Regivalder Silva - Auditor Federal de Controle Externo do TCU

Entrevista:

Regivalder Silva – Auditor Federal de Controle Externo do TCU

Olá caros(as) amigos(as),
Entrevistamos hoje o Regivalder Silva, aprovado no concurso de Auditor Federal de Controle Externo do TCU, 2o. lugar (Mato Grosso) . Espero que gostem da entrevista ;-)

 

Heber Carvalho: Conte-nos um pouco sobre você, para que nosso leitor possa te conhecer melhor. Você é formado em que área? Trabalhava e estudava, ou se dedicava inteiramente aos estudos? 

Regivalder Silva: Olá Camaradas.

Sou formado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, turma de 2007 (Bola 07) de Intendência. Uma das características da minha área de formação é a Administração Financeira Orçamentária dos recursos recebidos da União. Devido a essa característica, durante o trabalho, eu lidava com as algumas matérias que faziam parte dos editais de vários concursos, tais como AFO, SIAFI, Contabilidade Pública, Dir. Administrativo entre outras, e isso era muito bom, ainda mais por que eu não tinha como dedicar-me inteiramente aos estudos. Dessa forma, eu consegui conciliar trabalho com estudos, bastou eu trabalhar com mais afinco e dedicação que o aprendizado foi consequência.

Heber Carvalho: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social para passar no concurso o mais rápido possível?

Regivalder Silva: Vida Social? Kkkk. Não tem como ter uma vida social normal. Eu tentava não ser tão radical, mas acabava sendo. Quem mais sofria com isso era minha esposa, que me apoiou incondicionalmente nessa luta. Pois não moramos perto das nossas famílias e, durante as férias, eu ficava dentro da biblioteca das 07:00 da manhã as 19:00 da noite. Nada de viagens ou passeios. No entanto, quando íamos visitar nossos parentes, eu sempre levava uns livros para dar uma lida. Eu também buscava sair com minha esposa para assistir a um filme no cinema ou passear em algum lugar legal. É importante tirar um tempo pra família. Essa conquista tem que ser de todos e deve ser motivo de união e não de separação.

Heber Carvalho: Ao longo de sua jornada, você tentou outros concursos, para treinar e se manter com uma alta motivação ou decidiu manter o foco apenas naquele concurso que era o seu sonho? Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

Regivalder Silva: Essa é a parte mais engraçada. Comecei estudar em 2011 para Auditor da Receita Federal. Mas em 2012, como eu estava muito ansioso, resolvi fazer a prova da Controladoria Geral da União, era a mesma banca e resolvi arriscar. O edital veio completamente diferente do concurso anterior e, durante os estudos, saiu a autorização para a Receita Federal. Pronto, a besteira estava feita. Fui até o fim, estudei matérias que nem fazia ideia por onde começar (Auditoria de TI, Banco de dados, Políticas Públicas). Fiquei em 105 para a Área Geral DF e chamaram até o 104 para o 1º Curso de Formação. Pense num cara que ficou triste. Mas Deus tem um plano maior que os nossos planos. Fiquei feliz com minha classificação e resolvi tentar a Câmara dos Deputados e Técnico TCU. Nem tive as redações corrigidas. Em novembro de 2012, resolvi aposentar-me dos estudos e esperar a convocação da Controladoria Geral da União.

Heber CarvalhoO edital previa, somando todas as sedes do TCU, menos de 30 vagas para a ampla concorrência e o cargo de Auditor Federal de Controle Externo é um dos mais cobiçados do país. De onde veio a confiança de que uma das vagas seria sua? E, ainda, de onde veio a motivação para se preparar?

Regivalder Silva: Confiança? Kkkk. Só em Deus. Eu sabia que era muito difícil passar no TCU para duas vagas no Mato Grosso, por isso eu tinha certeza que só com fé em Deus e muita dedicação eu poderia passar. Por isso, antes de começar a estudar, após a autorização do concurso, eu liguei para minha mãe e disse pra ela orar muito a Deus, pois só assim ela teria o filho dela de volta pra perto dela. Minha esposa fez o mesmo com a minha sogra e minha cunhada. Eles não duvidaram e sempre confiaram que tudo iria dar certo, por mais difícil que parecesse. Foi pensando neles que eu estudei. Não estudei pelo cargo ou pelo dinheiro, mas pela vontade de voltar para minha terra que eu havia saído há mais de dez anos. Queria dar a minha esposa a alegria de viver a nossa vida junto com as pessoas que amamos. Queria dar a minha mãe a alegria de ter o filho por perto e assim poder ajudá-la. Foi pensando neles que eu me motivei cada dia de estudos.

Heber Carvalho: Você estudou por quanto tempo, contando toda a sua preparação. Durante este tempo de estudo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos mesmo naqueles períodos em que não havia edital na mão?

