Artigo

Classificação dos concurseiros (para sorrir e descontrair um pouco)

Olá, amigas e amigos concurseiros!

As pessoas que conhecem um pouco da minha história sabem que, quando eu era concurseiro, seja na fase amadora, seja na fase, digamos, profissional, prestei vários e vários concursos, para vários e vários órgãos, até definir que o que eu queria mesmo era ser Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. E aqui estou hoje, como muito orgulho e bastante satisfeito e realizado com o meu trabalho. A batalha foi dura, mas a recompensa valeu tudo.

Mas os concursos que fiz ou não fiz não são necessariamente o assunto que queria “falar” hoje, e sim todos os personagens que, claro, juntos comigo, deram vida a todos os concursos que fiz Brasil a fora (a maioria em Recife, claro, minha capital maravilhosa). E foram muitos personagens, muitos mesmo.

Certo dia, ou noite, como queiram, pouco antes de dormir, estive pensando em todas essas pessoas, homens e mulheres, pais e mães, filhos e filhas, empregados e empregadas, fulanos e cicranos e beltranos de todos os cantos desse nosso Brasilzão. Gente que saiu um dia de casa com sua caneta, identidade e comprovante de inscrição com o único sonho de passar em um concurso, escada ou topo, e mudar de vida, ou mesmo apenas melhorar de vida.

Foi então que resolvi classificar todas essas pessoas em grupos mais ou menos homogêneos e com características semelhantes. Claro, uma pessoa pode ser encaixar perfeitamente em um ou mais grupos, ou em nenhum. Sempre há os estranhos. Acho que você, assim como eu, já deve ter visto vários e vários desses um dia na sua vida de concurseiro. E entre eles está você, firme e forte, robusto e batalhador, esperando a última nomeação da vida e a famosa foto com a pilha de livros, apostilas e resumos que utilizou e que nunca mais vai querer saber (até ficar descontente com o trabalho ou salário que recebe em determinado órgão e tudo começar novamente…).

Entre os vários possíveis, e certamente muitos outros podem existir, relacionei todos os tipos de concurseiros possíveis e que me lembrei. Caso queiram, fiquem à vontade para me escrever sugerindo outros. Sugerindo não, descrevendo o que você viu e que acha merecer lugar de destaque na nossa nobre lista. Irei adiciona-los com muito prazer à lista e, claro, colocar os créditos. E isso vale também para vestibulares.

 

Tipos de Concurseiro

 

Homens-número – esse tipo de concurseiro apenas engorda (e, muitas vezes, bem “engordada”) as famosas listas de candidatos inscritos em determinado concurso.

Os homens-número, em geral, não sabem o quê nem o porquê de estarem fazendo o concurso para o qual se escreveram (em alguns casos, nem sequer se escreveram, tendo sido, sim, inscritos pela mãe, pelo pai ou pela namorada (o) caridosa (o) e preocupada (o).

É comum esse tipo de concurseiro não saber coisas bem “específicas” do edital, como conteúdo programático, quantas matérias serão cobradas, peso das questões, quantas provas serão e, quiçá, banca organizadora e dia da prova!

Quando você (que não é um homem-número) ver uns dez ou vinte mil inscritos na lista de candidatos ao cargo que você está concorrendo, não se assuste. Dos vinte mil inscritos, por exemplo, tenha certeza que ao menos dez mil, sendo bem otimista, são da espécie homem-número. Atualmente, com o nível de dificuldade das provas que temos, eles são seres inofensivos.

Branqueadores – Esses são os concurseiros que, continuamente, são traídos pela sua memória RAM. Tudo que ele precisa saber para a prova, segundo seus comentários pré-prova, está devidamente armazenado e registrado com precisão, pronto para ser usado e detonar, dessa vez, sem erro, a prova que se aproxima. Eis que, no momento em que o fiscal de sala dá a largada, essa memória, antes repleta de informações preciosas e determinantes, é sorrateiramente apagada da memória do branqueador. E restam apenas os calafrios, o nervosismo, as questões escritas em grego arcaico e as lamentações de não ter tomado mais alguns litros de Ginco Bilobas.

