Como fui aprovado para Auditor-Fiscal da Receita Federal
Área Fiscal

Como fui aprovado em 7º lugar para Auditor-Fiscal da Receita Federal


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Olá, pessoal, tudo bem?

 

Meu nome é Gustavo Garcia, sou Auditor-Fiscal da Receita Federal e faço parte da equipe do Estratégia Concursos. Há alguns meses, postei um artigo no site do Estratégia Concursos falando da oportunidade que então se abria para aqueles que buscavam a aprovação em alguns dos melhores cargos existentes no serviço público: analista e técnico do MP-RJ.

 

Para mim, foi uma grande surpresa notar a receptividade do artigo. Em poucos dias, estava na primeira página de busca do Google, e, em uma semana, era o primeiro resultado do buscador. Por isso, primeiramente, obrigado para quem acessou e leu o texto.

 

Aproveitando o gancho, um dos efeitos colaterais do texto foi ter motivado um dos alunos do programa de coaching do Estratégia a prestar o concurso. Montamos uma meta agressiva e sabem o que ocorreu? Mais um aprovado para a conta!

 

Só que, como o título desse artigo já bem adianta, não vim falar sobre o concurso do MP-RJ. É que, com a publicação do artigo, recebi uma enxurrada de e-mails sobre vários assuntos e grande parte me questionava justamente sobre como havia sido aprovado em 7º lugar nacional no concurso para Auditor-Fiscal da Receita Federal, cargo que atualmente ocupo.

 

Isso porque, naquele texto, como manda o protocolo, fiz uma breve apresentação e contei sobre a minha vida de concurseiro, que pode ser consultada aqui. Desde que fui aprovado, não saí dessa vida dos concursos e atualmente contribuo na preparação de alunos interessados em dar uma otimizada nos estudos e aumentar as chances de aprovação.

 

Esse tempo na vida dos concursos me fez perceber que grande parte da ajuda que podemos dar para aqueles que buscam uma aprovação não se refere somente a métodos de estudo, escolhas de material, direcionamentos na área ou apoio psicológico (sim, isso mesmo, apoio psicológico!). Na verdade, em muitas vezes, ajudamos servindo meramente como inspiração de uma história que deu certo.

 

E aí nasce a primeira barreira para uma pessoa como eu, não acostumada com holofotes. Não que eu não reconheça os méritos em ter passado para um concurso como o de Auditor-Fiscal da Receita Federal, mas sempre enxerguei isso de forma bem prática: foi a história de uma pessoa regular que estudou de forma sistemática durante o tempo necessário para acumular conhecimento suficiente para passar. Nada mais, nada menos.

 

Só que eu estava errado. Não em relação à versão da história, que é essa aí mesmo, mas em relação a quanto ela pode representar para pessoas que estão na mesma situação em que eu estava no começo de 2008, quando começava a estudar para concursos e nunca havia tido contato com o Direito, com a Contabilidade, nem muito menos sabia qual livro comprar, por onde começar, qual curso me matricular. Acreditem: eu era o típico candidato perdido, assim como talvez muitos de vocês se sintam hoje. Por isso que hoje eu vim aqui contar um resumo – longo, mas ainda assim bem enxuto – da minha história.

 

Meu primeiro passo e meu primeiro erro: desejar um objetivo e não traçar um plano para alcançá-lo.

 

Ora, toda história tem um começo e a minha não teve o melhor deles. Decidi prestar concurso para “fiscal da receita” (nem sabia bem do que se tratava) e a primeira coisa que fiz foi procurar um curso presencial aqui no Rio de Janeiro e fazer matrícula num pacote básico para área fiscal. Não sabia quais eram as disciplinas, não sabia quem eram os professores, não tinha lido o edital, não sabia de nada. Esperava assistir às aulas e, como fazia na faculdade, chegar pronto para a prova. Pura ingenuidade.

 

Dizem que eu tenho sorte e, se isso é verdade, ela se manifestou nesse momento. Acabei escolhendo um bom curso, com bons professores e ótimos colegas, e, embora o método presencial, na minha humilde opinião, não seja um dos mais eficientes, consegui manter um certo nível de dignidade no aprendizado para começar a tirar a casca da ignorância daqueles conteúdos. Só que ninguém passa para auditor somente com dignidade.

 

Naquele contexto de mediocridade, em que achava que estava no caminho, que bastava assistir às aulas para ficar pronto, tive a sorte de conhecer um colega de curso e atualmente colega de trabalho na Receita Federal, que já estava há mais tempo nessa vida de concurseiro e que, com muita generosidade, resolveu me mostrar o que eu precisava fazer para passar num concurso dessa magnitude. Nessa época nem se falava em coaching para concursos e acabei recebendo por generosidade a consultoria que foi determinante para a minha aprovação. Podem acreditar, se não fosse aquela conversa, eu não estaria agora escrevendo esse texto.

