Como me tornei AFRE-RJ (Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro) ?
Concursos Públicos

Como me tornei AFRE-RJ (Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro) ?

Vencendo a banca e o sistema

 

Futuros aprovados, os Senhores estão prontos? Permitam-me escrever algumas palavras antes de responder a pergunta central desse artigo. O meu nome é Raphael Lacerda, eu estou AFRE-RJ e dediquei 16 anos da minha vida ao estudos para concursos públicos. De modo é que não é fácil o que eu vou dizer aqui, agora, mas a verdade é que eu tomei muita “porrada” nessa trajetória. Quando o concurso em que eu passei depois de tanto sofrimento foi anulado, meu pai me perguntou: Filho, você acredita na Justiça brasileira? Respondi: “- Pai você tem fé? Eu tenho!”

Tenho muito orgulho de fazer parte da turma de 2011. Nós entramos na Justiça para provar que o Sistema estava errado. Ingressamos com uma ação judicial para provar a verdade e eu tinha que participar ativamente disso. Fizemos de tudo e o Sistema continuava de pé. O Sistema entregou a mão para salvar o braço (nova autorização de concurso para 200 vagas), o Sistema se organizou, articulou novos interesses, fez alianças para manter a anulação e até o Sindicato apoiou a Administração sem ter ideia do que houvera de fato. Agora me responda uma coisa, quem você acha que venceu ao final disso? É… custou caro, muito caro… embora o Sistema fosse muito maior do que nós pensávamos, temos um DEUS infinitamente maior (independentemente do que você acredita querido leitor) e uma comissão de aprovados abençoada. Nessa, cada membro desempenhou com maestria um papel fundamental na reversão da anulação após 9 meses, os mais longos 9 meses de nossas vidas.

O fato é que outra pergunta muito importante havia sido feita pelo meu pai quando eu tinha 12 anos: “ – Meu filho, o que você quer ser quando você crescer?” E eu respondi: “ – Piloto de avião”. Minha família é de origem pobre e a única forma que o meu pai encontrou de me fazer feliz naquela época foi brincando de aviõezinhos de papel comigo e me levando para passear no Aeroporto Internacional do Galeão. Quatro anos depois anos descobríamos que para ser piloto de avião seria necessário ingressar na EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica), em Barbacena, ou pagar uma quantia consideravelmente alta para se formar em uma escola de aviação civil, no Rio de Janeiro.

O ano era 1996 e os meus pais com muito sacrifício pagaram Colégio e Curso Preparatório para EPCAR: SOEIRO, em Cascadura – Rio de Janeiro. Ninguém utilizava a palavra concurseiro naquela época. Eu tinha 16 anos de idade e muitos sonhos. Eu sempre acreditei que para ser aprovado era necessário dedicação, determinação e que se eu procurasse estudar, então não haveria outro resultado, senão a aprovação. Pode parecer bobagem, mas antes de ingressar nesse preparatório, nas provas de Matemática do Colégio Independência, onde fiz o ensino fundamental, o Mestre Juarez utilizava a mesma frase motivacional em todas, eu disse todas as provas. Óbvio que irei dividi-la com vocês:

“Quem espera, sempre cansa;

Quem procura, sempre alcança”.

Eu era tão menino, tão inocente que não consegui entender o espanto dos meus pais com minha primeira aprovação em 161º de 280 convocados. E cá entre nós… nem eu mesmo acreditei. Em 1997 fui estudar na EPCAR, que escola incrível, mas por outro lado eu iria ficar longe do papai e da mamãe pela primeira vez… e quanto não foram as choradeiras nos finais de semana sem eles. É isso aê… você entendeu muito bem… mimadinho da mamãe com muito orgulho! O fato é que naquela época, dos 280 alunos, apenas 180 teriam a garantia do passaporte para AFA (Academia da Força Área). Ou seja, dentro da Escola haveria um processo eliminatório e pelo menos 100 alunos retornariam para a vida civil com uma mão na frente e a outra atrás.

