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Sem plano B: conheça a minha trajetória.

Pois é, meus caros estrategistas! Foram extenuantes 2.343 horas de estudo, 21.120 exercícios resolvidos, 14 meses de estudos e 9 quilos a mais até atingir a tão sonhada, almejada, desejada, e, principalmente, PLANEJADA aprovação!

Meu nome é Kauê Salvaterra, eu sou Auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e Coach aqui no Estratégia Concursos. Vou compartilhar a minha jornada de concurseiro com vocês, abordando a decisão de largar o emprego e estudar para concursos, o início dos estudos para a área Fiscal, a posterior migração para a área de Controle, a volta ao trabalho no meio do caminho, o “sangue no olho” pós-edital e finalmente a aprovação. Ufa!

Mas calma, antes de começar eu prometo duas coisas aqui: vou tentar ser o mais breve possível para não ficar cansativo e dar algumas dicas importantes ao longo do texto, pois tenho certeza que serão muito úteis para vocês. Portanto, fiquem comigo até o final.

Minha jornada de concurseiro iniciou em abril de 2016 quando eu decidi largar meu emprego e “só estudar” para concurso público. Na época, minha esposa e eu éramos recém-casados e ela trabalhava em uma cidade litorânea de São Paulo, enquanto eu trabalhava na capital. Por esse motivo, nós nos víamos apenas 24h por semana. Essa situação se prolongou por tanto tempo que se tornou insuportável. Para piorar a situação, a crise econômica chegou com tudo em 2016. E nós, engenheiros civis de obras, nos vimos ameaçados pela constante possibilidade de perdermos o nosso emprego. A evolução da operação Lava-Jato foi a pá de cal. O setor de construção civil sentiu muito e foi aí que eu comecei a pensar: “Lascou, nossos ovos estão todos na mesma cesta e se cair, quebra tudo.”

Conversei com minha esposa, e mesmo sem nos preparar financeiramente, larguei o emprego, fiz minhas malas e desci a serra rumo à Caraguatatuba, sem plano B. Era isso ou era isso. Li 2 livros sobre como estudar para concursos, peguei várias dicas de bibliografia no famigerado fórum concurseiros, investi pesado em: livros (à época o Estratégia Concursos não era tão grande como hoje, mas já era o líder do mercado), cadeira, mesa, e caí de cabeça nos estudos. E aqui vai a 1ª dica:

Local de estudos importa

Galera, vocês precisam de foco para estudar. Precisam de um lugar adequado, iluminado, silencioso, de uma cadeira confortável, afinal vossas bundas passarão bastante tempo ali rsrs. Enfim, vocês precisam de um local em que vocês consigam estar presentes no momento. Vejam como era o meu local de estudos:

Estabelecido o meu “cantinho”, levava uma rotina de concurseiro profissional. Acordava cedo, e estudava das 07:00 – 18:00, fazendo as pausas necessárias e 2 horas de almoço. Como muitas pessoas, iniciei estudando para a área Fiscal. No entanto, nunca quis Receita Federal. Como sou de SP capital, meu objetivo sempre foi o ISS SP ou o ICMS SP, mas estava com o leque aberto, atento às oportunidades. E logo veio a minha primeira batalha.

Em junho saiu o edital do ISS Teresina com provas para agosto. E eu, todo inocente e com a minha autoconfiança lá no alto, achei que daria. Então, em agosto  eu e minha esposa voamos para Teresina para encarar a minha primeira guerra. É… não deu. Mas não fui mal. Consegui acertar 75% da prova e fiquei na posição 87. Pena que eram 7 vagas e apenas 70 passariam para a segunda fase =/. Mas, valeu! Não achei que fui mal. Ainda aproveitamos para esticar uma semana de férias porque minha esposa estava passando por poucas e boas no trabalho (o que só aumentava a minha pressão) e precisava de um descanso. Aqui, gostaria de dar a 2ª dica:

Permita-se pequenas recompensas

A cada meta cumprida, permita-se pequenas recompensas. Mas nunca permita que essas recompensas sejam exageradas ou desproporcionais a ponto de prejudicar o seu planejamento. Fazendo isso, você estará fortalecendo a sua Inteligência Emocional. Muitos concurseiros negligenciam a inteligência emocional, porém, na minha opinião, ela é MUITO mais importante que a própria inteligência em si. Você é um(a) aprovado(a) em construção! Take it easy, mas seja fiel ao seu propósito e não se sabote.

Terminada as mini-férias, voltei à minha rotina de estudos. E assim fui levando até o final do ano. No início do ano seguinte, a qualidade e o rendimento dos meus estudos começaram a cair muito. Só se falava em crise econômica à época, muitos falavam que concurso público iria acabar, havia um novo governo em SP… Enfim, a conjuntura política e econômica à época estava bem turbulenta. Para piorar, os boatos sobre um novo concurso do ISS SP esfriaram e o ICMS SP estava “mortinho da silva”. Isso começou a me abalar.