 

Ele me alertou sobre a necessidade de organização nos estudos, de alternar disciplinas, de controlar o horário, de estudar em casa, de revisar, de escolher bons materiais, de usar bons livros, enfim, sobre toda aquela coisa de que tanto falamos nos webinários e aulões promovidos pelo Estratégia. Só que a grande coisa que ele me fez enxergar era que eu não tinha um plano. Eu queria virar “fiscal da receita” e sequer havia definido como pretendia chegar lá. Parece óbvio, mas não é. Já refletiram sobre os seus planos para a aprovação? Já refletiram se ao menos têm um plano?

 

Meu primeiro acerto: parar tudo e investir tempo para traçar um plano

 

Essa fase foi decisiva para o resultado que alcancei. Nesse momento, busquei informações (muito raras na época) sobre como estudar, qual material usar, como controlar meu tempo de estudo, qual a frequência ideal das revisões, quais matérias deveriam ser priorizadas e de que forma, qual a sequência de disciplinas a serem estudadas, etc. Tendo tudo consolidado, eu tinha, agora sim, um plano de estudo já esboçado daquele dia até o dia da prova.

 

Traçar esse plano me fez perceber quanto tempo eu já tinha perdido e quanto ainda me restava, me fez perceber que eu apenas pensava ter estudado algumas matérias e que tinha desperdiçado tempo com disciplinas que não deveriam ser priorizadas inicialmente. Naquele momento eu percebi que, do jeito que pretendia fazer, não teria a menor chance de ser aprovado num concurso desse nível. Como costumo dizer para os alunos do programa de coaching do Estratégia: “Concursos são para qualquer um, exceto para os aventureiros”. E eu era um aventureiro.

 

Depois disso, pode parecer brincadeira, começou a parte fácil, pois bastava agora somente estudar. Isso porque, uma vez com o plano traçado, e eu confiava realmente nele, eu sabia que seria apenas uma questão de tempo para acumular e amadurecer conhecimento até estar preparado.

 

O grande desafio: saber levar a viagem

 

O caminho para aprovação é longo e não tem atalhos. Talvez alguns de vocês se questionem sobre o que acabei de escrever, pois, em tese, o coaching deveria ser um atalho para aprovação. Só que o coaching não é atalho, não é mágica. Aproveitando a metáfora, gosto de dizer que o coaching aumenta a velocidade durante o trajeto, foge dos buracos, evita que pegue uma estrada mais longa ou inútil, mas, como disse, não é um atalho. Quer passar? Só tem um caminho: estudar até ficar bom.

 

Fica aqui uma dica de ouro: assim como em tudo na vida, desconfie das promessas dos charlatões, dos caminhos fáceis, que garantem a aprovação sem muito esforço!

 

De volta à questão do “tamanho” do caminho, eu já sabia que o desafio seria longo, mas provavelmente não estava 100% preparado para enfrentar o marasmo da preparação. Isso porque chega um momento em que você fica estudando por meses as mesmas matérias e vem aquela sensação de que nunca vai acabar, de que não está indo para lugar nenhum, de que estão saindo editais e você está perdendo oportunidades. Esse sentimento faz você questionar tudo, a sua capacidade de passar, o seu progresso, o seu plano. Só que é nesta hora que você precisa se manter firme, eu diria que é nesse momento que separamos aqueles que vão desistir daqueles que vão brigar pela vaga. É nessa hora que contar com alguém que já passou e conhece aquele caminho faz toda diferença.

 

O momento de começar a acreditar

 

Após alguns meses de “sofrimento” com as matérias iniciais, encerrei Direito Tributário. Para mim, foi uma vitória. Em seguida, Administrativo, Constitucional e assim sucessivamente. E, aos poucos, comecei a conseguir enxergar facilmente o progresso e a direção para que caminhava, pois, a cada matéria encerrada, outras iam sendo inseridas. Dessa forma, começava a percorrer o edital e a enxergar o seu fim. Além disso, conforme inseria uma disciplina, continuava a estudar aquelas que já tinha esgotado e, assim, podia cobrir as falhas deixadas na minha leitura inicial e melhorar meu rendimento e confiança na matéria. Lembro bem que nessa época comecei a acreditar que era possível.