Destaco aqui que em 97, além de mimado, eu era um fanfarrão e não estudava como os demais colegas, então ao término daquele ano letivo fiquei com a classificação 186º e voltei para vida civil. Era a primeira “porrada” da minha vida.

Antes mesmo de conhecer algum livro de Anthony Robbins (um dos maiores coaches do mundo) já imaginava que o sucesso deixava suas pistas, então antes do meu adeus para EPCAR… embora pudesse parecer tarde demais, colei nos primeiros colocados da minha turma (Rompe Século) e perguntei a eles o que eles fizeram para chegar naquela classificação. Além daquelas respostas padrões como foco, garra e determinação, o aluno Machado, 11º colocado entre os cadetes aviadores, disse que eu deveria melhorar minha base e que poderia adquiri-la no Impacto (cursinho na Tijuca).

Eu comecei o ano de 1998 fazendo bolsões de estudo. Não adiantou. O curso era extremamente caro e, mesmo após o desconto, os meus pais não teriam como pagar. Nesse ano, contei com a ajuda da vovó e conseguimos pagar o cursinho. Minha jornada iniciava às 5:00 da manhã e às 05:30 eu partia para Tijuca no ônibus 665 – Saens Pena – lotadíssimo… era tenso… O dono do curso me achava um doido porque eu havia pago pelo curso IME (Instituto Militar de Engenharia)/ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) – 13h-20h10 – , mas pedi para também assistir as aulas da turma AFA-EN (7h-12h) gratuitamente. Foi nessa intensidade de 5 da manhã até às 11 da noite que minha perfomance chegou no alto nível em exatas. Eu já sabia que o sucesso deixava pistas, lembra? Então graças a DEUS, conheci pessoas maravilhosas nos cursinhos, em especial: Nonato, Thaís, Binha, Carla, Presuntinho, Gustavo Rocha, Araketu, Carrera e tantos outros no clube do bolinha. Muito de com quem você anda é que vai dizer onde você quer chegar. Deu certo? Não! Só amigos determinados não é o suficiente. Fui reprovado em todas as provas – motivo: português também elimina caro colega concurseiro. Contudo, minha média havia sido tão alta que no ano subsequente consegui uma bolsa de 100% no curso Planck, oriundo do racha de professores ocorrido no Impacto. Agradeço muito a Denise Modernel e ao mestre bruxo Lincoln, certamente ele havia saído de Hogwarts para ensinar da melhor forma possível para os trouxas (não bruxos) a Física e a Matemática.

1999 foi insano, pois eu passei  quase o ano inteiro estudando para me tornar Oficial da Infantaria, mas eis que a Força Aérea disponibilizou 10 vagas (Concurso Nacional) para carreira de Oficial Aviador. Lembro-me como se fosse hoje. Eram 30 vagas para Intendência, 22 para Infantaria e 10 para aviação. Se aquela porta havia sido aberta, era porque DEUS estava me oferecendo mais uma oportunidade de ser piloto.

O ano passou rápido e eu comemorei muito o meu retorno às listas de aprovados publicadas no Jornal do Esportes – aquele jornal rosa que deixava tinta nas mãos (rsrsrsrsrs… trash…). Fui o terceiro colocado na AFA e alcancei a posição 47º na EN (Escola Naval). Acabei não fazendo IME-ITA, pois as provas coincidiam com as etapas finais do processo seletivo AFA/EN.

Sabe aquele lance de ficar grudadinho com a mamãe? Vocês acham que foi superado? Kkkkk… não… não foi… então concentrei minhas forças na Escola Naval, pois queria muito ficar no Rio de Janeiro e a Marinha acabara de adquirir caças A-4 Skyhawk. Então, seria plenamente possível ser piloto de caça na Marinha? Sim, claro…, mas hei que o exame médico deles informou que eu tinha uma perna maior do que a outra e um grande desvio na coluna… Foi uma mensagem clara do tipo: “Você não serve para Marinha”! Naquele momento senti na pele o que deve ter sentido Elphiates (persa deficiente físico rejeitado por Leônidas – Filme: 300)  quando não foi aceito entre os 300 de esparta!

