Percebi que a produção excessiva de resumos me consumia um tempo precioso. Ao abandonar essa prática, ganhei mais agilidade e eficiência na preparação. A principal vantagem do meu método foi a objetividade e a constância. A desvantagem, especialmente no início da minha trajetória, foi ter demorado a entender que não precisava “produzir material”, mas sim absorver, revisar e treinar por meio de questões.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Rayssa: Conheci o Estratégia Concursos em 2018, por meio das videoaulas gratuitas disponibilizadas no YouTube. Na época, eu estudava para carreiras policiais. As aulas me chamaram atenção pela didática, organização do conteúdo e pelo nível de detalhamento. A partir dali, passei a acompanhar a plataforma e, posteriormente, me tornei aluna nos cursos completos.
Estratégia: Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos? Se sim, o que mais incomodava quando você estudava por esse concorrente?
Rayssa: Para o concurso da Polícia Federal, em 2018, estudei em um cursinho presencial. Foi uma experiência importante naquele momento, principalmente pela disciplina de horário fixo e pelo contato direto com professores. No entanto, com o tempo percebi que o estudo online me proporcionava mais agilidade e autonomia. Também utilizei materiais de outros cursos, mas algo que sempre me incomodou foi o foco excessivo em videoaulas, com PDFs pouco aprofundados. Como tenho maior rendimento por meio da leitura, sempre me identifiquei mais com materiais escritos bem estruturados. Para mim, o PDF permite avançar no meu ritmo, fazer marcações, revisões rápidas e retornar aos pontos específicos com mais eficiência.
Estratégia: Você chegou a fazer algum concurso enquanto ainda se preparava com esse outro material? Foi aprovado?
Rayssa: Em 2018, enquanto ainda estudava com esse outro material, fiz o concurso para Investigador da Polícia Civil do Paraná e fui aprovada, porém optei por não dar seguimento nas etapas posteriores. Essa aprovação foi importante para fortalecer minha confiança e mostrar que eu estava no caminho certo, mas também me fez refletir sobre a necessidade de aprimorar minha estratégia de estudos para alcançar resultados ainda mais consistentes.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Rayssa: Para mim, o grande diferencial foram as Trilhas Estratégicas. Sou realmente fã desse formato de organização. Ter um direcionamento claro sobre o que fazer em cada atividade — quais temas estudar, quantas questões resolver, quando revisar — fez toda a diferença na minha disciplina e produtividade. Eu não precisava perder tempo planejando. O planejamento já estava estruturado; minha função era executar. Isso reduziu a ansiedade e aumentou minha objetividade. Além disso, os PDFs completos e bem organizados, aliados ao volume e à qualidade das questões, permitiram um estudo mais ativo e eficiente.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Rayssa: Para o Bloco 1, eu precisava me preparar para 11 disciplinas. Organizei meus estudos em ciclos e buscava estudar pelo menos 3 disciplinas por dia, para manter contato frequente com o conteúdo e evitar longos períodos sem revisão. Cada ciclo tinha duração de 50 minutos a 1 hora, com intervalos controlados de 10 a 15 minutos. Utilizava cronômetro para garantir disciplina tanto no estudo quanto no descanso. Além disso, recorria aos vídeos de “estude comigo” no YouTube, que me ajudavam a manter o foco e a constância. Para que isso funcionasse, eu blindava completamente meu ambiente. Quando começava a estudar, desligava a internet do celular, deixava-o fora do modo silencioso apenas para chamadas e, principalmente, mantinha o aparelho fisicamente longe de mim — fora do alcance das mãos. Todos — amigos do trabalho, meu esposo e familiares — sabiam que, se precisassem falar comigo naquele período, deveriam ligar normalmente, pois eu não veria mensagens e nem ligações de WhatsApp. Essa foi uma regra clara que estabeleci para proteger meu tempo de estudo. Devido à minha rotina com plantões de 12 e 24 horas em finais de semana e feriados, minha carga horária variava bastante. Houve dias em que consegui estudar 8 horas líquidas, outros em que fiz 5 horas, outros 3, porém nunca menos que 2 horas, e alguns em que não consegui estudar por causa dos plantões. Ainda assim, mantive uma média aproximada de 4 horas líquidas por dia. Durante os períodos de repouso nos plantões, aproveitava para abrir o aplicativo de questões no celular e resolver exercícios. Eu contabilizava esse tempo como estudo, pois mantinha contato ativo com o conteúdo. Também fazia compensações estratégicas: se sabia que teria um plantão de 24 horas no domingo, intensificava os estudos no sábado para equilibrar a semana, e sempre com um simulado no final de semana. Acredito que o que garantiu meu resultado foi a constância possível dentro da minha realidade.