Abre-lista – Esses são os famosos primeirões dos concursos, os cara que encabeçam a lista de aprovados (e classificados, se o concurso não for apenas CR). Às vezes, eles são avistados em mais de um concurso. Alguns mais, digamos, insistentes, tendem a aparecer três, quatro, cinco vezes como abre-lista.

Essas pessoas costuma dar entrevistas a sites, cursinhos e estampar outdoors desses. Sempre com um belo sorriso no rosto, às vezes umas olheiras, e aquele ar de “eu sou o fdp da vez!”. Quem já foi um abre-lista, sabe o que eu estou tentando falar, já que nunca fui um abre-lista L.

Fecha-lista – O que seria da vida sem emoção, não é? Vem aquele concurso super disputado, difícil, você estudou igual a um foragido do CESPE (essa foi péssima!), dedicou horas e dias sagrados (inclusive fins de semana, dias santos e feriados) que podiam ser aproveitado numa balada e/ou praia e destinou suas economias a comprar livros e apostilas dedicadas àquele concurso dos seus sonhos.

Você faz a prova, sai da sala e fica com aquele ar do tipo “não sei, será que fui bem… não, não, fui mal. Mas acho que acertei as questões tal e tal… é… tenho que esperar o resultado para saber com segurança”.

A insegurança toma conta de você. Seu desempenho, conforme seu inconsciente, sabe que você não foi tão bem a ponto de ficar seguro da aprovação, nem foi tão mal a ponto de partir para o próximo concurso.

Passam-se os dias, um, dois, dez, quinze, trinta dias depois e você olhando as listas de notas e classificação provisória nos sites da vida. E você lá, dentro do número de vagas, ou levemente fora dele. E nada de sair o gabarito definitivo com as alterações que você deseja. E se você está levemente fora das vagas, algumas anulações podem colocar você dentro. Mas, infelizmente, nada é garantido. E assim a tensão permanece. E tira toda a sua concentração para estudar para outro concurso…

Até que, finalmente, sai a lista dos aprovados e, adivinhe: você está entre os últimos que conseguiram passar, ou, quiçá, é o último. E só entrou porque, nos critérios de desempate, você nasceu dois dias antes do próximo abaixo de você. Ou, com menos emoção, passou por meio ponto a mais, que foi exatamente aquele chute certo que você deu na prova de Atualidades na questão que falava sobre os conflitos armados na Eritréia.

Alisadores de trave” – Essas são as pessoas que tentam a todo custo ser promovidas a, ao menos, fecha-porta. São aqueles que sempre ficam fora das vagas, mas a uma, duas ou três posições depois do último a ser nomeado. E a maldita instituição/entidade não tem sequer a decência de chamar os excedentes (ou mais excedentes). É o pessoal do “quase”.

É muito comum ouvir esse pessoal dizer “por uma questão não entrei”, “mais uma certa e eu tinha entrado”, “fiquei a meio ponto de entrar”, “dessa vez quase entrei, foi por pouco”, entre outros jargões.

Há alguns que chegam a alisar tanto a trave que essa chega a abrir um buraco. Um, dois, três, quatro, cinco, seis “quase”! Que azar! “Por que não estudei mais aquele item do edital!”. Da próxima não passa!

Abre-portão – Sabe aquele candidato que, por precaução, chega ao local de prova bem antes do porteiro do local onde vão ser realizadas as provas? Sim, o cara que abre o portão às 6h da matina para só então chegar o pessoal da limpeza, os administradores do prédio e a equipe que realizará o concurso. O abre-portão chega antes para esperar. É o primeiro a entrar na sala. E lá fica, solitário, até aparecer o primeiro concorrentes, uma ou duas horas depois…

Fecha-portão – Nada parecido com o amigo Abre-portão. O fecha-portão é o seu oposto. Ele chega nos minutos ou segundos finais, às vezes correndo como um louco, com as calças caindo, o sapato já querendo sair do pé, deixando uma caneta para trás, trazendo muito desespero e uma respiração ofegante, quase levando embora a sua vida. Por vezes, ainda raspam o peito no portão que acabou de ser manobrado para ser fechado. Por meio piscar de olho ele não foi rebaixado a um Portão-Fechado.

