Ricardo Simon - Aprovado em 1º lugar (Francisco Beltrão/PR) para o cargo de Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Entrevista:

Ricardo Simon – Aprovado em 1º lugar (Francisco Beltrão/PR) para o cargo de Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O que fazer ao ser reprovado (e duas vezes!) em um concurso que deseja muito? Muitos pensariam em desistir, outros ficariam decepcionados e desmotivados e outros usariam esses acontecimentos como uma lição, para ver o que é preciso melhor e seguir em frente! E foi por optar em continuar sua caminhada, mesmo diante dessas provações, que Ricardo Simon conseguiu ser aprovado no concurso do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para o cargo de Fiscal Federal Agropecuário (FFA).

Formado em  medicina veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo tinha como foco os concursos FFA e Auditor Fiscal do Trabalho (AFT). Porém suas experiências nos últimos concursos AFT’s, de 2010 e 2013, foram desmotivadoras, pois ele chegou a bater na trave! Em um dos concursos foi reprovado por uma questão! Mas isso não foi motivo para ele desistir!

Quando saiu o edital do concurso do MAPA, ele se dedicou ao máximo, acreditou no seu potencial e conseguiu sua aprovação em primeiro lugar para a região de Francisco Beltrão/PR para o cargo de Fiscal Federal Agropecuário.

Superação e persistência! Se Ricardo não tivesse colocado em prática esses dois substantivos, certamente não teria conseguido realizar seu sonho. Confira nossa entrevista com Ricardo Simon.

Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nosso leitor possa te conhecer melhor. Você é formado em que área? Trabalhava e estudava, ou se dedicava inteiramente aos estudos? Quantos e quais concursos já foi aprovado? Qual o último?

Ricardo Simon: Olá Thaís, agradeço ao Estratégia pela oportunidade. Acompanho o trabalho do Prof. Mário Pinheiro desde o início e tenho muito carinho pelo site! Sou médico veterinário, formado em 2005 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Sempre conciliei os estudos com o meu trabalho. Já fui aprovado em alguns outros concursos, mas vou procurar mencionar apenas aqueles que fiquei classificado dentro do número de vagas e/ou fui nomeado. Em 2004 fui aprovado em 2º lugar no teste seletivo para médico veterinário da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB-PR), mas não pude assumir, pois ainda não tinha diploma e registro no CRMV. Em 2005 passei em 1º lugar no concurso de médico veterinário fiscal e assessor técnico do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR). Em 2006 fui aprovado nos concursos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) e da Prefeitura de Quatro Barras/PR (1º lugar) – ambos para o cargo de médico veterinário. Em 2008 fui aprovado, também para o cargo de médico veterinário, no concurso da prefeitura de Jaraguá do Sul/SC (2º lugar). Em 2010 fui aprovado no concurso de técnico judiciário do TRF da 4ª região (mas a nomeação saiu apenas em julho de 2014!). Em 2014 fui aprovado em 1º lugar para o cargo de ATA (Ministério da Fazenda) na localidade de Francisco Beltrão/PR. Por fim, o último foi a realização de um antigo sonho: fui aprovado (1º lugar em Francisco Beltrão/PR) para o cargo de Fiscal Federal Agropecuário (FFA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados, depois de ter batido na trave no concurso de Auditor Fiscal do Trabalho, realizado em 2013?

Ricardo: Foi fantástico, uma grande felicidade compartilhada com a minha esposa, mãe e irmãos! Confesso também que foi uma superação emocional em relação aos dois últimos concursos de AFT rs! Em 2010 fiz uma nota muito boa na 1ª fase (iria com uma nota bastante confortável para a 2ª fase), mas fiquei por apenas uma questão de RL (fiz 30% e o mínimo da ESAF era 40%). Em 2013 cheguei mais perto ainda, passei relativamente bem na 1ª fase e fui muito bem em sete das oito discursivas da 2ª fase, mas fui reprovado (assim como cerca de 2/3 dos 300 aprovados para a segunda fase) em uma polêmica questão discursiva de direito administrativo sobre a possibilidade de conversão de férias em pecúnia de servidores estatutários. Mas, graças a Deus, deu tudo certo na prova do MAPA, pois FFA também era um cargo muito almejado por mim e estou muito feliz por me manter na minha profissão e com a possibilidade de morar em Francisco Beltrão/PR, cidade de minha esposa.

Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social para passar no concurso o mais rápido possível?

Ricardo: Como sempre trabalhei 08h/dia, não tinha muito tempo para estudar, então precisei adotar uma postura radical em alguns momentos, mas acredito que em apenas em três ocasiões: antes dos concursos de AFT e este ano para o MAPA. Nessas três ocasiões tive um isolamento social bem grande e aproveitava os finais de semana e feriados para estudar. Procurava ir domingo de manhã na minha igreja e eventualmente almoçava final de semana  com a minha família (rapidamente rs!) e de vez em quando saia para jantar com a minha esposa (lembro que um dia precisei levar o tablet no restaurante para revisar uma aula rs!).

Estratégia: Ao longo de sua jornada, você tentou outros concursos, para treinar e se manter com uma alta motivação ou decidiu manter o foco apenas naquele concurso que era o seu sonho? Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

Ricardo: Até tentei outros concursos para treinar, mas ultimamente nunca estudei especificamente para outro certame que não fosse de AFT ou FFA. Em 2013, por exemplo, prestei o concurso de Escrivão da Polícia Federal, mas apenas como preparação para AFT, pois a banca seria a mesma (CESPE) e havia algumas matérias em comum, como Direitos Humanos. Mesmo não ficando com uma classificação muito boa, fui aprovado na prova objetiva e no teste físico (sempre quis fazer aquele teste de aptidão física rs!), mesmo sem ter estudado várias matérias que não cairiam para AFT. Em 2014, uma semana antes da prova de FFA, prestei o concurso de Assistente Técnico-Administrativo do Ministério da Fazenda, pois eu gosto das provas da ESAF, achei que seria legal para treinar as disciplinas básicas para o concurso de FFA. Acabei indo bem e passei em 1º lugar para a vaga de Francisco Beltrão/PR. Sem dúvida o foco é muito importante, mas acho igualmente importante ter flexibilidade. Tentar outros concursos pode ser muito importante para galgar melhores posições profissionais até o concurso almejado ou mesmo como treinos para o cargo dos sonhos.

Estratégia: Você estudou por quanto tempo, contando toda a sua preparação? Durante este tempo de estudo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos mesmo naqueles períodos em que não havia edital na mão?

Ricardo: Decidi, em 2008, que o meu objetivo era ser Fiscal Federal Agropecuário ou Auditor Fiscal do Trabalho, pois são duas carreiras que sempre me encantaram. Como o concurso de FFA demorou muito a sair (o último havia sido em 2007), acabei focando os estudos, a partir de 2009, para AFT. Apesar de anteriormente ter tido bons resultados em concursos específicos para médicos veterinários, só tive realmente noção do que era estudar em alto nível para um concurso em 2009, quando me preparei para o AFT 2010. Como eu sempre tive afinidade por esportes, gosto de comparar a preparação para um concurso com a de um atleta. Mesmo os atletas de elite não conseguem se manter em altíssimo nível o tempo todo. Normalmente é feito treinos de base, depois treinos específicos (com maior intensidade) e, antes das competições, um polimento.  Entre os atletas também é comum um período de transição (ou off-season) onde os treinos são um pouco mais leves e menos estruturados para permitir que o atleta se recupere do desgaste das competições e dos treinos mais intensos. Acredito que se substituirmos os termos treinos por estudos,  competições por provas e atleta por concurseiro, podemos utilizar essa analogia ao mundo dos concursos!

Voltando aos concursos rsrs, estudei com intensidade por um bom período nesses últimos anos, mas em 2010 e 2011, por exemplo, tirei umas “férias” dos estudos. Não parei totalmente de estudar, mas apenas lia alguns livros atualizados para tentar manter uma boa base até o próximo concurso.

Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?