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Rayssa: Minhas revisões seguiam um padrão bem definido. Eu tentava revisar o conteúdo em ciclos de 24 horas, 7 dias, 14 dias e 21 dias após o primeiro contato com a matéria. Isso me ajudava a combater a curva do esquecimento e manter os assuntos sempre “ativos” na memória. Além disso, realizava simulados todos os finais de semana, alternando entre sábado e domingo. Não passei um único fim de semana sem fazer simulado durante a fase final de preparação. Para mim, essa constância foi essencial para ganhar resistência, administrar melhor o tempo de prova e identificar pontos fracos. Também utilizava revisão por meio de questões e mapas mentais. As questões eram minha principal ferramenta de fixação. Já os mapas mentais me ajudavam a visualizar o conteúdo de maneira rápida e organizada, especialmente na reta final.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Rayssa: A resolução de exercícios foi, sem dúvida, um dos pilares da minha preparação. Eu não saberia dizer exatamente quantas questões resolvi ao longo da trajetória, mas estabeleci uma meta mínima de 50 questões por dia. Em muitos dias, inclusive, ultrapassava muito esse número, pois resolvia questões tanto nos PDFs quanto na plataforma específica de banco de questões. Muitas vezes eu consolidava o conteúdo mais pelas questões do que pela teoria isolada. Elas me ajudavam a identificar padrões da banca, compreender como o conteúdo era cobrado e, principalmente, diagnosticar meus pontos fracos. Se tem algo que considero indispensável na preparação, é treinar por meio de questões — diariamente e com constância.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Rayssa: Assistência Social foi uma delas, principalmente pelo volume de leis e normativas que precisavam ser memorizadas e compreendidas de forma integrada. Direito Previdenciário também exigiu bastante esforço, pois envolve muitas regras e exceções. Mas, sem dúvida, meu “tendão de Aquiles” foi Finanças Públicas (risos). Sempre achei a disciplina mais complexa, especialmente pela necessidade de raciocínio mais técnico. Felizmente, no meu bloco, o número de questões dessa disciplina seriam poucas, pois pertencia à parte básica. Para superar essas dificuldades, a estratégia foi clara: fazer muitas questões. Muitas mesmo. Eu aprendi errando, analisando cada comentário e entendendo onde estava falhando. A repetição foi essencial para internalizar os padrões de cobrança e ganhar segurança.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que
antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Rayssa: Na semana que antecedeu a prova, eu não estudei nenhum conteúdo novo. Nos últimos 15 dias, foquei exclusivamente em revisão do que já havia estudado. Intensifiquei a resolução de questões e revisei por meio de mapas mentais, priorizando os pontos mais cobrados e aqueles em que ainda tinha alguma insegurança. A ideia era consolidar o que já estava construído, não gerar ansiedade com novos conteúdos. No dia anterior à prova, assisti apenas às videoaulas de revisão de véspera. Optei por não resolver questões nesse dia para evitar desgaste mental. Como a prova foi à tarde, no domingo pela manhã fiz apenas uma leitura rápida dos mapas mentais, de forma leve, apenas para ativar a memória.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a
discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Rayssa: Sim, houve prova discursiva. Tivemos a vantagem de que ela foi realizada dois meses após a prova objetiva, o que permitiu uma preparação mais direcionada. Para a discursiva, confesso que “burlei” um pouco as Trilhas Estratégicas que tanto elogio (risos) e foquei especificamente nos temas de redação disponibilizados pela própria plataforma do Estratégia. Passei a estudar por temas prováveis. Além disso, investi na correção individual das minhas redações, contratando professores e participando de monitorias. Percebi que não adianta apenas escrever; é fundamental saber se você está abordando o conteúdo de forma adequada, com estrutura lógica, domínio gramatical e boa organização estética do texto. Minha estratégia foi relativamente intuitiva: eu escolhia um tema na plataforma, estudava o conteúdo em um dia e, no dia seguinte, produzia a redação. Também participei de um desafio com colegas concurseiros, no qual nos comprometemos a escrever pelo menos um texto por dia. Como gosto de desafios, levei isso muito a sério. Ao todo, produzi entre 25 e 30 redações nesse período. O resultado foi extremamente positivo: obtive nota máxima (22,5) em uma discursiva e 21,25 na outra. Foram duas questões discursivas, com limite de 30 linhas cada, realizadas em 3 horas. Meu conselho é claro: discursiva se treina escrevendo. E, principalmente, recebendo correção qualificada. A prática constante, aliada ao feedback técnico, faz toda a diferença.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Rayssa: Um dos meus principais erros foi, por vezes, me diminuir e duvidar da minha própria capacidade. Mesmo com histórico de aprovações, eu ainda questionava se seria suficiente para disputar cargos de alto nível. Percebi que essa autossabotagem silenciosa consumia energia mental. Outro erro foi, no início da jornada, gastar tempo excessivo com produção de resumos extensos. Só mais tarde compreendi que, para mim, era mais eficiente revisar por questões e mapas mentais do que produzir material próprio em excesso. Quanto aos acertos, o principal foi ter cronometrado meu tempo de estudo e estabelecido metas claras. Eu preciso de metas objetivas para manter a disciplina. Se não imponho números a serem alcançados — horas líquidas, quantidade mínima de questões, ciclos de revisão — percebo que meu rendimento cai. Outro grande acerto foi proteger meu foco: desligar internet, deixar o celular longe, avisar as pessoas sobre meu horário de estudo e manter constância mesmo em meio aos plantões. Por fim, acredito que meu maior acerto foi não desistir, mesmo quando o cansaço era grande. Entendi que disciplina supera motivação.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Rayssa: O cansaço físico e mental bateu algumas vezes, principalmente diante de uma rotina intensa de trabalho com plantões noturnos, finais de semana e feriados. Em determinados dias, a sensação de exaustão vinha acompanhada daquele pensamento difícil: “E se isso não der em nada?” Mas sempre que essa dúvida surgia, eu lembrava da minha principal motivação: eu queria sair da assistência hospitalar em regime de plantões. Desejava conquistar um cargo que me proporcionasse não apenas estabilidade financeira, mas também qualidade de vida. Queria previsibilidade de rotina, mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e a possibilidade de investir em crescimento profissional de forma mais estruturada. Essa visão de futuro foi o que me manteve firme. Eu não estudava apenas para passar em uma prova; eu estudava para mudar meu estilo de vida. Hoje, prestes a assumir esse novo cargo, sinto que alcancei exatamente o objetivo que tracei lá atrás. E isso fez cada renúncia valer a pena.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Rayssa: Se eu pudesse aconselhar alguém que está começando agora, diria: não espere se sentir pronto, motivado ou confiante para começar. Comece mesmo com medo, mesmo cansado, mesmo inseguro. Eu não cheguei até aqui porque sou mais inteligente do que os outros. Cheguei porque fui constante. Estudei em dias bons e ruins. Estudei depois de plantões de 12 e 24 horas. Estudei cansada. Estudei sem rede social. Estudei quando ninguém estava vendo. Proteja seu foco como se fosse um compromisso inadiável. Estabeleça metas claras. Cronometre seu tempo. Resolva muitas questões. Não romantize o estudo, trate como um projeto com estratégia e execução. Você não precisa estudar perfeitamente todos os dias. Precisa estudar de forma consistente dentro da sua realidade. A constância possível é mais poderosa do que a intensidade esporádica. E, principalmente, não se diminua. Muitas vezes, o maior obstáculo não é o conteúdo, é a dúvida sobre si mesmo. Continue mesmo quando parecer que não está evoluindo. A construção é silenciosa. Se eu consegui conciliar múltiplos vínculos, plantões e ainda assim alcançar o primeiro lugar, qualquer pessoa determinada também pode. Seu momento vai chegar, mas ele exige que você não pare antes.