Outra “porrada”… desisti? Não… NUNCA! Já havia sido aprovado no CEMAL (Centro de Medicina Aeroespacial) e esse Centro era o terror da maioria dos candidatos, pois os exames são rigorosíssimos. Na minha cabeça o exame da Marinha só poderia estar errado, não havia como acreditar em algo diferente disso. Fiz exames particulares para tirar a dúvida e eu estava certo… UFA! Então feliz da vida fui conhecer o Diretor Geral do HCM (Hospital Central da Marinha). Vocês conseguem imaginar o que ele disse para mim? Pois bem… acertou quem respondeu: “A Marinha não erra!” e ele ainda completou com acredito que você será desligado da AFA nos exames médicos anuais dos pilotos. Como um bebezao… saí de lá aos prantos… Seria o fim dos meus sonhos?

Ah meu pai amado e querido, nada como os braços tenros de mamãe e o ombro amigo de papai. Eles puseram novamente o brilho em meus olhos e disseram que meu destino estava na AFA. Fui para Pirassununga ainda tendo muito, mas muito para amadurecer… Lá fiz amizades incríveis… Romero, Yuri, Soria, Leonardo, Wilson, Ursinho e tantos outros irmãos aviadores…

Até que enfim eu vou pilotar um avião… Uhuuuuu… vibrei muito. Até um pedaço das minhas férias eu investi indo para Barbacena para estudar o avião com mais carinho. Então em 2001 eu fazia parte da Esquadrilha Leo na qual o lema era Leo creu, muito cruel. Os instrutores eram linha dura e muitos cadetes foram desligados durante o curso. Ainda na fase do pré-solo também fui desligado em voo. Motivo: um completo desorientado! O quê? É isso mesmo… perdido no espaço… conseguia decolar com a aeronave, executar as manobras a contento, pousar, mas como voltar para Academia (AFA) era o problema. Sabe quando você identifica o problema tarde demais para consertar? É… aconteceu de novo. Outra “porrada” e de volta à vida civil…

Em meados de 2001, eu me sentia o topgun mesmo sem nunca ter voado em um avião de guerra e o meu pai teve o disparate de me propor um concurso de Sargento. O quê? É isso aê… eu teria que dar um passo atrás para dar dois ou mais para frente… Demorei algumas semanas para digerir aquela proposta, pois eu era um babaca orgulhoso… Daí pensei no meu amado irmão e EUREKA: SERÁ QUE EU CONSIGO APROVÁ-LO JUNTO COMIGO? Isso porque como já disse lá no início, sempre me considerei um aprovado, embora hoje eu utilize o termo abençoado… angel Fizemos a prova e, infelizmente, só eu passei. Minha celebração não foi plena… mais uma separação do meu irmão… Dessa vez: EEAR (Escola de Especialistas da Aeronáutica – Guaratinguetá).

Além de mais amizades incríveis na saudosa Guará, destaco a lição de humildade, a felicidade de ter sido o mascote da turma no papel de Charada nas competições militares e um outro irmãozão que papai do céu me deu (Louchard).

Tive a felicidade de conseguir ficar bem classificado na turma de Sargentos bem como a sorte de abrirem vagas para o Rio de Janeiro. Uhuuuu eu voltei para casa outra vez e eu amei ter a oportunidade de ficar perto da minha família!

Comecei uma faculdade de Educação Física, pois sonhava em mudar o mundo dos gordinhos e das gordinhas, mas acabei desistindo dessa meta, pois ela me afastava do foco dos próximos anos: AUDITOR FISCAL! Então qual curso, qual graduação poderia me deixar mais próximo do meu novo sonho? Escolhi Ciências Contábeis, mas depois de aprovado descobri que tem de tudo nos Fiscos, zootecnista, fisioterapeuta, jurista, arquiteto, médico, engenheiro (muitos) e mais ainda ex-militares…