Regivalder Silva: Contando desde o início, foram mais ou menos dois anos e uns meses. Comecei em 2011, durante a faculdade de direito, aproveitava as aulas para estudar para Receita. Minha rotina era acordar às 05:00 e estudar até às 06:15. Depois eu estudava uma hora durante o almoço e, durante a noite, mais umas três horas e meia. No início eu nem me preocupava com edital. Quanto mais longe estivesse, melhor. Mas com o passar dos meses, perdi a calma e mudei o foco. Como dizem: o edital é o prêmio daqueles que estão estudando. Então, haja o que houver, não percam o ânimo por não ter edital na praça.

Heber Carvalho: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?

Regivalder Silva: Eu estudei as mais difíceis, como contabilidade, economia, finanças públicas e raciocínio lógico, no início, por vídeo aulas. Contabilidade então, nem se fala. Estudei todos os vídeos do mercado. Kkkk. Os vídeos são bons por que entendemos rápido e poupamos tempo com raciocínios desnecessários que só atrasam, mas tem como desvantagem a paciência e a consciência que devemos assistir ao vídeo até o final, algo difícil quando o professor começa a enrolar. Não tive curso presencial. Achei que não era importante. Estudei as matérias básicas por meio de livros, assim não fiquei preso a um edital e pude entender toda a matéria. A desvantagem é o tempo, pois ler um livro á mais demorado que uma aula de PDF.

Estudei por PDF também. Achei interessante para depois do edital, pois a matéria vem na medida para a prova. Essas aulas são essenciais para aquelas matérias novas que entram no edital, pois os professores se viram para fazer um material que tenha tudo que vai cair, enquanto nosso trabalho é estudar. A desvantagem é que as bancas estão aprofundando nas cobranças, como se soubessem o que tem nos PDF.

Heber Carvalho: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e re-leitura da teoria?

Regivalder Silva: No início, eu estudei matéria por matéria. Entendi que deveria haver uma ordem de matérias, por exemplo: 1º Constitucional e 2º Administrativo. Não poderia estudar contabilidade pública sem saber Administração Financeira Orçamentária. Saber Direito Tributário ajuda a entender Contabilidade Privada e Finanças Públicas. Mais ou menos assim.

Só faço resumos quando assisto aos vídeos. Não gosto de resumos de materiais escritos. Prefiro iluminar aquilo que é importante e ler o iluminado depois. Assim, a cada leitura, eu poderei entender algo que não entendi na primeira leitura. Pois, a ideia é ler somente o que está iluminado, mas você acaba lendo algo a mais para fechar o raciocínio.

Fiz muitos exercícios no Tec Concursos. Fiz um controle dos acertos e erros. Mas não acho bom ficar fazendo exercícios demais. Penso que o aprendizado por meio dos exercícios possui um ponto ótimo e depois passar a ter um crescimento decrescente de escala (kkkk). Não adianta você fazer 200 exercícios de receitas públicas; com uns cem exercícios, você já fez o suficiente. Depois disso, você acerta os outros cem de olhos fechados, nem sabe o que está lendo e acerta. Fica muito repetido. É claro que essa foi minha tática, pois eu não tinha muito tempo para estudar.

Quando a aula tinha 100 exercícios, na primeira leitura, eu fazia a metade, para entender e compreender como o assunto era cobrado. Depois de uma semana, eu fazia a outra metade sem ler o assunto. E verificava meu rendimento. Depois eu ficava lendo e decorando as respostas dos que eu havia errado.

Heber Carvalho: Uma das coisas mais certas para quem estuda para concursos de alto nível é o fato de que o edital sempre trará algumas novidades. São temas novos, com os quais nunca se teve contato anteriormente. Com o concurso do TCU , no qual você foi aprovado, não foi diferente! Entraram diversos temas que as pessoas não esperavam. Qual foi a sua estratégia para dar conta de tantos assuntos e/ou disciplinas novas, em um curto espaço de tempo, entre a publicação do edital e a prova?

Regivalder Silva: Estratégia da aposta. Kkk. Eu lia as aulas e procurava identificar o que o examinador poderia cobrar. Se ele cobrasse o geral, eu tinha que acertar. Se fossem cobrados detalhes, eu não responderia.

Com relação às matérias novas, achei ótimo. Como eu não estava estudando desde novembro de 2012 e resolvi estudar para o TCU duas semanas antes de sair o edital, achei muito bom que entraram matérias novas, assim eu teria chances de disputar com aqueles que já estavam na luta há mais tempo. É fazer do limão uma limonada.

Heber Carvalho: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

Regivalder Silva: Sofri com Economia (kkkk), Análises das Demonstrações Contábeis (ADC) e Contabilidade. A pior foi ADC, pois eram várias fórmulas que deveriam ser decoradas, então, eu e meu amigo Paulo Henrique Oliveira, que também passou no TCU para o DF, fizemos um método de escrever as equações no EXCEL e ocultá-las. Assim, preenchíamos as equações, quando estava certa, aparecia um “Você acertou”; quando estava errada, aparecia “tente de novo”. Dessa forma, decoramos.