O fecha-portão às vezes já está em frente ao portão, do lado de fora do local de prova, tomando o último gole de água, dando o último abraço na namorada, no pai ou não mãe, pegando o último macete, dando a última dica, atualizando uma jurisprudência, entre outras atividades. Mas, ele não entra. Ele quer emoção. Ele espera até o último minuto e, ao escutar o ranger das dobradiças do portão, ele corre em direção a esse! Num tempo infinitesimamente cronometrado para curtir aquela emoção e não perder a prova. “Ufa, por pouco não fiquei do lado de fora!”.

Portão-fechado – Esses são os que, infelizmente, calcularam mal o tempo e levaram um portão na cara (do lado de fora do local de prova). Ainda tiveram que ouvir um delicado, mas humilhante, “infelizmente não posso mais deixar ninguém entrar, passou das 8h” do porteiro do local de prova. E começa o choro e ranger de dentes!

São pessoas que perderam a prova porque moram na estação espacial chinesa que fica atrás dos anéis de Saturno, porque o ônibus atrasou/quebrou, porque o pai errou o caminho, porque o despertador não tocou (eles realmente podem se revoltar contra seus donos opressores e não tocar ou simplesmente não foram programados corretamente? Levanto o debate…) ou porque simplesmente não se deram conta da vigência do horário de verão ou da hora oficial de Brasília. Há outros motivos, sim.

Carregados de livros, apostilas e material correlato – Se você tem consciência de que não está prestando concurso para a OAB ou concursos semelhantes, nos quais você pode levar livros para consulta, de que adiante mesmo levar livros, resumos e apostilas para o dia da prova? De que adianta chegar à prova abarrotado de livros e papéis? Ler isso pouco antes vai ser angustiante, na melhor das hipóteses. E pode fazer você esquecer o que já sabe.

Sejamos realistas: se você teve ao menos quarenta e cinco dias para estudar o conteúdo do edital e não o fez, ou o fez indecentemente, você fará isso horas ou minutos antes da prova? Desafio alguém a fazer isso decentemente.

Sério! Não estou mentindo! Já cheguei a ver candidato levando consigo seis livros para a hora da prova. E ao menos três deles tinham pelo menos dois dedos de altura. Confesso que dois eram apenas os famosos livrinhos de resumo. Mas…

Religiosos – Sem qualquer preconceito ou discriminação, ok? Até porque, nesse grupo, a maioria se refere aos meus “correligionários” católicos, já que sou católico por opção (bem mais dos meus pais do que minha).

Acho que você já deve ter visto alguma vez aquelas pessoas que levam quilos e mais quilos de santinhos e de terços para a prova, de duas ou três cores, parecendo um maço de fitinhas do Senhor do Bonfim (viva a Bahia!). E essas pessoas começar a debulhar aquele terço, rezar (ou orar, como queiram) várias ave-marias, diversos pais-nossos e pedir a ajuda divina naquela hora tão sagrada.

E quanto mais se aproxima a hora da prova, mais fervorosa fica a prosa com o divino. É um tal de abaixar e levantar a cabeça, um olhar distante, os dedos parecem querem esmagar aquelas pequenas bolinhas indefesas no terço que a bisavó usou. Mais um aperto no terço, e outro. E mais outro. Talvez um aperto para cada questão da prova seja suficiente, só para garantir a retribuição divina.

E chega a hora de fazer a prova. Aquele terço, antes frouxo, mas entrelaçado na mão, é fortemente entrelaçado de modo a não se mexer. Alguns chegam a parecer uma armadura. Em mais alguns minutos o religioso tira o terço e o coloca embaixo da cadeira. Epa!! Traz de volta! Coloque ao menos em cima da perna. Vai que Deus não goste de ser desprezado e resolva se vingar na sua aprovação. Diga-se, fazendo você preencher o gabarito errado, mesmo sabendo que fez a questão certa.

