Artigo

O que faz um Analista do Bacen? Conheça a minha carreira!

Analista do Banco Central: O homem do dinheiro

O homem do dinheiro: esse é o apelido que tenho entre amigos e conhecidos. Desde que passei a ocupar o cargo de Analista do Banco Central do Brasil (Bacen), acham que a única coisa que fazemos é fabricar e guardar dinheiro. Alguns deles chegaram ao ponto de me questionar: “Paulo, você não fica tentado trabalhando próximo de pilhas e pilhas de cédulas de reais?”

A história do homem do dinheiro só mostra que o Bacen é uma verdadeira caixa preta para a maior parte da sociedade brasileira. Por conta disso, resolvi escrever este artigo, compartilhando com vocês as atividades que exerço desde minha posse na autarquia monetária.

Foto tirada por mim nas proximidades do edifício-sede do Bacen. Parece uma caixa preta?

1) Primeiro dia de trabalho: em qual departamento do Bacen vou trabalhar?

Durante o curso de formação do Bacen (fez parte de uma das etapas do concurso), os professores dão uma pincelada inicial acerca dos diversos departamentos existentes. Já nessa fase, tive a opção de indicar as minhas preferências por determinadas áreas – apesar de não ter adiantado muito.

Quando entrei em exercício, em 12 de março de 2012, todos os novos servidores foram reunidos em um auditório. Os representantes de cada departamento ficaram responsáveis por buscar os seus respectivos “fraldinhas”, levando-os até os devidos locais de trabalho.

Chegou a minha vez: descobri que havia sido lotado na Secretaria da Diretoria e do Conselho Monetário Nacional (Sucon). Pela sigla, achei que fosse trabalhar com algo relacionado à comunicação, mas, posteriormente, descobri que se tratava do departamento responsável por prestar assessoria técnica e administrativa às reuniões da Diretoria Colegiada do Bacen e do Conselho Monetário Nacional (CMN).

2) O que eu fazia na Secretaria da Diretoria e do Conselho Monetário Nacional (Sucon)?

Na Sucon, fiquei responsável por revisar as minutas de Circulares do Bacen e Resoluções do CMN, que iriam para a aprovação dos respectivos colegiados. Cada minuta desses normativos era acompanhada por um “voto”, uma espécie de exposição de motivos que fundamentavam a criação ou a alteração de determinada norma para o mercado financeiro. Os “votos” também eram objeto de minha atenta revisão. Eu corrigia desde deslizes no português até erros no embasamento legal da norma.

O sistema de revisão era (e continua sendo) todo informatizado. Cada alteração, bem como o responsável por ela, fica registrada no banco de dados. Interessante anotar que os documentos já apareciam para nossa revisão desde sua inserção na plataforma pelo chefe de gabinete do presidente ou pelo diretor responsável.

Geralmente, eu participava das reuniões e já fazia anotações para elaborar a versão final dos normativos e votos. Terminada a reunião, editava a versão final de cada documento para assinatura e rubrica dos membros da diretoria colegiada do Bacen ou CMN. Feito isso, encaminhava a Circular do Bacen ou a Resolução do CMN à Imprensa Oficial para publicação no Diário Oficial da União (DOU), após a qual o normativo passava a ter vigência.

Após certo tempo, também passei a elaborar a pauta das reuniões, conforme orientações do Secretário da Diretoria e do Conselho Monetário Nacional, meu ex-querido chefe. A pauta inteira, juntamente com todos os documentos a serem aprovados, era elaborada em um arquivo PDF, o qual encaminhávamos ao e-mail de cada participante da reunião. Por meio da digitalização das pautas, evitávamos o desperdício de papel: afinal o recurso é público!

O trabalho na Sucon era atrativo, até porque, tomávamos conhecimento de possíveis decisões relevantes antes mesmo delas serem formalizadas. A discrição, portanto, era fundamental.

Todavia, com o passar do tempo, comecei o curso de Direito na Universidade de Brasília (UnB). A partir de então, interessei-me por trabalhar em outras áreas, almejando atividades que tivessem uma densidade jurídica maior. Foi aí que, em dezembro de 2014, consegui uma mobilidade para a Divisão de Licitações e Contratos (Dilic) do Departamento de Infraestrutura e Gestão Patrimonial (Demap), departamento responsável pela prestação de serviços de infraestrutura e de apoio logístico, bem como compras, contratações e alienações do Bacen.

3) O que eu fazia no Departamento de Infraestrutura e Gestão Patrimonial (Demap)?

No Demap, fiquei responsável por dar apoio e consultoria técnica em tudo que era relacionado a contratos. Auxiliava os demais departamentos do Bacen na gestão de diversos aspectos, tais como: elaboração de cláusulas contratuais; prorrogação de vigência; reajuste, repactuação e revisão de preços contratuais; e até mesmo na condução de processos administrativos punitivos (quando as contratadas pisavam na bola).

Por minhas mãos passaram contratos de todo tipo: desde manutenção predial até fabricação de notas de real na Suécia.

Era um trabalho interessante, que exigia muita pesquisa de legislação, jurisprudência e acórdãos do Tribunal de Contas da União (TCU).

Após 4 anos de Demap, decidi que era a hora de mudar novamente. Queria aprender coisas novas. Então, inscrevi-me em uma concorrência para a função na Coordenação de Cálculos, Precatórios e Perícias Judiciais (Cocap) da Procuradoria-Geral do Banco Central (PGBC), departamento responsável pela consultoria e representação judicial do Bacen. No dia 1º de abril de 2019, entrei em atividade no novo departamento.