Ricardo: Em 2006/2007 fiz dois “cursinhos” presenciais para o concurso de FFA 2007. Foi ok, mas hoje vejo que valeu a pena apenas como uma base, para ter noções básicas das disciplinas, ter contato com literatura específica e legislação para o concurso, etc. Na realidade, como disse anteriormente, nessa época realmente não tinha noção do que era estudar “de verdade” para um concurso. Para o concurso de 2014, estudei basicamente por aulas em PDF e videoaulas em algumas disciplinas que tinha maior dificuldade. Gosto muito de livros e sempre estudei por eles também, mas creio que para o concurso de FFA as aulas em PDF e a legislação “seca” sejam mais eficientes. As videoaulas me parecem uma boa opção quando você tem alguma dificuldade específica ou pouco contato com a matéria, mas demandam muito tempo e penso que devem ser usadas em casos específicos. Com o grande volume de matérias para estudar, as aulas em PDF têm sido fundamentais, pois são realmente objetivas, focadas no edital e de acordo com o estilo da banca organizadora.

Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e re-leitura da teoria?

Ricardo: Creio que essa é uma questão muito pessoal! A maioria dos aprovados possui uma certa disciplina e um bom plano de estudos, com uma divisão eficiente das disciplinas. Mas veja o exemplo da Larissa Braz (aprovada no último concurso de AFRFB). Apesar de ela se considerar extremamente desorganizada, passou em um dos concursos mais difíceis do Brasil. Acredito que o importante é estudar muito e ter sensibilidade em saber quais são os seus pontos fracos e quais as disciplinas possuem maior peso para fazer uma correta divisão no estudo das matérias.

A minha divisão de matérias era de acordo como estava avançando no edital, às vezes estudava várias num mesmo dia ou apenas uma. Nunca fiz resumos porque sempre achei que demorava muito e o custo-benefício não valia a pena para mim, uma vez que não tinha muito tempo para estudar devido ao meu trabalho. Nas semanas que antecedem as provas, tento revisar rapidamente a teoria, lendo as partes que havia grifado e procuro fazer a maior quantidade de exercícios possível.

Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

Ricardo: Depois de haver estudado algumas “pedreiras” como Auditoria, Contabilidade e Economia do Trabalho, prometi a mim mesmo que jamais reclamaria de alguma disciplina cobrada no concurso do MAPA rs! Confesso que, de certo modo, foi um prazer estudar as matérias específicas, embora tenha tido dificuldade em algumas delas por ter ficado muitos anos sem estudá-las. Apesar de normalmente não utilizar videoaulas, elas foram importantes nas matérias que tinha mais dificuldade.

Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como você levou seus estudos neste período? Você se concentrava nas matérias de maior peso ou distribuía seus estudos de maneira mais homogênea? Focava mais na re-leitura, em resumos, em exercícios, etc ?

Ricardo: No concurso de FFA, por já possuir uma boa base na maioria das disciplinas, foquei meus estudos nos últimos 45 dias antes da prova para a parte de conhecimentos específicos, a qual tinha maior peso e representava 50% da nota total da prova objetiva. Nas demais disciplinas, porém, tive que me dedicar também para conhecer a banca (Consulplan) – pois só tinha experiência em provas da ESAF e do CESPE – e resolvi centenas de exercícios da organizadora. As aulas do Estratégia também traziam muitas questões da banca, o que facilitava o entendimento do “estilo” da Consulplan. Eu consegui tirar 10 dias de férias no meu trabalho antes da prova, creio que foi importantíssimo para conseguir fazer uma boa revisão e chegar bem preparado para a prova.

Estratégia: Na semana da prova, nós sempre observamos vários candidatos assumindo uma verdadeira maratona de estudos (estudando intensamente dia e noite). Por outro lado, também vemos concurseiros que preferem desalecerar um pouco, para chegar no dia da prova com a mente mais descansada. O que você aconselha?

