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Recurso Português SEDUC CE

Recurso Português SEDUC CE

Olá, pessoal!

Passando aqui para colocar uma possibilidade de recurso contra o gabarito da questão 19 da prova de Português SEDUC CE!

A questão 19 é a seguinte:

19. Considerando a justificativa para a acentuação da palavra “pôde” em “… mas que nunca pôde ser totalmente esquecida” (linhas 26-27), assinale a opção em que a acentuação do termo destacado é justificada pelo mesmo motivo.

A) “Dali pra frente não mais para onde andar.” (linhas 20-21)
B) “Isso se manifestava em três comportamentos…” (linhas 42-43)
C) “…a evidência viva, encarnada.” (linhas 76-77)
D) “…estão lutando por um lugar e sabem muito bem o porquê.” (linhas 68-69)

Comentário: A comissão que elaborou esta questão confundiu o princípio de contraste da acentuação com a regra de acentuação diferencial, a qual é uma das regras especiais. Sinceramente, este é um grotesco erro gramatical da banca.

A palavra “pôde” recebe acento pela regra especial de acento diferencial, para destacar o pretérito perfeito do indicativo em relação ao presente do indicativo “pode”. Assim, a questão pede a mesma regra: regra especial de acento diferencial.

São quatro tipos desta regra:

a) O vocábulo “pôde” não teria acento, por ser paroxítona terminada em “e”, como em “classe”. Mas o pretérito perfeito do indicativo “pôde” recebe acento para marcar o timbre fechado em relação ao presente do indicativo “pode”.

b) Os vocábulos “têm” e “vêm” não teriam acento, por serem monossílabos tônicos terminados em “em”, como “bem”. Mas o acento em “têm” e “vêm” só ocorre para diferenciar este plural do singular “tem”, “vem”.

c) O verbo “pôr” não teria acento, por ser um monossílabo tônico terminado em “r”, como “mar”. Só há acento pela regra especial para diferenciá-lo da preposição “por”.

d) O substantivo “fôrma” não teria acento. Só é permitido o acento diferencial e é facultativo para marcar o timbre fechado, em contraste com o timbre aberto “forma”.

Assim, para haver a mesma regra, deveria haver uma das palavras acima nas alternativas, mas isso não ocorreu por erro da banca.

A alternativa (A) não apresenta a mesma regra, pois o verbo “” é acentuado conforme a regra geral dos monossílabos tônicos terminados em “a”.

A alternativa (B) não apresenta a mesma regra, pois o numeral “três” é acentuado conforme a regra geral dos monossílabos tônicos terminados em “e”, seguidos de “s”.

A alternativa (C) não apresenta a mesma regra, pois o substantivo “evidência” é acentuado conforme a regra geral das paroxítonas terminadas em ditongo oral.

A alternativa (D) foi dada como a correta, mas de maneira alguma pode ser considerada uma regra especial diferencial. A palavra “porquê” foi substantivada pelo artigo “o”. Assim, há o substantivo “porquê”, que é uma palavra oxítona terminada em “e”, como “café”, “bebê”, “candomblé”. Veja: não é o acento simplesmente que o diferencia. Há um artigo que força que tal palavra seja entendida como tônica e por isso há uma regra geral de acentuação.

Note que a conjunção “porque” não tem acento por ser uma palavra átona.

O mesmo princípio ocorre com a conjunção “mas”, que é átona. Porém, quando ocorre o adjetivo “más”, que é uma palavra tônica, passa a ter acento por ser monossílabo tônico terminado em “a”, seguido de “s”. Isso não quer dizer que haja um acento diferencial entre “más”, “mas”. Concorda?

Com base nisso, peça anulação da questão, pois não há alternativa que apresente a regra especial de acento diferencial.

O que houve apenas foi a percepção de que as regras de acentuação gráfica ocorrem por contraste.

 

Além disso, se a banca ainda quiser perceber simplesmente como regra de contraste (e não diferencial, como ocorre na palavra “pôde”), note que “evidência” é um substantivo e é acentuado por ser uma palavra paroxítona terminada em ditongo oral. Ao excluirmos o acento, passamos a outra palavra: o verbo “evidenciar” no presente do indicativo: isso evidencia.

Este então seria o mesmo princípio de contraste encontrado em “o porquê” (substantivo oxítono) e “porque” (conjunção e palavra átona).

Portanto, não caberiam duas respostas corretas se adotarmos esse princípio, concorda?

Por tudo isso, meus amigos, peço a gentileza de entrar com recurso, pois sinceramente houve um erro da banca e os próximos candidatos não podem estudar com uma questão dessa dada como correta.

Se você tem dúvida a respeito de mais alguma questão, comente aí e daqui a pouco eu observo novamente, ok?!

Grande abraço, meus amigos!

Décio Terror

 

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Veja os comentários
  • Essa questão foi anulada, mesmo depois dos recursos.
    Deynison Lopes em 09/11/18 às 20:42
  • Essa questão não foi anulada! Mesmo após os recursos!
    FRANCISCO DEYNISON LOPES PINHEIRO em 09/11/18 às 20:40
  • obrigado pela observação professor, Também gostaria que observassem também na questão 26, cabe também recurso, observem as alternativas, e a questão da como certa "a evolução na rede municipal de Fortaleza foi maior do que a da rede pública estadual". sendo que a alternativa que mais condiz com o gráfico apresentado seria o pico de evolução na rede pública estadual ocorreu de 2015 para 2016. com isso peço que entrem também com recurso para essa questão.
    Alan Costa em 24/10/18 às 11:01
  • Obrigada professor. Marquei a alternativa da palavra evidência.
    Geanne viana em 23/10/18 às 22:11
  • Já entrei com recurso para anulação da referida questão. Todos que tiveram prejuízo entrem com recurso.
    Umberto Gaspar em 23/10/18 às 17:09
  • VALEU PROFESSOR...SEU COMENTÁRIO AJUDOU A VÁRIOS PROFESSORES.
    RAFAELA CAVALCANTE em 23/10/18 às 16:32
  • Obrigada Professor... Ótima explicação. Eu assinalei a paroxítona Evidência...porém não seria tbm a correta.
    Rosana em 23/10/18 às 14:54
  • Obrigada professor... ajudou bastante nessa, estava precisando de 1 questão de português... tem mais alguma que cabe recurso?
    Eronice em 23/10/18 às 13:09
  • Obrigado Caro Professor
    Angleib em 23/10/18 às 12:48