Nesse momento, você já deve ter percebido a amplitude e a facilidade da mobilidade interna aqui dentro do Bacen. Vou te falar: isso é fantástico!

4) O que eu faço na Procuradoria-Geral do Banco Central do Brasil (PGBC)?

Na PGBC, presto apoio e consultoria aos procuradores (advogados) do Bacen em tudo que se refere a cálculos. Minhas atividades envolvem desde elaboração de planilhas para atualização monetária e cálculo de juros até a elaboração de notas técnicas que auxiliam a defesa dos interesses do Bacen em juízo.

Os casos que analiso são diversos: questões remuneratórias de servidores do Bacen; questões trabalhistas de terceirizados; indenização de planos econômicos (p.ex, Plano Collor); multas aplicadas pelo Bacen; Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro); parcelamentos; precatórios; e muito mais.

O exercício dessa atividade calculista envolve desde conhecimentos em matemática e economia até conhecimentos em direito processual e trabalhista. Para quem gosta de aprender, é demais!

5) O Bacen é um universo de competências

Existem muitos outros departamentos: O Bacen é um universo de competências! Tem todo tipo de gente, de toda parte do Brasil e (até) do mundo (tenho um colega Analista português), com as mais variadas formações e exercendo as mais variadas atividades.

A título de exemplo, você pode trabalhar com auditoria, planejamento estratégico, gestão de projetos, segurança, tecnologia da informação, política monetária, educação, comunicação, assuntos internacionais, riscos corporativos, finanças, monitoramento do sistema financeiro, fiscalização de bancos, lavagem de dinheiro, processos punitivos e muito, mas muito, mais!

Se você ficou interessado, sugiro que procure o Regimento Interno do Bacen no Google: lá você vai poder ver as competências de cada diretoria e departamento. Alguma delas, provavelmente, irá se encaixar no seu perfil!

Organograma do Bacen. Acesse: https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/organograma/

6) Gostei, mas como é o plano de carreira do Analista do Bacen?

A remuneração inicial da carreira é bem atrativa, atingindo R$19.197,06 (Classe A, padrão I). Com o tempo, seu subsídio vai aumentando, conforme a tabela abaixo – na prática, você sobe de padrão de 1 em 1 ano.

Tabela remuneratória do Analista do Bacen. Sobre esse valor, são descontados o Imposto de Renda e a Contribuição Previdenciária.

Caso você venha a ocupar alguma função comissionada, pode-se acrescentar ao subsídio os valores abaixo:


É isso, pessoal. Espero que meu artigo te ajude a conhecer mais sobre a carreira no Bacen, além de contribuir para que perceba se é realmente o concurso que almeja. Confesso que eu estou muito satisfeito aqui no Bacen, tanto pela organização quanto pelo orgulho de trabalhar ao lado de pessoas tão capacitadas. Conte comigo e com o Estratégia Concursos nessa caminhada!

ASSINE AGORA – Assinatura Ilimitada para Banco Central, TCU e outros concursos

CONCURSOS ABERTOS

CONCURSOS 2019

CONCURSOS 2020

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Veja os comentários
  • Excelente artigo, Paulo! Eu já pensava em estudar para o Bacen, e agora me animei ainda mais! Obrigada por esclarecer muitas dúvidas que eu tinha acerca dessa autarquia. ;)
    Sílvia em 21/09/19 às 14:36
  • Oi Nina, sim! No início, é claro que você teria mais facilidade em ir para a área desejada se entrar pela área correspondente. Mas, nada impede que você entre pela Àrea 6 (Adm e análise processual), faça um mestrado e doutorado em economia e vá para o Departamento de Pesquisas Econômicas. Isso é absolutamente possível.
    Paulo Morishigue em 20/09/19 às 11:26
  • Então a área escolhida no edital é apenas para ingressar no banco? Ao entrar em exercício vc pode ir para qualquer área?
    Nina em 19/09/19 às 22:34
  • Excelente artigo! O Bacen de fato é um dos melhores órgãos para se trabalhar na Administração Pública. Além dos benefícios elencados, o órgão conta ainda com um corpo funcional extremamente qualificado! É uma ótima oportunidade para quem quer se desenvolver profissionalmente na área pública.
    Juliana em 19/09/19 às 22:06
  • Parabéns pelo artigo esclarecedor!! Trajetória que serve de inspiração a todos nós e aumenta a vontade de trabalhar nesta autarquia!!
    Adriano em 19/09/19 às 13:19
  • Obrigado, Dr. Ricardo. Forte abraço!
    Paulo Morishigue em 19/09/19 às 12:01
  • Grande professor Paulo! É notório que sua competência reflete em todas as áreas em que atua! Parabéns pelos seus êxitos como concurseiro, professor e servidor público! Um exemplo a ser seguido, com certeza!
    Ricardo Ono em 19/09/19 às 11:56
  • João, tudo bem? O cargo é um só, independentemente da área. A escolha das vagas a serem abertas no concurso depende da demanda interna dos departamentos, sendo, portanto, uma escolha discricionária. Todavia, já te adianto que a área 4 costuma abrir mais vagas que a área 3.
    Paulo Morishigue em 19/09/19 às 11:50
  • Parabéns pelo artigo. Vejo que o BACEN divulga o número de cargos vagos, mas é possível saber qual área das que o edital contempla tem mais vagas? Estou em dúvida entre área 3 e 4.
    João em 19/09/19 às 08:44