Um plano ousado foi traçado: juntar muita grana, terminar a faculdade em 3,5 anos ao invés de 4 e pedir exoneração do cargo estável – Sargento Especialista em Eletrônica. Cheguei na metade de 2008 feliz da vida, pois havia conseguido cumprir todas as metas, exceto a da exoneração. Então, decidi experimentar o combo: estudo + trabalho por dois meses… Não rolou… Eu conseguia estudar no máximo 4 horas, mas a regra eram 2,5/3h de estudo. Eu tinha pressa… eu queria casar com a mulher dos meus sonhos, queria conhecer o mundo… queria deixar meus pais orgulhosos de mim… queria provar para todos que eu não era louco ao abandonar o emprego… queria casar no paraíso… queria ser rico… É eu sei… você está certo… eu sempre quis muitas coisas (rs).

Depois dessa experiência informei a decisão de deixar tudo e recomeçar do zero outra vez aos meus pais e ao meu norte (hoje, minha esposa Fernanda F-3 – três “f” das iniciais do nome dela e codinome que criei para considerá-la meu caça). Não seria o primeiro recomeço,  seria o  quarto.  Eu já estava íntimo desse tipo de experiência e na minha cabeça, nada … nem ninguém poderia arrancar minha vaga de auditor fiscal, minha porque quando tomei a decisão de estudar e de largar tudo não havia outro mindset senão esse e DEUS estava comigo, então NUNCA houve o que temer.

Lembra da frase “O sucesso deixa pistas”? kkkk… é… não se mexe em time que está ganhando e então vamos manter essa receita de bolo? Meu planejamento teve como alicerce (BASE É TUDO GALERA) as dicas de Alexandre Meirelles, Williams Douglas e do saudoso Demétrio Pepice (primeiríssimo lugar na RFB, hoje morando com papai do céu). Para fechar o combo COMPROMETIMENTO TOTAL, tive o apoio do professor João Antônio do EVP (Eu vou Passar) com a cartinha pré preparação do concurseiro e que transformei naquela época em cartinha rumo à aprovação (compartilharei com vocês em breve).

Tudo esquematizado: ciclo de estudo, planilhas de acompanhamento, revisões periódicas, frases motivacionais… ah… que loucura… a sala de guerra que havia montado para esse projeto mais parecia aquelas paredes do FBI com muita, mas muita informação. Então só me restava estudar, estudar, estudar e nas horas vagas… estudar mais um pouco.  Afastei de mim tudo o que poderia me atrapalhar, em especial os jogos de videogame. Dei ordem de prisão para o PS4 (Playstation 4) e o coloquei trancafiado a sete chaves.

8 meses depois saiu edital da Receita Federal do Brasil com muitas matérias novas e 6 provas discursivas… eu já imaginava que isso aconteceria e havia me preparado para isso (Não para as discursivas, que eu não sou mãe Dinah, rs). Meu planejamento foi muito kamikaze, pois uma vez vista a teoria, não havia tempo para retornar para segunda leitura. Como eram as revisões? Simples: tiro, “porrada” e bomba. O quê? Sabe uma das técnicas de estudo mais eficazes reconhecida pela APS (Association for Psychological Science): EXERCÍCIOS. Então peguei minhas armas e fui guerrear contra milhares, eu disse milhares de exercícios… o meu videogame da época era o Superprovas (programa de banco de questões). Naquela época não existia o TEC, o pontomais e muito menos o Qconcursos. Tempo é um recurso muito escasso, isso não é novidade, então estudei algumas matérias por vídeo aulas, mas a maioria esmagadora foi por PDF’s (se fosse hoje, óbvio que seriam os materiais do estratégia).