Ricardo: Essa é outra questão que considero muito pessoal. Eu, particularmente, sempre estudei até o último dia em todas as provas. As duas últimas semanas foram, de longe, as que eu mais estudei, pois estava de férias e estudava o dia inteiro (trabalhando, conseguia apenas cerca de 4h/dia). Apenas nos dois últimos dias estudei num ritmo menor e intercalando com alguma atividade física leve. Outro fato que considero muito importante é dormir um número adequado de horas (mas nem sempre conseguia, pois às vezes tinha uma meta de estudos para cumprir em determinado dia).

Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?

Ricardo: Fiz dois cursos específicos para a prova discursiva, um deles aqui no Estratégia. Desde a publicação do edital, procurei fazer pelo menos uma redação por semana. Apesar de ter tirado a nota máxima nos aspectos formais e textuais (português), considero que a minha nota nos aspectos técnicos foi apenas razoável, pois confesso que fui surpreendido pelo tema.

Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?

Ricardo: Acredito que cometi dois erros principais. O primeiro (e o mais amador rs!) foi ter começado a estudar (realmente) apenas após a autorização do concurso (notadamente após o edital). Mas esse erro grave teve justificativa, pois até o final de 2013 estava focado no certame de AFT.

Outro erro que identifiquei apenas após a prova foi que acreditei em demasia em alguns temas que julgava serem muito importantes para a discursiva, os quais não se confirmaram e acabou sendo cobrado um assunto pouco esperado por mim. Estudei com muita profundidade alguns temas e não tive “sorte”, mas sempre lembro de uma  entrevista do Thomas Jorgensen (1º colocado de AFRFB em 2012), em que ele diz (citando o Prof. Ricardo Alexandre) que o   objetivo do concurseiro é estudar até o ponto em que a sorte não seja um fator decisivo na sua aprovação. Acredito que muitas vezes isso é verdade, você que estudar tanto que, mesmo sem sorte, seja possível a aprovação.

Acredito que o meu maior acerto foi ter tido flexibilidade e mentalmente ter conseguido continuar extremamente motivado depois de quase dois anos de estudos para outro certame, com matérias muito diferentes.

Estratégia: Pela sua experiência e contato com outros concurseiros, diga-nos quais são os maiores erros que as pessoas cometem quando decidem se preparar para concursos?

Ricardo: Uma lição que aprendi estudando para concursos é que o que temos de mais precioso durante a nossa preparação é o nosso tempo. É claro que muitas vezes a situação financeira é difícil, mas realmente não vale a pena perder tempo com materiais ruins.

Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação?

Ricardo: É sempre difícil ficar longe da minha esposa, da minha família e dos meus amigos. Tive o privilégio de sempre receber um apoio fantástico de minha querida esposa Helen, a qual me suportou (em ambos os sentidos rs!) de forma incrível e por tanto tempo entendeu as minhas ausências. Também sempre senti um grande apoio de minha mãe, Ana e dos meus irmãos Wladimir e Gustavo, os quais sempre acreditaram em mim.

Como mencionei anteriormente, além de ficar tanto tempo longe das pessoas que amo, outra coisa muito difícil foi me manter motivado após todo o desgaste psicológico com a 2ª fase do concurso de AFT. O fato de ter conseguido superar a reprovação de 2013 e me manter motivado e focado no concurso do MAPA logo após foi dificílimo, mas fundamental para a minha aprovação.

Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

Ricardo: Permita-me reproduzir um pequeno trecho da bíblia que abri no dia da prova do MAPA e que falou muito comigo naquele dia: “Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie na sua própria inteligência. Lembre de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo” (Provérbios 3:5,6). É claro que você deve se esforçar ao máximo para conseguir os seus objetivos, não existem milagres sem esforço próprio – mas, independentemente de sua crença, procure ter fé, pois a maratona diária de estudos e, principalmente a vida, se tornarão mais leves. Mencionando novamente o último concurso de AFT, dos top 30 da 1ª fase, apenas 7 sobreviveram àquela polêmica questão discursiva. É claro que essas pessoas reprovadas estavam em um nível altíssimo e poderiam ser brilhantes servidores, mas os concursos às vezes são decididos em detalhes. Dessa forma, tenha muito esforço, disciplina e fé que a sua hora chegará!

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