Comecei a pensar que não sairia concurso tão cedo, que eu iria ficar muito tempo estudando (na minha cabeça imediatista, achava que passaria em menos de 1 ano… Hoje, escrevendo isso, já logo vem a imagem do “cumpadi” em minha cabeça: “sabe de nada, inocente” rsrs). Para piorar tudo, nossas dívidas cresciam como uma bola de neve.

Isso foi me consumindo. De 8 horas diárias, passei a estudar 7. Depois 6. Depois 5. Depois 4. Até que me vi estudando 3 horas diárias. Comecei a perder a constância dos meus estudos e foi aí que eu comecei a pensar em voltar a trabalhar. Era uma decisão difícil, pois envolvia uma série de outros fatores que pesavam muito na balança.  Fui levando como dava. Meu emocional foi se deteriorando e minha ansiedade só aumentava. A gota d’água foi quando eu me peguei acordando de madrugada para tomar leite quente porque estava muito ansioso (minha esposa me zoa até hoje por conta desse episódio kkkkkkkk). Ali, deu! Precisava fazer algo. Conversei com minha esposa e expliquei que voltaria a trabalhar, mas não deixaria de estudar. Estava apenas mudando a estratégia e não o objetivo. Foi difícil, mas ela aceitou e em março/2017 voltei a trabalhar em obra em SP.

O começo foi punk. A rotina era puxada e eu oscilava muito. Não conseguia estabelecer um ritmo e entrar em um fluxo contínuo de estudos. A rotina ficou tão puxada que eu larguei completamente os estudos. Em junho, começaram os boatos sobre o TCE/SP. Ora, nunca tinha passado pela minha cabeça estudar para Tribunal de Contas, nem mesmo para a área de Controle, mas passei a olhar com mais atenção para esse concurso. E após reunir algumas informações a respeito dele, me apaixonei pela área e mudei completamente o meu foco: “Vou ser Auditor de Controle Externo do TCE/SP”.

Eu vi no concurso do TCE/SP uma oportunidade para eu realizar meu sonho: passar em um concurso e permanecer em SP.  A partir daí, voltei a estudar com intensidade. Como eu já havia estudado bastante e estava bem avançado em diversas matérias, consegui fazer a transição para as matérias da área de Controle. Passei a ficar mais recluso, sacrifiquei praticamente todos os eventos sociais, larguei a academia e passei a estudar 5 horas/dia. Até que em setembro saiu o edital. Aí o “negócio ficou esquisito”. Pensei comigo: “é esse, é agora ou nunca, esse concurso é meu”. E mergulhei nas profundezas mais profundas do mundo dos estudos =D.

Adaptei toda a rotina. Acordava às 4:30, estudava até às 6:30 e ia trabalhar. No intervalo do almoço, estudava lei seca e fazia os meus bizus. Chegava em casa, jantava, tomava banho e me recolhia aos aposentos de estudo. Aos finais de semana, estudava praticamente o dia inteiro. Parei de fazer tudo! Almoçava e jantava “estudo”. Respirava “concursos”. Nada me interessava mais, além do concurso do TCE/SP. Bitolei total! Nem assunto eu tinha mais com a minha esposa rsrs (foi um período muito difícil para ambos, mas com certeza eu não teria conseguido sem o apoio e compreensão dela). Levei essa rotina militar até o dia da prova. Como não tinha 1 ano completo no meu trabalho, negociei um adiantamento de férias de 1 semana, a qual eu utilizei antes da prova para o sprint final.

Tracei uma estratégia para o dia da prova considerando todos os possíveis cenários, levei apenas meia garrafa de água para não dar vontade de ir ao banheiro, não levei comida (afinal, ninguém morre por ficar 4 horas sem comer, certo?), não queria nenhum tipo de distração. Eu sabia exatamente o QUE eu ia fazer e COMO eu ia fazer. Por quais matérias iria começar, enfim, tudo. Eu cheguei com “sangue no olho” no local da prova. Pronto para a guerra!

Fiz a prova e tudo saiu como o planejado, no entanto, não saí muito confiante. Achava que tinha ido bem, mas não o suficiente para ter passado dentro das vagas. Minha esposa diz que eu sou muito pessimista, mas eu acabo usando isso de escudo para evitar frustrações.  Quando saiu o resultado, mal pude acreditar… Havia sido aprovado em 26º lugar com 92,5% de acertos na prova! Meu Deus! Tudo valeu a pena! Todo o esforço, toda a ansiedade, todos os medos, tudo valeu a pena. O dia da minha aprovação foi um dos dias mais felizes de minha vida.

