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Como construir a estrutura do texto dissertativo para torná-lo organizado

Aprenda técnicas e ferramentas de estrutura do texto dissertativo para torná-lo organizado, coeso e coerente.

Olá, queridos, tudo bem?

Sabemos que muitos alunos se queixam de não conseguir organizar muito bem um texto e, por esse motivo, acabam se perdendo na hora de construir a redação. Com o intuito de conduzi-los à criação de uma dissertação excelente, este texto apresenta técnicas e ferramentas de estrutura do texto dissertativo para torná-lo organizado, coeso e coerente.

Elaborar um bom texto dissertativo requer organização de ideias

Como se deve elaborar a estrutura do texto dissertativo

Em regra, a estrutura do texto dissertativo é constituída por uma tese que pode estar explícita ou não. Nesse segundo caso, será essencial detectar qual é a tese na qual se apoia o texto. A partir dessa ideia, podemos apresentar dois exemplos, retirados do livro Argumentação, de José Luiz Fiorin (2017), no primeiro, a tese aparece explicitamente; no segundo, não.

  • As atitudes dos indivíduos nem sempre revelam seus verdadeiros sentimentos.
  • Quem vê cara não vê coração.

Nos exemplos 1 e 2, depreendemos que, no primeiro, a tese aparece no texto, na medida em que situa o leitor ao afirmar que o que as pessoas fazem nem sempre indicam que são verdadeiras. No segundo, a expressão popular não deixa explícita a tese proposta. Quando dizemos “quem vê cara não vê coração”, podemos interpretar de diversas formas, tais como, a aparência/estética de alguém em relação aos sentimentos adquiridos por ele ou, até mesmo, aquele que pensa que conhece o outro nem sempre o faz.

Pensando nessas diversas possibilidades de sentido, é interessante ter em mente, durante a criação da dissertação, uma tese que exponha um problema e uma solução possível para esse problema. Dito isso, esse tipo de texto organize-se em: a) introdução – enuncia o problema; b) desenvolvimento – discute-se o problema e tenta-se resolvê-lo; c) conclusão – faz-se um balanço da discussão. (FIORIN, 2017, p. 241)

Introdução: elabore a(s) tese(s)

Para a estrutura do texto dissertativo, na introdução, é imprescindível elaborar uma tese (ou mais). Ela serve como suporte ao texto e se conecta à ideia geral que pode se apresentar diante de fatos da atualidade, uma recordação ou uma afirmação que tenha um viés universal. Nesse campo, é ideal que se apresente um tema de maneira ampliada, portanto, se o tema da sua redação fosse redes sociais, por exemplo, encontre campos semânticos que estejam ligados a esse tema, tais como, internet, tecnologia e, assim, sucessivamente.

Além disso, a introdução deve apresentar um problema que será discutido, desenvolvido e, potencialmente, solucionado na dissertação. Não é necessário que se faça perguntas diretas (com interrogações), no entanto, é obrigatório que se permeie a reflexão.

Desenvolvimento: apresente os argumentos da(s) tese(s)

Na estrutura do texto dissertativo, existem alguns planos nos quais se podem repousar os argumentos da(s) tese(s). Eles podem ser apresentados pelo plano dialético; o de problema, causas e soluções; o comparativo; o de ilustração e explicitação de uma afirmação etc.

Plano dialético na estrutura do texto dissertativo

Esse plano, basicamente, tem como base o pressuposto da dialética. Nele, há uma tese, uma antítese (oposição) e uma síntese. A tese expõe a perspectiva sobre determinado tema. Em geral, nesse momento, situa-se um argumento 1 a favor dela. A antítese se traduz, em um texto, como um ponto de vista contrário da tese, isso para que se crie objeções a ela, restringindo-a a um argumento 2, contrário à tese (argumento 1). A síntese pode apresentar a resolução dos conflitos dos argumentos 1 e 2 pela vitória de um deles ou por sua conciliação “seja pelo estabelecimento de uma verdade média mais matizada que as expressas na tese e na antítese, seja pela ultrapassagem da contradição pelo concurso de novos elementos que demonstrem que ela é apenas aparente” (FIORIN, 2017, p. 243).

            Assim, para esse plano, temos o conceito dialético:

  • Tese (ponto de vista) ou argumento (1) X Antítese (ponto de vista contrário) ou argumento (2) —–> Síntese (resultado entre tese e antítese – por semelhança ou diferença).