Esperadores de milagres – Certa vez, há um bom tempo, um velho amigo conversava, ao meu lado, com um amigo dele. Entre um pedaço de prosa e outro, esse meu amigo perguntou ao amigo dele, já um pouco injuriado com o rumo da conversa: “E tu quer passar em concurso sem estudar é?”. O cara, muito apegado à igreja e às suas respectivas obras, respondeu na lata: “Eu sirvo dia e noite ao Senhor, e sei que na hora da prova ele vai me abençoar. Eu confio. Estudar muito é para quem não tem fé”.

Depois dessa, não preciso explicar muito. Costumo dizer que Deus só faz a parte do impossível, a parte do possível é com você. Mas algo só acontece se os dois trabalharem. Você aqui, ele lá. Claro: e supondo que você acredita nele.

Aqui podemos encaixar também aqueles que estudam pouco ou quase nada e, na hora da prova, esperam que as respostas corretas caiam do céu, num passe de mágica. Querem um milagre. Ou esperam que apenas aquela diminuta parte do conteúdo do edital que ele estudou caia e ele acerte. Esperam também chutar tudo e ainda passar. Já se foi, há muitos anos, esse tempo. Hoje em dia, para passar em concurso público, ou se estuda ou se estuda. Não há saída. Assim como os homens-número, os esperadores de milagres são seres inofensivos.

Supersticiosos – Esses concurseiros são mais fáceis de imaginar quem são. Aqui se enquadram todos que se prendem a algum tipo de amuleto ou ritual da sorte para tentar conseguir a tão sonhada vaga. Alguns também chegam a se lembrar de estudar a matéria que irá cair na prova e dão uma força para a sua superstição. Outros possuem amuletos e rituais tão fortes que dispensam qualquer leitura (assim eles pensam).

E aqui vale tudo, hein? Amuletos e rituais próprios, de mão, de pai, de irmão e até de parentes falecidos. Vale também dicas infalíveis e simpatias. Tirar olho gordo com uma boa reza? Também vale. Se proseou com alguma divindade, não esqueça de agradecer depois, ou pagar a promessa feita.

Fashions e similares – Tem pessoas que vão fazer a prova já com a roupa de tomar posse. Certa vez vi um cidadão de bem trajando um belíssimo paletó cinza, com um sapato social reluzente e um cabelo perfeitamente laqueado e brilhoso. Como ainda era de manhã, certamente ele não estava vindo de nenhum casamento, reunião ou coisa do tipo que exigisse aquela vestimenta. Iria depois da prova? Não sei. Sei que, ao entrar na sala, arrancou olhares dos menos afortunados de roupas e algumas risadas. Juro que não sei o motivo dos sorrisos. Fiquei no grupo dos que olharam. rsrs

Fiquei um tempo a pensar como aquelas roupas talvez incomodariam aquele distinto candidato, bem como a real necessidade delas, caso não houvesse outro compromisso depois da prova. Intimidar os presentes? Expor a nova coleção da Dudalina? Vai saber…

Em outra oportunidade, dessa vez com uma mulher, estava fazendo o concurso da ANTT (detalhe: para um cargo de nível médio). Eis que entra um mulher super elegante, brilhosa, tomada por jóias e apetrechos femininos, cabelos impecáveis (lisos, loiros e sedosos, por sinal) e roupa social de alto padrão. Pensei comigo: “Caraca, a coisa não está fácil para ninguém. Até a diretora do órgão veio prestar concurso para o mesmo cargo que eu!”. De onde ela veio? Para onde ia? Estava perfeita! Para uma festa de gala noturna, não para prestar o concurso da ANTT.

Largadões e suas correspondentes femininas – Esses são o oposto das pessoas constantes na classificação anterior. São pessoas que saem da praia ou do churrasco no ap. direto para a prova, trajando havaianas, bermudão e regata. Por vezes, usam ainda um boné e um óculos escuro. Sentam de qualquer jeito, às vezes quase deitando na cadeira. Cruzam as pernas depois. Chegam a ser até debochados, mas com estilo.

Quer uma dica? Tenha muito medo deles. Eles podem tomar sua vaga facilmente. São pessoas que, às vezes, não estão se preocupando com nada, exceto passar no concurso para o qual se inscreveram. E isso pode custar sua vaga. Alguns, depois da aprovação, passam a se vestir como os fashions, mas num momento adequado à vestimenta.