Heber Carvalho: A reta final (estudo pós-edital) é sempre um período estressante. Como você levou seus estudos neste período? Você se concentrava nas matérias de maior peso ou distribuía seus estudos de maneira mais homogênea? Focava mais na re-leitura, em resumos, em exercícios, etc ?

Regivalder Silva: Como eu comecei pra valer no pós-edital, dei ênfase para aquelas matérias que tinham maiores probabilidades de caírem com maior quantidade de questões. As matérias que eu já sabia, fiz apenas exercícios, caso eu ficasse com mais de 60% líquidos de acertos, eu passava para o próximo assunto, caso contrário, dava uma lida rápida no assunto.

Quando o assunto estava muito complexo, deixava para outro dia e torcia para que não caísse na prova.

Heber Carvalho: Na semana da prova, nós sempre observamos vários candidatos assumindo uma verdadeira maratona de estudos (estudando intensamente dia e noite). Por outro lado, também vemos concurseiros que preferem desalecerar um pouco, para chegar no dia da prova com a mente mais descansada. O que você aconselha? Como foi seu estudo nesse período?

Regivalder Silva: Nesse período, tirei oito dias de férias. Poderia ter estudado com mais força, mas não consegui. Já estava exausto. Mantive o mesmo ritmo de quando estava trabalhando. Assisti a uns filmes, inclusive acho muito bom relaxar nessa época. Eu me motivei quando assisti “As Aventuras de Pi”, excelente. Mas o slogan que marcou a nossa prova veio do “Senhor dos Anéis, o retorno do rei” que também assisti nessa semana: TO THE VICTORY. Na verdade eles diziam “To the death”. Resolvi mudar. Kkk. Antes da prova bradávamos TO THE VICTORY.

Heber CarvalhoNo seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?

Regivalder Silva: Não fiz muitas redações. Aprendi que temos que escrever certo e não várias vezes errado. Mas você tem que saber o tempo que demora para escrever X linhas. Aconselho saber como é o barema de cobrança da banca. Pois a ESAF cobra completamente diferente do CESPE.

Eu tenho a minha discursiva engessada. Kkkkk. Sempre tem a mesma introdução, os mesmos inícios de parágrafos e o mesmo início de conclusão. Você não ganha ponto por ser criativo, nem por escrever bonito ou rebuscado. Você ganha ponto por escrever certo e escrever o que a banca quer ler.

Sempre que estiver estudando para a parte objetiva, imagine como você faria uma discursiva sobre esse tema. Quais palavras você colocaria, como começaria etc.

Se você não sabe a resposta para o que estão pedindo, responda qualquer coisa de forma correta. JAMAIS DEIXE  UM ITEM EM BRANCO DA DISCURSIVA.

Heber CarvalhoSe você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve ;-), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?

Regivalder Silva: Com relação à preparação, deveria ter feito mais provas e deveria ter lido com mais atenção o espelho de correção de redação do CESPE. Na hora da discursiva eu vacilei por não saber de fato como o CESPE corrige as discursivas. no entanto, O meu maior erro foi deixar de marcar duas questões no gabarito. Eu tinha feito na prova e não marquei, não faço ideia como isso aconteceu. Graças a isso, fiquei 1,78 pontos para entrar nas vagas. Recorri na discursiva, com vários amigos que me ajudaram, e graças a Deus, ganhei 3,25 pontos que me colocaram dentro das vagas. Sufoco. Kkkk.

Os maiores acertos foram escolher os materiais corretos e estudar em parceria com um amigo. Assim, um motiva o outro e os dois vão seguindo.

Heber Carvalho: Pela sua experiência e contato com outros concurseiros, diga-nos quais são os maiores erros que as pessoas cometem quando decidem se preparar para concursos?

Regivalder Silva: Querem resultados rápido demais e se desmotivam com a primeira derrota. Vejo também que muitos ficam presos aos detalhes das matérias. Querem saber tudo. Ninguém chega sabendo tudo. Mas, aquilo que você sabe, você não pode errar.

Heber Carvalho: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação?

Regivalder Silva: O mais difícil foi abrir mão de todas as outras coisas que eu poderia estar fazendo (custo de oportunidade). Sem contar aquelas perguntas: “você ainda está estudando”, “não passou ainda”, “não vai parar nunca” e “a CGU vai chamar quando”.

Heber Carvalho: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para um concurso de alto nível. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

Regivalder Silva: Estudem com calma. Façam planejamentos exequíveis. Não tentem começar estudando dez horas por dia, pois irão parar na primeira semana. Motive-se com algo que possa fazer a diferença não só na sua vida, mas na vida daqueles que te cercam. E por último, concurso é um meio de vida, não é um fim em si mesmo. Sempre pense em como será a sua vida, caso não passe nesse concurso. Não estude pensando que esse concurso é único concurso da sua vida, Deus pode estar te dando uma oportunidade ainda melhor, aceite. Eu estudei pra receita por mais de um ano e sequer fiz a prova. Era o concurso que eu queria, mas Deus me deu o Tribunal de Contas da União na minha terra junto com minha família. Nem nos meus melhores sonhos eu sonharia tão alto assim.

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