1000 vagas para segunda fase e uma delas tinha que ser minha de qualquer jeito, então aloprei na reta final com 9 a 12h líquidas diariamente durante 4 meses. Passei? É sério, estou perguntando para você meu leitor e futuro aprovado. Passei? Se você disse sim, acertou outra vez! … mas e as discursivas? É… eram 450 vagas e depois convocariam mais uns 230… (excedentes)… fiquei classificado em 1.008º e tinha que conseguir subir 400 posições nas provas discursivas… Nunca fiz tantas redações em minha vida… logo o meu bicho-papão (rs). Por fim… subi para 858º… ou seja não foi o suficiente… Será? Será mesmo? Às vezes a vida nos proporciona certas quedas em que nem sempre a vitória é o melhor resultado. O quê? É isso mesmo… como eu poderia manter meu brilho nos olhos longe do meu caça F-3? Como eu poderia ficar longe dos meus pais? Detesto ficar longe das pessoas que eu amo…

Outra “porrada”? Nao vi dessa forma… absorvi esse processo como um grande aprendizado. No caminho ganhei outros amigos incríveis: como o Waldyr, também ganhei um padrinho mágico para o meu casamento: Luis Claudio e reencontrei o Thompson (foi cadete aviador comigo em 2000). O fato é que logo depois dessa reprovação eu estava no chão e o juiz abriu a contagem de 10 meses. No terceiro mês após o resultado final da RFB saiu outro edital: FISCAL ICMS-RJ/2010. Eu estava cansado, desmotivado e quando comecei a acordar para aquela oportunidade… Foi tarde demais… outra vez… outra “porrada”  … sad nova reprovação por apenas 2 questões em Administração Geral.

Sabe quando você começa a sentir que não vai dar certo? Sabe o inabalável espírito de guerrear? É… eu começava a enfraquecer… meu dinheiro acabando… meus amigos passando… minha esposa se formando… a fé, o foco e a força tão presentes em minha vida foram ficando para trás. Desfoquei um pouco e em 2010 fiz MPU + BACEN. Ufa… passei nos dois, embora tivesse conseguido a terceira colocação, era cadastro reserva no Ministerio Publico e no BACEN, não tive uma colocação sensacional e iria demorar para chamar.

Aleluia! Essas aprovações reacenderam o meu ânimo e retornei meus estudos para FISCAL ICMS-RJ, pois o zunzunzun que iria sair outro edital foi enorme no final de 2010.

E o que diria o Capitão Nascimento no treinamento da tropa de elite:  O conceito de estratégia em grego: strategía ; em latim: estrategia ; em francês: stratégie. Os concurseiros estão anotando? Respondam aê para o Caveira ! Ele diria que isso iria cair na prova, colocaria uma granada sem pino nas mãos de algum aluno dorminhoco e continuaria a instrução, pois bem… Chegamos onde eu tanto desejava : Bons Materiais + Técnicas de Estudo + Coaching.

Depois de rodar quase todas as escolas militares da Aeronáutica, depois de ter batido na trave duas vezes nos concursos de Fiscal, melhorei meus métodos de estudo :

1) Reforço teórico pontual nos maiores índices de erro detectados nos exercícios ;

2) Revisões em exercícios ;

3) Ciclo de estudos ;

4) Correta marcação do material em PDF ;

5) Vídeo aula apenas das matérias em que encontrei maior dificuldade de assimilação ;

6) Parceria em simulados com um grande amigo meu, um apoio múto extraordinário.

Com brilho, fogo e sangue nos olhos eu estava de volta ao campo de batalha ! Próximo da prova fiz uma parceria com meu amigo Waldyr para alopramos em exercícios todos os sábados, era a guerra dos simulados montados por nós mesmos. A competição era saudável e isso nos fez crescer bastante durante 9 finais de semana. Lembro como se fosse hoje… eu com a mente exausta e voltando de Copacana no verão do Rio de Janeiro no metro lotado de banhistas e foliões. Em 2011, meu samba só tinha uma palavra : ICMS.

Foi fácil assim? Psicologicamente você estava bem? Não teve medo? Não poderia deixar de fora a semana da angústia. Foi faltando três dias para as provas que comecei a pirar de medo e de tensão. Eu tentei de tudo para relaxar, mas não consegui… até que resolvi ir a igreja para conversar com meu mentor espiritual, Pastor Joaquim. Não é tão fácil falar com pastores de igrejas grandes, sempre tem fila de espera, mas aquele dia estava tranquilo. Entrei tremendo de medo, coloquei o problema para ele e saí daquela sala de oração totalmente renovado. Sou muito grato a DEUS por tê-lo usado daquela forma.