Nesse grupo, os homens são a maioria. As mulheres dificilmente vão largadonas para um prova de concurso. Quando muito, um jeans surrado e uma blusinha de alça. E uma sandália baixa acompanhando. Claro: existem as exceções.

Gabaritadores – Esse é a raça à qual não devemos dar muito cartaz, a menos que ele seja um outlier contumaz (veremos mais adiante o que é um outlier), ou um papão. Essas pessoas dificilmente são avistas em listas de aprovados/classificados.

Quem nunca viu alguém, amigo ou não, dizer que gabaritou a prova que acabou de fazer? Dizem em alto e bom tom que uma vaga já é deles e, ao sair o resultado final, essas pessoas simplesmente são castigadas com a eliminação precoce do certame. Certamente o elaborador das questões ouviu aquele disparato proferido dias antes e resolveu, simplesmente, alterar alguns gabaritos da prova e, propositalmente, deixar o gabaritador de fora.

Quando escutar alguém dizer que gabaritou, não se intimide. Sorria, nem que seja por dentro, somente para você. A chance de você não está sendo injusto com aquela pessoa é altíssima.

Contadores de Glórias Alheias – Falar da glória e da alegria de outrem, principalmente se for um parente ou um amigo querido, é coisa boa. Mas ter apenas isso para falar? Nunca contar um feito seu?

“Meu irmão é destruidor, passa em tudo que faz”; ”Tenho um amigo que estudou três anos e passou no concurso tal”; “Conheço várias pessoas que conseguiram passar naquela super prova que a ESAF aplicou em 2012”; “Tenho um amigo que já passou na RFB, no SEFAZ, no MPU, no STF e no INCRAR. Ele é muito bom!”; e tantos outros.

E a sua conquista, quando sai?

Insistentes – São as pessoas que simplesmente escolheram um cargo e não sossegam em vida até passar nele. Não importa se terão que fazer o concurso duas, três, quatro, dez ou vinte vezes. Os insistentes, brasileiros por natureza, não desistem nunca! “Vou entrar nesse cargo, nem que isso aconteça no último dia de minha vida! Quem viver, verá!”

P.S: Conheço casos de pessoas que tentaram AFRFB cinco vezes. Magistratura e MP? Para alguns, o contador do Youtube também entraria em pane ao contar.

Nervosos – São aquelas que simplesmente ficam com “sistema nervoso” ao passo que a prova se aproxima. Começam a ficar inquietos, balançam os pés e sacodem as mãos, a sudorese se intensifica e as pizzas debaixo dos braços começam a brotar.

O nervosismo dessas pessoas, por vezes, começa a contaminar os mais calmos, tamanha é a impaciência e o desconforto. Qualquer barulho, ainda que silencioso, pode aumentar ainda mais o nervosismo. E mais pizzas brotam. Dessa vez nas costas, abdômen e busto.

Os nervosos são facilmente percebidos no campo de batalha. E, a menos que se controlem, são presas fáceis das bancas, fatalmente não marcando presença na lista de aprovados.

Comedores – Quem nunca olhou para o lado e viu na cadeira de alguém um monte de doces, guloseimas, biscoitos, água, refrigerante, cocadas, bolo da vovó, energético, barras de cereais, maça, uva, melancia, laranja, jaca e outros alimentos mais? Levar uma água, uma barrinha de cereal e/ou um chocolate, tudo bem, mas levar o equivalente a uma feira do mês já não vejo muito sentido.

Há pessoas que, na boa, parecem ir para a prova apenas para comer. Acho que os pais a inscrevem e dizem: “Se você for fazer a prova, eu deixo você comer tudo que você gosta, desde que seja na hora da prova”.

Enquanto eles se empanturram de comida sozinhos, sem atrapalhar ninguém, está ótimo. Que explodam! Complicado é quando começam a fazer barulho abrindo pacotes, mastigando e, pasmem, arrotando! Sim, eu já vi alguém arrotar (sem querer, claro) em sala.

E antes que me joguem as pedras do preconceito, essa classificação pode abraçar gordinhos e magricelas, indistintamente.

