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Como criar argumentos fundamentados na estrutura da realidade

Aprenda a elaborar seus textos de modo a construí-los por meio de argumentos fundamentados na estrutura da realidade.

Como criar argumentos estruturados na realidade?

Olá, queridos, tudo bem?

Sabemos que a grande maioria dos alunos sofre para construir a argumentação de ideias no texto. Pensando nisso, para afastar de você o “monstro da argumentação”, este texto tem como objetivo principal apresentar algumas ferramentas e alguns mecanismos argumentativos. Isso para evitar “encher linguiça”, comumente reproduzida nas redações.

Os argumentos fundamentados na estrutura da realidade (Perelman e Tyteca, 2005, p. 297-93) têm como base as relações de significado no mundo objetivo, podendo ser apresentados pelos fenômenos de causalidade, sucessão e coexistência.

Os argumentos fundados na estrutura da realidade em implicações e concessão

As relações argumentativas são constituídas a partir de premissas. Para que o processo de causalidade ocorra, precisamos ter consciência de duas delas:

  1. se a, então b (a -> b);
  2. a, embora b

A implicação se dá por meio da lógica implicativa de se fazer o que se pode, isto é, fez, porque é possível; não fez, porque não é possível. No entanto, a lógica concessiva apresenta a regra da impossibilidade, isto é, fez, apesar de não ser possível; não fez, apesar de ser possível.

O argumento da causalidade

Outra maneira de elaborar os argumentos fundamentados na estrutura da realidade, é expor a causa dos fenômenos, isto é, o motivo pelo qual eles acontecem. “A causalidade supõe um encadeamento de fatos, em que um acontecimento antecedente produz um dado efeito” (FIORIN, 2017, p. 151).

Quanto à causalidade, ela pode ser dividida em duas partes: a imediata e a mediata. A primeira refere-se à razão próxima pela qual uma dada consequência ocorre. A segunda, ao motivo mais longínquo, que supõe um encadeamento de eventos para que dado efeito seja produzido.

Por exemplo, na premissa O derretimento das geleiras se deve ao aumento da temperatura terrestre causado pela grande concentração de gás carbônico emitido na atmosfera, temos como causa imediata do derretimento das geleiras o aumento da temperatura terrestre. Contudo, de maneira mediata, podemos afirmar que esse fenômeno se deve ao aquecimento global, visto que a rapidez das mudanças climáticas, que causa o aumento da temperatura terrestre, é efeito de outra causa mais profunda.

Esse tipo de argumento auxilia, portanto, na maneira de organizar o texto, para desenvolvê-lo eficazmente. Expomos, com isso, a relação de causa-efeito como um dos argumentos fundamentados na estrutura da realidade.

A relação entre causalidade e sucessão

Esta seção esclarece, brevemente, o pensamento causal. Essa linha de pensamento define que:

  • a, porque b

Isso nos mostra que a causa de a é b. Por exemplo, São Paulo tem muitas inundações, porque o solo está todo impermeabilizado e a água da chuva não pode ser absorvida. Diante disso, uma razão para que ocorra grandes alagamentos na capital paulista é a impermeabilização do solo.

Esse tipo de argumentação relaciona, temporalmente, o fato com o motivo, atribuindo a eles uma relação causal. Assim, a causa antecede o efeito, que age como consequência de um dado evento. Paralelamente à construção de argumentos fundamentados na estrutura da realidade dentro do texto, é ideal que, na formulação dos parágrafos, tenha-se atenção ao explicar a relação entre causa-efeito para não produzir idealizações subjetivas entre um fato e sua consequência real.

Os fatos como argumentos fundamentados na estrutura da realidade

Para construir argumentos fundamentados na estrutura da realidade, devemos compreender que os fatos possuem valor causal. Por essa razão, agem em função de apresentar estratégias argumentativas, por exemplo, “se se quer argumentar contra a tortura basta narrá-la em toda a sua brutalidade. O ideal, para produzir maior impacto, é que a narração seja feita em terceira pessoa, pois, nesse modo de contar uma história, o narrador oculta-se e os fatos parecem narrarem-se a si mesmos” (FIORIN, 2017, p. 161).

Além da narração, a descrição também serve aos propósitos argumentativos. Isso ocorre, porque nela são apresentados fatos de maneira crua, isto é, clara e simples, características cruciais à escrita de um texto bem articulado.

Argumentos fundados nas relações de sucessão

Dentro dos argumentos fundamentados na estrutura da realidade, há três tipos de argumentos fundados nas relações de sucessão: o do desperdício, o da direção e o da ultrapassagem.

Do desperdício

O primeiro deles é um argumento que se volta ao passado para convencer alguém de não desperdiçar o tempo que já foi ocupado em determinada tarefa ou função. Propõe-se, com isso, que não se perca a motivação em função de garantir os objetivos que, outrora, foram estipulados. Por exemplo, se há dois amigos que pretendem viajar juntos e, para isso, poupam dinheiro, caso um deles diga não vou mais juntar dinheiro, um argumento possível para persuadi-lo de que não desista da viagem seria apontar que ele já juntou mais de metade da grana, ou seja, falta pouco para viajarem. Nesse caso, um amigo tenta persuadir o outro pelo argumento do desperdício, indicando que ele não deve abrir mão do que já se fez.

Da direção

O segundo argumento, o da direção, volta-se ao futuro. Esse “consiste em rejeitar alguma coisa, porque ela desencadeará uma reação em cadeia, uma perda de controle, uma consequência indesejada” (FIORIN, 2017, p. 169). Em um caso de sequestro, por exemplo, insistir que não se deve negociar com os sequestradores é um caso de argumento da direção, em virtude de se acreditar que quanto mais se negocia com eles, mais se estimula o crime. Logo, cada vez que se negocia com um criminoso, dá-se margem para que o crime ocorra mais vezes, o que, em prática, deve-se evitar.

Da ultrapassagem

O argumento da ultrapassagem, também, volta-se ao futuro. Nele, acredita-se que “cada conquista é um trampolim para alcançar um estágio superior; é um meio para atingir um estado mais perfeito” (FIORIN, 2017, p. 169). Por exemplo, no contexto de comunicação entre um treinador e seus jogadores, os jogadores vibram a vitória de jogos regionais, percebendo a conduta deles, o treinador afirma ainda teremos os jogos nacionais, portanto, não comemorem tanto

Argumentos de coexistência

Os argumentos fundamentados na estrutura da realidade conectam um ato com uma pessoa. Ambos entendem o argumento como uma ferramenta que se direciona a favor ou contra um determinado ponto de vista. A partir dessa ideia, FIORIN (2017) afirma que uma estratégia argumentativa não pode abandonar a tese em análise e discussão, pois, caso isso ocorra, o texto apenas enumera suas próprias características. Em outras palavras, aquele que argumenta (persuade) “introduz a si mesmo como prova no exame da questão, mencionando seus conhecimentos ou quaisquer outras qualidades. O objetivo é levar a plateia a aceitar um ponto de vista, baseando-se na autoridade de quem o enuncia, no seu conhecimento especializado, na sua credibilidade.”

Os argumentos fundamentados na estrutura da realidade contribuem para a continuidade do texto

Diante do exposto, esperamos ter auxiliado você no sentido de mostrar algumas estratégias que auxiliem no processo de elaboração dos argumentos. Elaborar seus textos de modo a construí-los por meio de argumentos fundamentados na estrutura da realidade torna sua produção textual mais intelectualizada e consistente, uma vez que expõe e explica argumentos em conformidade com os fenômenos de causalidade, sucessão e coexistência.

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Um abraço a todos,

Igor Alcântara.

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