No primeiro dia de prova passei um sufoco muito grande, pois a prova começava às 13h, mas na minha sala começou uns 5 minutos depois. A fiscal de prova colocou no quadro o horário de término compesando a diferença. Contudo, isso não foi respeitado e começaram a arrancar as provas dos alunos… eu poderia ter me desesperado, pois eu vi a cena acontecendo comigo antes mesmo dela acontecer… peguei a caneta e nunca marquei tão rápido um cartão-resposta. Conseguiu marcar tudo ? Sim. Entretanto, rsrsrsrs, em Português fiquei sem saber duas respostas, sem saber o que havia marcado… foi tenso demais. Só quem é concurseiro sabe o que é isso.

Ignorei por completo o ocorrido no primeiro dia e fiz a segunda prova numa boa. Saiu o gabarito preliminar e advinhem ? kkkkkk… Eu estava com 9 questões em Português, 9/20, ou seja eu seria reprovado de novo, pois no ICMS-RJ se você não fizer os mínimos, você está fora ! Vivi esse clima de ansiedade pelo resultado final por mais 45 dias. Até que recebi a ligação do Waldyr gritando no meu ouvido e eu não conseguia acreditar que havia, finalmente,  conseguido a tão sonhada aprovação para FISCAL ICMS-RJ. Eu, inacreditavelmente, havia acertado não só uma, mas as duas questões pendentes de Português e fiquei com 11/20.

Sorte, meu amigo concurseiro ? Bem, nessas horas eu lembro claramente de dizer que havia passado para a segunda fase da Receita Federal por pura sorte, pois estava estudando há apenas 8 meses e tinha acabado de fechar o edital. Eu estava na casa de um professor, junto com Thompson, e estudavámos para as provas discursivas da Receita Federal. Ele disse para mim : “- Balboa, a sorte favorece a mente preparada”. (Louis Pasteur).

Comemorei muito a aprovação ? Sim, mas essa alegria durou apenas 24h! sad Um dia… é isso mesmo… um dia ! Imaginem vocês… o Lacerda aqui vestiu o roupão do Rocky Balboa, chamou o irmão para filmar um dos momentos que para mim seriam inesquecíveis: “O pedido de casamento para minha namorada Fernanda F-3 com a roupa do Balboa”! Só não estava no script que ela iria considerar aquilo um mico e que fosse morrer de vergonha. Enfim… pelo menos foi muito divertido. No dia seguinte fui para quartel em que trabalhava para comemorar com meus amigos da FAB… levei o roupão do Balboa, pois eles já conheciam minhas histórias dos filmes do Rocky… Ah… acabei levando também o meu demonstrativo de horas estudadas desde março de 2008: 4.997 horas (quase cinco mil, kkkkk) até março de 2011.

O whatsapp e o facebook naquela epóca não eram tão eficientes quanto hoje e foi só no final do dia que descobri que o concurso havia sido ANULADO! Outra “porrada”! Eu me perguntava quando isso iria parar… Fiquei em choque por uns dias e através do Fórum Concurseiros o grupo dos aprovados se reuniu no Centro do Rio de Janeiro e 92 pessoas ingressaram na Justiça. Aqui não poderia deixar de agradecer ao Mestre Carlos Guerra (Guerrinha) que gentilmente nos cedeu o espaço do curso CEGM para realização da reunião dos aprovados… Naquela reunião também levei o roupão do Balboa e quando discursei para os meus colegas auditores disse que ninguém iria arrancar aquela aprovação da nossa turma.