Cof-cof’s – Putz! Não tem nada pior em uma sala de prova do que um cof-cof. Esses são os concurseiros que, por mais que se faça, por mais remédios e água que ele tome, aquela tosse simples e discreta para um dia comum, mas ensurdecedora e altamente perturbadora numa sala de prova, não passa.

O barulho cadenciado e chato ecoa impiedosamente na sua mente, arrasando a melhor técnica de concentração existente até hoje. Eles, os cof-cof, são cruéis com quem se incomoda. Para alguns, é possível estabelecer uma intermitência quase perfeita, tamanha é a frequência da tosse.

Se você, assim como eu, se incomoda com um o som perturbador vindo de um cof-cof sentado lá no canto inferior esquerdo da sala, sinto muito. Um cof-cof, salvo algumas poucas exceções, não têm piedade de ninguém.

Espirradores – Não tão perturbadores quanto os cof-cof, mas tão chatos quanto, são os espirradores. São aqueles que espirram ininterruptamente. Às vezes, quebrando o auge da sua concentração em determinada questão. E, assim como os cof-cof, eles às vezes atacam em bando, existindo mais de um por sala. E, como são educados, espirram logo após o outro.

Porteiros – Na minha classificação, porteiro é o cara que fecha a porta de um concurso/cargo ao qual concorre. Existem pessoas que se especializaram em ser porteiras. Se há cinquenta vagas, o porteiro será o 50º colocado. Se há duas vagas, ele será o 2º. Não dá outra. Ele não quer ser o primeiro ou cara que passou numa posição mediana. Ele quer ser o último! Ele que ser o cara que amanhã vai poder dizer, por exemplo, “poxa, por meio ponto a menos eu não tinha entrado”. Ou então, “se o candidato seguinte tivesse acertado mais uma, nem que fosse no chute, eu estaria fora dos aprovados”.

O porteiro é uma cara (ou “uma cara”) que está sempre com um sorriso feliz e aliviado no rosto, e bastante adrenalina no sangue. Adrenalina, claro! Por quê? Ora, ele sabe que fez um prova boa, mas não tão boa a ponto de ter certeza da aprovação, e por uma, duas, três vezes, ele abre a bendita lista de aprovados rola, rola e rola para baixo a lista. Quando ele já está quase se conformando que não passou, eis que avista seu nome, logo na faixa de gaza que separa os aprovados dos classificados/reprovados. E um Empire State é retirado das suas costas. “Praia, ai vou eu!”, diz o porteiro aliviado.

Sim, os porteiros são também conhecidos como fecha-porta.

Melhor amigo dos porteiros – É aquela pessoa que fica logo atrás do porteiro. Fora das vagas por um milésimo de ponto, lamentando não ter estudado mais cinco minutos e assim ter acertado mais uma questão que o colocaria para dentro das vagas. Vida de melhor amigo do porteiro não é fácil. É bem desestimulante.

Satisfeitos – São aquelas pessoas que se acomodam com o primeiro concurso que passam, geralmente em um que, no seu inconsciente, ainda não era exatamente o que ele queria, mas que já está bom. Só em pensar em começar a estudar novamente, ficam desanimados. “Tô bem, pago minhas contas e ainda viajo uma vez ao ano. Não tenho status, mas estou bem”.

Papões – Esses são serem que aparecem em todas, ou quase todas, as listas de aprovados dos concursos que participam. E aqui é indiferente a classificação. São pessoas que fazem dez concursos e passam nos dez ou em nove, oito desses. São aquelas pessoas que, ao final de uma maratona de provas, escolhem em qual cargo irão tomar posse. O cara chega e passa, de uma só vez, no ICMS/PA, no ICMS/PE, no ISS/Floripa, no ISS/Salvador e na RFB. “Quem dá mais por mim?!”.

E esse pessoal está se tornando cada vez mais frequente Brasil a fora. Você é um deles, leitor? Não, mas quer ser? Então por que não para de ler esse texto e vai estudar?