 

A hora de brigar pela vaga

 

Encerrado todo o edital, o que faria? Não tive dúvidas, estudar mais e mais os mesmos assuntos já vistos, priorizando pontos não explorados, como leitura de lei seca, de detalhes perdidos, leitura de jurisprudência e, PRINCIPALMENTE, resolução de questões. Esse seria um ciclo infinito e repetitivo até o dia da prova, ou melhor, da publicação do edital. Também fiz alguns simulados, mas isso fica para outro artigo.

 

O edital para Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil foi publicado em 21/09/2009 e, como não podia ser sem emoção, veio com uma série de surpresas desagradáveis: a inserção das disciplinas Direito Civil, Direito Penal, Direito Comercial, Administração Pública e Raciocínio Lógico e, pela primeira vez na história, com a prova discursiva como parte da segunda fase do concurso. Ainda teria muito o que fazer para garantir a vaga.

 

Não podia me desesperar, mas não sou de ferro e me desesperei. Fiquei pelo menos um dia em pânico, pois, além do desafio da prova discursiva, teria apenas 74 dias para aprender as novas matérias a ponto de fazer os mínimos exigidos pelo edital. Demorei um dia para assimilar tudo, outro para me acalmar e outro para traçar um plano (precisamos sempre de um plano, não se esqueçam). O que planejei foi basicamente o seguinte: teria que focar nessas matérias novas e manter o meu conhecimento nas demais. Por isso, encontrar um material suficiente, objetivo e direcionado faria toda a diferença.

 

Passado o desespero inicial, ainda precisava de um plano para a discursiva. Só que resolvi pensar numa fase de cada vez, até mesmo porque não faria a discursiva se não fizesse os mínimos da objetiva. Então decidi que somente me dedicaria a “aprender a escrever depois de saber o que escrever”. Foi a coisa mais acertada que fiz.

 

Então, amigos, depois disso foi dar execução à típica Operação Kamikaze, intensifiquei a minha carga horária, fiquei mais rigoroso com o descanso diário, suspendi as folgas semanais, as visitas, o lazer de fim de semana e fiquei por conta dos estudos até o dia da prova torcendo para que desse tempo de estudar tudo. E, felizmente, deu! De resto, nada demais, somente aquela desaceleração típica – não consigo parar totalmente – na antevéspera e na véspera da prova, aliadas com muita calma e paz no coração no dia D.

 

Após a prova objetiva (vou pular todo o drama passado até a publicação do gabarito preliminar), tirei uns 2 dias de descanso e, para me preparar para a discursiva, em linhas gerais, comecei a fazer redações nos moldes exigidos pela banca sobre cada ponto do edital incessantemente até a prova. Isso porque havia me matriculado em um curso específico para a prova, mas a convocação para a prova discursiva foi publicada com pouquíssima antecedência e o curso no qual havia me matriculado pouco pôde contribuir para a preparação. E, agora, mais uma vez, foi esperar chegar o dia da prova rezando para cair algum assunto que eu dominasse.

 

Dizem que a “sorte” costuma premiar os esforçados e, felizmente, a prova foi bem razoável. Tratou de assunto sobre o qual qualquer um que tivesse chegado naquela fase do concurso teria condições de escrever e, graças a Deus, deu tudo certo. O resultado foi a minha aprovação em 7º lugar para Auditor-Fiscal da Receita Federal. Depois disso, bem, o depois disso eu deixo por conta de cada um de vocês, já que tenho certeza de que cada um tem os próprios sonhos e objetivos que servem de motivação para buscar a aprovação. O que eu fiz foi viver os meus. :)

 

Bem, era isso, pessoal. Espero que esse relato um pouco longo – mas bastante resumido – possa contribuir um pouco para reforçar a confiança daqueles que ainda estão na luta pela aprovação. Como não é possível fugir do clichê, reitero: o esforço é realmente enorme, mas vale cada segundo investido.

 

Se quiserem conhecer mais sobre o programa de coaching do Estratégia, mandem um e-mail para [email protected].

Os cursos do Estratégia para Auditor-Fiscal da Receita Federal e para Analista Tributário da Receita Federal podem ser encontrados aqui e aqui.

 

Um grande abraço,

Gustavo Garcia

 

 

 

 

 

 

 

 

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Gustavo Garcia

Gustavo Garcia

Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Aprovado em 7º lugar nacional no concurso para Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de 2009. Formado em Engenharia Elétrica e aprovado também nos seguintes concursos:        - 9º lugar nacional para Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil em 2009        - 3º lugar parar Assistente Técnico-Administrativo do Ministério da Fazenda em 2009        - Especialista em Regulação da ANAC em 2009        - Engenheiro da Petrobras em 2007

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