Uma comissão constituída por 10 pessoas ficou a frente do processo Judicial e eu estava entre elas. O fato é que eu não conseguia estudar…estava desesperado? Não, não estava… alguma coisa me dizia que iríamos reverter a anulação do concurso, embora eu estivesse muito, mas muito preocupado. Esse processo durou longuíssimos nove meses… nesse período ganhamos uma liminar impedindo a realização de outro concurso e enquanto ela estivesse de pé, respirávamos sem aparelhos.  No quinto mês, 10 quilos mais magro, concedi uma entrevista de 10 minutos para rede globo (RJ-TV), mas na edição tudo de mais importante que eu havia dito fora cortado. Só deixaram a parte do “eu emagreci 10 quilos e não sei mais o que fazer…” A parte de ter adiado o casamento não apareceu e muito menos a minha cara de indignação… enfim… no final, aquela reportagem só serviu para bullying, pois os usuários do Fórum Concurseiros decidiram fazer a campanha do fome zero para o Disciplina (nickname que usava no FC). Óbvio que eu escolhi rir disso tudo… kkkkk…

Se estou escrevendo esse artigo, então como Fiscal ICMS-RJ, então você já sabe o final smiley : O concurso foi revertido, tomei posse e entrei em exercício. Logo no primeiro mês pedi a namorada de novo em casamento heart, dessa vez sem o roupão do Balboa.

O que mudou de 2012 para cá? Bem, muitos dos meus sonhos foram realizados… casei com a mulher dos meus sonhos, ganhei o orgulho de ter vencido mais um desafio, casei no paraíso (Bora Bora), mantive, mantenho e manterei a eterna gratidão a DEUS por tudo o que já aconteceu… Sei que sou apenas um concurseiro como qualquer outro, mas outra coisa que me dá muito orgulho é a busca incessante por ser o HEROÍ da minha vida.

Acabou? Não… aqui vai um BÔNUS disso tudo… eu tinha falta de tempo e por esse motivo planejei deixar o emprego, mesmo estável no serviço público. AVISO:  considero essa jogada muito arriscada… e acredito que tenha dado certo, pois inúmeras coisas aconteceram: apoio da família, da namorada, planejamento financeiro, Justiça no Brasil, alinhamento dos astros (rsrsrs) e é claro a poderosa mão daquele cara lá de cima!

É isso meus leitores aprovados, fico por aqui até o próximo artigo. Ah… muita gente já me disse que o melhor de toda história sempre acontece no final… e a minha maior felicidade hoje é saber que existem muitas pessoas que precisam de ajuda nos estudos… na educação de uma forma geral… e eu resolvi dedicar parte da minha vida para contribuir com o meu melhor para vocês na equipe de Coaching do Estratégia, estamos juntos. Já é?

“Niguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não se trata de quão forte pode bater, se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquistada”.

(Rocky Balboa)

Forte abraço,

Lacerda (Balboa).

Equipe Coaching Estratégia Concursos

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Raphael Lacerda (BALBOA)

Raphael Lacerda (BALBOA)

RAPHAEL LACERDA (BALBOA) Consultoria e Coaching Natural do Rio de Janeiro, formou-se em ciências contábeis em 2008, além de ter servido na EPCAR, na EEAR, como especialista em eletrônica, e na AFA, como aviador. Atualmente é Auditor-Fiscal da Receita Estadual do Estado do Rio de Janeiro, aprovado no concurso de 2011. Ingressou no mundo dos concursos militares em 1996, em 2008 iniciou seus estudos nos concursos públicos. Se você quiser conhecer um pouco mais da trajetória dele, leia o depoimento do Balboa aqui mesmo no site do estratégia. O link segue abaixo: https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/como-me-tornei-afre-rj-auditor-fiscal-da-receita-estadual-do-rio-de-janeiro/ Meu grande objetivo é fazer com que o sonho de vocês vire realidade assim como o meu se tornou!​ "Niguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não se trata de quão forte pode bater, se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquistada".  (Rocky Balboa) Outras aprovações: MPU – Perito Contábil (2010, 3º lugar) AFRM – Angra RJ (2010, 67º lugar) AFRFB (2009, 1ª fase) EEAR – Escola de Sargentos (12º lugar) AFA - Academia da Força Aérea (2000 – 3º lugar) Escola Naval (2000, 47º lugar) EPCAR (1997, 161º lugar)

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