Foristas – Os foristas são concurseiros que habitam um ou mais fóruns de internet destinados aos concurseiros de todas as categorias, participando ativamente dos debates, acalorados ou não; respondendo perguntas, triviais ou de extrema periculosidade/complexidade; fazendo, vez ou outra, algum inimigo virtual; postando mensagens motivacionais (ou desmotivacionais, que não são poucas); resolvendo questões e complicando a resolução de outras; falando de temas outros que não os concursos (política, copa, vizinhas, colegas de trabalho, homofobia no serviço público, cotas, futebol, adicional de fronteira, séries de TV, entre outros); entre outras atividades.

Ainda é desconhecido como esse tipo de concurseiro faz para estudar no limitado espaço de tempo de vinte quatro horas diárias, já que muitos dedicam cerca de dezoito a vinte horas do dia às postagens. Algumas teorias afirmam que eles estudam no momento da curvatura do espaço-tempo, o qual não está disponível aos concurseiros não-foristas.

Modestos– Essas são as pessoas que saem da prova dizendo que foram mal, que não vão fazer o mínimo, que erraram a questão mais fácil e apenas por ai já se sentem eliminados, e por ai vai.

Ainda não está claro se essas pessoas são realmente modestas ou se (mesmo sendo realmente modestas) apenas estão tirando um peso das costas para o caso de a aprovação realmente não vir. Há teorias (elaboradas por renomados cientistas dos corredores de locais de provas) que dizem que a maioria se encaixa no primeiro grupo.

Essas são as pessoas que, depois de um discurso moderado e modesto, simplesmente aparecem dentro das vagas. Quiçá, em posições privilegiadas das listas de aprovados. São muitas vezes tachados, além de modestos, de “chorões”, de “come-quieto”, entre outros.

Com a devida vênia, aqui encaixo minha querida irmã Mellina.

Outlier – Deixei esses por último. Esses são seres a serem estudados profundamente por algum órgão especializado. São, falando no popular, os caras que estão fora da curva.

Por exemplo, em determinado concurso, a banca organizadora caprichou nas questões, de modo que todas as questões, ou ao menos 90% delas, estão no nível de difícil a irrespondíveis pelos métodos intelectuais. Desse modo, do total de 200 pontos possíveis da prova, do 2º ao 30º, a diferença entre eles alcança apenas cerca de 1,0. A nota do 2º foi 121,70, enquanto a do 30º, 120,31. Eis então que surge o Outlier com seus humildes 170,59 pontos.

Os outlier, em geral, são seres sem companhia, que preferem a solidão das listas de aprovados. Existe (quando existe) apenas um por concurso. É rara a aparição de mais de dois por concurso. Podemos dizer que os outliers são seres, concurseiristicamente falando, segregados das classes comuns de concurseiros.

Pessoal, antes que queiram, por um motivo ou outro, jogar pedras em mim, por favor, esse post é apenas para divertir e fazer rir um pouco. A finalidade é a descontração e, se for o caso, tirar um pouco desse estresse que é estudar para concursos, arrancando alguns sorrisos seus ao tentar identificar, em um amigo, em um colega ou em um parente, algum desses personagens. Ou até encaixar você mesmo. Tenha certeza: em momento algum tive ou terei a intenção de denegrir alguém, ok?

Você tem mais algum grupo no qual já se identificou em algum concurso que já fez e que não está na lista que mostrei? Se tiver, me escreva.

E antes de ir embora, faltou o grupo que tem apenas uma pessoa, a qual possui apenas um sonho, uma história de vida e um propósito, alcançado ou por ainda alcançar. Que grupo é esse? O grupo em que você está. Esse é o grupo em que só você sabe de todas as suas necessidades, o que tem a fazer, o que tem a estudar, o que ainda tem a conquistar, como estudar e onde estudar. E com um único objetivo: lutar e lutar até passar.

Desejo a todos os concurseiros que ainda estão na labuta ótimos estudos e muita força na caminhada. Pode ter certeza que sei como essa labuta é desgastante e, por muitas vezes, desestimuladora. Eu confio em você, assim como confiei em mim um dia. Claro: se você não desistir no meio do caminho, espartano. Nada de engrossar a lista dos homens-número. Os outliers são seres a serem batidos!

Até a próxima! E bons estudos!

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  • :) Sensacional!
    Leidiane Carvalho em 07/01/15 às 21:04