Plano de problema, causas e soluções

Esse tipo de plano pretende encarar um problema, apresentando e discutindo sua(s) causa(s), assim como apontando possíveis soluções. No desenvolvimento da estrutura do texto dissertativo construído nesse plano, o autor do texto expõe a causa de um problema a partir de dados reais ou precisos que foram apresentados na introdução. Ocorre, nesse plano, uma relação de causa-efeito, por exemplo, “o trânsito nas grandes cidades brasileiras está caótico”. Qual seria uma possível causa para esse problema? “o modelo de desenvolvimento centrado no transporte individual”.

Além disso, devemos apresentar uma espécie de solução para o problema. Duas soluções possíveis apresentadas por Fiorin (2017, p. 245) seriam “a mudança do modelo de desenvolvimento centrado no transporte individual”. De que forma? A partir de “investimentos maciços em transporte público e restrições ao transporte individual”.

Assim, para esse plano, temos o conceito da relação problema-causa-solução:

  • Problema (indicado na introdução – 1º parágrafo)
  • Causa -> a expressão “o fato de que… faz com que…” é muito utilizada para verificar o motivo que deu origem a algo. Em análise, temos que o fato de haver um modelo de desenvolvimento centrado no transporte público faz com que o trânsito nas grandes cidades brasileiras esteja caótico.                     
  • Solução (mudanças reais aplicadas ao tema – último(s) parágrafo(s).

Plano comparativo

O eixo comparativo desse plano é indicado na introdução. Nela, serão apresentados dois tipos distintos de determinada temática, por exemplo, “o racismo do século XIX e da primeira metade do século XX e outro desde final do século” (FIORIN, 2017, p. 249).

No desenvolvimento, encontramos as semelhanças que embasam a comparação, podendo ser elas expostos por “unidade e indivisibilidade da nação; hierarquia das raças; caráter autoritário; etnocentrismo, xenofobia etc.”, e as diferenças entre ela, podendo apresentar-se por diferenças históricas, conceituais etc.

Na conclusão, precisamos, neste plano, elaborar um discurso que não seja racista, discutindo o que foi enunciado na introdução, isto é, existem dois tipos de racismo no espectro do tempo. Há dois eixos centrais que podem conceber a distinção das formas de comparação. Segundo o mestre em Linguística pela USP, temos que: a) a oposição anunciada na introdução prossegue ao longo do texto e as consequências que decorrem da comparação são tiradas no fim do desenvolvimento; b) cada elemento da comparação constitui uma parte: analisa-se o primeiro termo da comparação; examina-se o segundo termo da comparação e, depois, faz-se uma reflexão nascida da confrontação dos fatos evocados nas duas partes precedentes. (FIORIN, 2017, p. 250)

Assim, para esse plano, temos o conceito dialético:

  • Introdução: enxergar dois tipos distintos de uma determinada temática;
  • Desenvolvimento: apresentar os contrastes por semelhança e diferença do tema;
  • Conclusão: elaborar um discurso que provoque uma reflexão originada da confrontação dos dois tipos da introdução.

Conclusão: a linha de chegada do texto

Em geral, o lugar-comum, quanto à estrutura do texto dissertativo, aponta-nos que a conclusão é o lugar do texto em que se deve repetir o que foi dito anteriormente. No entanto, a conclusão é o lugar de chegada da dissertação. Nela, devemos apresentar um balanço daquilo que discutimos durante o texto.

Assim, para a estrutura do texto dissertativo, o fecho textual deve conter uma relação lógica com o que foi apresentado na introdução e no desenvolvimento, devendo-se, nesse sentido, não se ater a apenas uma parte do texto. Cabe ressaltar, no entanto, que na conclusão é possível alargar o problema, “inserindo-o numa perspectiva mais geral ou mostrando que ele faz parte de uma problemática mais ampla”, cf. Fiorin (2017, p. 256), isso dependerá da intenção do autor e do comando a que se dirige a proposta.

A construção de um texto organizado, coeso e coerente – estrutura do texto dissertativo

Portanto, revisem esses tópicos da estrutura do texto dissertativo e comecem a colocá-los em prática. Não deixe de pensar na introdução como elaboração de uma tese ou indicação de um problema a ser resolvido. Além disso, no desenvolvimento, selecione o plano que melhor atenda à proposta de sua dissertação. Na conclusão, estabeleça um ponto de chegada do seu texto.

Cabe ressaltar, por fim, que o número de parágrafos de um texto pode variar de acordo com a intenção do autor. No entanto, é recomendável que se elabore um tópico/uma tese em um parágrafo. Assim, para cada parágrafo, haverá um plano de desenvolvimento a ser construído durante o processo de criação do seu texto. Para, com isso, concluí-lo.

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Um abraço a todos,

Igor Alcântara


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