Logo que saiu o resultado oficial eu já comecei a pensar em ajudar os outros através do Coaching, pois muitas pessoas me perguntavam o que eu tinha feito, como eu tinha feito, quanto tempo levou, etc. Mas, como eu não gosto de fazer as coisas mal feitas, eu resolvi estudar o assunto antes de ir atrás disso. Passei praticamente 1 ano estudando e lendo livros sobre técnicas de estudos, inteligência emocional, funcionamento do cérebro e preparo para concursos. E aqui vai a 3ª dica (já estamos terminando, calma):

Busque a excelência

Nunca faça as coisas por fazer, principalmente nos estudos. Busque dar sempre o seu melhor. Seja interessado e busque a melhoria contínua. O aprendizado é consequência direta do interesse. O comportamento proativo e curioso é o cerne do aprendizado humano. Portanto, faça as coisas com zelo e interesse.

Para finalizar, gostaria de dar as 2 últimas dicas:

Não se compare

Galera, essa foi a minha jornada, a minha história. Não se compare aos outros. Entenda que cada um terá a sua própria história. Nós adoramos histórias de sucesso e superação. Use-as com sabedoria. Use-as para motivar-se nunca para comparar-se.

Se conheça

Existem pessoas que aguentam uma rotina militar, estudando de domingo a domingo, 8 a 10 horas líquidas por dia, e existem pessoas que precisam de um ritmo mais light. Apenas replicar genericamente estratégias utilizadas por outros concurseiros, sem se conhecer, só vai te levar ao FRACASSO!

O processo é árduo, o caminho é cansativo, e em algum momento você “vai abrir o bico” (se é que já não abriu rsrs). É normal. Mas saiba que, no jogo dos concursos, só perde quem desiste.

Você pode ter nascido sem privilégios, mas ao longo da jornada terão pessoas acomodadas, andando devagar, enquanto você estará correndo. O que diferencia aquele que consegue daquele que não consegue é a DISCIPLINA!

Sabe, um concurseiro já tem lutas e provações demais para enfrentar, portanto, cerque-se de pessoas generosas, crie ambientes positivos, tenha atitudes proativas e faça as coisas com constância. Eu te garanto, vai dar certo!

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Veja os comentários
  • Quero agradecer ao comentário do colega chamado "dick" abaixo. Ele falou a verdade que ninguém diz, que nunca comentam e que é extremamente importante. Muito obrigado por sua sinceridade e coragem em dizer isso, dick. A todos que o leram, absorvam a mensagem, pois é extremamente importante para sua vida.
    Saulo em 22/09/20 às 19:36
  • Parabens meu amigo(desculpa a proximidade,eh que nos concurseiros, somos uma irmandade) pela sua historia de luta e superação. Eu ja tenho muitos e muitos anos de andanças nesse mundo(uma vida diga-se de passagem).Hj tenho um bom emprego mas nao era o que eu sonhava .Enfim ,talvez tenha até mais do que eu mereça... Tive algumas derrotas frustrantes,ja ha alguns anos (a mais recente ,ha 5 anos ,o ultimo APO-MPOG.Mas este foi apenas o "sopro " de misericórdia.A porrada fatal foi um pouco antes,em 2013 ,no Bacen).De la pra cá,tento recomeçar mas nao consigo mais... Ao lado de uma preparação academica,ha de se ter uma fortaleza psicologica.E em caso de frustrar-se ,como foi meu caso,consegui manter a constança e saude psiquica.Infelizmente nao consegui,e hoje tenho sérios problemas por conta disso. Não quero desmotivar ninguem.Isso seria um contrassenso pois milhares sao aprovados todos os anos.Uns brilhantes(passam num curto periodo de tempo),outros,eficientes.Mas ha aqueles que nunca passaram e nao conseguirao jamais passar(ha de se considerar essa realidade.E digo isso antes que me venham com cliches ,ou autoajuda barata ). Minha vontade era que todos fizessem parte do grupo dos aprovados.Infelizmente a vida nao é assim.Ao iniciar ou continuarem nessa jornada,Busquem a Ajuda de Deus,da familia ,de amigos e de uma especialista em saude mental.Precisarão e muito se o desfecho nao for o esperado ou o desejado ,e se isso for somando-se fracassos e mais fracassos durante anos a fio.A desesperanca sera a companheira todos os dias e todas as noites.E uma sensação terrivel.... O pior é que criamos um habito de estudar e de envolver-se que fica dificil virar a chave e abrir outras perspectivas;no meu caso ,passo algum tempo ,mas sempre volto a estudar por algum tempo. Portanto ,ao lado dos conselhos bons dos que passam e tentam ajudar dando uma mensagem de esperança,eu peço a todos que se preparem tambem para o caso de não dar certo. Quanto ao amigo,do fundo do coração lhe desejo muita felicidade e a benção de Deus sobre a sua vida e familia.
    dick em 24/07/20 às 18:16
  • Parabéns, Kauê!!! Que orgulho ler este relato de quem a gente conhece, afinal, passar em um concurso de alto nível parece ser de longe só para extraterrestres!!! Rs sucesso!! Grande abraço!!!
    Danilo M. Ciardella em 11/04/20 às 18:05